Questões de EFAF Filosofia - Temática
744 Questões
Questão 7 10729720
COLÉGIO SÓLIDO* 1° Ano 2017DICIONÁRIO FEITO POR CRIANÇAS REVELA UM MUNDO QUE OS ADULTOS NÃO ENXERGAM MAIS
Em abril, aconteceu a Feira do Livro de Bogotá, e um dos maiores sucessos foi um livro chamado Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças. Nele, há um dicionário com mais de 500 definições para 133 palavras, de A a Z, feitas por crianças.
O curioso deste “dicionário infantil” é como as crianças definem o mundo através daquilo que os adultos já não conseguem perceber. O autor do livro é o professor Javier Naranjo, que compilou informações ao longo de dez anos durante as aulas. Ele conta que a ideia surgiu quando ele pediu aos seus alunos para definirem a palavra “criança”, e uma das respostas que lhe chamou atenção foi: “uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir cedo”.
Veja outros verbetes do livro e as idades das crianças que os definiram:
• Adulto: pessoa que, em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma. (Andrés, 8 anos)
• Água: transparência que se pode tomar. (Tatiana, 7 anos)
• Branco: o branco é uma cor que não pinta. (Jonathan, 11 anos)
• Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro, somente seus filhos. (Luis, 8 anos)
• Céu: de onde sai o dia. (Duván, 8 anos)
• Dinheiro: coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos. (Ana María, 12 anos)
• Escuridão: é como o frescor da noite. (Ana Cristina, 8 anos)
• Guerra: gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz. (Juan Carlos, 11 anos)
• Inveja: atirar pedras nos amigos. (Alejandro, 7 anos)
• Mãe: mãe entende e depois vai dormir. (Juan, 6 anos)
• Paz: quando a pessoa se perdoa. (Juan Camilo, 8 anos)
• Solidão: tristeza que dá na pessoa às vezes. (Iván, 10 anos)
• Tempo: coisa que passa para lembrar. (Jorge, 8 anos)
• Universo: casa das estrelas. (Carlos, 12 anos)
André Fantin
Adaptado de repertoriocriativo.com.br, 22/05/2013.
O curioso deste “dicionário infantil” é como as crianças definem o mundo através daquilo que os adultos já não conseguem perceber. (2º §)
Adultos e crianças, embora usando a mesma linguagem, não veem e não descrevem o mundo da mesma maneira.
Com base no conteúdo desse fragmento, pode-se concluir que qualquer descrição da realidade apresenta a seguinte característica:
Questão 6 10729715
COLÉGIO SÓLIDO* 1° Ano 2017
A partir da análise da charge, é possível afirmar que
Questão 4 10168024
CMM 1º Prova de Lingua Português 2017Leia os textos I e II para responder do item.
TEXTO I

Fonte: https://extra.globo.com
TEXTO II
SOBRE A “BALEIA AZUL” E AS TECNOLOGIAS DA MORTE
O suicídio entre os jovens não é um fenômeno novo, mas a discussão ganha impulso diante de um jogo que se desdobra nas malhas tecnológicas atuais. Jovens precisam desenhar utopicamente o horizonte dos seus desejos. Quando as máquinas exercem essa tarefa por nós, nos esvaziamos de fantasias.
O fenômeno macabro “Baleia Azul” ganha destaque, com justificada razão, entre os assuntos que vêm preocupando o mundo (guerra na Síria, eleições na França, guerra nuclear da Coreia do Norte, as já conhecidas investidas de Donald Trump). O fenômeno é dinamizado pela execução gradativa de 50 desafios que vão desde a automutilação até o suicídio.[...]
No Brasil, algumas ocorrências assustam: uma menina de 16 anos morreu no Mato Grosso após se afogar em uma lagoa com cortes nos braços, indício de que participava do jogo da “Baleia Azul”. Em João Pessoa, estudantes participam de grupos de automutilação e morte. Em 2015, um garoto de 13 anos se enforcou na casa do pai, no litoral sul da capital paulista, em condições semelhantes às vítimas do jogo.
Inescapavelmente, esses acontecimentos nos fazem pensar sobre um fenômeno que certamente não é novo (suicídio entre a população jovem), mas que ganha impulso renovado com um jogo que se desdobra nas malhas da tecnologia.
