Questões de EFAF Filosofia - Temática
744 Questões
Questão 9 10168964
CMJF 1° Ano - Prova de Português 2010TEXTO
CARPE DIEM
Carpe diem, “aproveite o dia presente”, escreveu Horácio, um poeta guerreiro que habitou o vasto
império romano, em tempos do principesco Augustus. Sensível como um barômetro, o velho Quintus
Horatius Flaccus um dia elevou o olhar aos céus e captou o fluir silencioso das águas do rio tempo. A
visão da transitoriedade aflorou na sentença: Carpe diem, aproveite o dia presente, pois ele é tudo o que
[5] é dado ao homem usufruir. Passado é história, água corrida que não volta. Futuro é hipótese,
probabilidade apenas, incerteza e risco, impalpável demais para ser levado tão a sério.
Carpe diem, nessas duas palavras latinas, um alerta, um conselho, uma filosofia de vida. Viver é já.
Existir é hoje. Nenhum tempo além. Nenhum lugar além. Se tiver de ser, que seja eternamente agora. Ou
talvez jamais, porque as águas do rio tempo não voltam – e ainda que voltassem não nos encontrariam,
[10] pois não seríamos mais os mesmos. Tudo flui, dizia Heródoto. Tudo muda. À única coisa que permanece
é a improcedência. Nada é eterno, pois que tudo é chama, fluxo, incapacidade, escorregar-se, deixar de
ser. Carpe diem. Se tiver de viver, que seja agora.
A advertência de Horácio é sábia. E sobretudo útil. Talvez mais útil ainda nestes tempos
sobrecarregados, de cenhos sombrios, estafados na tentativa de construir defesas antecipadas contra
[15] difusos perigos de um amanhã improvável. Apólices de seguro na mão, e vamos nós, seguros e
inseguros. os :
Carpe diem, ouçamos Horácio, que perscrutou uma verdade profunda – e traduziu-a numa norma
simples. Viver hoje – fazer hoje. Ser hoje. Sem essa de não poder ser feliz no domingo porque há contas
a pagar na segunda. O conflito é amanhã? Deixa pra lá... Amanhã você pode ser até enforcado, mas até
[20] que chegue amanhã, aproveite bem o seu pescoço.
Viver no passado é neurótico, é inútil, é um viver virtual. Carpe diem, colha seu dia, como quem
colhe um fruto maduro, na hora exata. Um descuido e o fruto se perde.
Carpe diem quer dizer colha o dia. Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanha estará
podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente.
(Adaptação de texto de autor desconhecido) Publicado por Roberto Recinella no Recanto das Létras em 16/04/2007 Disponível em: http:lltecantodasletras.uol.com.bHensaios/451555 Acesso em: 25a99:2010
No trecho "(...) Ou talvez jamais, porque as águas do rio tempo não voltam – e ainda que voltassem não nos encontrariam, pois não seriamos mais os mesmos." (linhas 8 a 10, texto), ainda que expressa, nesse caso:
Questão 6 10168805
CMJF 1° Ano - Prova de Português 2010TEXTO I
CARPE DIEM
Carpe diem, “aproveite o dia presente”, escreveu Horácio, um poeta guerreiro que habitou o vasto
império romano, em tempos do principesco Augustus. Sensível como um barômetro, o velho Quintus
Horatius Flaccus um dia elevou o olhar aos céus e captou o fluir silencioso das águas do rio tempo. A
visão da transitoriedade aflorou na sentença: Carpe diem, aproveite o dia presente, pois ele é tudo o que
[5] é dado ao homem usufruir. Passado é história, água corrida que não volta. Futuro é hipótese,
probabilidade apenas, incerteza e risco, impalpável demais para ser levado tão a sério.
Carpe diem, nessas duas palavras latinas, um alerta, um conselho, uma filosofia de vida. Viver é já.
Existir é hoje. Nenhum tempo além. Nenhum lugar além. Se tiver de ser, que seja eternamente agora. Ou
talvez jamais, porque as águas do rio tempo não voltam – e ainda que voltassem não nos encontrariam,
[10] pois não seríamos mais os mesmos. Tudo flui, dizia Heródoto. Tudo muda. À única coisa que permanece
é a improcedência. Nada é eterno, pois que tudo é chama, fluxo, incapacidade, escorregar-se, deixar de
ser. Carpe diem. Se tiver de viver, que seja agora.
