Questões de EFAF Filosofia - Temática
744 Questões
Questão 10 10719777
COLÉGIO SÓLIDO* Colégio Sólido 1°ano 2015INSTRUÇÃO: A questão referem-se ao texto seguinte.
No ensino, como em outras coisas, a liberdade deve ser questão de grau. Há liberdades que não podem ser toleradas. Uma vez conheci uma senhora que afirmava não se dever proibir coisa alguma a uma criança, pois ela deve desenvolver sua natureza de dentro para fora. “E se a sua natureza a levar a engolir alfinetes?” indaguei; lamento dizer que a resposta foi puro vitupério. No entanto, toda criança abandonada a si mesma, mais cedo ou mais tarde engolirá alfinetes, tomará veneno, cairá de uma janela alta ou doutra forma chegará a mau fim. Um pouquinho mais velhos, os meninos, podendo, não se lavam, comem demais, fumam até enjoar, apanham resfriados por molhar os pés, e assim por diante — além do fato de se divertirem importunando anciãos, que nem sempre possuem a capacidade de resposta de Eliseu. Quem advoga a liberdade da educação não quer dizer que as crianças devam fazer, o dia todo, o que lhes der na veneta. Deve existir um elemento de disciplina e autoridade: a questão é até que ponto, e como deve ser exercido.
(Bertrand Russell, Ensaios céticos.)
As liberdades não toleradas
Questão 6 10577734
FAETEC 2015TEXTO – ECA!
Luís Fernando Veríssimo
Um hipotético visitante extraterreno teria dificuldade em acompanhar uma refeição da nossa espécie sem ter ânsias de vômito. Sendo um ser hipoteticamente perfeito, que só se alimenta de um límpido líquido azul, nosso visitante não entenderia como os alemães conseguem comer repolhos azedos com tanta alegria e por que os americanos chamam o pepino estragado de “pickle” e o comem com tudo e os franceses esperam o peixe apodrecer antes de comê-lo, enquanto os japoneses nem esperam ele morrer. E todos se entusiasmam com um fungo de má aparência chamado “champignon” e entram em êxtase com outro ainda mais feio chamado “trufa”, que é encontrado embaixo da terra por porcas no cio. Aliás, nosso ET se engasgaria só de pensar em tudo que fazemos com os porcos, inclusive comê-los.
Mas o que certamente faria nosso visitante correr para o banheiro seria descobrir que os terrenos espremem um líquido branco e gorduroso das glândulas mamárias de um animal chamado “vaca” – e o bebem! Depois de reanimado, o extraterreno talvez gostasse de ouvir, já que se espanta tanto com os nossos hábitos bem exóticos, que a vaca é um animal sagrado, e, portanto, intocável, na Índia, um país em que se morre de fome. E que não apenas a vaca é sagrada, na Índia, como suas pegadas são sagradas e, de acordo com a teologia hindu, 330 milhões de deuses vivem dentro de cada animal, e que, portanto, matar uma vaca significaria um verdadeiro teocídio. Mas que nada disto é tão estranho quanto parece: numa terra superpopulosa como a Índia, a criação de gado para corte e consumo humano é indefensável. Quando se comem animais que são alimentados com grãos, nove de dez calorias e quatro de cinco gramas de proteínas são perdidas. O animal usa a maior parte dos nutrientes que poderiam ser destinados ao homem. No caso, um mito religioso está a serviço de uma racionalidade camuflada.
Convencido de que somos uma raça, no mínimo, contraditória, o ET ainda terá algumas experiências nojentas pela frente. Verá pessoas destrinchando pequenos pássaros fritos com os dentes, pessoas comendo pernas de sapos e – o que contará com mais horror quando voltar para casa – pessoas usando alfinetes para catar o repugnante recheio de lesmas e levá-lo à boca. Lesmas!
"Sendo um ser hipoteticamente perfeito, que só se alimenta de um límpido líquido azul...”; o conectivo que poderia estar corretamente inserido no início desse período é:
Questão 2 10205919
IFCE* 1° Ano 2014/2O MERCADO MANDA MESMO?
Quem se dedicar hoje a ler todos os livros, manuais e artigos sobre o que é ser um ''bom profissional'' certamente
vai desistir de tentar qualquer emprego. Em primeiro lugar, as descrições que encontramos são sempre de ''super-
homens'', que nunca têm estresse, não se cansam, são capazes de infinitas adaptações, nunca brigam com a família...
Ou seja, não é descrição de gente.