São múltiplos os portões de acesso que nos levam a alguns endereços de resposta (como diria Kafka, as portas são inumeráveis, a saída é uma só, mas as possibilidades de saída são tão numerosas quanto às portas). [...]
Engorda o escopo das justificativas o argumento, segundo o qual, são eles (adolescentes e jovens) que passam mais tempo expostos à internet e às redes sociais, o que os torna alvos fáceis dos serial killers virtuais, denominação atribuída aos desafiantes.
Mas, pera! O que dizer dos desafios que nós adultos aceitamos, sem resistência, no tecnocosmos, ainda que a serviço do bem comum?
A propósito, em novembro de 2015, escrevi um artigo cujo fragmento se aplica a essa
questão: Não é mais novidade que a Internet, com as redes sociais na dianteira, tornou-se quase um habitat natural de campanhas e desafios que convocam temporariamente o engajamento das pessoas.
[...]
Adicionalmente, podemos dizer que não existem distâncias telescópicas entre o tempo dispensado por jovens e adultos na internet. Uma vez que a gestão da vida passa pelos espaços digitais, mergulhamos profunda e demoradamente no oceano da cibercultura.
Sem desconsiderar completamente esses dois fatores, a saber, que os adolescentes e jovens são influenciados mais facilmente e hoje passam mais tempo frente às telas, suponho ser necessário dar mais algumas voltas no parafuso para se chegar a um ponto em que podemos avistar algo de “novo” ou “específico” neste tipo de jogo.
[...]
Subversão da lógica dos desejos
Nessa atmosfera de excesso de positividade, as máquinas – normalmente um smartphone – devem oferecer tudo que queremos e desejamos.
Comentei em outro artigo, por ocasião da febre do Pokemon Go (curiosamente outro jogo), que os aparelhos nunca desligam porque precisam oferecer não somente o que desejamos, mas também precisam dizer o que desejamos, demonstrando possuir um saber sobre o nosso desejo.
Talvez resida aí, nesse esquadrinhamento dos desejos, umas das chaves explicativas para a adesão ao jogo da morte. Jovens precisam de desenhar utopicamente o horizonte dos seus desejos (...). Quando as máquinas exercem essa tarefa por nós, nos esvaziamos de fantasias, recurso que sustenta o desejo, e um sujeito esvaziado de fantasia, ensina a psicanálise, é um sujeito débil para a produção de laço social. (...)
Sabe-se que as tecnologias (...) vêm alimentando uma plataforma de vida assaz pesada que limita, ou até mesmo interdita, os voos das asas da nossa imaginação para outros lugares não pontuados pelas regras do super-rendimento e da hiperprodutividade.
(...) É preciso desejar para além do que as máquinas nos oferecem (Netflix, Ifood, OpenRice, JustEat, Uber;...). Na impossibilidade de querermos algo para além do que as máquinas acreditam que queremos, só nos resta aceitar, ceder e executar, achando que temos o controle e somos empreendedores de nossa própria existência. “Sabe nada inocente”, já diria o “filósofo” compadre Washington!
Provavelmente, esses jovens estão se dando conta dessas limitações e ousam responder a pergunta que habita as páginas do famoso livro A insustentável leveza do ser: “Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”.
Infelizmente, a resposta que está sendo dada pelos jogadores do “Baleia Azul” sucumbe à voracidade da máquina, a grande sequestradora dos desejos nestes tempos bicudos.
Por Rosane Borges — publicado 27/04/2017, 14h36, última modificação 20/07/2017, 12h53.
Glossário:
Kafka: Franz Kafka foi um escritor de língua alemã, autor de romances e contos, considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX.
Compadre Washington: Integrante do grupo de axé É o Tchan.
Serial killers: Tipos de criminosos de perfil psicopatológico que cometem crimes com uma certa frequência, geralmente seguindo um mesmo modo e, às vezes, deixando sua "assinatura".
A partir dos argumentos apresentados ao longo do texto II, pode-se comprovar que o jogo da “Baleia Azul” defende a seguinte tese:
Questão 20 10121836
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2017TEXTO I
Só o homem entediado terá chance de salvação num futuro de smartphones
João Pereira Coutinho
Assisto a conferências e a moda não engana: metade da sala (no mínimo) está
com a cabeça enfiada em smartphones. Como seriam as conferências antigamente? O
que fazia a audiência enquanto alguém falava no palanque?
