Questões de EFAF Filosofia - Temática
744 Questões
Questão 1 10768431
CTI (UNIFICADO) C. Gerais 2019Leia o texto para responder à questão.
Vai um café grátis, em troca dos seus dados pessoais?
Parece o sonho de todo estudante: tomar cafés, chás ou sucos ilimitados todos os dias, sem pagar um centavo por isso. Para universitários no Japão, Índia e, recentemente, nos Estados Unidos, o sonho virou realidade com a rede Shiru Cafe. São 28 lojas nos campi de universidades nesses países, entre elas as renomadas Brown, Harvard, Yale e Princeton (as três últimas lojas estão em construção).
Mas, como diz o velho ditado, “quando a esmola é demais o santo desconfia”. Ou, também, “não existe almoço grátis”. É que, embora de fato não precisem pagar pelo cafezinho, os estudantes devem concordar em compartilhar seus dados pessoais com as empresas patrocinadoras da loja.
Funciona assim: o usuário cria uma conta com um e-mail universitário (pessoas não filiadas a uma escola não são bem-vindas no Shiru) e responde a um questionário que inclui ano de formatura, capacidades tecnológicas, experiência profissional e o tamanho de empresa que estaria interessado em trabalhar. Para professores, os cafés custam US$ 1. A ideia é que a bebida seja consumida dentro da loja, que tem internet grátis e telões com anúncios das empresas patrocinadoras.
Segundo o gerente da loja no campus da Universidade Brown, em Providence, na costa leste dos EUA, o objetivo todo é conectar os estudantes a possíveis empregadores. Mas a novidade, que abriu as portas em fevereiro, gerou algumas controvérsias entre os estudantes.
Entre os alunos dessa universidade, alguns questionam as regras de privacidade e observam que elas não estão claras o suficiente, pois nada garante que o café não vai recolher mais dados do que o combinado – algo possível se o usuário se conectar à rede wi-fi do local. Outros criticam a universidade por permitir uma “lavagem cerebral” e um recrutamento indiscriminado de grandes corporações. Finalmente, há aqueles que simplesmente aceitam que privacidade é coisa do passado e que, se atualmente dados pessoais estão sendo coletados a todo instante por diferentes companhias, um cafezinho grátis em troca não fará mal a ninguém. E você, de que lado estaria?
(https://revistagalileu.globo.com, 16.09.2018. Adaptado)
Uma frase condizente com as informações do texto e escrita em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa é:
Questão 6 10738280
IFF 2019/2Texto
Campanha Ampara Animal
Ao longo do tempo, o homem se revelou o mais irracional dos animais. Sua indiferença já maltratou e matou bilhões de seres indefesos.
A ganância desenfreada levou à extinção formas de vida insubstituíveis e devastou brutalmente seus biomas. A cada dia, 150 espécies são exterminadas do planeta devido à interferência humana.
O sofrimento, muitas vezes silencioso, é um grito de socorro desses que não têm voz para se defender.
Precisamos evoluir nosso jeito de nos relacionarmos com a natureza. Evoluir e romper este silêncio.
A conivência incentiva o crime. O poder de mudança está em nossas mãos.
A exploração a que submetemos os animais não humanos não pode mais ser tolerada.
Tenha empatia. Reflita. Não se cale. Transforme.
Sinta na pele!
Disponível em: https://www.facebook.com/amparanimal/posts/ao-longo-do-tempo-o-homem-se-revelou-o-maisirracional-dos-animais-sua-indiferen/2090592194323437/. Acesso em: 15 mar. 2019. [Adaptado]
A ONG “Ampara Animal”, em fevereiro de 2019, criou uma campanha intitulada “Sinta na Pele”, para conscientizar a todos sobre os maus tratos a animais. A ideia da campanha foi fazer com que as pessoas se colocassem no lugar dos animais e vissem o quão terríveis são os maus tratos. Com o intuito de atingir o maior número possível de pessoas, a campanha divulgou o texto III nas redes sociais.
Analise os comentários abaixo sobre o texto:
I. O texto, com o intuito de afiançar sua tese de que o homem é o mais irracional dos animais, utilizou, como recurso persuasivo, dados estatísticos sobre o tema abordado, como em: “A cada dia, 150 espécies são exterminadas do planeta devido à interferência humana”.