A advertência de Horácio é sábia. E sobretudo útil. Talvez mais útil ainda nestes tempos
sobrecarregados, de cenhos sombrios, estafados na tentativa de construir defesas antecipadas contra
[15] difusos perigos de um amanhã improvável. Apólices de seguro na mão, e vamos nós, seguros e
inseguros. os :
Carpe diem, ouçamos Horácio, que perscrutou uma verdade profunda – e traduziu-a numa norma
simples. Viver hoje – fazer hoje. Ser hoje. Sem essa de não poder ser feliz no domingo porque há contas
a pagar na segunda. O conflito é amanhã? Deixa pra lá... Amanhã você pode ser até enforcado, mas até
[20] que chegue amanhã, aproveite bem o seu pescoço.
Viver no passado é neurótico, é inútil, é um viver virtual. Carpe diem, colha seu dia, como quem
colhe um fruto maduro, na hora exata. Um descuido e o fruto se perde.
Carpe diem quer dizer colha o dia. Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanha estará
podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente.
(Adaptação de texto de autor desconhecido) Publicado por Roberto Recinella no Recanto das Létras em 16/04/2007 Disponível em: http:lltecantodasletras.uol.com.bHensaios/451555 Acesso em: 25a99:2010
TEXTO II
CARPE DIEM
As operações matemáticas da vida contrariam as regras da ciência. Na vida, as operações se
contradizem, não respeitam a lógica. Na vida, nada é simples ou absoluto.
As somas muitas vezes se transformam em subtrações, elas parecem estar paralelas, mas em
sentidos opostos. Quando somamos mais um dia aqueles que já vivemos, automaticamente também
[5] subtraímos um dia daqueles que nos restam para viver. Quando multiplicamos nossos sonhos, também
acabamos dividindo o nosso tempo. Com isso, a vida acaba se transformando para muitas pessoas em
uma equação insolúvel, em que todos estão debruçados, tentando obter o resultado final, sendo que, na
realidade, o importante não está no resultado final, mas nas formas como você conseguiu equilibrar
essas operações na vida.
[10] O que afinal entendemos por aproveitar o dia presente se vivemos aprisionados entre o passado e o
futuro? Vivemos atormentados pelas nossas ações passadas que não podem mais ser alteradas.
Parecemos espectadores cativos do mesmo velho cinema abandonado onde, nas madrugadas frias, se
reprisam filmes de terror, contendo somente os melhores momentos de nossos próprios erros e pecados.
Ao invés de aprendermos com nossas falhas e arquivá-las, apenas voltamos à bilheteria para comprar
[15] um novo bilhete para a próxima sessão.
Ficamos sonhando ansiosos com um futuro que somente existirá se soubermos equacionar
adequadamente as nossas ações no presente.
A solução para a equação da vida está no momento presente, é o resultado das suas atitudes e
decisões agora, hoje, neste exato momento em que você está lendo esta linha do texto.
[20] Não existe viver ontem ou amanhã, somente o HOJE. Por isso, Carpe diem.
“Se tiver que amar, ame hoje. Se tiver que sorrir, sorria hoje. Se tiver que chorar, chore hoje. Pois o
importante é viver hoje. O ontem já foi e o amanhã talvez não venha”.
(Adaptação de texto de autor desconhecido) Publicado por Roberto Recinella no Recanto das Letras em 16/04/2007 Disponível em: http:/lrecantodasletras.uol.com.br/ensaios/451555 Acesso em: 25ago.2010
TEXTO III
Carpe Diem
(Catedral)*
Quem chegou à liberdade da razão
Se sente como um andarilho, mas que não está perdido
Toda convicção é crença de estar
Em algum ponto do conhecimento, na posse da verdade
[5] incondicionada
Não se entra duas vezes no mesmo rio
Estamos ainda no tempo dos indivíduos, só depois de deixarmos a
cidade
E que veremos a que altura estão as torres, acima das
[10] casas... acima das casas
Paz na Terra e aos homens de todo coração
Há tantas auroras que não brilharam ainda
Eu moro em minha casa, não imitei de ninguém
E a porta dela estão aberta pra você também!
