Questões de EFAF Filosofia - Filosofia contemporânea
31 Questões
Questão 1 10421921
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2019Texto - Como vejo o mundo
Albert Einstein
[01] Minha condição humana me fascina. Conheço o limite de minha existência e ignoro por que
estou nesta terra, mas às vezes o pressinto. Pela experiência cotidiana, concreta e intuitiva, eu me o
descubro vivo para alguns homens, porque o sorriso e a felicidade deles me condicionam inteiramente,
mas ainda para outros que, por acaso, descobri terem emoções semelhantes às minhas.
[05] E cada dia, milhares de vezes, sinto minha vida — corpo e alma — integralmente tributária do
trabalho dos vivos e dos mortos. Gostaria de dar tanto quanto recebo e não paro de receber. Mas depois
experimento o sentimento satisfeito de minha solidão e quase demonstro má consciência ao exigir ainda
alguma coisa de outrem. Vejo os homens se diferenciarem pelas classes sociais e sei que nada as justifica
a não ser a violência. Sonho ser acessível e desejável para todos uma vida simples e natural, de corpo e
[10] de espírito.
Recuso-me a crer na liberdade e neste conceito filosófico. Eu não sou livre, e sim às vezes
constrangido por pressões estranhas a mim, outras vezes por convicções íntimas. Ainda jovem, fiquei
impressionado pela máxima de Schopenhauer: “O homem pode, é certo, fazer o que quer, mas não pode
querer o que quer”; e hoje, diante do espetáculo aterrador das injustiças humanas, esta moral me
[15] tranquiliza e me educa. Aprendo a tolerar aquilo que me faz sofrer. Suporto, por conseguinte, melhor
meu sentimento de responsabilidade. Ele já não me esmaga e deixo de me levar a sério demais. Vejo,
então, o mundo com bom humor. Não posso me preocupar com o sentido ou a finalidade de minha
existência, nem da dos outros, porque, do ponto de vista estritamente objetivo, é absurdo. Não obstante,
como homem, alguns ideais dirigem minhas ações e orientam meus juízos porque jamais considerei o
[20] prazer e a felicidade como um fim em si e deixo este tipo de satisfação aos indivíduos reduzidos a
instintos de grupo.
Em compensação, foram ideais que suscitaram meus esforços e me permitiram viver. Chamam-
-se o bem, a beleza, a verdade. Se não me identifico com outras sensibilidades semelhantes à minha e
se não me obstino incansavelmente em perseguir estes ideais eternamente inacessíveis na arte e na
[25] ciência, a vida perde todo o sentido para mim. Ora, a humanidade se apaixona por finalidades irrisórias
que têm por nome a riqueza, a glória, o luxo. Desde moço já as desprezava. Tenho forte amor pela
justiça, pelo compromisso social. Mas com muita dificuldade me integro com os homens e em suas
comunidades. Não lhes sinto a falta porque sou profundamente um solitário. Sinto-me realmente ligado
ao Estado, à pátria, a meus amigos, a minha família no sentido completo do termo. Mas meu coração
[30] experimenta, diante desses laços, curioso sentimento de estranheza, de afastamento e a idade vem
acentuando ainda mais essa distância. Conheço com lucidez e sem prevenção as fronteiras da
comunicação e da harmonia entre mim e os outros homens. Com isso, perdi algo da ingenuidade ou da
inocência, mas ganhei minha independência. Já não mais firmo uma opinião, um hábito ou um
julgamento sobre outra pessoa. Testei o homem. É inconsistente.[...]
[35] No entanto, creio profundamente na humanidade. [...] O mistério da vida me causa a mais forte
emoção. É o sentimento que suscita a beleza e a verdade, cria a arte e a ciência. Se alguém não conhece 7
esta sensação ou não pode mais experimentar espanto ou surpresa, já é um morto-vivo e seus olhos se
cegaram. Aureolada de temor, é a realidade secreta do mistério que constitui também a religião. Homens
reconhecem então algo de impenetrável a suas inteligências; conhecem, porém, as manifestações desta
[40] ordem suprema e da Beleza inalterável. Homens se confessam limitados e seu espírito não pode
apreender esta perfeição. E esse conhecimento e essa confissão tomam o nome de religião. Deste modo,
mas somente deste modo, sou profundamente religioso, bem como esses homens. [...) Não me canso
de contemplar o mistério da eternidade da vida. Tenho uma intuição da extraordinária construção do
ser. Mesmo que o esforço para compreendê-lo fique sempre desproporcionado, vejo a Razão se
[45] manifestar na vida.