II. O texto apresenta, predominantemente, a função conativa da linguagem, ou seja, a mensagem está centrada no destinatário e tem como objetivo influenciar, envolver e convencer o interlocutor, como em: “Tenha empatia. Reflita. Não se cale. Transforme”.
III. Uma das informações expressas, no texto, é a de que a relação que o ser humano tem com a natureza deve ser consciente e ativa, uma vez que a conivência contribui para a persistência dos maus tratos aos animais.
IV. A Campanha “Sinta na Pele”, assim como outras campanhas comunitárias que surgem através de uma detecção de algum problema ou de uma demanda na comunidade, utiliza os verbos no imperativo, pois assim incita o interlocutor a adotar algum tipo de comportamento.
Marque a alternativa que contenha os comentários COERENTES ao texto:
Questão 4 10738269
IFF 2019/2Texto
A brutal morte de um cachorro vira-lata em um Carrefour leva o Brasil ao divã
"O animal representa uma natureza pura, sem ambiguidade. É o ideal que gostaríamos de ter para a gente. E nos faz sentir mais legais do que somos", explica a psicanalista Vera Iaconelli
Felipe Betim
06 de dezembro de 2018
Os últimos dias vêm sendo de enorme comoção desde que o vídeo da brutal morte de um cachorro vira-lata branco num supermercado Carrefour de Osasco, na região metropolitana de São Paulo, viralizou nas redes sociais. O animal foi espancado e envenenado por um segurança do local no último dia 28, conforme mostram as imagens da câmera de segurança do estabelecimento, e acabou não resistindo aos ferimentos. Internautas, ativistas pelos direitos dos animais, celebridades e políticos vêm se manifestando publicamente contra o bárbaro crime, uma mobilização que fez com que cerca de 1,5 milhão de pessoas assinassem uma petição exigindo a punição do funcionário. Uma manifestação foi convocada para sábado. O que está por trás de tamanha comoção? Em um país estruturalmente tão violento em que barbaridades cotidianas contra seres humanos são naturalizadas, por que as pessoas se sensibilizam dessa forma com a morte de um animal?
O EL PAÍS consultou a psicanalista Vera Iaconelli, doutora em psicologia pela USP e diretora do Instituto Gerar, que começa alertando: "Qualquer forma de crueldade contra seres vivos é injustificável e deve ser condenada em todas as instâncias. Mas parece existir certa desproporção com relação à defesa de alguns seres vivos em detrimento de outros, o que mostra que estamos com dificuldade de fazer uma reflexão sobre nossos valores". Ela explica que o valor de uma vida humana, de um animal e até de uma planta vai mudando ao longo da história — e estamos em uma época de amplo debate sobre a crueldade dispensada aos animais, incluindo os criados para abate e os utilizados em testes de laboratório. A isso se junta, segundo o diagnóstico de Iaconelli, o fato de os seres humanos estarem num alto grau de intolerância entre si, mesmo diante das dificuldades e histórias de vida. Por outro lado, toda a piedade, comoção, identificação e empatia vêm sendo transferidas para os animais.
Isso acontece, explica a psicanalista, porque os animais, especialmente os cães, possuem uma relação completamente desigual com o ser humano. "O cachorro não te critica. Você o chuta, mas ele volta. As pessoas estão muito intolerantes umas com as outras e vão tendo com o cachorro uma relação de espelhamento e de conforto narcísico e psíquico. Então, para a nossa vaidade humana, o cachorro nos satisfaz mais como companheiro, porque ele não é um interlocutor, não é um crítico, não me confronta comigo mesma. Ele é capaz de aceitar tudo", argumenta ela. É por essa relação de "subserviência absoluta" que o cachorro é o melhor amigo do homem, já que outro homem "te obriga a pensar em quem você é".
Assim, é mais fácil se mobilizar por um animal "que nos faz sentir maravilhosos" do que por um sujeito que, sendo humano, é falível por natureza. Isso faz com o cão seja visto como indefeso diante de quem deveria cuidar dele, alguém que é potente demais. "O animal representa para nós a natureza pura, sem ambiguidade, sem maldade. É o ideal do que gostaríamos de ter para nós mesmos e não conseguimos, porque somos um poço de ambiguidade. É um espelho que faz com que nos sintamos mais legais do que estando em contato com os outros humanos. Narciso acha feio o que o espelha demais", argumenta Iaconelli. "Temos relações idealizadas, não queremos a vida como ela é", acrescenta. [...]
Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/05/politica/1544035820_647759.html. Acesso em: 15 mar. 2019. [Adaptado]
De acordo com a psicanalista Vera Iaconelli, a atitude dos brasileiros nesse episódio do cachorro teve “certa desproporção com relação à defesa de alguns seres vivos em detrimento de outros”, fato este que, de acordo com o título, levou o Brasil ao “divã”.
Qual trecho a seguir NÃO corresponde à explicação da psicanalista para essa desproporcionalidade mencionada?
Questão 17 10731536
CMR 6° Ano - Português 2019TEXTO: Aprendendo com os erros
O mestre conduz seu aprendiz pela floresta. O mais velho caminha com igualdade, enquanto seu aprendiz escorrega e cai a todo instante.
O aprendiz blasfema, levanta-se e cospe no chão traiçoeiro e continua a acompanhar seu mestre.
Depois de longa caminhada, chegaram a um lugar sagrado. Sem parar, o mestre dá meia volta e começa a viagem de volta.
- Você não me ensinou nada hoje – diz o aprendiz, levando mais um tombo.
- Ensinei sim, mas você parece que não aprende – respondeu o mestre – estou tentando te ensinar como se lida com os erros da vida.
- E como lidar com eles?
- Como deveria lidar com seus tombos – respondeu o mestre – em vez de ficar amaldiçoando o lugar onde caiu, devia procurar aquilo que o fez escorregar.
Disponivel em: (ntips./ereaprender.com briatividades-de-interpretacao-de-texto-do-So-ano/interpretacao-Sano-aprendendo- com-os-erros/) acesso em:08jul19 (com adaptações)
Podemos inferir do texto que:
Questão 10 10724131
CMRJ 6° Ano - Português 2019Texto:
O Cão e o Lobo

Um lobo muito magro e faminto, todo pele e ossos, pôs-se um dia a filosofar sobre as
tristezas da vida. E nisso estava quando lhe surge pela frente um cão — mas um cão e tanto,
gordo, forte, de pelo fino e lustroso.
Espicaçado pela fome, o lobo teve ímpeto de
[5] atirar-se a ele. A prudência, entretanto, cochichou-lhe
ao ouvido: “Cuidado! Quem se mete a lutar com um
cão desses sai perdendo”.
O lobo aproximou-se do cão com toda a
cautela e disse:
[10] — Bravos! Palavra de honra que nunca vi um
cão mais gordo nem mais forte. Que pernas rijas, que
pelo macio! Vê-se que o amigo se trata...
— É verdade! — respondeu o cão. Confesso
que tenho tratamento de fidalgo. Mas, amigo lobo,
[15] suponho que você pode levar a mesma boa vida que
levo.
― Como?
— Basta que abandone esse viver errante,
esses hábitos selvagens e se civilize, como eu.
[20] — Explique-me lá isso por miúdo, pediu o lobo com um brilho de esperança nos olhos.
— É fácil. Eu apresento você ao meu senhor. Ele, está claro, simpatiza-se e dá a você o
mesmo tratamento que dá a mim: bons ossos de galinha, nacos de carne, um canil com palha
macia. Além disso, agrados, mimos a toda hora, palmadas amigas, um nome.
— Aceito! — respondeu o lobo. Quem não deixará uma vida miserável como esta por uma
[25] de regalos assim?
— Em troca disso — continuou o cão — você guardará o terreiro, não deixando entrar
ladrões nem vagabundos. Agradará ao senhor e à sua família, sacudindo a cauda e lambendo a
mão de todos.
— Fechado! — resolveu o lobo e emparelhando-se com o cachorro partiu a caminho da
[30] casa. Logo, porém, notou que o cachorro estava de coleira.
— Que diabo é isso que você tem no pescoço?
— É a coleira.
— E para que serve?
— Para me prenderem à corrente.
[35] — Então não é livre, não vai para onde quer, como eu?
— Nem sempre. Passo às vezes vários dias preso, conforme a veneta do meu senhor. Mas
que tem isso, se a comida é boa e vem à hora certa?
