Questões de EFAF Filosofia - Temática
744 Questões
Questão 14 10135912
CMM 1º Ano - Língua Portuguesa 2019TEXTO
A INTERFERÊNCIA DO TEMPO
Martha Medeiros
Há quem diga que o tempo não existe, que somos nós que o inventamos e tentamos controlá-lo com nossos relógios e calendários. Nem ousarei discutir esta questão filosófica, existencial e cabeluda. Se o tempo não existe, eu existo. Se o tempo não passa, eu passo. E não é só o espelho que me dá certeza disso.
Uma espécie de superfície lunar sem horizontes à vista, assim eu o percebia aos sete anos de idade. As escadas levavam ao céu, eu poderia jurar que elas atravessavam os telhados. Os corredores eram passarelas infinitas, as janelas pareciam enormes portões de vidro, eu me sentia na terra dos gigantes.
Volto, depois de muitos anos, para visitá-lo e descubro que ele continua sendo um colégio grande, mas nem o pátio, nem os corredores, nem as escadas, nada tem o tamanho que parecia antes. O tempo ajustou minhas retinas e deu proporção às minhas ilusões.
A interferência do tempo atinge minhas emoções também. Houve uma época em que eu temia certo tipo de gente, aqueles que estavam sempre a postos para apontar minhas fraquezas. Hoje revejo essas pessoas e a sensação que me causam não é nem um pouco desafiadora.
E mesmo os que amei já não me provocam perturbação alguma, apenas um carinho sereno. Me pergunto como é que se explica que sentimentos tão fortes como o medo, o amor ou a raiva se desintegrem?
Alguém que era grande no meu passado, fica pequeno no meu presente. O tempo, de novo, dando a devida proporção aos meus afetos e desafetos.
Talvez seja esta a prova da sua existência: o tempo altera o tamanho das coisas. Uma rua da infância, que exigia muitas pedaladas para ser percorrida, hoje é atravessada em poucos passos. Uma árvore que para ser explorada exigia uma certa logística – ou ao menos um “calço” de quem estivesse por perto e com as mãos livres – hoje teria seus galhos alcançados num pulo. A gente vai crescendo e vê tudo do tamanho que é, sem a condescendência da fantasia.
E ainda nem mencionei as coisas que realmente foram reduzidas: apartamentos que parecem caixotes, carros compactos, conversas telegráficas, livros de bolso, pequenas salas de cinema, casamentos curtos.
Todo aquele espaço da infância, em que cabia com folga nossa imaginação e inocência, precisa hoje se adaptar ao micro, ao mínimo, a uma vida funcional.
Eu cresci. Por dentro e por fora (e, reconheço, pros lados). Sou gente grande, como se diz por aí. E o mundo à minha volta, à nossa volta, virou aldeia, somos todos vizinhos, todos vivendo apertados, financeira e emocionalmente falando. Saudade de uma alegria descomunal, de uma esperança gigantesca, de uma confiança do tamanho do futuro – quando o futuro também era infinito à nossa frente
Fonte: https://www.facebook.com/MarthaMedeiros.
No trecho “E o mundo à minha volta, à nossa volta, virou aldeia”, a partir da compreensão e interpretação do termo destacado, tendo em vista o contexto, pode-se concluir que a sociedade tornou-se:
Questão 1 10134426
CMM 1º Ano - Língua Portuguesa 2019TEXTO

Fonte: O mundo é mágico, de Bill Watterson, pág. 38.
1º Item – Tendo em vista a compreensão e a interpretação da única fala de Haroldo, analise os enunciados a seguir:
I. Haroldo, em sua fala, reúne duas acepções da expressão “verdade universal”: uma ideia aceita e defendida por todas as pessoas, sem exceção; e absolutos possíveis de serem relativizados por meio da argumentação lógica.
II. Em razão do aspecto irônico percebido na construção textual produzida por Haroldo, pode-se subentender que verdades universais não são revestidas de originalidade.
III. Para que façam sucesso, falta às verdades universais sua cota de sensacionalismo, a fim de causar impacto, chocar a opinião pública, sem que se manifeste qualquer preocupação com o caráter de veracidade.
Questão 5 10132508
CMF 1° Ano - Prova de Português 2019TEXTO
Estranhas afinidades
Casal se divorcia após descobrir que flertava pela internet. Um casal residente na cidade de
Zenica, na Bósnia-Herzegovina, estava com problemas no casamento. Por causa disso os dois
iniciaram contatos pela internet, e, sem saber de suas identidades, trocaram mensagens e acabaram
se apaixonando. Quando a relação se tornou séria, decidiram se encontrar, e então descobriram
[5] quem eram. O casal decidiu se separar. (29/10/2007)
Quando descobriram que, sem saber, estavam se correspondendo pela internet, ficaram, marido
e mulher, surpresos e chocados. Aquilo era algo mais que uma simples coincidência. Era um sinal de
que alguma coisa, em ambos, estava profundamente errada. E esta coisa os levara, durante um tempo
que não havia sido pequeno, a viver uma dupla existência. Daí as interrogações.
