Questões de EFAF Geografia - Terra
1.086 Questões
Questão 3 10868697
IFMG 2017Leia o texto, a seguir, e responda à questão.
Texto
Sede e morte na terra nua: degradação ambiental seca nascentes e rios de Minas, amplia a estiagem e abate gado e lavoura
No Norte do estado, 500 cursos d'água sumiram
§1º “Espero que Deus envie chuva para o rio voltar a correr”, suplicou Zacarias Machado, morador de Me Livre, comunidade rural em Montes Claros, no Norte de Minas, onde a água que havia na calha do rio Peixe deu lugar à poeira. A disponibilidade de água diminuiu no estado em decorrência do secamento de nascentes, reflexo da degradação ambiental. O fim desses “olhos d’água” afeta importantes bacias hidrográficas e alimenta a longa estiagem, que, por sua vez, queimou lavouras e fez gado definhar até tombar de vez.
§2º A situação é desesperadora em muitos lugares, sobretudo nos rincões do estado, onde famílias que captavam água diretamente em leitos agora são reféns de caminhão-pipa. Só no Norte de Minas mais de 500 cursos d’água secaram ou estão com a vazão mínima, conforme estudo assinado por Reinaldo Nunes de Oliveira, técnico da Emater-MG. Ele analisou 730 leitos na região: “Consequência do desmatamento e assoreamento”.
§3º Em coro ao alerta dele, a professora Maria das Dores Magalhães Veloso, doutora em ciências florestais e que leciona na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), defende estudos e intervenções urgentes. Ela estuda o assunto há oito anos: “Ocorre a antropização. O homem ocupa o espaço que era das plantas. O solo fica descoberto e, quando chove, a camada superficial é carreada para partes baixas, o que causa assoreamento e entope nascentes”.
§4º Ela cita pesquisa recente na região do Parque Estadual da Serra do Cabral, entre os municípios de Buenópolis, Joaquim Felício e Francisco Dumont, onde 17 nascentes desapareceram ou ficaram comprometidas. “Houve várias queimadas. Também há o pisoteio do gado. É preciso estudos para verificar como deve ser feito o desassoreamento e analisar o estado pontual de cada nascente.”
§5º A degradação ambiental e a estiagem não pouparam nem a região onde brota o São Francisco, o maior rio exclusivamente brasileiro, com 2,8 mil quilômetros de extensão. Em Medeiros, na Serra da Canastra, pelo menos 20 nascentes secaram. Alceu Carneiro, assessor da prefeitura, alerta que a do Rio Samburá, considerada por muita gente como a “nascente geográfica” do Velho Chico, continua abastecendo o leito, mas num volume inferior ao de alguns anos.
§6º Ainda no Centro-Oeste, fazendeiros de Martinho Campos e Pompéu reclamam da estiagem, embora a região seja cortada pelo Velho Chico e dois importantes tributários, o Pará e o Paraopeba. “Córregos da região secaram. A estiagem aumentou o custo da produção leiteira”, reclamou José Alberto, presidente da Cooperativa Agropecuária de Pompéu (Coopel).
§7º A cidade foi uma espécie de celeiro que abasteceu o Rio de Janeiro, em 1808, quando milhares de portugueses fugiram do Exército de Napoleão Bonaparte e desembarcaram no Brasil na companhia da família real. Da fazenda de Joaquina de Pompéu (1752-1824), a Dama do Sertão, toneladas de alimentos foram enviados para a capital da então colônia a pedido da coroa lusitana. Hoje, há gado tombado na região, onde até o solo rachou no entorno das veredas. [...]
(Jornal Estado de Minas. https://goo.gl/B2wLPy. Acesso: 25/09/2016. Adaptado.)
A expressão conectiva por sua vez, destacada no primeiro parágrafo do texto, indica que
Questão 51 10783199
Liceu-SP C. Gerais 2017Observe as formas de relevo 1 e 2.
1

(http://www.guiadasemana.com.br)
2

(https://s-media-cache-ak0.pinimg.com)
Com relação às formas de relevo 1 e
Questão 37 10780709
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2017O Sahel significa "costa" ou "fronteira". É uma faixa de 500 km a 700 km de largura, em média, e 5.400 km de extensão, situada na África Subsaariana, entre o Saara, ao norte, e a savana, ao sul; e entre o oceano Atlântico, a oeste, e o Mar Vermelho, a leste. Trata-se de uma região fitogeográfica com estepes, vegetação complexa e algumas xerófilas que recebe uma precipitação entre 150 e 300 mm por ano. Pode,portanto pensar-se que a agricultura no Sahel está condenada ao fracasso. No entanto, a região é protegida por um cinturão verde constituído por uma flora altamente diversificada, que a protege dos ventos do Saara. Por outro lado, o Sahel tem sido atingido por longos períodos de seca que aumenta a situação de fome.
