Questões de EFAF Filosofia - Temática
744 Questões
Questão 1 9541635
IFSul - Rio-Grandense Verão 2019Leia o texto, para responder à questão.
Texto
A política e as políticas
Apesar da multiplicidade de facetas a que se aplica a palavra “política”___ uma delas goza
de indiscutível unanimidade___ a referência ao poder político___ à esfera da política institucional.
Um deputado ou um órgão de administração pública são políticos para a totalidade das pessoas.
Todas as atividades associadas de algum modo à esfera institucional política, e o espaço onde se
[5] realizam, também são políticos. Um comício é uma reunião política e um partido é uma
associação política, um indivíduo que questiona a ordem institucional pode ser um preso político;
as ações do governo, o discurso de um vereador, o voto de um eleitor são políticos.
Mas há um outro conjunto em que a mesma palavra manifesta-se claramente de um modo
diverso. Quando se fala da política da Igreja, isto não se refere apenas às relações entre a Igreja
[10] e as instituições políticas, mas à existência de uma política que se expressa na Igreja em relação
a certas questões como a miséria, a violência, etc. Do mesmo modo, a política dos sindicatos não
se refere unicamente à política sindical, desenvolvida pelo governo para os sindicatos, mas às
questões que dizem respeito à própria atividade do sindicato em relação aos seus filiados e ao
restante da sociedade. A política feminista não se refere apenas ao Estado, mas aos homens e às
[15] mulheres em geral. As empresas têm políticas para realizarem determinadas metas no
relacionamento com outras empresas, ou com os seus empregados. As pessoas, no seu
relacionamento cotidiano, desenvolvem políticas para alcançar seus objetivos nas relações de
trabalho, de amor, ou de lazer; dizer “Você precisa ser mais político” é completamente distinto de
dizer “Você precisa se politizar mais”, isto é, “precisa ocupar-se mais da esfera política
[20] institucional”.
[...] Não resta dúvida, porém, de que este segundo significado é muito mais vago e
impreciso do que o primeiro. A evolução histórica em relação ao gigantismo das Instituições
Políticas – o Estado onipresente – é acompanhada de uma politização geral da sociedade em seus
mínimos detalhes, por exigir um posicionamento diário frente ao Poder. Mas ao mesmo tempo
[25] traz consigo a imposição de normas com que balizar a própria aplicação da palavra política,
procurando determinar o que é e o que não é “política”.
Desta forma, oculta-se ao eleitor o seu ser político, atribuindo-se esta qualidade apenas ao
eleito. Ou então atribui-se à pessoa um espaço e um tempo determinado para que exerça uma
atividade política, na hora das eleições, quando está na tribuna da Câmara dos Deputados depois
[30] de ter sido eleita, quando senta no palácio para despachar com seus secretários mesmo sem ter
sido eleita. A própria delimitação rígida da política constitui, portanto, um produto da história; e
este é, sem dúvida, o principal motivo pelo qual não basta ater-se a um significado geral da
política, que apagaria todas as figuras com que se apresentou em sua gênese.
Esta delimitação operada pelo nível institucional traz consigo alterações profundas na
[35] esfera de valores associados à política. Uma conjuntura institucional insatisfatória, pela corrupção
ou pela violência, jamais dissociadas, reflete-se numa desmoralização da atividade política –
politicagem – que pode reverter em apatia e na procura de alternativas extra-institucionais como
a luta armada. Ao mesmo tempo, processa-se uma inversão na valorização da atividade política
na própria esfera institucional, em que ela deixa de ser um direito, passando a ser apenas um
[40] dever e uma responsabilidade. Em outras palavras, à Instituição passa despercebido que a sua é
também uma política, assentada na sociedade com uma proposta de participação, representação
e direção. Por esta carência de visão de relatividade, instaura-se um normativismo absoluto,
ocultando-se assim sua natureza.
Interessa perceber que, apesar de haver um significado predominante, que se impõe em
[45] determinadas situações, e que aparece como sendo a política, o que existe na verdade são
políticas.