[10] Quem sou eu, perguntava-se ele. Com razão. No dia a dia ele era uma pessoa nervosa, irascível,
de gestos bruscos. Relacionava-se mal com os amigos e conhecidos e costumava descarregar suas
frustrações na esposa.
Quem sou eu, perguntava-se ela. Com razão. No dia a dia ela era uma pessoa nervosa, irascível,
de gestos bruscos. Relacionava-se mal com os amigos e conhecidos e costumava descarregar suas
[15] frustrações no marido.
Quem sou eu, perguntava-se ele. Com razão. Nas mensagens que enviava pela internet
revelava-se, para sua própria surpresa, uma pessoa afetiva, dotada de rica imaginação e capaz de
construir uma relação amorosa mesmo à distância, mesmo sem ver aquela a quem se dirigia. Um
milagre da internet? Talvez, mas ele suspeitava que a internet nada mais fizera do que liberar o seu
[20] lado bom, o seu lado positivo, o lado que amava a vida e que buscava compartilhar tais sentimentos
com alguém.
Quem sou eu, perguntava-se ela. Com razão. Nas mensagens que enviava pela internet
revelava-se, para sua própria surpresa, uma pessoa afetiva, dotada de rica imaginação e capaz de
construir uma relação amorosa mesmo à distância, mesmo sem ver aquele a quem se dirigia. Um
[25] milagre da internet? Talvez, mas ela suspeitava que a internet nada mais fizera do que liberar o seu
lado bom, o seu lado positivo, o lado que amava a vida e que buscava compartilhar tais sentimentos
com alguém.
Como é possível, indagava-se ele, inquieto, que eu tenha, por assim dizer, duas vidas? Como
é possível que estas duas partes de mim sejam tão diferentes, tão incompatíveis? O que eu poderia
[30] fazer para me tornar uma pessoa só? À quem deveria recorrer para isso?
Como é possível, indagava-se ela, inquieta, que eu tenha, por assim dizer, duas vidas? Como é
possível que estas duas partes de mim sejam tão diferentes, tão incompatíveis? O que eu poderia fazer
para me tornar uma pessoa só? A quem deveria recorrer para isso?
Estas eram as perguntas que se faziam. Claro, poderiam fazer as mesmas perguntas um para 0
[35] outro. Poderiam descobrir-se mutuamente, poderiam, quem sabe, constatar que, ao fim e ao cabo,
haviam sido feitos um para o outro. Mas o diálogo destes não é fácil. Preferem continuar na intemet
para ver se encontram o Príncipe Encantado, a Princesa Encantada.
(SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam: 54 crônicas inspiradas em notícias de jornal. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018)
Marque a opção em que há um adjunto adverbial com o mesmo valor semântico do adjunto adverbial contido no trecho “Poderiam descobrir-se mutuamente.” (linha 35):
Questão 15 10113825
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2019COM BASE NO TEXTO, RESPONDA A QUESTÃO.
TEXTO
Ainda hoje, permanece em mim um desejo obsessivo de salvar o que acontece — ou deixa de
acontecer — na inscrição ininterrupta, sob a forma de memória. Aquele sonho adolescente de
conservar o rastro de todas as vozes que me atravessavam — ou quase atravessavam —, o que devia
ser tão precioso e único, a um só tempo especular e especulativo. Acabei de dizer “deixa de
[5] acontecer” e “quase atravessaram” para marcar o fato de que o que acontece — em outras palavras,
o acontecimento único cujo rastro gostaríamos de conservar — é também o próprio desejo de que o
que não acontece deva acontecer.
(DERRIDA, Jacques. Essa estranha instituição chamada literatura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2014. p. 46-47. Texto adaptado.)
Vocabulário
Especular: 1 estudar com atenção, pesquisar, investigar; 2 referente a espelho, que reflete, que tem as propriedades de um espelho.
Especulativo: 1 relativo à especulação, que se caracteriza por investigar teoricamente, que busca o conhecimento, curioso; 2 contemplativo.
De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa (Aurélio), memória significa “faculdade de reter ideias, sensações, impressões, adquiridas anteriormente. Efeito da faculdade de lembrar; lembrança”. Quando Derrida declara “permanece em mim um desejo obsessivo de salvar o que acontece — ou deixa de acontecer — “ (l. 1-2), é possível perceber, no seu discurso, uma ampliação do conceito de memória.
