Questões de EFAF Filosofia
844 Questões
Questão 3 10768543
COLTEC 2023Leia o Texto para responder às questões.
Preconceito contra os feios ganha nome e pode ser alvo até de proteção legal
Vários estudos apontam que os mais belos são sempre beneficiados nas notas, nas promoções, até nas penas de prisão
João Pereira Coutinho
“As muito feias que me perdoem”, escreveu Vinicius de Moraes, “mas a beleza é fundamental”. Anos atrás, esses versos eram pacíficos, embora cruéis. Hoje? Revelam um “preconceito” que, além de cruel, talvez mereça uma correção. Que o mesmo é dizer: uma mudança de conduta e, quem sabe, uma proteção legal.
Porque o preconceito tem nome: “lookism”. Desconhecia o termo, confesso, mas David Brooks explicou tudo no jornal The New York Times.
Segundo o colunista, “lookism” significa valorizar em excesso os belos e, sobretudo, discriminar contra os feios. Não apenas em matéria sentimental; em todas as áreas da vida, do ensino à carreira profissional, sem esquecer as sentenças da Justiça.
São vários os estudos que apontam para a mesma conclusão: os mais belos são sempre beneficiados nas notas escolares, nas promoções, nos salários, até nas penas de prisão. Os feios, pelo contrário, são injustamente punidos por suas feições.
Moral da história? É preciso mudar de atitude, aconselha Brooks, e tratar do preconceito contra os feios como mais um preconceito intolerável. Apesar de tudo, o colunista não recomenda cotas para feios. Faz bem. Até porque é difícil imaginar como seriam essas cotas.
Para começar, seria necessário estabelecer o que se entende por feiura humana e, depois, era preciso aplicar esse critério a eventuais candidatos que se reconhecessem como feios. Tarefa espinhosa. Será que a inteligência artificial poderia dar uma ajuda?
Imagino o cenário: o candidato apresenta-se para uma entrevista de emprego, a máquina analisa as suas feições e a empresa informa que, segundo a escala de Quasimodo, ele atinge 68% de hediondez. É, portanto, elegível para a cota respectiva. O candidato, feliz por ter sido declarado horrendo (“eu sempre soube que esse rosto me levaria longe!”), agradece e aceita o trabalho.
Enquanto esse futuro não chega, mudar de atitude seria um bom começo. Mas também aqui o meu ceticismo impera: Brooks confunde boas maneiras (com os feios) e naturais inclinações (pelos belos), como se fossem a mesma coisa.
Não são. Ofender ou prejudicar alguém porque é feio constitui uma grosseria abominável; nenhuma sociedade civilizada sobrevive se deixar o superego sem freio.
Coisa distinta é ter uma inclinação natural por aquilo que é belo, mesmo sabendo que a palavra “natural” não se ajusta às modas do tempo. Se tudo que existe é uma construção social, então a beleza dependerá sempre dos critérios reinantes em particulares sociedades — e, mais especificamente, das relações de poder que se estabelecem entre os seus membros.
[...]
Mas a beleza será sempre uma evidência e um mistério que se impõe e nos desarma, independentemente das suas causas mais profundas. Até um bebê sabe disso quando contempla um rosto belo e um rosto medonho. Ou quando prova algo doce e algo amargo.
Negar essa dimensão da nossa natureza, por razões de justiça social, não me parece apenas quimérico; parece-me abusivo e de um paternalismo arrepiante. Como se os feios precisassem de uma mentira piedosa para se sentirem menos feios, ou até subitamente belos.
Um dia, o cantor Serge Gainsbourg, que era feio como a morte e que namorou as mais belas mulheres da França, disse preferir a feiura à beleza; a feiura, acrescentou Gainsbourg, dura mais tempo.
Ironicamente, Gainsbourg tocou no essencial: somos vulneráveis à beleza porque sabemos, inconscientemente que seja, que ela é efêmera. E não há nenhuma engenharia social capaz de remover essa sombra de mortalidade.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2021/07/preconceito-contra-osfeios-ganha-nome-e-pode-ser-alvo-ate-de-protecao-legal.shtml. Acesso em: 07 jul. 2021. (Adapt.)
Localize o trecho em que o humor sarcástico NÃO é uma estratégia linguística perceptível no fragmento.
Questão 2 10768542
COLTEC 2023Leia o Texto para responder às questões.