MAAR, Leo Wolfgang. A política e as políticas. In: ____. O que é política. São Paulo: Abril Cultural/Brasiliense, 1985. (fragmento)
No primeiro período do texto, as lacunas representam sinais e pontuação que foram suprimidos. A sequência que preenche correta e respectivamente as lacunas é
Questão 16 10183395
CMM 1° Ano - Prova de Português 2018TEXTO II
PEQUENOS DELITOS
Walcyr Carrasco
Compras do mês. Percorro as prateleiras do supermercado olhando gulosamente tudo aquilo que é bom mas engorda. Um senhor magro e grisalho para diante dos iogurtes. Olha em torno, cautelosamente. garra uma garrafinha sabor morango, abre e vira na boca, bem depressa. Esconde a embalagem. Disfarço, mas sigo o homem. Podem me chamar de abelhudo. Sou. Minha desculpa é que só tento entender o comportamento humano para escrever depois. Dali a pouco o homem pega um pacote de bolachas. Abre. Come algumas. A sobremesa? Na banca de frutas. Uvas itália tiradas do cacho. Um pêssego pequeno. Devora. Esconde o caroço no bolso. Nem sei como consegue fazer a digestão, tal a rapidez. Não, não se trata de nenhum MSS — Movimento dos Sem-Supermercado ou coisa que o valha. É um senhor com jeito de vovozinho e trajes de classe média. Termina as compras de barriga cheia e com expressão de vitória.
— Faço de tudo para não praticar pequenos delitos — conta uma amiga.
— É uma responsabilidade pessoal.
Culposamente, lembro de quando vou comprar fruta seca. Adoro uva passa. Com a desculpa de experimentar, pego uma. Duas. Três. Trezentas! Outra amiga é absolutamente contra camelôs. Diz que emporcalham a cidade. Há uma semana chegou com um brinquedo para os filhos.
— Paguei baratinho — contou animada.
— Era de uma banquinha do centro da cidade. Espantei-me.
— Você não é contra?
— Sou contra, mas não sou burra!
Pode? Hoje em dia se fala muito em ética. Mas, quando podem dar o golpe nas pequenas coisas, muita gente se sente orgulhosa. Conheço uma livraria, em Pinheiros, onde sempre se aceita devolução. Recentemente uma senhora levou seu exemplar. A gerente não reconheceu o livro. A cliente teimou. Ela verificou todas as notas. Simplesmente o título não havia sido negociado. Insistiu:
— Eu troco, desde que a senhora me diga a verdade. Não é daqui, é?
A mulher reconheceu: havia comprado o exemplar há tempos, em outro lugar. Mesmo assim, aceitou a troca e saiu satisfeitíssima com um livro novo. Outra cliente levou o livro de atividades do filho, acompanhada pela criança. Trocou. Dias depois se descobriu que os questionários internos estavam preenchidos a mão. Era golpe.
— Que exemplo essa mulher dá ao filho? — admira-se a moça.
E quando o troco vem errado? Confesso que a minha primeira reação é de alegria! De repente, tenho mais dinheiro do que pensava. Em seguida lembro que a diferença será paga pelo caixa. Devolvo. Já vi gente feliz da vida porque o dono da loja fez confusão nos preços. Outra coisa que odeio é emprestar e não receber. Há uma predisposição, para não pagar pequenas dívidas. Mesmo quem empresta fica sem jeito.
— São só cinco reais... não faço questão.
Como se fosse feio receber o que é seu! Já ouvi, uma vez que reclamei.
— Pão-duro! Você liga pra mixaria?
Tenho um conhecido que jamais tem dinheiro para dar ao manobrista. Sempre pede um trocado. Se eu não tenho, pede desculpas ao homem.
— Da próxima vez, dou em dobro. Ou então:
— Saí sem talão de cheques. Hoje você paga o jantar, o próximo é meu. Ah, que raiva! De facadinha em facadinha, faz uma bela economia.
Surrupiar um queijinho no supermercado parece não ter sequer importância. Mas os pequenos delitos, quando somados, tornam a vida na cidade grande ainda mais selvagem.
Fonte: https://comissaodecultura.files.wordpress.com/2011/06/walcyr-carrasco-pequenos-delitos-e-outras-crc3b4nicas.pdf
TEXTO III

Fonte: http://cursareaprender.blogspot.com/2013/03/todos-almejam-felicidade.html
Ao compararmos o texto II com o texto III, pode-se afirmar que
Questão 3 10132653
CMSM 1° Ano - Prova de Língua Portuguesa 2018Leia o texto para responder ao item.
TEXTO

Fonte: http://disneyandmore.blogspot.com. Acesso em: 20/09/2018.
Herói na contemporaneidade
Quando eu era criança, passava todo o tempo desenhando super-heróis.
Recorro ao historiador de mitologia Joseph Campbell, que diferenciava as duas figuras públicas: o herói (figura pública antiga) e a celebridade (a figura pública moderna). Enquanto a celebridade se populariza por viver para si mesma, o herói assim se tornava por viver servindo sua comunidade. Todo super-herói deve atravessar alguma via-crúcis. Gandhi, líder pacifista indiano, disse que, quanto maior nosso sacrifício, maior será nossa conquista. Como Hércules, como Batman.
