Questões de EFAF Filosofia
844 Questões
Questão 3 10776795
UTFPR Inverno 2011Texto de referência para questão.
Contra as formas de dogmatismo
Marcelo Gleiser
Em seu ensaio “Absence of Mind”, a romancista e ensaísta americana Marilynne Robinson, que venceu o prêmio Pulitzer por seu romance “Gilead”, critica cientistas como Richard Dawkins e Steven Pinker por seus ataques à fé e à religião.
Robinson declara que a postura desses cientistas é essencialmente fundamentalista, baseada na doutrina do “cientismo”, que prega que a ciência é o único modelo explicativo válido. “As certezas que, juntas, trivializam e menosprezam, precisam ser revisitadas”, escreveu.
Eis, resumidamente, o argumento de Robinson: não há dúvida de que a ciência é uma belíssima construção intelectual, com inúmeros triunfos no decorrer dos últimos quatro séculos. Porém, sua visão de mundo é necessariamente incompleta.
Reduzir todo o conhecimento aos métodos da ciência acaba por empobrecer a humanidade. Precisamos de diversidade cultural, e essa diversidade inclui, entre outras, a cultura das religiões.
O que faz com que cientistas tenham tanta confiança no seu saber? Afinal, a prática da ciência apoia-se em incertezas; uma teoria funciona apenas dentro de seus limites de validade. Teorias são testadas constantemente e seus limites são expostos. É justamente dos limites de uma teoria que surgem outras.
Portanto, para que a ciência avance é necessário que ela falhe. As verdades de hoje não serão as mesmas de amanhã. Veja, por exemplo, a noção de que a Terra é o centro do cosmo, plenamente aceita até o século 17. Claro, dentro de sua validade, teorias funcionam extremamente bem e, dessa forma mais restrita, podemos chamá-las de verdadeiras. Mas afirmar que a ciência detém a verdade é ir longe demais.
Em 2006, Robinson publicou uma resenha do livro de Dawkins, “Deus, um Delírio”, na qual critica o biólogo duramente. Robinson acusa Dawkins de usar argumentos científicos onde eles não são pertinentes. Por exemplo, quando
Dawkins critica a ideia de que Deus é o criador do Universo, afirmando que a ideia não faz sentido: como o Universo começou simples, Deus não poderia ser complexo para conseguir criá-lo. Dawkins conclui que Deus contradiz a teoria da evolução, pois já surge complexo. Robinson contra-ataca dizendo que aplicar teorias científicas a Deus não faz sentido. Mesmo sendo agnóstico, tenho de concordar com ela.
Muito da ciência e da religião vem da necessidade que temos de encontrar sentido e significado em nossas vidas. Simpatizo com a necessidade de humildade e autocrítica nas ciências de- fendida por Robinson. Espero, porém, a mesma atitude de líderes religiosos e teólogos.
Folha de São Paulo - 10/04/11 Caderno Cotidiano 2 – pág. 13
Assinale a alternativa correta, após analisar
as proposições a seguir.
I) Em “Portanto, para que a ciência avance é necessário que ela falhe”, a conjunção em destaque poderia ser substituída no texto, sem prejuízo de significado, por Todavia.
II) O trecho “Reduzir todo o conhecimento aos métodos da ciência acaba por empobrecer a humanidade”, quer dizer que haveria prejuízos econômicos, caso todos os conhecimentos fossem baseados nos métodos da ciência.
III) No parágrafo “Dawkins conclui que Deus contradiz a teoria da evolução, pois já surge complexo. Robinson contra-ataca dizendo que aplicar teorias científicas a Deus não faz sentido. Mesmo sendo agnóstico, tenho de concordar com ela”, o pronome em destaque se refere a Robinson.
Está(ão) correta(s) apenas:
Questão 2 10776793
UTFPR Inverno 2011Texto de referência para questão.
Contra as formas de dogmatismo
Marcelo Gleiser
Em seu ensaio “Absence of Mind”, a romancista e ensaísta americana Marilynne Robinson, que venceu o prêmio Pulitzer por seu romance “Gilead”, critica cientistas como Richard Dawkins e Steven Pinker por seus ataques à fé e à religião.
Robinson declara que a postura desses cientistas é essencialmente fundamentalista, baseada na doutrina do “cientismo”, que prega que a ciência é o único modelo explicativo válido. “As certezas que, juntas, trivializam e menosprezam, precisam ser revisitadas”, escreveu.
Eis, resumidamente, o argumento de Robinson: não há dúvida de que a ciência é uma belíssima construção intelectual, com inúmeros triunfos no decorrer dos últimos quatro séculos. Porém, sua visão de mundo é necessariamente incompleta.
Reduzir todo o conhecimento aos métodos da ciência acaba por empobrecer a humanidade. Precisamos de diversidade cultural, e essa diversidade inclui, entre outras, a cultura das religiões.