Disponível em: https://alberteinsteinemc2.blogspot.com/2009/01/como-vejo-o-mundo.himl (Com adaptações). Acesso em: 11 set. 2019.
Quanto ao emprego das regras de colocação pronominal, marque a única alternativa correta.
Questão 9 10135901
CMM 1º Ano - Língua Portuguesa 2019TEXTO
Tempo e internet: sedução e mistério de um novo conceito de tempo
Eloiza Oliveira
O surgimento e rapidíssima difusão da internet provocaram uma verdadeira revolução, entre outras características, o rompimento dos conceitos tradicionais de espaço e tempo. Com a minimização das distâncias espaço-temporais e a intensificação da recursividade, a possibilidade de múltiplas interferências, a variedade de conexões e a diversificação de trajetórias, rompeu-se a temporalidade rígida, relativizando-a. [...]
Sherry Turkle (2012) faz duras críticas ao fato do longo tempo de conexão à internet, prática comum hoje em dia. Segundo ela, focalizando a questão das relações mediadas pela rede, a longa conexão traz uma “ilusão” de estar sempre acompanhado por olhos e ouvidos, de ter uma infinidade de “amigos”. A tecnologia providenciaria uma impressão de escuta permanente e de proteção contra a solidão e o desamparo, com três falsas certezas: a de que podemos colocar nossa atenção no que quisermos; a de que seremos sempre ouvidos; e a de que nunca ficaremos sós. Isso leva as pessoas, especialmente os adolescentes, a dizerem que, para se comunicar, preferem escrever a falar.
Em contrapartida, segundo a autora, a solidão oriunda da desconexão à internet, passa a ser percebida com medo, como um estado de desligamento que precisa ser evitado, um problema a ser resolvido, um estado que ameaça o sujeito em sua identidade e na percepção de si mesmo.
Em alguns casos, que não constituem o objeto deste artigo, o uso da internet adquire características de compulsão, provocando a dependência e a utilização do termo Transtorno de Dependência de Internet (TDI), em que estar conectado se transforma em uma imperiosa necessidade e o uso do tempo na internet, abusivo.
Para Palfrey e Gasser (2011, p. 210), “[...] o vício da internet, a síndrome da fadiga de informações e a sobrecarga de informações estão entre os termos que estão sendo lançados para descrever as novas doenças patológicas da era digital”.
A modificação do “fluir temporal”, a que as pessoas estão acostumadas, dá suporte a uma das características da contemporaneidade: a negação do tempo passado e a não conexão com o futuro (DRAWIN, 2003), que fazem parte do que Bauman (2001, 2004) chamou de “modernidade líquida”, caracterizada, entre outras coisas, pela fragilidade dos laços afetivos (“amor líquido”).
A extraterritorialidade e a fluidez típicas das relações na internet são assim caracterizadas pelo autor: “Diferentemente dos ‘relacionamentos reais’, é fácil entrar e sair dos ‘relacionamentos virtuais’. Em comparação com a ‘coisa autêntica’, pesada, lenta e confusa, eles parecem inteligentes e limpos, fáceis de usar, compreender e manusear. [...] Sempre se pode apertar a tecla de deletar.(BAUMAN, 2004, p. 13).
Para outros autores, como Rheingold (1993), no entanto, a capacidade de comunicação coletiva nos ambientes virtuais da internet possibilita a interação, os relacionamentos, as amizades e a formação de laços comunitários entre estranhos.
A verdade é que, com a vertiginosa expansão da internet, o homem, que desenvolveu o conceito de tempo desde o nascimento, a partir dos intervalos biológicos de sono, alimentação e satisfação das demais necessidades biológicas, fica perplexo e fascinado com essa nova dimensão ciberespacial e cibertemporal.