[15] Vai coração dizer que Ele está aqui, aproveite o dia
Todo espelho mostra apenas o que queremos ver,
a palavra fez ao homem muito mais que ele fez por ela
Disponível em: http:/lletras.terra.com.br/catedral/92304/ Acesso em: 26ayo.2010
*Catedral é uma banda brasileira de Pop-rock/MPB formada no Rio de Janeiro em 1987. É normalmente conhecida por abordar nas letras de suas canções uma mensagem cristã descomprometida, somada a temas como amor e política.
Disponível em: http://pt.wikipedia.orgAwiki/catedral (banda) Acesso em: 26ag0.2010
TEXTO IV

VIVE O HOJE
SE O CALOR DO SOL TE AQUECE, APROVEITA.
SE À CHUVA TE TRAZ RECORDAÇÕES, LEMBRA.
SE UMA CRIANÇA SORRIR, FESTEJA.
SE UM BEIJA-FLOR POUSAR EM UM GALHO, ADMIRA.
[5] SE TUA VIDA É GLORIOSA, AGRADECE.
SE O TEU CORAÇÃO PALPITA MAIS FORTE, AMA.
SE UM AMIGO TE ESTENDER A MÃO, SEGURA-A.
SE FOR SOLICITADO A DOAR-TE, DOA-TE.
SE RECEBERES PALAVRAS DE CONFORTO, ANIMA-TE.
[10] SE A PORTA DA FELICIDADE SE ABRIR, ENTRA.
ENFIM, SE FORES FELIZ, MOSTRA.
E NUNCA ABANDONA O TEU CORPO DO TEU ESPÍRITO.
VIVE INTENSAMENTE O MOMENTO PRESENTE,
POIS O AMANHÃ PODERÁ NÃO ACONTECER.
(Adaptação do texto de Francisco Albano Boscatto) Publicado no Recanto das Letras em 15/02/2008 Disponível em: http:llrecantodasletras.uol.com.br/poesiasdealegria/860776 Acesso em: 26ago.2010
Considerando as ideias recorrentes nos fragmentos abaixo, analise as proposições:
I. “Não se entra duas vezes no mesmo rio” (verso 6, texto III), que tem a ideia retomada em “as águas do rio tempo não voltam” (linha 9, texto I).
II. “Não existe viver ontem ou amanhã, somente o hoje” (linha 20, texto II), que tem a ideia retomada em: “pois o amanhã poderá não acontecer” (verso 14, texto IV), em “viver hoje – fazer hoje. Ser hoje” (linha 18, texto I e em “Viver no passado é neurótico, é inútil” (linha 21, texto I).
III. “(...) Vivemos aprisionados entre o passado e o futuro?” (linhas 10 e 11, texto II), que tem a ideia retomada em “Passado é história, água corrida que não volta” (linha 5, texto I).
Estão corretas as associações feitas nas seguintes proposições:
Questão 1 10168549
CMJF 1° Ano - Prova de Português 2010TEXTO I
CARPE DIEM
Carpe diem, “aproveite o dia presente”, escreveu Horácio, um poeta guerreiro que habitou o vasto
império romano, em tempos do principesco Augustus. Sensível como um barômetro, o velho Quintus
Horatius Flaccus um dia elevou o olhar aos céus e captou o fluir silencioso das águas do rio tempo. A
visão da transitoriedade aflorou na sentença: Carpe diem, aproveite o dia presente, pois ele é tudo o que
[5] é dado ao homem usufruir. Passado é história, água corrida que não volta. Futuro é hipótese,
probabilidade apenas, incerteza e risco, impalpável demais para ser levado tão a sério.
Carpe diem, nessas duas palavras latinas, um alerta, um conselho, uma filosofia de vida. Viver é já.
