Questões de EFAF Filosofia - Temática
744 Questões
Questão 6 10560355
SENAI 1° Ano - CGE 2136 2017/2O texto abaixo se refere à questão.
O problema ecológico
Se uma nave extraterrestre invadisse o espaço aéreo da Terra, com certeza seus tripulantes diriam que neste planeta não habita uma civilização inteligente, tamanho é o grau de destruição dos recursos naturais. Essas são palavras de um renomado cientista americano. Apesar dos avanços obtidos, a humanidade ainda não descobriu os valores fundamentais da existência. O que chamamos orgulhosamente de civilização nada mais é do que uma agressão às coisas naturais. A grosso modo, a tal civilização significa a devastação das florestas, a poluição dos rios, o envenenamento das terras e a deterioração da qualidade do ar. O que chamamos de progresso não passa de uma degradação deliberada e sistemática que o homem vem promovendo há muito tempo, uma autêntica guerra contra a natureza.
(...)
Fonte: PRIMO, A. Disponível em: http://www.syntonia.com/textos/textosecologia/problemaecologico.htm.
Acesso em: 18 ago. 2015.
O autor expressa sua indignação por causa
Questão 79 10365272
EFOMM 2017A PIPOCA
Rubem Alves
A culinária me fascina. De vez em quando eu
até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou
mais competente com as palavras que com as panelas.
Por isso tenho mais escrito sobre comidas que
[5] cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome
de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais
variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas,
ora-pro-nóbis, picadinho de carne com tomate feijão e
arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei
[10] mesmo a dedicar metade de um livro poético-
filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de
Babette, que é uma celebração da comida como ritual
de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e
competências, nunca escrevi como chef. Escrevi
[15] como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo − porque
a culinária estimula todas essas funções do
pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas.
Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca
[20] imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a
pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente
isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos
redondos e duros, me pareceu uma simples
molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões
[25] metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás,
conversando com uma paciente, ela mencionou a
pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu.
Minhas ideias começaram a estourar como pipoca.
Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o
[30] ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma
pipoca que estoura, de forma inesperada e
imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como
um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao
pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar
[35] estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de
uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A
pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os
cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que
[40] simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de
vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não
é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida
e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de
lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa
[45] do candomblé baiano: que a pipoca é a comida
sagrada do candomblé...
A pipoca é um milho mirrado,
subdesenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se
no meio dos meus milhos graúdos aparecessem
[50] aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de
me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista
do tamanho, os milhos da pipoca não podem competir
com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu,
mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de
[55] debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o
fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e
pudessem ser comidos. Havendo fracassado a
experiência com água, tentou a gordura. O que
aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.
[60] Repentinamente os grãos começaram a estourar,
saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas
o extraordinário era o que acontecia com eles: os
grãos duros quebra-dentes se transformavam em
flores brancas e macias que até as crianças podiam
[65] comer. O estouro das pipocas se transformou, então,
de uma simples operação culinária, em uma festa,
brincadeira, molecagem, para os risos de todos,
especialmente as crianças. É muito divertido ver o
estouro das pipocas!
[70] E o que é que isso tem a ver com o
candomblé? É que a transformação do milho duro em
pipoca macia é símbolo da grande transformação
porque devem passar os homens para que eles
venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não
[75] é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece
depois do estouro. O milho da pipoca somos nós:
duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo
poder do fogo podemos, repentinamente, nos
transformar em outra coisa − voltar a ser crianças!
[80] Mas a transformação só acontece pelo poder
do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo
continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim
acontece com a gente. As grandes transformações
acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não
[85] passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosas.
Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de
ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o
fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação
[90] que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora:
perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder
um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro.
Pânico, medo, ansiedade, depressão − sofrimentos
cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos
[95] remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento
diminui. E com isso a possibilidade da grande
transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro
da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente,
[100] pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de
sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode
imaginar destino diferente. Não pode imaginar a
transformação que está sendo preparada. A pipoca
não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso
[105] prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação
acontece: pum! − e ela aparece como uma outra coisa,
completamente diferente, que ela mesma nunca havia
sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do
casulo como borboleta voante.
[110] Na simbologia cristã o milagre do milho de
pipoca está representado pela morte e ressurreição de
Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca.
É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.
"Morre e transforma-te!" − dizia Goethe.
[115] Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá.
Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que
eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam
que era gozação minha, que piruá é palavra
inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do
[120] Aurélio para confirmar o meu conhecimento da
língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a
estourar. Meu amigo William, extraordinário
professor-pesquisador da Unicamp, especializou-se
em milhos, e desvendou cientificamente o assombro
[125] do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma
explicação científica para os piruás. Mas, no mundo
da poesia as explicações científicas não valem. Por
exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às
mulheres que não conseguiram casar. Minha prima,
[130] passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas
acho que o poder metafórico dos piruás é muito
maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o
fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que
não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito
[135] delas serem. Ignoram o dito de Jesus: "Quem
preservar a sua vida perde-la-á." A sua presunção e o
seu medo são a dura casca do milho que não estoura.
O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão
[140] dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre
da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não
servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às
pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a
ser crianças e que sabem que a vida é uma grande
[145] brincadeira...
Disponível em http://www.releituras.com/rubemalves_pipoca.asp. Acessado em 31 de mai. 2016.
OBS.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico.
Com base no texto, responda à questão.
As expressões sublinhadas estabelecem uma noção de tempo, EXCETO a que aparece na opção
Questão 48 618401
COTIL 1° Ano 2017Qual a temática da abertura das Olimpíadas 2016, que ocorreram em agosto, no Rio de Janeiro?
Questão 34 611742
IF Sertão 2017A cidadania é um conceito que vem mudando ao longo do tempo. Analise as alternativas que segue e assinale a incorreta:
Questão 5 10998432
IFF Integrados 2016TEXTO
Pobre é ladrão?
Ferreira Gullar
Logo após o fim de semana, quando a zona sul do Rio foi tomada pelos arrastões, assisti a um
programa de televisão em que se debatia o assunto. De fato, foram dois dias – um sábado e um
domingo – que deixaram as pessoas apavoradas, sem falar daquelas que sofreram diretamente a
ação dos pivetes.
[5] Eles agiram em grupos de dez, quinze assaltantes que, nas praias, tomavam dos banhistas
celulares, bolsas, cordões de ouro, relógios, enfim, tudo o que pudessem levar.
Em meio a tanta gente, corriam e sumiam, sem que nem mesmo os policiais conseguissem
pegá-los. Alguns foram presos, mas, como disse um delegado, logo seriam soltos para voltar a
assaltar. É que são menores.
[10] Pois bem, durante o debate, a opinião dos participantes era de que a razão dessa crescente ação
dos pivetes está na maneira como agem as autoridades, usando apenas a repressão policial,
quando o problema é social. Ou seja, de nada adianta reprimir a ação dos pivetes, uma vez que a
causa está na desigualdade: esses assaltantes são jovens de classe baixa, filhos de famílias
pobres, que muitas vezes não têm nem mesmo o que comer.
[15] Isso, sem dúvida alguma, é verdade. Mas, partindo dessa constatação, o que fazer para evitar que
eles continuem a assaltar? Na opinião dos debatedores, naquele programa, o governo deveria
oferecer a esses jovens atendimento capaz de reintegrá-los à vida social. Noutras palavras, é a
desigualdade social que os leva a roubar.
Vamos examinar essa tese. Quantos menores pobres existem na cidade do Rio de Janeiro? Não
[20] sei ao certo, mas acredito que cheguem a muitos milhares, a centenas de milhares. Se aqueles
jovens assaltam por serem pobres, por que não há muitos milhares de assaltantes em vez de
algumas dezenas? Os que agiram naquele fim de semana não chegavam a cem.
Diante disso, concluo que não é apenas por ser pobre que o cara se torna assaltante. Ou vamos
admitir que basta ser pobre para ser bandido? Seria uma ignomínia contra os pobres que, pelo
[25] contrário, em sua absoluta maioria trabalham para ganhar o pão de cada dia. Na verdade, a
maioria dos que pegam no pesado são os pobres. E o pessoal do Petrolão, rouba por quê? Por
não ter o que comer certamente não é. Será por vocação?
Citei, certa vez, numa de minhas crônicas, o que disse uma senhora favelada: "Tenho cinco filhos,
duas meninas e três meninos. Quatro deles estão estudando. Só um deles não quis estudar e
[30] virou assaltante". Vejam bem; todos eles foram criados na mesma casa, na mesma favela, pela
mesma mãe, enfrentando as mesmas dificuldades. Por que só um deles optou pelo crime?
Semana passada, um desses garotos declarou que rouba por prazer e não estuda porque não
quer.
A desigualdade social existe e, no Brasil, chega a um nível vergonhoso. E há desigualdade, maior
[35] ou menor, em todos os países, até naqueles de alto desenvolvimento econômico, como os
Estados Unidos. Deve-se observar também que, durante séculos, a humanidade enfrenta esse
problema e luta para livrar-se dele. Admito que talvez nunca cheguemos à sociedade justa, mas
ela pode ser menos injusta, sem dúvida alguma. Só que isso vai demorar - e muito.