Toda história em quadrinhos traz em si alguma coisa de industrial e marginal, ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Os filmes de super-herói, ainda que transpondo essa cultura para a grande e famigerada indústria, realizam uma outra façanha, que provavelmente sem eles não ocorreria: a formação de novas mitologias reafirmando os mesmos ideais heroicos da Antiguidade: para o homem moderno. O cineasta italiano Fellini afirmou uma vez que Stan Lee, o criador da-editora; Marvel e de diversos heróis populares, era o Homero dos quadrinhos.
Toda boa história de super-herói é uma história de exclusão social. Homem-Aranha é um nerd, Hulk é um monstro amaldiçoado, Demolidor é um deficiente, os X-Men.são indivíduos excepcionais, Batman é um órfão, Super-Homem é um alienígena expatriado. São todos símbolos da solidão, da sobrevivência e da abnegação humana. Não se ama um herói pelos seus poderes, mas pela sua dor. Nossos olhos podem até se voltar a eles por suas habilidades fantásticas, mas é na humanidade que eles crescem dentro do gosto popular. Os super-heróis que não sofrem ou simplesmente trabalham para o sistema vigente tendem a se tornar meio bobos, como o Tocha-Humana ou o Capitão América.
Hulk e Homem-Aranha são seres que criticam a inconsequência da ciência, com sua energia atômica e suas experiências genéticas. Os X-Men nos advertem para a educação inclusiva. Super-Homem é aquele que mais se aproxima de Jesus Cristo, e por isso talvez seja o mais popular de todos, em seu sacrifício solitário em defesa dos seres humanos, mas também tem algo de Aquiles, com seu calcanhar que é a kriptonita. Humano e super-herói, como Gandhi.
Não houve nenhuma literatura que tenha me marcado mais do que essas histórias em quadrinhos. Eu raramente as leio hoje em dia, mas quando assisto a bons filmes de super-heróis, eu lembro que todos temos um lado ingênuo e bom, que pode ser capaz de suportar a dor da solidão por um princípio.
CHUÍ, Fernando. Disponível em: http://fernandochui.blogspot.com. Acesso em: 20/09/2018. (Adaptado)
Glossário:
Via-crúcis: Série de 14 quadros que representam a caminhada de Jesus carregando a cruz e retratam seu sofrimento nas horas que antecederam seu julgamento e sua execução. [Por Extensão] Conjunto de experiências dolorosas, terríveis, dramáticas; martírio, tormento. Etimologia (origem da palavra via-crúcis): Do latim via Crucis, "caminho da cruz”.
Assinale a alternativa cujo fragmento apresenta a EXEMPLIFICAÇÃO como estratégia argumentativa
Questão 9 10732704
IFSP 2017/1“SELFIES” E A ERA DE NARCISO
Gianni Carta
[1] Somos todos animais sociais e precisamos ser “liked” pelos nossos “amigos”. E somos obcecados pela nossa aparência. Para resolver essas questões, nada melhor do que um “selfie”, o termo mais popular deste ano de 2013, segundo os Oxford Dictionaries. Cerca de 17 mil pessoas usaram a nova palavra. [...]
[2] Em busca da aprovação de amigos – e quiçá atrás de celebridade – as pessoas postam seus selfies no Facebook, Twitter ou Instagram. No Facebook, de fato, internautas postam seus selfies com frequência.
[3] Vemos, por exemplo, uma moça que aparece à beira de uma piscina com um fantástico tanquinho. Até Justin Bieber ficaria com inveja. Depois a vemos em outra ocasião também bastante sexy, desta feita com uma saia em uma festa. Outros postam seus selfies que variam dependendo da fase: a intelectual – com óculos e lendo; a esportiva – com uma raquete em uma quadra de tênis; a fase relaxada – em uma praia no Caribe degustando um prato de frutos do mar. E por aí vai.
[4] Esse pessoal viciado em selfies é camaleão. E, em geral, é também bastante superficial. Quando são adolescentes com egos do tamanho do Canadá, é mais compreensível, embora seus pais devessem ensiná-los que tudo tem um limite. Mas e quando são mais velhos, e argumentam que só querem dividir suas vidas com os “amigos” (mais sobre os “amigos” abaixo), seus objetivos ao postar selfies são mais questionáveis. Independentemente da faixa etária do autor do selfie, a parte mais difícil é o veredicto. Uma avalanche de likes fará o autor do selfie se sentir querido, bonito, bacana, cool (anglicismos são bem-vindos pelos adeptos do selfie). Em suma, sentem que fazem parte da comunidade de uma determinada rede social.