Existir é hoje. Nenhum tempo além. Nenhum lugar além. Se tiver de ser, que seja eternamente agora. Ou
talvez jamais, porque as águas do rio tempo não voltam – e ainda que voltassem não nos encontrariam,
[10] pois não seríamos mais os mesmos. Tudo flui, dizia Heródoto. Tudo muda. À única coisa que permanece
é a improcedência. Nada é eterno, pois que tudo é chama, fluxo, incapacidade, escorregar-se, deixar de
ser. Carpe diem. Se tiver de viver, que seja agora.
A advertência de Horácio é sábia. E sobretudo útil. Talvez mais útil ainda nestes tempos
sobrecarregados, de cenhos sombrios, estafados na tentativa de construir defesas antecipadas contra
[15] difusos perigos de um amanhã improvável. Apólices de seguro na mão, e vamos nós, seguros e
inseguros. os :
Carpe diem, ouçamos Horácio, que perscrutou uma verdade profunda – e traduziu-a numa norma
simples. Viver hoje – fazer hoje. Ser hoje. Sem essa de não poder ser feliz no domingo porque há contas
a pagar na segunda. O conflito é amanhã? Deixa pra lá... Amanhã você pode ser até enforcado, mas até
[20] que chegue amanhã, aproveite bem o seu pescoço.
Viver no passado é neurótico, é inútil, é um viver virtual. Carpe diem, colha seu dia, como quem
colhe um fruto maduro, na hora exata. Um descuido e o fruto se perde.
Carpe diem quer dizer colha o dia. Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanha estará
podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente.
(Adaptação de texto de autor desconhecido) Publicado por Roberto Recinella no Recanto das Létras em 16/04/2007 Disponível em: http:lltecantodasletras.uol.com.bHensaios/451555 Acesso em: 25a99:2010
TEXTO II
CARPE DIEM
As operações matemáticas da vida contrariam as regras da ciência. Na vida, as operações se
contradizem, não respeitam a lógica. Na vida, nada é simples ou absoluto.
As somas muitas vezes se transformam em subtrações, elas parecem estar paralelas, mas em
sentidos opostos. Quando somamos mais um dia aqueles que já vivemos, automaticamente também
[5] subtraímos um dia daqueles que nos restam para viver. Quando multiplicamos nossos sonhos, também
acabamos dividindo o nosso tempo. Com isso, a vida acaba se transformando para muitas pessoas em
uma equação insolúvel, em que todos estão debruçados, tentando obter o resultado final, sendo que, na
realidade, o importante não está no resultado final, mas nas formas como você conseguiu equilibrar
essas operações na vida.
[10] O que afinal entendemos por aproveitar o dia presente se vivemos aprisionados entre o passado e o
futuro? Vivemos atormentados pelas nossas ações passadas que não podem mais ser alteradas.
Parecemos espectadores cativos do mesmo velho cinema abandonado onde, nas madrugadas frias, se
reprisam filmes de terror, contendo somente os melhores momentos de nossos próprios erros e pecados.
Ao invés de aprendermos com nossas falhas e arquivá-las, apenas voltamos à bilheteria para comprar
[15] um novo bilhete para a próxima sessão.
Ficamos sonhando ansiosos com um futuro que somente existirá se soubermos equacionar
adequadamente as nossas ações no presente.
A solução para a equação da vida está no momento presente, é o resultado das suas atitudes e
decisões agora, hoje, neste exato momento em que você está lendo esta linha do texto.
[20] Não existe viver ontem ou amanhã, somente o HOJE. Por isso, Carpe diem.
“Se tiver que amar, ame hoje. Se tiver que sorrir, sorria hoje. Se tiver que chorar, chore hoje. Pois o
importante é viver hoje. O ontem já foi e o amanhã talvez não venha”.
(Adaptação de texto de autor desconhecido) Publicado por Roberto Recinella no Recanto das Letras em 16/04/2007 Disponível em: http:/lrecantodasletras.uol.com.br/ensaios/451555 Acesso em: 25ago.2010
Em termos argumentativos, NÃO se pode dizer que:
Questão 10 10726995
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2009Texto
Ah! Por favor,diz...
Diz que você me ama, vai, diz.
Diz que quem ama o feio bonito lhe parece.
Diz que Deus ajuda quem madruga, diz. Diz e prova, vai.
Diz que não é possível que o medíocre leve vantagem sobre o mais competente, que o esperto derrote o aplicado.