Preconceito contra os feios ganha nome e pode ser alvo até de proteção legal
Vários estudos apontam que os mais belos são sempre beneficiados nas notas, nas promoções, até nas penas de prisão
João Pereira Coutinho
“As muito feias que me perdoem”, escreveu Vinicius de Moraes, “mas a beleza é fundamental”. Anos atrás, esses versos eram pacíficos, embora cruéis. Hoje? Revelam um “preconceito” que, além de cruel, talvez mereça uma correção. Que o mesmo é dizer: uma mudança de conduta e, quem sabe, uma proteção legal.
Porque o preconceito tem nome: “lookism”. Desconhecia o termo, confesso, mas David Brooks explicou tudo no jornal The New York Times.
Segundo o colunista, “lookism” significa valorizar em excesso os belos e, sobretudo, discriminar contra os feios. Não apenas em matéria sentimental; em todas as áreas da vida, do ensino à carreira profissional, sem esquecer as sentenças da Justiça.
São vários os estudos que apontam para a mesma conclusão: os mais belos são sempre beneficiados nas notas escolares, nas promoções, nos salários, até nas penas de prisão. Os feios, pelo contrário, são injustamente punidos por suas feições.
Moral da história? É preciso mudar de atitude, aconselha Brooks, e tratar do preconceito contra os feios como mais um preconceito intolerável. Apesar de tudo, o colunista não recomenda cotas para feios. Faz bem. Até porque é difícil imaginar como seriam essas cotas.
Para começar, seria necessário estabelecer o que se entende por feiura humana e, depois, era preciso aplicar esse critério a eventuais candidatos que se reconhecessem como feios. Tarefa espinhosa. Será que a inteligência artificial poderia dar uma ajuda?
Imagino o cenário: o candidato apresenta-se para uma entrevista de emprego, a máquina analisa as suas feições e a empresa informa que, segundo a escala de Quasimodo, ele atinge 68% de hediondez. É, portanto, elegível para a cota respectiva. O candidato, feliz por ter sido declarado horrendo (“eu sempre soube que esse rosto me levaria longe!”), agradece e aceita o trabalho.
Enquanto esse futuro não chega, mudar de atitude seria um bom começo. Mas também aqui o meu ceticismo impera: Brooks confunde boas maneiras (com os feios) e naturais inclinações (pelos belos), como se fossem a mesma coisa.
Não são. Ofender ou prejudicar alguém porque é feio constitui uma grosseria abominável; nenhuma sociedade civilizada sobrevive se deixar o superego sem freio.
Coisa distinta é ter uma inclinação natural por aquilo que é belo, mesmo sabendo que a palavra “natural” não se ajusta às modas do tempo. Se tudo que existe é uma construção social, então a beleza dependerá sempre dos critérios reinantes em particulares sociedades — e, mais especificamente, das relações de poder que se estabelecem entre os seus membros.
[...]
Mas a beleza será sempre uma evidência e um mistério que se impõe e nos desarma, independentemente das suas causas mais profundas. Até um bebê sabe disso quando contempla um rosto belo e um rosto medonho. Ou quando prova algo doce e algo amargo.
Negar essa dimensão da nossa natureza, por razões de justiça social, não me parece apenas quimérico; parece-me abusivo e de um paternalismo arrepiante. Como se os feios precisassem de uma mentira piedosa para se sentirem menos feios, ou até subitamente belos.
Um dia, o cantor Serge Gainsbourg, que era feio como a morte e que namorou as mais belas mulheres da França, disse preferir a feiura à beleza; a feiura, acrescentou Gainsbourg, dura mais tempo.
Ironicamente, Gainsbourg tocou no essencial: somos vulneráveis à beleza porque sabemos, inconscientemente que seja, que ela é efêmera. E não há nenhuma engenharia social capaz de remover essa sombra de mortalidade.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2021/07/preconceito-contra-osfeios-ganha-nome-e-pode-ser-alvo-ate-de-protecao-legal.shtml. Acesso em: 07 jul. 2021. (Adapt.)
Assinale a alternativa em que NÃO há a apropriação, no discurso de João Pereira Coutinho, de uma voz discursiva externa.
Questão 1 10768541
COLTEC 2023Leia o Texto para responder às questões.
Preconceito contra os feios ganha nome e pode ser alvo até de proteção legal
Vários estudos apontam que os mais belos são sempre beneficiados nas notas, nas promoções, até nas penas de prisão
João Pereira Coutinho
“As muito feias que me perdoem”, escreveu Vinicius de Moraes, “mas a beleza é fundamental”. Anos atrás, esses versos eram pacíficos, embora cruéis. Hoje? Revelam um “preconceito” que, além de cruel, talvez mereça uma correção. Que o mesmo é dizer: uma mudança de conduta e, quem sabe, uma proteção legal.