Provavelmente, escutava. Ou dormia. Ou dormia e escutava, em intervalos
[5] saudáveis.
Hoje, ninguém dorme. Duvido que alguém escute. O smartphone é o inimigo do
tédio, ou da reflexão, proporcionando uma festa permanente.
Este seria o momento ideal para eu vestir a toga1 do moralista vulgar, lançando
raios homéricos sobre a nefasta2 tecnologia. A data, aliás, seria a mais apropriada: o
[10 iPhone nasceu dez anos atrás e o dilúvio começou.
Infelizmente, não posso pregar. Eu também faço parte do clube que prefere o
smartphone ao velho e bom cochilo.
Especialistas diversos gostam de explicar a compulsão. É como uma droga, dizem
eles: quando espreitamos3 as mensagens, o e-mail, as redes sociais, procuramos uma
[15] espécie de recompensa neurobiológica muito semelhante a um viciado.
O problema se agrava quando somos privados da nossa dose – e eu sei, o leitor
sabe, todos sabemos dessa miserável privação.
Tempos atrás, esqueci-me do celular em casa e parti em viagem. Quando dei conta
do estrago, uma inquietude foi crescendo com o passar das horas.
[20] Ainda pensei em pedir ao companheiro do lado para me emprestar o smartphone
dele. Só para eu ler as minhas mensagens. Ou até, sei lá, as mensagens dele. Qualquer
coisa servia. Eu era como alguns alcoólatras que, na ausência de bebidas legais,
começam a despejar perfume pela goela.
Controlei-me. Telefonei para casa – de um telefone fixo, entenda – e pedi, com um
[25] último fôlego, que me lessem as novidades. Nenhuma delas era urgente, sequer
interessante. Mas o corpo sossegou e mergulhou naquele estranho torpor4 que Thomas
de Quincey relatou nas suas "Confissões de um Comedor de Ópio5". Como se chegou
até aqui?
Verdade: o tédio sempre foi o grande terror dos homens modernos. Ter no bolso
[30] um aparelho que garante distração permanente é a melhor forma de afastar o fantasma.
Acontece que o tédio tem as suas vantagens. O filósofo Mark Kingwell tem escrito
sobre a matéria (...) Só o tédio, escreve ele, é capaz de sinalizar a existência de um
problema entre nós e o mundo. O tédio é a "suspensão da suspensão" em que vivemos
– uma forma terapêutica, e até brutal, de olharmos para a realidade sem fugas. E de
[35] agirmos em conformidade.
Quando abolimos o tédio, e o "dom da escuta" que só ele oferece, desaparece uma
parte da nossa humanidade – aquela parte que reflete, imagina ou cria. E que
problematiza, critica, propõe.
No futuro, não será apenas a audiência que estará mergulhada nas telas dos
[40] smartphones. Também suspeito que os próprios conferencistas, privados de pensar e
sem nada para dizer, terão o mesmo comportamento.
Imagino um encontro de silêncios, onde todos os presentes estarão ausentes – e
só o homem entediado terá chance de salvação.
Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2017/06/1897093-so-ohomem-entediado-tera-chance-de-salvacao-num-futuro-de-smartphones.shtml. Último acesso em 06 de julho de 2017. (Adaptado).
VOCABULÁRIO:
1. Toga – traje preto e comprido, usado por advogados e por professores catedráticos e doutorados em ocasiões especiais.
2. Nefasto – nocivo, prejudicial, perverso, trágico, mau.
3. Espreitar – espiar, olhar demorada e fixamente.
4. Torpor – indiferença ou apatia moral; indolência, prostração.
5. Ópio – narcótico, droga que provoca adormecimento.
TEXTO II
Fiu-fiu
Luis Fernando Veríssimo
Existe coisa mais melancólica do que uma mesa de quatro pessoas, num restaurante, em que três estão dedilhando seus smartphones e uma está falando sozinha?
Lançaram agora um celular à prova d’água, que você pode usar no chuveiro. Ou
em qualquer outro lugar embaixo d’água. No mar, por exemplo.