Diz que você nunca foi assaltado, nem seu vizinho nem ninguém de sua parentela.
Diz que os pobres herdarão o reino dos céus.
Diz que os juros vão cair.
Diz que o FMI vai perdoar as nossas dívidas como nós perdoamos os nossos devedores. (...)
Diz que essa política de cotas para negros é um equívoco, atitude assistencialista, é cópia dos Estados Unidos, que lá não deu certo e que aqui a questão racial é bem diferente, e que vão acabar fazendo com que todo negro com diploma na mão ou que freqüenta universidade parecerá ter conseguido isto por caridade e não por competência. (...)
Diz que o que tem que ser tem muita força, que o bem, pelo menos, às vezes, vence o mal. (...)
Diz que nunca perdeu dinheiro na compra de um imóvel, de um terreno ou num investimento que um amigo aconselhou.
Diz que anda na rua despreocupada, que larga a bolsa na cadeira ou em cima do balcão.
Diz que está cada vez mais convencido de que a justiça tarda, mas não falha.
Diz que passa pela polícia sem sobressalto, que quando vê os fardados pararem carros de jovens na estrada não pensa que estes estão sendo achacados.
Diz que as estradas não têm buracos, que estão todas luminosamente sinalizadas e é uma delícia deslizar por elas.
Diz que não é verdade, vai, diz que não é possível que o Bush vai ser reeleito.
Diz que não está arrependido do voto que deu na última eleição, aliás, diz que nunca se arrependeu, que sempre votou certo. (...)
Diz que as grandes potências vão deixar de ser hipócritas, que os Estados Unidos vão, finalmente, assinar o Protocolo de Kyoto para diminuir a poluição. (...)
Diz que não importa ganhar, que o importante é competir.
Diz que ordem é progresso.
Diz que quem espera sempre alcança.
Diz que o Brasil é o país do futuro. Ou melhor, do presente.
(SANT’ANNA, Afonso Romano de. Tempo de delicadeza. Porto Alegre: L&PM, 2007)
A forma verbal que se repete enfaticamente no texto caracteriza uma função da linguagem.
Em que alternativa ocorre a identificação adequada dessa função e do modo em que está flexionado o verbo?
Questão 7 10176169
IFCE* 1° Ano 2009/1AMAR O PRÓXIMO PODE NÃO SER UM PRODUTO BÁSICO DO INSTINTO DE SOBREVIVÊNCIA – MAS TAMBÉM NÃO O É O AMOR-PRÓPRIO, TOMADO COMO MODELO DO AMOR AO PRÓXIMO
Amor-próprio – o que significa isso? O que eu amo “em mim mesmo”? O que eu amo quando amo a mim
mesmo? Nós, humanos, compartilhamos os instintos de sobrevivência com nossos primos animais, sejam os
próximos, os nem tão próximos ou os bem distantes – mas, quando se trata de amor-próprio, nossos caminhos
se separam e seguimos por conta própria.
[5] É verdade que o amor-próprio estimula a gente a se “agarrar à vida”, a tentar a todo custo permanecer
vivo, a resistir e enfrentar o que quer que ameace pôr fim à nossa vida de modo prematuro ou abrupto, ou
melhor ainda, a melhorar nosso vigor e aptidão física para tornar efetiva essa resistência. Nisso, contudo,
nossos primos animais são mestres em experiências, não menos que os mais dedicados e habilidosos viciados
em ginástica e maníacos por saúde. Nossos primos animais (com exceção daqueles “domesticados”, que nós,
[10] seus donos humanos, despimos de seus dons naturais para melhor servirem à nossa sobrevivência, e não à
deles) não precisam de especialistas para lhes dizer como se manterem vivos e em forma. Tampouco precisam
do amor-próprio para lhes ensinar que manter-se vivo e em forma é a coisa certa a fazer.
A sobrevivência (animal, física, corpórea) pode viver sem o amor-próprio. Para dizer a verdade, poderia
acontecer melhor sem ele do que em sua companhia! Os caminhos dos instintos de sobrevivência e do
[15] amor-próprio podem correr paralelamente, mas também em direções opostas... O amor-próprio pode rebelar-se
contra a continuação da vida. Ele nos estimula a convidar o perigo e dar boas-vindas à ameaça. Pode nos levar
a rejeitar uma vida que não se ajusta a nossos padrões e que, portanto, não vale a pena ser vivida.