Porque o preconceito tem nome: “lookism”. Desconhecia o termo, confesso, mas David Brooks explicou tudo no jornal The New York Times.
Segundo o colunista, “lookism” significa valorizar em excesso os belos e, sobretudo, discriminar contra os feios. Não apenas em matéria sentimental; em todas as áreas da vida, do ensino à carreira profissional, sem esquecer as sentenças da Justiça.
São vários os estudos que apontam para a mesma conclusão: os mais belos são sempre beneficiados nas notas escolares, nas promoções, nos salários, até nas penas de prisão. Os feios, pelo contrário, são injustamente punidos por suas feições.
Moral da história? É preciso mudar de atitude, aconselha Brooks, e tratar do preconceito contra os feios como mais um preconceito intolerável. Apesar de tudo, o colunista não recomenda cotas para feios. Faz bem. Até porque é difícil imaginar como seriam essas cotas.
Para começar, seria necessário estabelecer o que se entende por feiura humana e, depois, era preciso aplicar esse critério a eventuais candidatos que se reconhecessem como feios. Tarefa espinhosa. Será que a inteligência artificial poderia dar uma ajuda?
Imagino o cenário: o candidato apresenta-se para uma entrevista de emprego, a máquina analisa as suas feições e a empresa informa que, segundo a escala de Quasimodo, ele atinge 68% de hediondez. É, portanto, elegível para a cota respectiva. O candidato, feliz por ter sido declarado horrendo (“eu sempre soube que esse rosto me levaria longe!”), agradece e aceita o trabalho.
Enquanto esse futuro não chega, mudar de atitude seria um bom começo. Mas também aqui o meu ceticismo impera: Brooks confunde boas maneiras (com os feios) e naturais inclinações (pelos belos), como se fossem a mesma coisa.
Não são. Ofender ou prejudicar alguém porque é feio constitui uma grosseria abominável; nenhuma sociedade civilizada sobrevive se deixar o superego sem freio.
Coisa distinta é ter uma inclinação natural por aquilo que é belo, mesmo sabendo que a palavra “natural” não se ajusta às modas do tempo. Se tudo que existe é uma construção social, então a beleza dependerá sempre dos critérios reinantes em particulares sociedades — e, mais especificamente, das relações de poder que se estabelecem entre os seus membros.
[...]
Mas a beleza será sempre uma evidência e um mistério que se impõe e nos desarma, independentemente das suas causas mais profundas. Até um bebê sabe disso quando contempla um rosto belo e um rosto medonho. Ou quando prova algo doce e algo amargo.
Negar essa dimensão da nossa natureza, por razões de justiça social, não me parece apenas quimérico; parece-me abusivo e de um paternalismo arrepiante. Como se os feios precisassem de uma mentira piedosa para se sentirem menos feios, ou até subitamente belos.
Um dia, o cantor Serge Gainsbourg, que era feio como a morte e que namorou as mais belas mulheres da França, disse preferir a feiura à beleza; a feiura, acrescentou Gainsbourg, dura mais tempo.
Ironicamente, Gainsbourg tocou no essencial: somos vulneráveis à beleza porque sabemos, inconscientemente que seja, que ela é efêmera. E não há nenhuma engenharia social capaz de remover essa sombra de mortalidade.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2021/07/preconceito-contra-osfeios-ganha-nome-e-pode-ser-alvo-ate-de-protecao-legal.shtml. Acesso em: 07 jul. 2021. (Adapt.)
No texto lido, João Pereira Coutinho utiliza a coluna do New York Times como ponto de partida para atingir seu objetivo comunicativo, que é
Questão 31 10739442
IFF 2023/2O Dr. Ure, o grande defensor da fábrica automática, descreve-a, de um lado, como “a cooperação de diversas classes de trabalhadores, adultos e menores, que com destreza e diligência vigiam um sistema de maquinaria produtiva movido ininterruptamente por uma força central (o primeiro motor)” e, de outro, como “um autômato colossal, composto por inúmeros órgãos mecânicos, dotados de consciência própria e atuando de modo concertado e ininterrupto para a produção de um objeto comum, de modo que todos esses órgãos estão subordinados a uma força motriz, semovente”.
