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Questões de EFAF Filosofia - Temática

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744 Questões

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Questão 5 9541716
Difícil 00:00

IFSul - Rio-Grandense Verão 2019
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Temática
  • Definições filosóficas Filosofia Política
  • Exibir tags
Resolução comentada

Leia o texto, para responder à questão.


Texto


A política e as políticas


Apesar da multiplicidade de facetas a que se aplica a palavra “política”___ uma delas goza
de indiscutível unanimidade___ a referência ao poder político___ à esfera da política institucional.
Um deputado ou um órgão de administração pública são políticos para a totalidade das pessoas.

Todas as atividades associadas de algum modo à esfera institucional política, e o espaço onde se
[5] realizam, também são políticos. Um comício é uma reunião política e um partido é uma
 associação política, um indivíduo que questiona a ordem institucional pode ser um preso político;
 as ações do governo, o discurso de um vereador, o voto de um eleitor são políticos.
 Mas há um outro conjunto em que a mesma palavra manifesta-se claramente de um modo
 diverso. Quando se fala da política da Igreja, isto não se refere apenas às relações entre a Igreja
[10] e as instituições políticas, mas à existência de uma política que se expressa na Igreja em relação
 a certas questões como a miséria, a violência, etc. Do mesmo modo, a política dos sindicatos não
 se refere unicamente à política sindical, desenvolvida pelo governo para os sindicatos, mas às
 questões que dizem respeito à própria atividade do sindicato em relação aos seus filiados e ao
 restante da sociedade. A política feminista não se refere apenas ao Estado, mas aos homens e às
[15] mulheres em geral. As empresas têm políticas para realizarem determinadas metas no
 relacionamento com outras empresas, ou com os seus empregados. As pessoas, no seu
 relacionamento cotidiano, desenvolvem políticas para alcançar seus objetivos nas relações de
 trabalho, de amor, ou de lazer; dizer “Você precisa ser mais político” é completamente distinto de
 dizer “Você precisa se politizar mais”, isto é, “precisa ocupar-se mais da esfera política
[20] institucional”.
 [...] Não resta dúvida, porém, de que este segundo significado é muito mais vago e
 impreciso do que o primeiro. A evolução histórica em relação ao gigantismo das Instituições
 Políticas – o Estado onipresente – é acompanhada de uma politização geral da sociedade em seus
 mínimos detalhes, por exigir um posicionamento diário frente ao Poder. Mas ao mesmo tempo
[25] traz consigo a imposição de normas com que balizar a própria aplicação da palavra política,
 procurando determinar o que é e o que não é “política”.
 Desta forma, oculta-se ao eleitor o seu ser político, atribuindo-se esta qualidade apenas ao
 eleito. Ou então atribui-se à pessoa um espaço e um tempo determinado para que exerça uma
 atividade política, na hora das eleições, quando está na tribuna da Câmara dos Deputados depois
[30] de ter sido eleita, quando senta no palácio para despachar com seus secretários mesmo sem ter
 sido eleita. A própria delimitação rígida da política constitui, portanto, um produto da história; e
 este é, sem dúvida, o principal motivo pelo qual não basta ater-se a um significado geral da
 política, que apagaria todas as figuras com que se apresentou em sua gênese.
 Esta delimitação operada pelo nível institucional traz consigo alterações profundas na
[35] esfera de valores associados à política. Uma conjuntura institucional insatisfatória, pela corrupção
 ou pela violência, jamais dissociadas, reflete-se numa desmoralização da atividade política –
 politicagem – que pode reverter em apatia e na procura de alternativas extra-institucionais como
 a luta armada. Ao mesmo tempo, processa-se uma inversão na valorização da atividade política
 na própria esfera institucional, em que ela deixa de ser um direito, passando a ser apenas um
[40] dever e uma responsabilidade. Em outras palavras, à Instituição passa despercebido que a sua é
 também uma política, assentada na sociedade com uma proposta de participação, representação
 e direção. Por esta carência de visão de relatividade, instaura-se um normativismo absoluto,
 ocultando-se assim sua natureza.
 Interessa perceber que, apesar de haver um significado predominante, que se impõe em
[45] determinadas situações, e que aparece como sendo a política, o que existe na verdade são
 políticas.

MAAR, Leo Wolfgang. A política e as políticas. In: ____. O que é política. São Paulo: Abril Cultural/Brasiliense, 1985. (fragmento)

O verbo deve ser flexionado no plural se a expressão destacada for pluralizada em:

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Questão 2 9541701
Difícil 00:00

IFSul - Rio-Grandense Verão 2019
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Temática
  • Definições filosóficas Filosofia Política
  • Exibir tags

Leia o texto, para responder à questão.