O lobo entreparou, refletiu e disse:
— Sabe do que mais? Até logo! Prefiro viver magro e faminto, porém livre e dono do meu
[40] focinho, a viver gordo e liso como você, mas de coleira ao pescoço. Fique-se lá com a sua gordura
de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre.
E afundou no mato.
LOBATO, Monteiro, in Fábulas: O Cão e o Lobo. Brasiliense, São Paulo, 2002, p. 29. Fonte da imagem Disponível: http://www.iejusa.com.br/mundoinfantil/fabulasbrasileiras.php. Acesso em 04 de out. de 2019.
No texto, ocorre, em certo momento, uma mudança radical no desenlace dos acontecimentos. A passagem que ilustra essa transformação é
Questão 13 10716496
CMBH 1°ano - Prova de Português 2019Texto
AUTISTÃO: PAÍS METAFÓRICO, APOIO CONCRETO
Autistas se reúnem no Rio de Janeiro para celebrar o Dia do Autistão e discutir de neurodiversidade a autoaceitação
[1] Em consonância com as comemorações do Dia Mundial da Conscientização do Autismo –
instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o dia 2 de abril, a Organização Diplomática
do Autistão, uma instituição sem fins lucrativos com diversos pontos e apoiadores no mundo, promoveu
o Dia do Autistão, em Copacabana, no Rio de Janeiro, neste último 31 de março.
[5] Na ocasião, autistas de diferentes estados do Brasil, presencialmente e virtualmente, discutiram
temas de escolha livre em mesas redondas variadas. Entre os debates, figuraram assuntos como
neurodiversidade, diagnóstico, preconceito, mulheres autistas e autoaceitação.
O responsável pelo evento foi o francês Eric Lucas, de 54 anos, que classificou a programação
como o dia mais difícil da sua vida. Foram mais de 10 horas, concentrado no gerenciamento das
[10] chamadas e na transmissão feita, simultaneamente, no YouTube e Facebook, para que fosse vista em
diferentes lugares do Brasil.
Diálogos
A ideia do Dia do Autistão surgiu apenas dois meses antes do evento propriamente dito. Apesar
da correria, Eric conseguiu reunir diferentes autistas em posições distintas no midiativismo autista –
como o youtuber Leonard Akira, a podcaster Erika Ribeiro e o adolescente Zeca Szymon – para falar
[15] dos temas que os interessavam.
“Eles foram muito colaborativos, muito pacientes, muito bacanas. Isso é o efeito mágico do
Brasil, o povo é mais humano, mais aberto, mais gentil e mais amável. O Brasil, na minha opinião como
francês, é um país muito avançado em termos de direitos para os autistas”, contou Eric.
O evento iniciou às 11h da manhã e seguiu até 21h30min. Os horários foram divididos em
[20] pequenas palestras, comentários, e incluíram-se, também, detalhes sobre o Autistão – um conceito
metafórico de um país dos autistas. Além disso, o público pôde acompanhar a transmissão no canal da
organização no YouTube e na página do Facebook.
A proposta, segundo Lucas, foi de difícil execução. Ele destaca que “foram mais de 10
voluntários, mas o evento envolveu muita tecnologia, interações e foi extremamente difícil. Não estamos
[25] acostumados a fazer coisas tão complicadas com o computador”.
Originalmente, o evento brasileiro ocorreria, simultaneamente, com a Journée de l’Autistan, na
Bélgica. No entanto, problemas na transmissão causaram mudanças de cronograma. Apesar dos
impasses, o Dia do Autistão manteve a participação de todos os autistas previstos. Lucas completa: “tive
muito estresse e medo de ter problemas técnicos, mas é o meu jeito de fazer. Porque, quando pensamos
[30] demais, pensamos que é impossível e não fazemos nada. Mas conseguimos fazer algo bem legal e
resolvemos os problemas juntos”.
Apoio
É impossível dissociar a Embaixada do Autistão, local físico da Organização Diplomática do
Autistão, da figura de Eric Lucas. Após sua saída da França, devido ao ataque terrorista de Paris, em
2015, Lucas alugou, em fevereiro de 2017, um apartamento de 40 m2 em Copacabana. O espaço recebe e
[35] apoia, com recursos próprios, autistas de diferentes lugares do país.