OLIVEIRA, E. S. G. Adolescência, internet e tempo: desafios para a Educação. Educar em Revista, Curitiba, Brasil, n. 64, p. 283-298, abr./jun. 2017. p. 287-9.
O termo “modernidade líquida” é de autoria do sociólogo Zygmunt Bauman e pode ser definido, segundo o texto, como:
Questão 4 10608011
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2017TEXTO
AS CASUALIDADES E A SORTE CAMBIANTES DA CRÍTICA
O que está errado com a sociedade em que vivemos, disse Cornelius Castoriadis, é que ela deixou de se questionar. É um tipo de sociedade que não mais reconhece qualquer alternativa para si mesma e, portanto, sente-se absolvida do dever de examinar, demonstrar, justificar (e que dirá provar) a validade de suas suposições tácitas e declaradas.
Isso não significa, entretanto, que nossa sociedade tenha suprimido (ou venha a suprimir) o pensamento crítico como tal. Ela não deixou seus membros reticentes (e menos ainda temerosos) em lhe dar voz. Ao contrário: nossa sociedade — uma sociedade de “indivíduos livres — fez da crítica da realidade, da insatisfação com “o que está aí” e da expressão dessa insatisfação uma parte inevitável e obrigatória dos afazeres da vida de cada um de seus membros. Como Anthony Giddens nos lembra, estamos hoje engajados na “política-vida”; somos “seres reflexivos” que olhamos de perto cada movimento que fazemos, que estamos raramente satisfeitos com seus resultados e sempre prontos a corrigi-los. De alguma maneira, no entanto, essa reflexão não vai longe o suficiente para alcançar os complexos mecanismos que conectam nossos movimentos com seus resultados e os determinam, e menos ainda as condições que mantêm esses mecanismos em operação. Somos talvez mais “predispostos à crítica”, mais assertivos e intransigentes em nossas críticas que nossos ancestrais em sua vida cotidiana, mas nossa crítica é, por assim dizer, “desdentada”, incapaz de afetar a agenda para nossas escolhas na “política-vida”. A liberdade sem precedentes que nossa sociedade oferece a seus membros chegou, como há tempo nos advertia Leo Strauss, e, com ela também, uma impotência sem precedentes.
Ouve-se algumas vezes a opinião de que a sociedade contemporânea (que aparece sob o nome de última sociedade moderna ou pós-moderna, a sociedade da “segunda modernidade” de Ulrich Beck ou, como prefiro cnamá-la, a “sociedade da modernidade fluida”) é inóspita para a crítica. Essa opinião parece perder de vista a natureza da mudança presente, ao supor que O próprio significado de “hospitalidade” permanece invariável em sucessivas fases históricas. A questão é, porém, que a sociedade contemporânea deu à “hospitalidade à crítica” um sentido inteiramente novo e inventou um modo de acomodar o pensamento e a ação crítica permanecendo imune às consequências dessa acomodação e saindo, assim, intacta e sem cicatrizes — reforçada, e não enfraquecida — das tentativas e testes da “política de portas abertas”.
BAUMAN, Zygmunt. A modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
O Texto vale-se do pensamento de Comelius Castoradis a respeito do comportamento equivocado da sociedade.
Com base no pensamento desse autor, o que está errado com a sociedade em que vivemos consiste em
Questão 3 10607988
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2017TEXTO
AS CASUALIDADES E A SORTE CAMBIANTES DA CRÍTICA
O que está errado com a sociedade em que vivemos, disse Cornelius Castoriadis, é que ela deixou de se questionar. É um tipo de sociedade que não mais reconhece qualquer alternativa para si mesma e, portanto, sente-se absolvida do dever de examinar, demonstrar, justificar (e que dirá provar) a validade de suas suposições tácitas e declaradas.