O que faz com que cientistas tenham tanta confiança no seu saber? Afinal, a prática da ciência apoia-se em incertezas; uma teoria funciona apenas dentro de seus limites de validade. Teorias são testadas constantemente e seus limites são expostos. É justamente dos limites de uma teoria que surgem outras.
Portanto, para que a ciência avance é necessário que ela falhe. As verdades de hoje não serão as mesmas de amanhã. Veja, por exemplo, a noção de que a Terra é o centro do cosmo, plenamente aceita até o século 17. Claro, dentro de sua validade, teorias funcionam extremamente bem e, dessa forma mais restrita, podemos chamá-las de verdadeiras. Mas afirmar que a ciência detém a verdade é ir longe demais.
Em 2006, Robinson publicou uma resenha do livro de Dawkins, “Deus, um Delírio”, na qual critica o biólogo duramente. Robinson acusa Dawkins de usar argumentos científicos onde eles não são pertinentes. Por exemplo, quando
Dawkins critica a ideia de que Deus é o criador do Universo, afirmando que a ideia não faz sentido: como o Universo começou simples, Deus não poderia ser complexo para conseguir criá-lo. Dawkins conclui que Deus contradiz a teoria da evolução, pois já surge complexo. Robinson contra-ataca dizendo que aplicar teorias científicas a Deus não faz sentido. Mesmo sendo agnóstico, tenho de concordar com ela.
Muito da ciência e da religião vem da necessidade que temos de encontrar sentido e significado em nossas vidas. Simpatizo com a necessidade de humildade e autocrítica nas ciências de- fendida por Robinson. Espero, porém, a mesma atitude de líderes religiosos e teólogos.
Folha de São Paulo - 10/04/11 Caderno Cotidiano 2 – pág. 13
“O que faz com que cientistas tenham tanta confiança no seu saber? Afinal, a prática da ciência apoia-se em incertezas; uma teoria funciona apenas dentro de seus limites de validade. Teorias são testadas constantemente e seus limites são expostos. É justamente dos limites de uma teoria que surgem outras.”
O trecho que se inicia depois da interrogação funciona como uma:
Questão 1 10776789
UTFPR Inverno 2011Texto de referência para questão.
Contra as formas de dogmatismo
Marcelo Gleiser
Em seu ensaio “Absence of Mind”, a romancista e ensaísta americana Marilynne Robinson, que venceu o prêmio Pulitzer por seu romance “Gilead”, critica cientistas como Richard Dawkins e Steven Pinker por seus ataques à fé e à religião.
Robinson declara que a postura desses cientistas é essencialmente fundamentalista, baseada na doutrina do “cientismo”, que prega que a ciência é o único modelo explicativo válido. “As certezas que, juntas, trivializam e menosprezam, precisam ser revisitadas”, escreveu.
Eis, resumidamente, o argumento de Robinson: não há dúvida de que a ciência é uma belíssima construção intelectual, com inúmeros triunfos no decorrer dos últimos quatro séculos. Porém, sua visão de mundo é necessariamente incompleta.
Reduzir todo o conhecimento aos métodos da ciência acaba por empobrecer a humanidade. Precisamos de diversidade cultural, e essa diversidade inclui, entre outras, a cultura das religiões.
O que faz com que cientistas tenham tanta confiança no seu saber? Afinal, a prática da ciência apoia-se em incertezas; uma teoria funciona apenas dentro de seus limites de validade. Teorias são testadas constantemente e seus limites são expostos. É justamente dos limites de uma teoria que surgem outras.
Portanto, para que a ciência avance é necessário que ela falhe. As verdades de hoje não serão as mesmas de amanhã. Veja, por exemplo, a noção de que a Terra é o centro do cosmo, plenamente aceita até o século 17. Claro, dentro de sua validade, teorias funcionam extremamente bem e, dessa forma mais restrita, podemos chamá-las de verdadeiras. Mas afirmar que a ciência detém a verdade é ir longe demais.
Em 2006, Robinson publicou uma resenha do livro de Dawkins, “Deus, um Delírio”, na qual critica o biólogo duramente. Robinson acusa Dawkins de usar argumentos científicos onde eles não são pertinentes. Por exemplo, quando
Dawkins critica a ideia de que Deus é o criador do Universo, afirmando que a ideia não faz sentido: como o Universo começou simples, Deus não poderia ser complexo para conseguir criá-lo. Dawkins conclui que Deus contradiz a teoria da evolução, pois já surge complexo. Robinson contra-ataca dizendo que aplicar teorias científicas a Deus não faz sentido. Mesmo sendo agnóstico, tenho de concordar com ela.