[40] Voltemos, então, à tese daquele pessoal do tal programa. Se é verdade que os pivetes assaltam
porque nasceram numa sociedade desigual, significa que, enquanto a desigualdade se mantiver,
haverá assaltantes, os quais não devem ser punidos, pois são vítimas da sociedade desigual.
Puni-los seria cometer uma dupla injustiça, certo? No fundo, é mais ou menos essa visão do
problema que levou à benevolência das leis brasileiras contra os criminosos, tenham a idade que
[45] tiver.
Mas como fica a mocinha inglesa que teve sua bolsa levada pelos pivetes com todo o seu dinheiro
e todos os seus documentos? Chorando, ela prometeu nunca mais voltar ao Brasil. Como fica o
assassinato daquele senhor, morto pelo pivete que queria roubar sua bicicleta?
Se a causa dos crimes é a desigualdade social, e ela vai custar muito a ser superada, vamos ter
[50] de viver o resto da vida trancados em casa ou andar apavorados pelas ruas da cidade. Será que
está certo?
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ferreiragullar/2015/10/1689620-pobre-e-ladrao.shtml Acesso em: 16 out 2015.
Assinale a opção em que a vírgula é utilizada pela mesma razão que em “Logo após o fim de semana, quando a zona sul do Rio foi tomada pelos arrastões, assisti a um programa...” (linhas 1-2)
Questão 1 10747284
COLTEC 2016Leia o texto para responder as questões
O mito da redução da maioridade penal
Quando falo sobre redução da maioridade penal, costumo dizer que a sociedade precisa decidir em que banco quer ver a juventude. Se no banco da escola ou no banco dos réus. Anteontem, o Congresso Nacional sinalizou que prefere a segunda opção. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou a constitucionalidade da PEC que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos.
Por ironia, a votação ocorreu na mesma manhã em que a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, da qual sou presidente, realizou uma importante audiência pública sobre violações aos direitos humanos de internos do sistema socioeducativo e as péssimas condições de trabalho dos agentes do Degase, órgão responsável por abrigar os jovens.
Durante o debate, o presidente do Degase, Alexandre Azevedo, revelou que 95% dos internos não completaram o ensino fundamental. Ou seja, a internação consolida um processo de exclusão cruel que é anterior ao cometimento do ato infracional. Os jovens têm seus direitos violados antes e depois de serem apreendidos.
O problema é que estes adolescentes só ganham visibilidade quando praticam um delito. O mesmo não ocorre quando sua cidadania não é garantida. Durante a audiência, Eufrásia Maria Souza, coordenadora de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Defensoria Pública, alertou que 88% das crianças e adolescentes são vítimas de crimes, apenas 11% são autores.
Aos que não se contentam com argumentos humanitários, apresento motivos práticos para mostrar que a redução da maioridade penal não é solução. Presídios são lugares caros para tornar as pessoas piores: a taxa de reincidência entre os adultos é 70%. Não há qualquer política pública com o objetivo de ressocializar os detentos. Pelo contrário, o Estado é responsável por uma série de violações. Pergunto: qual benefício a sociedade espera obter ao mandar um jovem para uma penitenciária?
A justiça não pode ser instrumento de vingança. Os anos a mais na prisão não podem servir como chicotadas que desejamos dar naqueles que cometem crimes. Em vez de nos preocuparmos em endurecer a pena, deveríamos cuidar para que os detentos tenham acesso à educação, ao trabalho, à saúde e à família. São pessoas que voltarão ao convívio social.
Além disso, o que o Brasil mais fez nos últimos anos foi inchar o sistema carcerário. Entre 1992 e 2013, a quantidade de detentos cresceu 317,9%. Temos a terceira maior população carcerária do mundo, com quase 600 mil presos. Se cadeia resolvesse os problemas de segurança pública, viveríamos num dos lugares mais pacíficos do planeta. O que ocorre é o oposto. As taxas de homicídio subiram 24% nos últimos oito anos. (...)
No Brasil, partidários da redução da maioridade costumam citar crimes violentos praticados por adolescentes para defender a medida. Mas, segundo dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública, jovens entre 16 e 18 anos são responsáveis por apenas 0,9% dos crimes no Brasil. A taxa cai para 0,5% se considerarmos somente homicídios e tentativas de homicídio.
Repito: 95% dos internos do Degase não completaram o ensino fundamental. Precisamos mandar esses jovens para as escolas, não para os presídios. Reduzir a maioridade penal é um equívoco grave, que representa uma violência sobre um grupo cujos direitos mais elementares são constantemente violados.
Marcelo Freixo. Disponível em: http://goo.gl/rMleWF. Acesso em: 19 jun. 2015. (adaptado)
O texto estabelece relações entre informações e argumentos para sustentar seu ponto de vista.
Assinale a alternativa que NÃO constitui uma relação estabelecida no texto.
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