Isso não significa, entretanto, que nossa sociedade tenha suprimido (ou venha a suprimir) o pensamento crítico como tal. Ela não deixou seus membros reticentes (e menos ainda temerosos) em lhe dar voz. Ao contrário: nossa sociedade — uma sociedade de “indivíduos livres — fez da crítica da realidade, da insatisfação com “o que está aí” e da expressão dessa insatisfação uma parte inevitável e obrigatória dos afazeres da vida de cada um de seus membros. Como Anthony Giddens nos lembra, estamos hoje engajados na “política-vida”; somos “seres reflexivos” que olhamos de perto cada movimento que fazemos, que estamos raramente satisfeitos com seus resultados e sempre prontos a corrigi-los. De alguma maneira, no entanto, essa reflexão não vai longe o suficiente para alcançar os complexos mecanismos que conectam nossos movimentos com seus resultados e os determinam, e menos ainda as condições que mantêm esses mecanismos em operação. Somos talvez mais “predispostos à crítica”, mais assertivos e intransigentes em nossas críticas que nossos ancestrais em sua vida cotidiana, mas nossa crítica é, por assim dizer, “desdentada”, incapaz de afetar a agenda para nossas escolhas na “política-vida”. A liberdade sem precedentes que nossa sociedade oferece a seus membros chegou, como há tempo nos advertia Leo Strauss, e, com ela também, uma impotência sem precedentes.
Ouve-se algumas vezes a opinião de que a sociedade contemporânea (que aparece sob o nome de última sociedade moderna ou pós-moderna, a sociedade da “segunda modernidade” de Ulrich Beck ou, como prefiro cnamá-la, a “sociedade da modernidade fluida”) é inóspita para a crítica. Essa opinião parece perder de vista a natureza da mudança presente, ao supor que O próprio significado de “hospitalidade” permanece invariável em sucessivas fases históricas. A questão é, porém, que a sociedade contemporânea deu à “hospitalidade à crítica” um sentido inteiramente novo e inventou um modo de acomodar o pensamento e a ação crítica permanecendo imune às consequências dessa acomodação e saindo, assim, intacta e sem cicatrizes — reforçada, e não enfraquecida — das tentativas e testes da “política de portas abertas”.
BAUMAN, Zygmunt. A modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
Com relação ao enfoque temático do Texto, é correto afirmar que o (a)
Questão 2 10607946
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2017TEXTO
AS CASUALIDADES E A SORTE CAMBIANTES DA CRÍTICA
O que está errado com a sociedade em que vivemos, disse Cornelius Castoriadis, é que ela deixou de se questionar. É um tipo de sociedade que não mais reconhece qualquer alternativa para si mesma e, portanto, sente-se absolvida do dever de examinar, demonstrar, justificar (e que dirá provar) a validade de suas suposições tácitas e declaradas.
Isso não significa, entretanto, que nossa sociedade tenha suprimido (ou venha a suprimir) o pensamento crítico como tal. Ela não deixou seus membros reticentes (e menos ainda temerosos) em lhe dar voz. Ao contrário: nossa sociedade — uma sociedade de “indivíduos livres — fez da crítica da realidade, da insatisfação com “o que está aí” e da expressão dessa insatisfação uma parte inevitável e obrigatória dos afazeres da vida de cada um de seus membros. Como Anthony Giddens nos lembra, estamos hoje engajados na “política-vida”; somos “seres reflexivos” que olhamos de perto cada movimento que fazemos, que estamos raramente satisfeitos com seus resultados e sempre prontos a corrigi-los. De alguma maneira, no entanto, essa reflexão não vai longe o suficiente para alcançar os complexos mecanismos que conectam nossos movimentos com seus resultados e os determinam, e menos ainda as condições que mantêm esses mecanismos em operação. Somos talvez mais “predispostos à crítica”, mais assertivos e intransigentes em nossas críticas que nossos ancestrais em sua vida cotidiana, mas nossa crítica é, por assim dizer, “desdentada”, incapaz de afetar a agenda para nossas escolhas na “política-vida”. A liberdade sem precedentes que nossa sociedade oferece a seus membros chegou, como há tempo nos advertia Leo Strauss, e, com ela também, uma impotência sem precedentes.