– Bem, não me espere para o jantar...
– Onde você está?
[5] – Sabe a nossa pesca submarina?
– O que houve?
– Pensei que fosse uma garoupa e era um tubarão. E ele está vindo na minha
direção.
– Você ainda está embaixo d’água?!
[10] – Estou.
– E o seu arpão?
– O tubarão engoliu!
– Ligue para a Guarda Costeira!
São cada vez mais raros os lugares em que você pode se ver livre de celulares,
[15] e agora nem as piscinas estão seguras.
Os celulares são práticos e se tornaram indispensáveis, eu sei, mas
empobreceram a vida social. Existe coisa mais melancólica do que uma mesa de quatro
pessoas, num restaurante, em que três estão dedilhando seus smartphones e uma está
falando sozinha? Ou um casal em outra mesa, os dois mergulhados nos respectivos
[20] celulares sem nem se olharem, o que dirá se falarem – a não ser que estejam trocando
mensagens silenciosas entre si, o que é ainda mais triste.
Os celulares podem ser perigosos de várias maneiras, mesmo que não derretam
o cérebro, como se andou espalhando há algum tempo. Imagino uma velhinha que
ganhou um celular dos netos sem que estes se dessem ao trabalho de explicar seu
[25] funcionamento para a vovó. Não contaram, por exemplo, que o celular dado assobia
quando recebe uma mensagem. É um assovio humano, um nítido fiu-fiu avisando que
alguém ligou, e que pode soar a qualquer hora do dia ou da noite. E imagino a vovó, que
mora sozinha, dormindo e, de repente, acordando com o assovio. Um fiu-fiu no meio da
noite! A vovó, se não morrer imediatamente do coração, pode ficar apavorada. Quem
[30] está lá? Um ladrão ou um fantasma assoviador? E o assovio tem algo de galante. A vovó
pode muito bem sair da cama, sem saber se está acordada ou sonhando, e caminhar na
direção do fiu-fiu sedutor, como se tivessem vindo buscá-la. Alguém pensou nas vovós
solitárias quando inventou o assovio?
O fato é que não há mais refúgio. Nem castelos anti-smartphones com um fosso
[35] em volta. Eles agora podem atravessar o fosso.
Jornal O Globo, 03/08/2014. Disponível em https://oglobo.globo.com/opiniao/fiu-fiu-13464128. Último acesso em 30 de setembro de 2017.
TEXTO III
O celular que escraviza
Eles roubam nosso tempo, atrapalham os relacionamentos e podem até causar acidentes de trânsito. Quando é a hora de desligar?
Estamos viciados. Em qualquer lugar, a qualquer momento do dia, não
conseguimos deixar de lado o objeto de nossa dependência. Dormimos ao lado dele,
acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da manhã – e, se, por
enorme azar, o esquecemos em casa ao sair, voltamos correndo. Somos incapazes de
[5] ficar mais de um minuto sem olhar para ele. É através dele que nos conectamos com o
mundo, com os amigos, com o trabalho. Sabemos da vida de todos e informamos a todos
o que acontece por meio dele. Os neurocientistas dizem que ele nos fornece pequenos
estímulos prazerosos dos quais nos tornamos dependentes. Somos 21 milhões – número
de brasileiros com mais de 15 anos que têm smartphones, os celulares que fazem muito
[10] mais que falar. Com eles, trocamos e-mails, usamos programas de GPS e navegamos
em redes sociais. O tempo todo. Observe a seu redor. Em qualquer situação, as pessoas
param, olham a tela do celular, dedilham uma mensagem. Enquanto conversam.
Enquanto namoram. Enquanto participam de uma reunião. E – pior de tudo – até mesmo
enquanto dirigem.
[15] “É uma dependência difícil de eliminar”, diz o psiquiatra americano David
Greenfield, diretor do Centro para Tratamento de Vício em Internet e Tecnologia, na
cidade de West Hartford. “Nosso cérebro se acostuma a receber essas novidades
constantemente e passa a procurar por elas a todo instante.” O pai de todos os vícios,
claro, é o Facebook, maior rede social do mundo, onde publicamos notícias sobre nós
[20] mesmos como se alimentássemos um grande jornal coletivo sobre a vida cotidiana.