[5] Em segundo lugar, o conjunto dessas fórmulas é francamente contraditório. O que uns dizem que é bom outros
acham que não. É como se cada autor, cada consultor, cada articulista pegasse uma ideia, transformasse em regra e
quisesse aplicá-la a todos os seres humanos, de qualquer sexo e de qualquer cultura.
Não é preciso muita sociologia para perceber que esse emaranhado todo, ao pretender indicar o bom caminho
para o profissional, desenha uma espécie de ''tipo ideal'' de trabalhador para as necessidades do mercado. E como o
[10] próprio mercado é todo cheio de ambiguidades e necessidades que são contrárias umas às outras, o que sobra para nós
é uma grande perplexidade.
Então que tal parar um pouco de pensar no mercado e pensar em você mesmo? Qual é o ''algo a mais'' que você,
com sua personalidade, suas aptidões, seu jeito de ser, qual é esse ''algo'' que você pode desenvolver? É preciso saber
que formação é a mais adequada para você, não a formação mais adequada para o mercado.
[15] As diferentes cartilhas, as diversas teorias, as fórmulas mágicas servem apenas para tentar conduzir todo mundo
para o mesmo lugar. O desafio é sair desse lugar e se tornar alguém incomum, de acordo com seus desejos e
interesses. Então, não será apenas uma questão de ''empregabilidade'', como dizem, mas de vida.
Pode até não parecer, mas nós somos seres humanos, com dignidade. No mercado, há obviamente mercadorias,
simplesmente com preço. E fazer o melhor por si mesmo, e não pelo mercado, é algo que não tem preço.
(In: FOLHA DE SÃO PAULO - Especial: Empregos, 22 de abril de 2001 - p.10 - texto adaptado)
O texto apresenta uma crítica:
Questão 8 11005262
IFC Exame de Classificação 2013Instrução: A questão é baseada no texto
Texto: “Somos quem podemos ser”
Como a visualidade acabou sendo central para a exploração dos
desejos do ser humano e da sociedade, ter e aparentar ser alguma coisa
ficou muito mais importante do que realmente você ser: ser cidadão, ser
humano com valores. Porque o espetáculo leva a uma sociedade de
[5] aparências, em que os ícones do capitalismo, do dinheiro, investem
pesadamente no narcisismo do ser humano, afastando as pessoas das
discussões políticas. Então, canalizamos o que seria para debatermos
publicamente como importante, o nosso ímpeto político acaba sendo
canalizado para questões frívolas e individuais.
[10] O modelo que os astros e as celebridades despertam nos jovens está
muito relacionado com esse universo cultural que a sociedade do
espetáculo acaba oferecendo. Temos hoje toda uma valorização de quem
é famoso e uma tentativa de pessoas anônimas, especialmente de jovens,
de querer ser o que aquelas pessoas são. Mas, na verdade, o que essas
[15] celebridades são, ou o que pensamos que elas são, nada mais é do que o
resultado artificial de uma construção desse eu para alavancar produtos,
vender mercadorias.
Quando normalmente vemos um artista na televisão e queremos ser
ele, esse ele que vemos já é formatado e reconstruído pelos sistemas
[20] midiáticos. Muitas vezes acreditamos que as pessoas são como são, ou
do ponto de vista físico ou da personalidade, e queremos segui-las. Mas
elas já são esse produto, e isso tem um efeito muito danoso, porque essa
busca pelo ideal, ou esse mimetismo do que tais pessoas fazem, do que
elas gostam, isso causa algumas disfunções muito grandes.
[25] Exemplo disso é a anorexia. Muitas meninas, porque não são
celebridades, tentam acompanhar a busca do corpo perfeito. Esse é um
grande sintoma da nossa sociedade, de como a busca por esse ideal
cultural tem muito efeito. Anorexia e bulimia são problemas de saúde que
afetam o corpo de jovens, principalmente meninas, em busca de um corpo
[30] perfeito que foi muito transmitido e vendido mesmo pelas celebridades.
(In: Sociedade do espetáculo: é preciso andar na contramão - entrevista com Rosane
Borges. Publicada na Revista Mundo Jovem, edição n° 432, novembro de 2012).
Em relação aos conectivos e à organização textual presentes no texto, é CORRETO afirmar que:
Questão 1 10882811
Concursos Pref de Agua Branca 2013Texto para a questão.