Pois o que amamos em nosso amor-próprio são os eus apropriados para serem amados. O que
amamos é o estado, ou a esperança, de sermos amados. De sermos objetos dignos do amor, sermos
[20] reconhecidos como tais e recebermos a prova desse reconhecimento.
Em suma: para termos amor-próprio, precisamos ser amados. A recusa do amor – a negação do status
de objeto digno do amor – alimenta a autoaversão. O amor-próprio é construído a partir do amor que nos é
oferecido por outros. Se na sua construção forem usados substitutos, eles devem parecer cópias, embora
fraudulentas, desse amor. Outros devem nos amar primeiro para que comecemos a amar a nós mesmos.
[25] E como podemos saber que não fomos desconsiderados ou descartados como um caso sem esperança,
que o amor está, pode estar, estará prestes a aparecer, que somos dignos dele, e assim termos o direito de nos
entregar ao amour de soi e ter prazer com isso? Nós o sabemos, acreditamos que sabemos e somos
tranquilizados de que essa crença não é um equívoco quando falam conosco e somos ouvidos, quando nos
ouvem com atenção, com um interesse que trai/sinaliza uma presteza em responder. Então concluímos que
[30] somos respeitados. Ou seja, supomos que aquilo que pensamos, fazemos ou pretendemos fazer é levado em
consideração.
Se os outros me respeitam, então obviamente deve haver “em mim” – ou não deve? – algo que só eu
lhes posso oferecer. E obviamente existem esses outros – não existem? – que ficariam satisfeitos e gratos por
isso lhes ser oferecido. Eu sou importante e o que penso e digo também é. Não sou uma cifra, facilmente
[35] substituída e descartada. Eu “faço diferença” para outros além de mim. O que digo e sou e faço tem importância
– e isso não é apenas um voo da minha fantasia. O mundo à minha volta seria mais pobre, menos interessante
e promissor se eu subitamente deixasse de existir ou fosse para outro lugar.
Se é isso que nos torna objetos legítimos e adequados do amor-próprio, então a exortação a “amar o
próximo como a si mesmo” (ou seja, ter a expectativa de que o próximo desejará ser amado pelas mesmas
[40] razões que estimulam nosso amor-próprio) evoca o desejo do próximo de ter reconhecida, admitida e
confirmada a sua dignidade de portar um valor singular, insubstituível e não-descartável. A exortação nos leva a
pressupor que o próximo de fato representa esses valores – ao menos até prova em contrário. Amar o próximo
como amamos a nós mesmos significaria então respeitar a singularidade de cada um – o valor de nossas
diferenças, que enriquecem o mundo que habitamos em conjunto e assim o tornam um lugar mais fascinante e
[45] agradável, aumentando a cornucópia de suas promessas.
BAUMAN, Zigmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Zahar, Rio de Janeiro: 2004.
“Nisso” (linha 7) retoma
Questão 6 10176164
IFCE* 1° Ano 2009/1AMAR O PRÓXIMO PODE NÃO SER UM PRODUTO BÁSICO DO INSTINTO DE SOBREVIVÊNCIA – MAS TAMBÉM NÃO O É O AMOR-PRÓPRIO, TOMADO COMO MODELO DO AMOR AO PRÓXIMO
Amor-próprio – o que significa isso? O que eu amo “em mim mesmo”? O que eu amo quando amo a mim
mesmo? Nós, humanos, compartilhamos os instintos de sobrevivência com nossos primos animais, sejam os
próximos, os nem tão próximos ou os bem distantes – mas, quando se trata de amor-próprio, nossos caminhos
se separam e seguimos por conta própria.