Texto


A política e as políticas


Apesar da multiplicidade de facetas a que se aplica a palavra “política”___ uma delas goza
de indiscutível unanimidade___ a referência ao poder político___ à esfera da política institucional.
Um deputado ou um órgão de administração pública são políticos para a totalidade das pessoas.

Todas as atividades associadas de algum modo à esfera institucional política, e o espaço onde se
[5] realizam, também são políticos. Um comício é uma reunião política e um partido é uma
 associação política, um indivíduo que questiona a ordem institucional pode ser um preso político;
 as ações do governo, o discurso de um vereador, o voto de um eleitor são políticos.
 Mas há um outro conjunto em que a mesma palavra manifesta-se claramente de um modo
 diverso. Quando se fala da política da Igreja, isto não se refere apenas às relações entre a Igreja
[10] e as instituições políticas, mas à existência de uma política que se expressa na Igreja em relação
 a certas questões como a miséria, a violência, etc. Do mesmo modo, a política dos sindicatos não
 se refere unicamente à política sindical, desenvolvida pelo governo para os sindicatos, mas às
 questões que dizem respeito à própria atividade do sindicato em relação aos seus filiados e ao
 restante da sociedade. A política feminista não se refere apenas ao Estado, mas aos homens e às
[15] mulheres em geral. As empresas têm políticas para realizarem determinadas metas no
 relacionamento com outras empresas, ou com os seus empregados. As pessoas, no seu
 relacionamento cotidiano, desenvolvem políticas para alcançar seus objetivos nas relações de
 trabalho, de amor, ou de lazer; dizer “Você precisa ser mais político” é completamente distinto de
 dizer “Você precisa se politizar mais”, isto é, “precisa ocupar-se mais da esfera política
[20] institucional”.
 [...] Não resta dúvida, porém, de que este segundo significado é muito mais vago e
 impreciso do que o primeiro. A evolução histórica em relação ao gigantismo das Instituições
 Políticas – o Estado onipresente – é acompanhada de uma politização geral da sociedade em seus
 mínimos detalhes, por exigir um posicionamento diário frente ao Poder. Mas ao mesmo tempo
[25] traz consigo a imposição de normas com que balizar a própria aplicação da palavra política,
 procurando determinar o que é e o que não é “política”.
 Desta forma, oculta-se ao eleitor o seu ser político, atribuindo-se esta qualidade apenas ao
 eleito. Ou então atribui-se à pessoa um espaço e um tempo determinado para que exerça uma
 atividade política, na hora das eleições, quando está na tribuna da Câmara dos Deputados depois
[30] de ter sido eleita, quando senta no palácio para despachar com seus secretários mesmo sem ter
 sido eleita. A própria delimitação rígida da política constitui, portanto, um produto da história; e
 este é, sem dúvida, o principal motivo pelo qual não basta ater-se a um significado geral da
 política, que apagaria todas as figuras com que se apresentou em sua gênese.
 Esta delimitação operada pelo nível institucional traz consigo alterações profundas na
[35] esfera de valores associados à política. Uma conjuntura institucional insatisfatória, pela corrupção
 ou pela violência, jamais dissociadas, reflete-se numa desmoralização da atividade política –
 politicagem – que pode reverter em apatia e na procura de alternativas extra-institucionais como
 a luta armada. Ao mesmo tempo, processa-se uma inversão na valorização da atividade política
 na própria esfera institucional, em que ela deixa de ser um direito, passando a ser apenas um
[40] dever e uma responsabilidade. Em outras palavras, à Instituição passa despercebido que a sua é
 também uma política, assentada na sociedade com uma proposta de participação, representação
 e direção. Por esta carência de visão de relatividade, instaura-se um normativismo absoluto,
 ocultando-se assim sua natureza.
 Interessa perceber que, apesar de haver um significado predominante, que se impõe em
[45] determinadas situações, e que aparece como sendo a política, o que existe na verdade são
 políticas.

MAAR, Leo Wolfgang. A política e as políticas. In: ____. O que é política. São Paulo: Abril Cultural/Brasiliense, 1985. (fragmento)

Analise as seguintes afirmativas sobre o texto.

 

I. A primeira oração do texto já aponta para a propriedade do substantivo política, que apresenta vários sentidos.

II. O segundo parágrafo do texto indica uma concepção de política diferente da que faz parte do senso comum, ou seja, da política institucional.

III. Embora o cidadão seja um ser político que necessita posicionar-se diariamente frente ao Poder, há uma noção de que a política é exercida apenas por Instituições Políticas.