Depois dele, novas redes foram criadas e apertaram o nó da dependência. Programas
de troca de fotos como o Instagram conectam milhões de pessoas por meio das imagens
feitas pelas câmeras cada vez mais potentes dos celulares. Os aplicativos de trocas de
mensagem, como o Whatsapp, promovem bate-papos escritos que se assemelham a
[25] uma conversa na mesa do bar. O final dessa história pode ser dramático. Interagir com
o aparelho – e com centenas de amigos escondidos sob a tela de cristal – tornou-se para
alguns uma compulsão tão violenta que pode colocar a própria vida em risco.
Parece exagero? Pense na história da garota americana Taylor Sauer, de 18
anos. Em janeiro, Taylor dirigia numa rodovia interestadual que liga os Estados de Utah
[30] e Idaho quando bateu a 130 quilômetros por hora na traseira de um caminhão. Taylor
trocava mensagens com um amigo sobre um time de futebol americano. Uma a cada 90
segundos. Seu último post foi: “Não posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no
Facebook não é seguro! Haha”. Se não estivesse teclando, provavelmente Taylor teria
avistado o veículo à frente, que andava a meros 25 quilômetros por hora. O caso terrível
[35] não é uma aberração estatística. A cada ano, 3 mil americanos morrem por causa da
distração no celular, de acordo com a agência federal National Transportation Safety
Board.
No Brasil, não é diferente – pelo menos é a impressão dos profissionais que
trabalham na área. “Minha experiência sugere que essa é a quarta maior causa de
[40] acidentes, só atrás do excesso de velocidade, uso de álcool e drogas e cansaço”, diz
Dirceu Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. (...) O cérebro só
faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando ao telefone duplica o risco de um
acidente.
(...)
[45] A sensação de estar por fora é consequência da hiperconectividade, um conceito
elaborado por dois pesquisadores canadenses, Anabel Quan-Haase e Barry Wellman.
Eles criaram uma teoria para explicar como vive o dono de um celular moderno. Ele pode
se comunicar a partir de qualquer lugar a qualquer instante. Não há fronteiras entre ele,
seus amigos e o restante do mundo – com exceção (maldição!) de locais em que o sinal
[50] é fraco ou (pesadelo!) não chega. Um dos efeitos colaterais da hiperconectividade é ser
altamente viciante. Daí a desconfiança de especialistas de que motoristas que não
conseguem largar o celular enquanto dirigem são, na verdade, dependentes.
Dispositivos eletrônicos como os celulares geram a sensação de prazer para o cérebro
porque ele se sente recompensado a cada novidade recebida. Uma mensagem é um
[55] pacotinho de prazer. A descarga de uma substância estimulante para nossos neurônios,
a dopamina, encarrega-se de gerar a sensação agradável. O Instituto de Informação e
Tecnologia de Helsinque, na Finlândia, fez um estudo para analisar quanto tempo do dia
gastamos com o hábito de verificar atualizações em busca desse barato cerebral. De
acesso em acesso, somamos duas horas e 40 minutos. É o mesmo tempo gasto nos
[60] Estados Unidos com televisão e dez vezes o que se gasta com leitura. (...)
Reportagem de Rafael Barifouse e Isabella Ayub, Revista Época,15/06/2012. Disponível em http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html. Último acesso em 03 de outubro de 2017.
TEXTO IV

Infográfico retirado da reportagem “O celular que escraviza”, da Revista Época,15/06/2012. Disponível em http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html. Último acesso, 03/10/2017.
TEXTO V

Disponível em http://professoraelaine81e82.blogspot.com.br/2016/09/charges-sobre-internet-atividade-iii.html. Acesso em 23 de agosto de 2017.