Essas duas descrições não são de modo nenhum idênticas. Na primeira, o trabalhador coletivo combinado, ou corpo social de trabalho, aparece como sujeito dominante e o autômato mecânico, como objeto; na segunda, o próprio autômato é o sujeito, e os operários só são órgãos conscientes pelo fato de estarem combinados com seus órgãos inconscientes, estando subordinados, juntamente com estes últimos, à força motriz central. A primeira descrição vale para qualquer aplicação possível da maquinaria em grande escala; a outra caracteriza sua aplicação capitalista e, por conseguinte, o moderno sistema fabril. [Adaptado]
MARX, Karl. O Capital, vol.1. São Paulo: Boitempo, 2013.
O que o autor pretende, neste trecho, é
Questão 2 10673281
OBRL 8° Ano - 2° Fase 2023Uma proposição é uma frase afirmativa que pode ser avaliada como verdadeira (V) ou falsa (F), mas não se admitem, para a proposição, ambas as interpretações. Considerando as informações apresentadas acima, julgue os itens subsequentes.
I. A proposição “(17 é par) ou (9 é ímpar)” é verdadeira.
II. A proposição “(7 + 4 > 10) → (36 – 25 ≠ √64)” é verdadeira.
III. A proposição “Ou (7 é primo) ou (– 13 < – 15)” é verdadeira.
IV. A proposição “(– 4 > – 3) ↔ (17 – 8 = número primo)” é verdadeira.
V. A proposição “(7 é par) e (2 é ímpar)” é verdadeira.
Entre essas proposições compostas, quantas tem a interpretação V (verdadeiras)?
Questão 8 10636259
CEFET MG 2023Considere os textos I, II e III para responder a questão.
Texto I
Professor baixou a cabeça:
– Deixa de ser besta, Bala! Tu bem sabe que do meio da gente só pode sair ladrão... Quem é que quer saber da gente? Quem? Só ladrão, só ladrão... – e sua voz se elevava, agora gritava com ódio.
AMADO, Jorge. Capitães da areia. Rio de Janeiro: Record, 1989. p. 122.
Texto II
Numa mesa pediram cachaça. Houve um movimento de copos no balcão. Um velho então disse:
– Ninguém pode mudar o destino. É coisa feita lá em cima – apontava o céu.
Mas João de Adão falou de outra mesa:
– Um dia a gente muda o destino dos pobres...
Pedro Bala levantou a cabeça, Professor ouviu sorridente. Mas João Grande e Boa-Vida pareciam apoiar as palavras do velho, que repetiu:
– Ninguém pode mudar, não. Está escrito lá em cima...
– Um dia a gente muda... – disse Pedro Bala, e todos olharam para o menino.
AMADO, Jorge. Capitães da areia. Rio de Janeiro: Record, 1989. p. 140.
Texto III
Livre-arbítrio: é você ou o universo que determina suas escolhas?
Luiza Pollo
Filósofos, físicos e neurocientistas se debruçam atualmente sobre uma questão que acompanha a humanidade há milênios: será que nós temos mesmo livre-arbítrio? Spoiler: não há consenso. Entre esses profissionais citados, há diferentes correntes que argumentam em sentidos opostos. Para os filósofos, o debate se dá principalmente em torno da tese do determinismo causal, que tem suas origens na física. "De uma maneira simplificada, essa tese nos diz que o estado de coisas num determinado momento — que podemos chamar de momento T1 —, junto com as leis da natureza, dizem qual vai ser o estado das coisas num momento futuro — o T2 — e permite saber qual foi o estado das coisas no passado. Se só existe um futuro possível, então estamos falando de uma determinação", explica Beatriz Sorrentino, professora do curso de Filosofia da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso). [...]
Atualmente, os filósofos que se dedicam a estudar a existência ou não do livre-arbítrio costumam se dividir a partir da crença na compatibilidade ou na incompatibilidade do livre-arbítrio com a tese determinista. Há os compatibilistas, que acreditam que é possível falar em liberdade de escolha mesmo que a natureza (e por consequência os seres humanos) estejam inseridos num sistema determinista; e há os incompatibilistas, que não veem a possibilidade de o livre-arbítrio existir caso o estado das coisas e as leis da física sejam os únicos responsáveis por reger nossas ações.
POLLO, Luiza. Livre-arbítrio: é você ou o universo que determina suas escolhas? Disponível em:. Acesso em 02 set. 2022.
As correntes filosóficas apresentadas no Texto III se relacionam aos argumentos levantados nos textos I e II pelo ponto de vista de
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)