Fonte: www.biomania.com.br. Acesso: 15 de setembro de 2016.
A descrição dessa região está caracterizada na seguinte imagem:
Questão 10 10780610
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2017TEXTO
Línguas que não sabemos que sabíamos
Recordo um episódio que sucedeu comigo. Em 1989, fazia pesquisa na Ilha da Inhaca quando
desembarcou nessa ilha uma equipa de técnicos das Nações Unidas. Vinham fazer aquilo que se costuma
chamar de “educação ambiental". Não quero comentar aqui como esse conceito de educação ambiental
esconde muitas vezes uma arrogância messiânica. A verdade é que, munidos de boa-fé, os cientistas traziam
[5] malas com projectores de slides e filmes. Traziam, enfim, aquilo que na sua linguagem designavam por “kits de
educação”, na ingênua esperança de que a tecnologia é a salvação para problemas de entendimento e de
comunicação.
Na primeira reunião com a população surgiram curiosos mal-entendidos que revelam a dificuldade de
tradução não de palavras, mas de pensamento. No pódio estavam os cientistas que falavam em inglês, eu, que
[10] traduzia para português, e um pescador que traduzia de português para a língua local, o chidindinhe. Tudo
começou logo na apresentação dos visitantes (devo dizer que, por acaso, a maior parte deles eram suecos).
“Somos cientistas”, disseram eles. Contudo, a palavra “cientista” não existe na língua local. O termo escolhido
pelo tradutor foi inguetlha que quer dizer feiticeiro. Os visitantes surgiam assim aos olhos daquela gente como
feiticeiros brancos. O sueco que dirigia a delegação (e ignorando o estatuto com que acabara de ser investido)
[15] anunciou a seguir: “Vimos aqui para trabalhar na área do Meio Ambiente”.
Ora, a ideia de Meio Ambiente, naquela cultura, não existe de forma autônoma e não há palavra para
designar exactamente esse conceito. O tradutor hesitou e acabou escolhendo a palavra Ntumbuluku, que quer
dizer várias coisas mas, sobretudo, refere uma espécie de Big Bang, o momento da criação da humanidade.
Como podem imaginar, os ilhéus estavam fascinados: a sua pequena ilha tinha sido escolhida para estudar um
[20] assunto da mais nobre e elevada metafísica.
Já no período de diálogo, o mesmo sueco pediu à assembléia que identificasse os problemas
ambientais que mais perturbavam a ilha. A multidão entreolhou-se, perplexa: “Problemas ambientais?”
E após recíprocas consultas as pessoas escolheram o maior problema: a invasão das machambas1
pelos tinguluve, os porcos do mato. Curiosamente, o termo tinguluve nomeia também os espíritos dos
[25] falecidos que adoeceram depois de terem deixado de viver. Fossem espíritos, fossem porcos, o consultor
estrangeiro não se sentia muito à vontade no assunto dos tinguluve. Ele jamais havia visto tal animal. A
assembléia explicou: os tais porcos surgiram misteriosamente na ilha, reproduziram-se na floresta e agora
destruíam as machambas.
— Destroem as machambas? Então, é fácil: vamos abatê-los!
[30] A multidão reagiu com um silêncio receoso. Abater espíritos? Ninguém mais quis falar ou escutar fosse
o que fosse. E a reunião acabou abruptamente, ferida por uma silenciosa falta de confiança. Já noite, um grupo
de velhos me veio bater à porta. Solicitavam que chamasse os estrangeiros para que o assunto dos porcos
fosse esclarecido. Os consultores lá vieram, admirados pelo facto de lhes termos interrompido o sono.
— É por causa dos porcos selvagens.
[35] — O que têm os porcos?
— É que não são bem-bem porcos...
COUTO , Mia. Línguas que não sabem os que sabíamos. In: E se Obama fosse africano? São Paulo: Cia das Letras, 2009. Fragmento. Disponível em: http://www.companhiadasletras.com.br/trechos/13116.pdf
1Terrenos agrícolas para produção familiar.
No trecho Vinham fazer aquilo que se costuma chamar de “educação ambiental” (linhas 2-3), as aspas servem para
Questão 9 10780606
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2017TEXTO
Línguas que não sabemos que sabíamos
Recordo um episódio que sucedeu comigo. Em 1989, fazia pesquisa na Ilha da Inhaca quando
desembarcou nessa ilha uma equipa de técnicos das Nações Unidas. Vinham fazer aquilo que se costuma
chamar de “educação ambiental". Não quero comentar aqui como esse conceito de educação ambiental
esconde muitas vezes uma arrogância messiânica. A verdade é que, munidos de boa-fé, os cientistas traziam
[5] malas com projectores de slides e filmes. Traziam, enfim, aquilo que na sua linguagem designavam por “kits de
educação”, na ingênua esperança de que a tecnologia é a salvação para problemas de entendimento e de
comunicação.