 

Estão corretas as afirmativas

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Questão 20 10736183
Difícil 00:00

COLÉGIO SÓLIDO* 1º Ano 2018
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Temática
  • Ética Filosofia Política
  • Exibir tags
Resolução comentada

Texto I


    No texto “Face à crise: quatro princípios e quatro virtudes”, Frei Beto diz que “os quatro princípios devem vir acolitados por quatro virtudes, imprescindíveis para a consolidação da nova ordem.”
    Seguem as quatro virtudes:
• A primeira é a hospitalidade, virtude primacial, segundo Kant, para a república mundial. Todos têm o direito de serem acolhidos: o que corresponde ao dever de acolher os outros. Esta virtude será fundamental face ao fluxo dos povos e aos milhões de refugiados climáticos que surgirão nos próximos anos. Não deve haver, como há, extra-comunitários.
• A segunda é a convivência com os diferentes. A globalização do experimento homem não anula as diferenças culturais com as quais devemos aprender a conviver, a trocar, a nos complementar e a nos enriquecer com os intercâmbios mútuos.
• A terceira é a tolerância. Nem todos os valores e costumes culturais são convergentes e de fácil aceitação. Dai impõe-se a tolerância ativa de reconhecer o direito do outro de existir como diferente e garantir-lhe sua plena expressão.
• A quarta é a comensalidade. Todos os seres humanos devem ter acesso solidário e suficiente aos meios de vida e à seguridade alimentar. Devem poder sentir-se membros da mesma família que comem e bebem juntos. Mais que a nutrição necessária, trata-se de um rito de confraternização.

 

Texto II

 

Qual a alternativa CORRETA?

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Questão 1 10689734
Difícil 00:00

OBRL 9° Ano - 2° Fase 2018
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga Temática
  • Aristóteles Lógica
  • Exibir tags
Resolução comentada

Historicamente Aristóteles é conhecido como pai da Lógica. Filho de Nicómaco e Féstias, nasceu em Estagira (Macedónia, Grécia) no ano de 384 a.C.. Aristóteles criou a lógica, definindo-a como um instrumento, uma introdução para a ciência e para o conhecimento. Tem por objeto de estudo o raciocínio.

Acessado em 19.09.18, disponível em: http://aristotelesopaidalogica.blogspot.com/2013/10/a-logica-aristotelica.html

Ao longo de sua vida Aristóteles teve vários discípulos. O mais conhecido deles foi sem dúvida, Alexandre “O Grande”. Este teve dificuldade em solucionar o enigma das coroas, que diz:

 

Um rei tem três coroas: X, Y e Z, uma com pedras verdes, uma com pedras amarelas e outra com pedras pretas, não necessariamente nesta ordem. Se somente uma das seguintes afirmações é verdadeira:

 

• X é verde;
• Y não é verde;
• Z não é preta.

 

Com base nessas afirmações, podemos concluir corretamente sobre as cores das coroas X, Y e Z:

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Questão 8 10618311
Difícil 00:00

IFPE MÉDIO INTEGRADO 2018
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga Morfologia Temática
  • Filosofia Política Pólis e Razão Pronome Substantivo
  • Exibir tags
Resolução comentada

TEXTO

 

SOBRE POLÍTICA E JARDINAGEM

 

    De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer ‘chamado’. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’, o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada. ‘Política’ vem de ‘polis’, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade.

    O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade. Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades; sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com o oásis. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’ ele nos responderia: ‘A arte de jardinagem aplicada às coisas públicas’.

    O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se a sua volta está deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.

    Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade.

    A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastarlhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.

    Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.

    Todas as vocações podem ser transformadas em profissões. O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumentem o deserto e o sofrimento.

    Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, questionado por Gunter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: “Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade. Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem”.

    Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

    Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. (...)

(ALVES, Rubem. In: Folha de S. Paulo, fragmento, 19 maio 2000.)

Leia o trecho abaixo:

 

    “Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

    Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão.”

 

Sobre aspectos morfossintáticos do fragmento destacado, julgue as análises a seguir e marque a alternativa que contém uma análise CORRETA.

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Questão 7 10618309
Difícil 00:00

IFPE MÉDIO INTEGRADO 2018
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga Gramática Temática
  • Acentuação gráfica Filosofia Política Pólis e Razão
  • Crase (acento grave)
  • Exibir tags
Resolução comentada

TEXTO

 

SOBRE POLÍTICA E JARDINAGEM

 

    De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer ‘chamado’. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’, o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada. ‘Política’ vem de ‘polis’, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade.

    O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade. Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades; sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com o oásis. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’ ele nos responderia: ‘A arte de jardinagem aplicada às coisas públicas’.

    O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se a sua volta está deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.

    Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade.

    A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastarlhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.

    Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.

    Todas as vocações podem ser transformadas em profissões. O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumentem o deserto e o sofrimento.

    Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, questionado por Gunter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: “Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade. Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem”.

    Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

    Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. (...)

(ALVES, Rubem. In: Folha de S. Paulo, fragmento, 19 maio 2000.)

“A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade”.

 

Nesse período, o acento indicativo da crase só não seria mantido se substituíssemos o verbo “dedicar” por

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