[5] No entanto, uma escassez total de likes será o equivalente a uma punhalada nas costas. A pessoa em questão sentirá que não tem amigos. Ou aqueles presentes na sua conta de rede social não gostam realmente dele. Ou será que ele não deveria ter posado de maiô para mostrar a pele bronzeada e o tanquinho na praia?
[7] O autorretrato remonta ao início da civilização. O homem sempre tentou se autorretratar em muros de pedra e mais tarde em quadros. Com o advento da fotografia, na primeira metade do século XIX, várias pessoas fizeram autorretratos. Depois, máquinas fotográficas passaram a oferecer o recurso self-timer, que permitia ao fotógrafo ser fotografado. Ele acionava a máquina e corria por vezes para se inserir em um grupo já preparado para a fotografia. A chegada da máquina compacta digital mudou o quadro. E o smartphone ainda mais.
[6] Com as novas tecnologias, somadas às redes sociais, ganhou vida o selfie. As pessoas, especialmente as celebridades, acham que têm controle sobre as fotos, pois podem deletar aquelas não apreciadas. Não é bem assim. Podem controlar o que postam, mas as fotos não são vistas somente pelos “amigos”. Uma vez na internet, esse campo selvagem, vai saber como essas fotos serão utilizadas? Atenção deve ser dada aos futuros patrões.
[8] Em tempo: Narciso não estava interessado em divulgar sua imagem. Apaixonou-se por ele mesmo e não estava preocupado com o parecer dos outros. [...]
[9] Narciso gostava tanto de si mesmo que não precisaria ter uma conta no Twitter ou no Facebook. Era enamorado de si mesmo e não precisava provar nada a ninguém. De certa forma, Narciso é menos vaidoso do que aqueles que vivem a postar seus selfies nas redes sociais.
(Disponível em http://www.cartacapital.com.br/tecnologia/, acesso em 19/03/2015).
Considere as palavras empregadas no texto, para marcar a afirmativa correta.
Questão 1 10732668
IFSP 2017/1“SELFIES” E A ERA DE NARCISO
Gianni Carta
[1] Somos todos animais sociais e precisamos ser “liked” pelos nossos “amigos”. E somos obcecados pela nossa aparência. Para resolver essas questões, nada melhor do que um “selfie”, o termo mais popular deste ano de 2013, segundo os Oxford Dictionaries. Cerca de 17 mil pessoas usaram a nova palavra. [...]
[2] Em busca da aprovação de amigos – e quiçá atrás de celebridade – as pessoas postam seus selfies no Facebook, Twitter ou Instagram. No Facebook, de fato, internautas postam seus selfies com frequência.
[3] Vemos, por exemplo, uma moça que aparece à beira de uma piscina com um fantástico tanquinho. Até Justin Bieber ficaria com inveja. Depois a vemos em outra ocasião também bastante sexy, desta feita com uma saia em uma festa. Outros postam seus selfies que variam dependendo da fase: a intelectual – com óculos e lendo; a esportiva – com uma raquete em uma quadra de tênis; a fase relaxada – em uma praia no Caribe degustando um prato de frutos do mar. E por aí vai.
[4] Esse pessoal viciado em selfies é camaleão. E, em geral, é também bastante superficial. Quando são adolescentes com egos do tamanho do Canadá, é mais compreensível, embora seus pais devessem ensiná-los que tudo tem um limite. Mas e quando são mais velhos, e argumentam que só querem dividir suas vidas com os “amigos” (mais sobre os “amigos” abaixo), seus objetivos ao postar selfies são mais questionáveis. Independentemente da faixa etária do autor do selfie, a parte mais difícil é o veredicto. Uma avalanche de likes fará o autor do selfie se sentir querido, bonito, bacana, cool (anglicismos são bem-vindos pelos adeptos do selfie). Em suma, sentem que fazem parte da comunidade de uma determinada rede social.
[5] No entanto, uma escassez total de likes será o equivalente a uma punhalada nas costas. A pessoa em questão sentirá que não tem amigos. Ou aqueles presentes na sua conta de rede social não gostam realmente dele. Ou será que ele não deveria ter posado de maiô para mostrar a pele bronzeada e o tanquinho na praia?
[7] O autorretrato remonta ao início da civilização. O homem sempre tentou se autorretratar em muros de pedra e mais tarde em quadros. Com o advento da fotografia, na primeira metade do século XIX, várias pessoas fizeram autorretratos. Depois, máquinas fotográficas passaram a oferecer o recurso self-timer, que permitia ao fotógrafo ser fotografado. Ele acionava a máquina e corria por vezes para se inserir em um grupo já preparado para a fotografia. A chegada da máquina compacta digital mudou o quadro. E o smartphone ainda mais.