Muito da ciência e da religião vem da necessidade que temos de encontrar sentido e significado em nossas vidas. Simpatizo com a necessidade de humildade e autocrítica nas ciências de- fendida por Robinson. Espero, porém, a mesma atitude de líderes religiosos e teólogos.
Folha de São Paulo - 10/04/11 Caderno Cotidiano 2 – pág. 13
Segundo o texto, o autor:
I) concorda com o posicionamento de Marilynne Robinson, que critica a retórica de alguns cientistas que colocam a ciência como “dona da verdade”, porém também ressalta que Marilynne Robinson não está livre de críticas quanto à sua própria retórica.
II) acredita que devido a ciência apoiar-se em incertezas e falhar constantemente, ela deva ser ignorada.
III) associa a necessidade do ser humano de procurar sentido e significado para a existência com o trabalho realizado pela ciência e religião.
IV) reconhece a necessidade de “diversidade cultural” e, portanto, critica o fundamentalismo de alguns cientistas, mas espera reconhecimento igual por parte dos religiosos.
Estão corretas apenas:
Questão 5 10763531
UTFPR Verão 2011/2“A frase é de Gandhi: “seja a mudança que você quer ver no mundo”. Não, não esqueci do que aprendi na faculdade de jornalismo: jamais começar um texto citando Gandhi, Einstein ou Chaplin, se você quer ser levado a sério neste mundo cínico. Sim, esse pessoal fala coisas bonitas, mas eles não são “pragmáticos”. São “ingênuos”, desconectados das realidades do mercado, ignorantes das sujeiras da política, sonhadores, poetas, bobocas.”
Denis Russo Burgierman, Veja on line, 03/ novembro/2009.
Assinale a alternativa que, pela temática e pela organização textual, pode ser a conclusão do texto de Denis Russo Burgierman.
Questão 21 10727386
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2011“A violência se desenvolve e se generaliza, tornando-se cada vez mais banalizada. Assim como a pobreza, a violência indiscriminada, a impunidade dos criminosos e a diversidade dos grupos em conflito, põem em xeque as instituições sociais” (COSTA, 2000).
A partir desta afirmativa, marque a única resposta incorreta.
Questão 8 10727364
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2011TEXTO:
O gosto da surpresa
Betty Milan
Psicanalista e escritora
Nada é melhor do que se surpreender, olhar o mundo com olhos de criança. Por isso as pessoas gostam de viajar. Nem o trânsito, nem a fila no aeroporto, nem o eventual desconforto do hotel são empecilhos neste caso. Só viajar importa, ir de um para outro lugar e se entregar à cena que se descortina. Como, aliás, no teatro.
O turista compra a viagem baseado nas garantias que a agência de turismo oferece, mas se transporta em busca de surpresa. Porque é dela que nós precisamos mais. Isso explica a célebre frase “navegar é preciso, viver não”, erroneamente atribuída a Fernando Pessoa, já que data da Idade Média.
Agora, não é necessário se deslocar no espaço para se surpreender e se renovar. Olhar atentamente uma flor, acompanhar o seu desenvolvimento, do botão à pétala caída, pode ser tão enriquecedor quanto visitar um monumento histórico.
Tudo depende do olhar. A gente tanto pode olhar sem ver nada quanto se maravilhar, uma capacidade natural na criança e que o adulto precisa conquistar, suspendendo a agitação da vida cotidiana e não se deixando absorver por preocupações egocêntricas. Como diz um provérbio chinês, a lua só se reflete perfeitamente numa água tranquila.
O que nós vemos e ouvimos depende de nós. A meditação nos afasta do clamor do cotidiano e nos permite, por exemplo, ouvir a nossa respiração. Quem escuta com o espírito e não com o ouvido, percebe os sons mais sutis. Ouve o silêncio, que é o mais profundo de todos os sons, como bem sabem os músicos. Numa de suas músicas, Caetano Veloso diz que “só o João (Gilberto) é melhor do que o silêncio”. Porque o silêncio permite entrar em contato com um outro eu, que só existe quando nos voltamos para nós mesmos.
Há milênios, os asiáticos, que valorizam a longevidade, se exercitam na meditação, enquanto nós, ocidentais, evitamos o desligamento que ela implica. Por imaginarmos que sem estar ligado não é possível existir, ignoramos que o afastamento do circuito habitual propicia uma experiência única de nós mesmos, uma experiência sempre nova.
Desde a Idade Média, muitos séculos se passaram. Mas o lema dos navegadores continua atual. Surpreender-se é preciso. A surpresa é a verdadeira fonte da juventude, promessa de renovação e de vida.
(Veja, Editora Abril, edição 2184 – ano 43 – no 39, 29/09/2010, p. 116)
No trecho: “Agora, não é necessário se deslocar no espaço para se surpreender e se renovar.”, a palavra grifada:
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