Em entrevista ao jornal O Globo (04/09/2017), o brasileiro Gil Giardelli, um Web Ativista, membro do XMedia da Universidade de Stanford, disse: “há uma pesquisa global sobre varejo, e o Brasil sempre esteve entre a primeira e a terceira colocação de bom atendimento e sorriso. Nos últimos anos, caímos para as últimas posições. Em virtude da hiperconexão, estamos deixando de sorrir, de atender bem. Em média, uma pessoa com smartphone tem 120 nanotédios por dia”. Ele também explica o que são esses nanotédios: “É quando, por exemplo, a aula não está boa, você saca o celular. O jantar com a família não está bom, eu saco o celular. Toda vez que você pega o seu celular ou tablet para olhar uma mídia social, você demora de 30 a 40 segundos para entender essa transição. E depois que você fica (na mídia social), demora também para se conectar ao que estava fazendo antes. Isso tem criado uma ansiedade grande nas pessoas”.
O que Giardelli explica confirma todas as informações abaixo, EXCETO,
Questão 2 10121667
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2017TEXTO
Só o homem entediado terá chance de salvação num futuro de smartphones
João Pereira Coutinho
Assisto a conferências e a moda não engana: metade da sala (no mínimo) está
com a cabeça enfiada em smartphones. Como seriam as conferências antigamente? O
que fazia a audiência enquanto alguém falava no palanque?
Provavelmente, escutava. Ou dormia. Ou dormia e escutava, em intervalos
[5] saudáveis.
Hoje, ninguém dorme. Duvido que alguém escute. O smartphone é o inimigo do
tédio, ou da reflexão, proporcionando uma festa permanente.
Este seria o momento ideal para eu vestir a toga1 do moralista vulgar, lançando
raios homéricos sobre a nefasta2 tecnologia. A data, aliás, seria a mais apropriada: o
[10] iPhone nasceu dez anos atrás e o dilúvio começou.
Infelizmente, não posso pregar. Eu também faço parte do clube que prefere o
smartphone ao velho e bom cochilo.
Especialistas diversos gostam de explicar a compulsão. É como uma droga, dizem
eles: quando espreitamos3 as mensagens, o e-mail, as redes sociais, procuramos uma
[15] espécie de recompensa neurobiológica muito semelhante a um viciado.
O problema se agrava quando somos privados da nossa dose – e eu sei, o leitor
sabe, todos sabemos dessa miserável privação.
Tempos atrás, esqueci-me do celular em casa e parti em viagem. Quando dei conta
do estrago, uma inquietude foi crescendo com o passar das horas.
[20] Ainda pensei em pedir ao companheiro do lado para me emprestar o smartphone
dele. Só para eu ler as minhas mensagens. Ou até, sei lá, as mensagens dele. Qualquer
coisa servia. Eu era como alguns alcoólatras que, na ausência de bebidas legais,
começam a despejar perfume pela goela.
Controlei-me. Telefonei para casa – de um telefone fixo, entenda – e pedi, com um
[25] último fôlego, que me lessem as novidades. Nenhuma delas era urgente, sequer
interessante. Mas o corpo sossegou e mergulhou naquele estranho torpor4 que Thomas
de Quincey relatou nas suas "Confissões de um Comedor de Ópio5". Como se chegou
até aqui?
Verdade: o tédio sempre foi o grande terror dos homens modernos. Ter no bolso
[30] um aparelho que garante distração permanente é a melhor forma de afastar o fantasma.
Acontece que o tédio tem as suas vantagens. O filósofo Mark Kingwell tem escrito
sobre a matéria (...) Só o tédio, escreve ele, é capaz de sinalizar a existência de um
problema entre nós e o mundo. O tédio é a "suspensão da suspensão" em que vivemos
– uma forma terapêutica, e até brutal, de olharmos para a realidade sem fugas. E de
[35] agirmos em conformidade.
Quando abolimos o tédio, e o "dom da escuta" que só ele oferece, desaparece uma
parte da nossa humanidade – aquela parte que reflete, imagina ou cria. E que
problematiza, critica, propõe.
No futuro, não será apenas a audiência que estará mergulhada nas telas dos
[40] smartphones. Também suspeito que os próprios conferencistas, privados de pensar e
sem nada para dizer, terão o mesmo comportamento.
Imagino um encontro de silêncios, onde todos os presentes estarão ausentes – e
só o homem entediado terá chance de salvação.
Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2017/06/1897093-so-ohomem-entediado-tera-chance-de-salvacao-num-futuro-de-smartphones.shtml. Último acesso em 06 de julho de 2017. (Adaptado).