Entre a ideia presente no dicionário e a expressa por Derrida, observa-se que
Questão 10 9546280
IFSul - Rio-Grandense Inverno 2019A partir da leitura dos três textos conclui-se que, em todos eles, há a discussão sobre
Questão 10 9541857
IFSul - Rio-Grandense Verão 2019Leia os textos, para responder à questão.
Texto 1
A política e as políticas
Apesar da multiplicidade de facetas a que se aplica a palavra “política”___ uma delas goza
de indiscutível unanimidade___ a referência ao poder político___ à esfera da política institucional.
Um deputado ou um órgão de administração pública são políticos para a totalidade das pessoas.
Todas as atividades associadas de algum modo à esfera institucional política, e o espaço onde se
[5] realizam, também são políticos. Um comício é uma reunião política e um partido é uma
associação política, um indivíduo que questiona a ordem institucional pode ser um preso político;
as ações do governo, o discurso de um vereador, o voto de um eleitor são políticos.
Mas há um outro conjunto em que a mesma palavra manifesta-se claramente de um modo
diverso. Quando se fala da política da Igreja, isto não se refere apenas às relações entre a Igreja
[10] e as instituições políticas, mas à existência de uma política que se expressa na Igreja em relação
a certas questões como a miséria, a violência, etc. Do mesmo modo, a política dos sindicatos não
se refere unicamente à política sindical, desenvolvida pelo governo para os sindicatos, mas às
questões que dizem respeito à própria atividade do sindicato em relação aos seus filiados e ao
restante da sociedade. A política feminista não se refere apenas ao Estado, mas aos homens e às
[15] mulheres em geral. As empresas têm políticas para realizarem determinadas metas no
relacionamento com outras empresas, ou com os seus empregados. As pessoas, no seu
relacionamento cotidiano, desenvolvem políticas para alcançar seus objetivos nas relações de
trabalho, de amor, ou de lazer; dizer “Você precisa ser mais político” é completamente distinto de
dizer “Você precisa se politizar mais”, isto é, “precisa ocupar-se mais da esfera política
[20] institucional”.
[...] Não resta dúvida, porém, de que este segundo significado é muito mais vago e
impreciso do que o primeiro. A evolução histórica em relação ao gigantismo das Instituições
Políticas – o Estado onipresente – é acompanhada de uma politização geral da sociedade em seus
mínimos detalhes, por exigir um posicionamento diário frente ao Poder. Mas ao mesmo tempo
[25] traz consigo a imposição de normas com que balizar a própria aplicação da palavra política,
procurando determinar o que é e o que não é “política”.
Desta forma, oculta-se ao eleitor o seu ser político, atribuindo-se esta qualidade apenas ao
eleito. Ou então atribui-se à pessoa um espaço e um tempo determinado para que exerça uma
atividade política, na hora das eleições, quando está na tribuna da Câmara dos Deputados depois
[30] de ter sido eleita, quando senta no palácio para despachar com seus secretários mesmo sem ter
sido eleita. A própria delimitação rígida da política constitui, portanto, um produto da história; e
este é, sem dúvida, o principal motivo pelo qual não basta ater-se a um significado geral da
política, que apagaria todas as figuras com que se apresentou em sua gênese.
Esta delimitação operada pelo nível institucional traz consigo alterações profundas na
[35] esfera de valores associados à política. Uma conjuntura institucional insatisfatória, pela corrupção
ou pela violência, jamais dissociadas, reflete-se numa desmoralização da atividade política –
politicagem – que pode reverter em apatia e na procura de alternativas extra-institucionais como
a luta armada. Ao mesmo tempo, processa-se uma inversão na valorização da atividade política
na própria esfera institucional, em que ela deixa de ser um direito, passando a ser apenas um
[40] dever e uma responsabilidade. Em outras palavras, à Instituição passa despercebido que a sua é
também uma política, assentada na sociedade com uma proposta de participação, representação
e direção. Por esta carência de visão de relatividade, instaura-se um normativismo absoluto,
ocultando-se assim sua natureza.
Interessa perceber que, apesar de haver um significado predominante, que se impõe em
[45] determinadas situações, e que aparece como sendo a política, o que existe na verdade são
políticas.
MAAR, Leo Wolfgang. A política e as políticas. In: ____. O que é política. São Paulo: Abril Cultural/Brasiliense, 1985. (fragmento)
Texto 2
Ideologia
Meu partido
É um coração partido
E as ilusões
Estão todas perdidas
Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Ah! Eu nem acredito
Que aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Frequenta agora
As festas do Grand Monde
Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia!
Eu quero uma pra viver
Ideologia!
Eu quero uma pra viver
[...]
CAZUZA. Ideologia. Rio de Janeiro: Polygram do Brasil Ltda, 1988. 1 disco
Texto 3

Analisando os três textos, conclui-se que, direta ou indiretamente, a temática recorrente nos três textos é
06
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