[5] É verdade que o amor-próprio estimula a gente a se “agarrar à vida”, a tentar a todo custo permanecer
vivo, a resistir e enfrentar o que quer que ameace pôr fim à nossa vida de modo prematuro ou abrupto, ou
melhor ainda, a melhorar nosso vigor e aptidão física para tornar efetiva essa resistência. Nisso, contudo,
nossos primos animais são mestres em experiências, não menos que os mais dedicados e habilidosos viciados
em ginástica e maníacos por saúde. Nossos primos animais (com exceção daqueles “domesticados”, que nós,
[10] seus donos humanos, despimos de seus dons naturais para melhor servirem à nossa sobrevivência, e não à
deles) não precisam de especialistas para lhes dizer como se manterem vivos e em forma. Tampouco precisam
do amor-próprio para lhes ensinar que manter-se vivo e em forma é a coisa certa a fazer.
A sobrevivência (animal, física, corpórea) pode viver sem o amor-próprio. Para dizer a verdade, poderia
acontecer melhor sem ele do que em sua companhia! Os caminhos dos instintos de sobrevivência e do
[15] amor-próprio podem correr paralelamente, mas também em direções opostas... O amor-próprio pode rebelar-se
contra a continuação da vida. Ele nos estimula a convidar o perigo e dar boas-vindas à ameaça. Pode nos levar
a rejeitar uma vida que não se ajusta a nossos padrões e que, portanto, não vale a pena ser vivida.
Pois o que amamos em nosso amor-próprio são os eus apropriados para serem amados. O que
amamos é o estado, ou a esperança, de sermos amados. De sermos objetos dignos do amor, sermos
[20] reconhecidos como tais e recebermos a prova desse reconhecimento.
Em suma: para termos amor-próprio, precisamos ser amados. A recusa do amor – a negação do status
de objeto digno do amor – alimenta a autoaversão. O amor-próprio é construído a partir do amor que nos é
oferecido por outros. Se na sua construção forem usados substitutos, eles devem parecer cópias, embora
fraudulentas, desse amor. Outros devem nos amar primeiro para que comecemos a amar a nós mesmos.
[25] E como podemos saber que não fomos desconsiderados ou descartados como um caso sem esperança,
que o amor está, pode estar, estará prestes a aparecer, que somos dignos dele, e assim termos o direito de nos
entregar ao amour de soi e ter prazer com isso? Nós o sabemos, acreditamos que sabemos e somos
tranquilizados de que essa crença não é um equívoco quando falam conosco e somos ouvidos, quando nos
ouvem com atenção, com um interesse que trai/sinaliza uma presteza em responder. Então concluímos que
[30] somos respeitados. Ou seja, supomos que aquilo que pensamos, fazemos ou pretendemos fazer é levado em
consideração.
Se os outros me respeitam, então obviamente deve haver “em mim” – ou não deve? – algo que só eu
lhes posso oferecer. E obviamente existem esses outros – não existem? – que ficariam satisfeitos e gratos por
isso lhes ser oferecido. Eu sou importante e o que penso e digo também é. Não sou uma cifra, facilmente
[35] substituída e descartada. Eu “faço diferença” para outros além de mim. O que digo e sou e faço tem importância
– e isso não é apenas um voo da minha fantasia. O mundo à minha volta seria mais pobre, menos interessante
e promissor se eu subitamente deixasse de existir ou fosse para outro lugar.
Se é isso que nos torna objetos legítimos e adequados do amor-próprio, então a exortação a “amar o
próximo como a si mesmo” (ou seja, ter a expectativa de que o próximo desejará ser amado pelas mesmas
[40] razões que estimulam nosso amor-próprio) evoca o desejo do próximo de ter reconhecida, admitida e
confirmada a sua dignidade de portar um valor singular, insubstituível e não-descartável. A exortação nos leva a
pressupor que o próximo de fato representa esses valores – ao menos até prova em contrário. Amar o próximo
como amamos a nós mesmos significaria então respeitar a singularidade de cada um – o valor de nossas
diferenças, que enriquecem o mundo que habitamos em conjunto e assim o tornam um lugar mais fascinante e
[45] agradável, aumentando a cornucópia de suas promessas.
BAUMAN, Zigmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Zahar, Rio de Janeiro: 2004.
Das expressões abaixo, apenas uma não serviria à relação de sentido, que se estabelece entre “a recusa do amor” e “a negação do status de objeto digno do amor”. (linhas 21 e 22).
Identifique-a.
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)