Ouve-se algumas vezes a opinião de que a sociedade contemporânea (que aparece sob o nome de última sociedade moderna ou pós-moderna, a sociedade da “segunda modernidade” de Ulrich Beck ou, como prefiro cnamá-la, a “sociedade da modernidade fluida”) é inóspita para a crítica. Essa opinião parece perder de vista a natureza da mudança presente, ao supor que O próprio significado de “hospitalidade” permanece invariável em sucessivas fases históricas. A questão é, porém, que a sociedade contemporânea deu à “hospitalidade à crítica” um sentido inteiramente novo e inventou um modo de acomodar o pensamento e a ação crítica permanecendo imune às consequências dessa acomodação e saindo, assim, intacta e sem cicatrizes — reforçada, e não enfraquecida — das tentativas e testes da “política de portas abertas”.
BAUMAN, Zygmunt. A modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
Com base na relação semântica, considere os excertos reproduzidos abaixo.
I. “Somos talvez mais “predispostos à crítica”, mais assertivos e intransigentes em nossas críticas.”
II. “Ouve-se algumas vezes a opinião de que a sociedade contemporânea (...) é inóspita para a crítica.
Os adjetivos destacados significam, respectivamente,
Questão 1 10607708
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2017TEXTO
AS CASUALIDADES E A SORTE CAMBIANTES DA CRÍTICA
O que está errado com a sociedade em que vivemos, disse Cornelius Castoriadis, é que ela deixou de se questionar. É um tipo de sociedade que não mais reconhece qualquer alternativa para si mesma e, portanto, sente-se absolvida do dever de examinar, demonstrar, justificar (e que dirá provar) a validade de suas suposições tácitas e declaradas.
Isso não significa, entretanto, que nossa sociedade tenha suprimido (ou venha a suprimir) o pensamento crítico como tal. Ela não deixou seus membros reticentes (e menos ainda temerosos) em lhe dar voz. Ao contrário: nossa sociedade — uma sociedade de “indivíduos livres — fez da crítica da realidade, da insatisfação com “o que está aí” e da expressão dessa insatisfação uma parte inevitável e obrigatória dos afazeres da vida de cada um de seus membros. Como Anthony Giddens nos lembra, estamos hoje engajados na “política-vida”; somos “seres reflexivos” que olhamos de perto cada movimento que fazemos, que estamos raramente satisfeitos com seus resultados e sempre prontos a corrigi-los. De alguma maneira, no entanto, essa reflexão não vai longe o suficiente para alcançar os complexos mecanismos que conectam nossos movimentos com seus resultados e os determinam, e menos ainda as condições que mantêm esses mecanismos em operação. Somos talvez mais “predispostos à crítica”, mais assertivos e intransigentes em nossas críticas que nossos ancestrais em sua vida cotidiana, mas nossa crítica é, por assim dizer, “desdentada”, incapaz de afetar a agenda para nossas escolhas na “política-vida”. A liberdade sem precedentes que nossa sociedade oferece a seus membros chegou, como há tempo nos advertia Leo Strauss, e, com ela também, uma impotência sem precedentes.
Ouve-se algumas vezes a opinião de que a sociedade contemporânea (que aparece sob o nome de última sociedade moderna ou pós-moderna, a sociedade da “segunda modernidade” de Ulrich Beck ou, como prefiro cnamá-la, a “sociedade da modernidade fluida”) é inóspita para a crítica. Essa opinião parece perder de vista a natureza da mudança presente, ao supor que O próprio significado de “hospitalidade” permanece invariável em sucessivas fases históricas. A questão é, porém, que a sociedade contemporânea deu à “hospitalidade à crítica” um sentido inteiramente novo e inventou um modo de acomodar o pensamento e a ação crítica permanecendo imune às consequências dessa acomodação e saindo, assim, intacta e sem cicatrizes — reforçada, e não enfraquecida — das tentativas e testes da “política de portas abertas”.
BAUMAN, Zygmunt. A modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
Considere os trechos selecionados do Texto.
I. “É um tipo de de sociedade que não mais reconhece qualquer alternativa para si mesma e, portanto, sente-se absolvida do dever de examinar, demonstrar, justificar (e que dirá provar) a validade de suas suposições tácitas e declaradas.
II. “Isso não significa, entretanto, que nossa sociedade tenha suprimido (ou venha a suprimir) o pensamento crítico como tal.”
Sobre os trechos apresentados, é correto afirmar que os (as)
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)