VOCABULÁRIO:
1. Toga – traje preto e comprido, usado por advogados e por professores catedráticos e doutorados em ocasiões especiais.
2. Nefasto – nocivo, prejudicial, perverso, trágico, mau.
3. Espreitar – espiar, olhar demorada e fixamente.
4. Torpor – indiferença ou apatia moral; indolência, prostração.
5. Ópio – narcótico, droga que provoca adormecimento.
Coutinho traz uma reflexão crítica sobre o uso dos smartphones. Em sua visão, de todas as informações abaixo uma não está em consonância com o que ele afirma.
Marque-a.
Questão 4 10747287
COLTEC 2016Leia o texto para responder as questões
O mito da redução da maioridade penal
Quando falo sobre redução da maioridade penal, costumo dizer que a sociedade precisa decidir em que banco quer ver a juventude. Se no banco da escola ou no banco dos réus. Anteontem, o Congresso Nacional sinalizou que prefere a segunda opção. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou a constitucionalidade da PEC que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos.
Por ironia, a votação ocorreu na mesma manhã em que a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, da qual sou presidente, realizou uma importante audiência pública sobre violações aos direitos humanos de internos do sistema socioeducativo e as péssimas condições de trabalho dos agentes do Degase, órgão responsável por abrigar os jovens.
Durante o debate, o presidente do Degase, Alexandre Azevedo, revelou que 95% dos internos não completaram o ensino fundamental. Ou seja, a internação consolida um processo de exclusão cruel que é anterior ao cometimento do ato infracional. Os jovens têm seus direitos violados antes e depois de serem apreendidos.
O problema é que estes adolescentes só ganham visibilidade quando praticam um delito. O mesmo não ocorre quando sua cidadania não é garantida. Durante a audiência, Eufrásia Maria Souza, coordenadora de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Defensoria Pública, alertou que 88% das crianças e adolescentes são vítimas de crimes, apenas 11% são autores.
Aos que não se contentam com argumentos humanitários, apresento motivos práticos para mostrar que a redução da maioridade penal não é solução. Presídios são lugares caros para tornar as pessoas piores: a taxa de reincidência entre os adultos é 70%. Não há qualquer política pública com o objetivo de ressocializar os detentos. Pelo contrário, o Estado é responsável por uma série de violações. Pergunto: qual benefício a sociedade espera obter ao mandar um jovem para uma penitenciária?
A justiça não pode ser instrumento de vingança. Os anos a mais na prisão não podem servir como chicotadas que desejamos dar naqueles que cometem crimes. Em vez de nos preocuparmos em endurecer a pena, deveríamos cuidar para que os detentos tenham acesso à educação, ao trabalho, à saúde e à família. São pessoas que voltarão ao convívio social.
Além disso, o que o Brasil mais fez nos últimos anos foi inchar o sistema carcerário. Entre 1992 e 2013, a quantidade de detentos cresceu 317,9%. Temos a terceira maior população carcerária do mundo, com quase 600 mil presos. Se cadeia resolvesse os problemas de segurança pública, viveríamos num dos lugares mais pacíficos do planeta. O que ocorre é o oposto. As taxas de homicídio subiram 24% nos últimos oito anos. (...)
No Brasil, partidários da redução da maioridade costumam citar crimes violentos praticados por adolescentes para defender a medida. Mas, segundo dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública, jovens entre 16 e 18 anos são responsáveis por apenas 0,9% dos crimes no Brasil. A taxa cai para 0,5% se considerarmos somente homicídios e tentativas de homicídio.
Repito: 95% dos internos do Degase não completaram o ensino fundamental. Precisamos mandar esses jovens para as escolas, não para os presídios. Reduzir a maioridade penal é um equívoco grave, que representa uma violência sobre um grupo cujos direitos mais elementares são constantemente violados.
Marcelo Freixo. Disponível em: http://goo.gl/rMleWF. Acesso em: 19 jun. 2015. (adaptado)
Leia este período para resolver a questão.
Presídios são lugares caros para tornar as pessoas piores: a taxa de reincidência entre os adultos é 70%.
Assinale a alternativa em que a palavra ou expressão em destaque substitui o sinal de dois pontos sem alterar o sentido original do texto.
06
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