DIREITO AO TRABALHO EM CONDIÇÕES JUSTAS
“O trabalho permite à pessoa humana desenvolver sua capacidade física e intelectual, conviver de modo positivo com outras pessoas e realizar-se integralmente como pessoa. Por isso, o trabalho deve ser visto como um direito de todo ser humano. Mas o trabalho é, ao mesmo tempo, o modo pelo qual cada pessoa expressa a solidariedade devida às demais pessoas, é o meio através do qual cada um dá sua retribuição por tudo o que recebe dos demais. Visto desse ângulo, o trabalho é um dever de toda pessoa humana.
Todas as atividades que contribuam para melhorar a qualidade de vida das pessoas, aumentando o bem-estar material, proporcionando satisfação estética, favorecendo o equilíbrio psicológico e propiciando a paz espiritual, são dignas e úteis. Assim, todos os trabalhadores são igualmente merecedores de respeito, seja qual for o trabalho que executem, pois todos contribuem para que as outras pessoas tenham atendidas suas necessidades básicas e possam viver melhor.”
DALLARI, Dalmo de Abreu. In: Viver em sociedade. São Paulo: Moderna, 1985.
O autor expõe ideias e conceitos, procurando mostrar ao interlocutor que o trabalho é,
Questão 3 10775080
UTFPR Inverno 2013/1LEIA ATENTAMENTE O TEXTO A SEGUIR QUE SERVE DE BASE PARA A QUESTÃO.
É preciso rejeitar a despamonhalização da vida.
Sempre que se fala em filosofia, imagina-se uma dedicação a coisas que são esotéricas, abstratas. Mas a filosofia nasce, na origem, a partir do autoconhecimento. É preciso lembrar aquele que é o grande pensador da Antiguidade, Sócrates. Uma de suas ideias centrais era a do “conhece-te a ti mesmo” que, aliás, era uma inscrição no templo de Apolo. Conhece-te a ti mesmo, saiba sobre si, tenha autoconhecimento. E, ao mesmo tempo, suspeite daquilo que é óbvio. A filosofia é a capacidade de pensar um pouco sobre os porquês das coisas, em vez de se contentar com os “comos”. A filosofia busca a capacidade de indagar.
Nós vivemos em um mundo, especialmente por conta das plataformas digitais, em que a lógica é a do “tudo já, agora ao mesmo tempo junto”. Uma das coisas que leva à perda de noção de tempo e processo é o que chamo de despamonhalização da vida. Nós paramos de fazer pamonha e passamos a comprá-la pronta em nome de algo que é prático. Nem sempre o prático é o certo. Muitas vezes o prático é só o prático. É mais prático furtar do que trabalhar, colar do que estudar, copiar do que ter que pesquisar. Em nome do prático começamos a utilizar como critério tudo aquilo que é imediato. Quando se fazia pamonha, passávamos o dia inteiro juntos. Os homens saíam de manhã, iam buscar milho na roça, arrancavam a palha. As crianças tiravam o cabelinho que ficava no meio. As mulheres tinham o trabalho mais complicado que era ralar o milho e costurar um saquinho de palha. Fazíamos isso das sete da manhã até às quatro da tarde, que era quando comíamos a pamonha. A finalidade de fazer pamonha não era comer pamonha, era ficar junto o dia todo. Crianças e jovens aprendiam que para que uma pamonha aparecesse era preciso tempo, trabalho, convivência, divisão de tarefas.
A ideia da pamonha é evitar aquilo que chamo de miojização da vida, a vida miojo. Hoje um jovem imagina que para fazer uma pesquisa ele dá uma “googleada” e pronto. Não. A Internet é um poderoso meio de começo de pesquisa, não de término. Enfim, essa miojização do mundo corresponde a uma despamonhalização da vida, que é preciso rejeitar.
(Excertos da entrevista de Mario Sergio Cortella, em Papo Cabeça. Almanaque Brasil de Cultura Popular. Ano 13, no 153, janeiro de 2012, pp. 12-3.)
Considerando as assertivas em relação ao texto:
I) A filosofia está presente no dia a dia da vida das pessoas, sobretudo na alimentação, onde para cozinhar é preciso ter filosofia e saber os porquês de cada ingrediente e como agregálos.
II) Facilitar as tarefas, tornando-as mais práticas e imediatas nem sempre é sinônimo de fazê-las corretamente.
III) Indagar sobre si e o mundo a sua volta é o princípio básico da filosofia que pode ser aplicada no cotidiano.
IV) Para filosofar é necessário ter-se hábitos de vida saudáveis, buscando alimentos naturais e rejeitando massas e gorduras.
Está(ão) correta(s):
06
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