[6] Com as novas tecnologias, somadas às redes sociais, ganhou vida o selfie. As pessoas, especialmente as celebridades, acham que têm controle sobre as fotos, pois podem deletar aquelas não apreciadas. Não é bem assim. Podem controlar o que postam, mas as fotos não são vistas somente pelos “amigos”. Uma vez na internet, esse campo selvagem, vai saber como essas fotos serão utilizadas? Atenção deve ser dada aos futuros patrões.
[8] Em tempo: Narciso não estava interessado em divulgar sua imagem. Apaixonou-se por ele mesmo e não estava preocupado com o parecer dos outros. [...]
[9] Narciso gostava tanto de si mesmo que não precisaria ter uma conta no Twitter ou no Facebook. Era enamorado de si mesmo e não precisava provar nada a ninguém. De certa forma, Narciso é menos vaidoso do que aqueles que vivem a postar seus selfies nas redes sociais.
(Disponível em http://www.cartacapital.com.br/tecnologia/, acesso em 19/03/2015).
No gênero artigo de opinião, o autor defende um ponto de vista ao qual se dá o nome de tese.
Marque a tese defendida pela autora nesse artigo de opinião.
Questão 1 10727332
CMJF 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa (Prova 1) 2017TEXTO I
Ubuntu: a filosofia africana que nutre o conceito de humanidade em sua essência
24 de setembro de 2014 ]
Natália da Luz, Por dentro da África
Rio — Uma sociedade sustentada pelos pilares do respeito e da solidariedade faz parte da essência de ubuntu, filosofia africana que trata da importância das alianças e do relacionamento das pessoas, umas com as outras. Na tentativa da tradução para o português, ubuntu seria “humanidade para com os outros”. Uma pessoa com ubuntu tem consciência de que é afetada
[5] quando seus semelhantes são diminuídos, oprimidos.
— De ubuntu, as pessoas devem saber que o mundo não é uma ilha: “Eu sou porque nós somos”. Eu sou humano, e a natureza humana implica compaixão, partilha, respeito, empatia — detalhou em entrevista exclusiva ao Por dentro da África, Dirk Louw, doutor em Filosofia Africana pela Universidade de Stellenbosch (África do Sul). (...)
[10] — No fundo, este fundamento tradicional africano articula um respeito básico pelos outros. Ele pode ser interpretado tanto como uma regra de conduta ou ética social. Ele descreve tanto o ser humano como “ser-com-os-outros” e prescreve que “ser-com-os-outros” deve ser tudo. (...)
Disponível em: htpp://www.pordentrodaafrica.com Acesso em 29 de agosto de 2017.
Vocabulário do texto
pilares: bases
implica: dá a entender
prescreve: determina
TEXTO II
Ubuntu, o que a África tem a nos ensinar
28 de abril de 2015
(...)
A jornalista e filósofa Lia Diskin, durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis, em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África: “Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs,
[5] então, uma brincadeira para as crianças que achou ser inofensiva.
Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Ai ele chamou as crianças e combinou que, quando ele dissesse 'já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.
[10] As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse 'Já!, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.
O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma
[15] só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam:
— Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”
Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição,
[20] certo?
Ubuntu significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras, “Eu só existo porque nós existimos”.
“Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” A resposta singela da criança é profunda e vital, pois está carregada de valores como respeito, cortesia,
[25] solidariedade, compaixão, generosidade, confiança — enfim, tudo aquilo que nos torna humanos e garante uma convivência harmoniosa em sociedade.
Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. É, ao mesmo tempo, um conceito moral, uma filosofia e um modo de viver que se opõe ao narcisismo e ao individualismo tão comuns em nossa sociedade ocidental capitalista. Enquanto a ideia europeia sobre
[30] a natureza humana baseia-se na ideia de liberdade, de que os indivíduos têm o poder da livre escolha, a ideia africana do ubuntu repousa sobre a ideia da comunidade, de que pessoas dependem de outras pessoas para serem pessoas.
Segundo o espírito de ubuntu, as pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam
[35] felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que ainda nascerão.
Disponível em: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/ Acesso em 29 de agosto de 2017.
Vocabulário do texto
antropólogo: aquele que estuda sobre o ser humano
narcisismo: amor excessivo a si mesmo
detrimento: prejuízo
Tendo em vista os textos I e II, pode-se afirmar que:
06
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