Eric, no passado, foi uma figura viajante e de muitas histórias. Chegou a figurar na edição de
2001 do Guinness World Records, esteve em países como Rússia, Egito e Cazaquistão, é poliglota, foi
DJ durante 15 anos e se adaptou à vida social na medida do possível. Há mais de dois anos, em terras
cariocas, se diz satisfeito com a mudança e evita aparecer em fotos.
[40] O francês mora com Shree Ram, um jovem nepalês que conheceu em uma de suas viagens ao
Nepal e que o acompanha no Autistão e na vida brasileira. “Temos uma amizade que não podíamos
imaginar. É como um irmão de outra mãe. Somos muito felizes aqui”, disse Eric.
Uma ajuda neurodiversa na vida de Eric é Ludmila Leal, que tem um irmão autista e colaborou,
de forma geral, na organização do evento. “Esse é o caminho para a humanidade. O único caminho da
[45] paz é esse, as pessoas aceitarem e se colocarem no lugar do outro”, ela afirma sobre a importância das
diferenças. Foi com a intenção de tentar entender outros autistas que Lucas fez o máximo de adaptações
possíveis para os convidados. Geuvana Nogueira, por exemplo, faz parte da Liga dos Autistas, tem
restrições alimentares e se deslocou de Campo Grande até o Rio. Na capital, foi auxiliada pela
organização e pelos demais autistas presentes.
[50] No Rio de Janeiro, Geuvana contou ter vivido desafios: “eu saí da minha zona de conforto, foi
delicado. Mas acredito que, quando conseguimos nos aceitar e nos olhar como autistas, o outro autista
não é difícil. É como se todo mundo já se conhecesse”.
Eric Lucas reiterou a missão do Autistão: “nós queremos colaborar com qualquer pessoa, sejam
autistas, famílias ou organizações. Somos uma organização de autistas, extranacional, ou seja, não ligada
[55] a nenhum país, com uma visão global para apoiar os ativistas nacionais”.
Histórias
Os bastidores do Dia do Autistão renderam encontros e vivências para os participantes. Erika
Ribeiro, podcaster do Erika’s Small Talk, reconheceu o evento como uma espécie de divisor de águas
em sua saga para “sair do armário”, que se arrastou por parte significativa dos seus 39 anos de idade.
“Fui diagnosticada no auge da minha carreira, com 22 anos. Eu cursava Direito, trabalhava, e
[60] aquilo me dava uma confusão mental. Fui procurar uma ajuda psiquiátrica e acabei diagnosticada com
TDA e Asperger. Resolvi vir pra botar a cara logo e bora!”, contou.
A maior parte dos participantes do evento era de adultos, exceto Zeca Szymon, um adolescente
de 14 anos, acompanhado da mãe, Magaly Botafogo. Já a participante Geuvana tem dois filhos adultos e
encara sua posição como algo diferente de grande parte das mães não autistas. Ela explica: “Um deles
[65] não mora comigo. Quando ele chega em casa, há um incômodo muito grande. Eu detesto que me
abracem, pois eu fico sufocada. Eu não me identifico mais com ele, mas é meu filho, eu gosto dele e
estou aprendendo a lidar com isso. Eu o criei para ter sua vida. A vida dele não é minha, é dele”.
O youtuber Leonard Akira enfatizou que as potencialidades autistas devem ser exploradas. “O
autismo, para parte dos pais, é considerado um tabu e um limitador. Eles pensam em todas as
[70] dificuldades que o filho terá na vida e na discriminação. Se um pai tiver uma visão mais esperançosa do
filho, ele verá as vantagens e desvantagens desta condição”.
Ludmila, que acompanhou tudo por detrás das câmeras de transmissão, aprovou o Dia do
Autistão. “Quanto mais eventos que mostram formas diferentes de viver, de pensar, de conviver, de
aceitar, melhor. Precisamos acabar com a intolerância, que está se espalhando na civilização, e neste
[75] momento, isso é de suma importância”.
ABREU, Tiago. Autistão: país metafórico, apoio concreto. Revista Autismo, São Paulo, ano V, n.5, p. 26-28, jun./jul./ago. 2019. Disponível em: Acesso em: 26 ago. 2019. (Texto adaptado.)
Assinale a alternativa em que o sentido do termo grifado está DEVIDAMENTE explicado nos parênteses:
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