Na primeira reunião com a população surgiram curiosos mal-entendidos que revelam a dificuldade de
tradução não de palavras, mas de pensamento. No pódio estavam os cientistas que falavam em inglês, eu, que
[10] traduzia para português, e um pescador que traduzia de português para a língua local, o chidindinhe. Tudo
começou logo na apresentação dos visitantes (devo dizer que, por acaso, a maior parte deles eram suecos).
“Somos cientistas”, disseram eles. Contudo, a palavra “cientista” não existe na língua local. O termo escolhido
pelo tradutor foi inguetlha que quer dizer feiticeiro. Os visitantes surgiam assim aos olhos daquela gente como
feiticeiros brancos. O sueco que dirigia a delegação (e ignorando o estatuto com que acabara de ser investido)
[15] anunciou a seguir: “Vimos aqui para trabalhar na área do Meio Ambiente”.
Ora, a ideia de Meio Ambiente, naquela cultura, não existe de forma autônoma e não há palavra para
designar exactamente esse conceito. O tradutor hesitou e acabou escolhendo a palavra Ntumbuluku, que quer
dizer várias coisas mas, sobretudo, refere uma espécie de Big Bang, o momento da criação da humanidade.
Como podem imaginar, os ilhéus estavam fascinados: a sua pequena ilha tinha sido escolhida para estudar um
[20] assunto da mais nobre e elevada metafísica.
Já no período de diálogo, o mesmo sueco pediu à assembléia que identificasse os problemas
ambientais que mais perturbavam a ilha. A multidão entreolhou-se, perplexa: “Problemas ambientais?”
E após recíprocas consultas as pessoas escolheram o maior problema: a invasão das machambas1
pelos tinguluve, os porcos do mato. Curiosamente, o termo tinguluve nomeia também os espíritos dos
[25] falecidos que adoeceram depois de terem deixado de viver. Fossem espíritos, fossem porcos, o consultor
estrangeiro não se sentia muito à vontade no assunto dos tinguluve. Ele jamais havia visto tal animal. A
assembléia explicou: os tais porcos surgiram misteriosamente na ilha, reproduziram-se na floresta e agora
destruíam as machambas.
— Destroem as machambas? Então, é fácil: vamos abatê-los!
[30] A multidão reagiu com um silêncio receoso. Abater espíritos? Ninguém mais quis falar ou escutar fosse
o que fosse. E a reunião acabou abruptamente, ferida por uma silenciosa falta de confiança. Já noite, um grupo
de velhos me veio bater à porta. Solicitavam que chamasse os estrangeiros para que o assunto dos porcos
fosse esclarecido. Os consultores lá vieram, admirados pelo facto de lhes termos interrompido o sono.
— É por causa dos porcos selvagens.
[35] — O que têm os porcos?
— É que não são bem-bem porcos...
COUTO , Mia. Línguas que não sabem os que sabíamos. In: E se Obama fosse africano? São Paulo: Cia das Letras, 2009. Fragmento. Disponível em: http://www.companhiadasletras.com.br/trechos/13116.pdf
1Terrenos agrícolas para produção familiar.
Os termos naquela (linha 16), esse (linha 17) e sua (linha 19) retomam, respectivamente:
Questão 8 10780592
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2017TEXTO
Línguas que não sabemos que sabíamos
Recordo um episódio que sucedeu comigo. Em 1989, fazia pesquisa na Ilha da Inhaca quando
desembarcou nessa ilha uma equipa de técnicos das Nações Unidas. Vinham fazer aquilo que se costuma
chamar de “educação ambiental". Não quero comentar aqui como esse conceito de educação ambiental
esconde muitas vezes uma arrogância messiânica. A verdade é que, munidos de boa-fé, os cientistas traziam
[5] malas com projectores de slides e filmes. Traziam, enfim, aquilo que na sua linguagem designavam por “kits de
educação”, na ingênua esperança de que a tecnologia é a salvação para problemas de entendimento e de
comunicação.
Na primeira reunião com a população surgiram curiosos mal-entendidos que revelam a dificuldade de
tradução não de palavras, mas de pensamento. No pódio estavam os cientistas que falavam em inglês, eu, que
[10] traduzia para português, e um pescador que traduzia de português para a língua local, o chidindinhe. Tudo
começou logo na apresentação dos visitantes (devo dizer que, por acaso, a maior parte deles eram suecos).
“Somos cientistas”, disseram eles. Contudo, a palavra “cientista” não existe na língua local. O termo escolhido
pelo tradutor foi inguetlha que quer dizer feiticeiro. Os visitantes surgiam assim aos olhos daquela gente como
feiticeiros brancos. O sueco que dirigia a delegação (e ignorando o estatuto com que acabara de ser investido)
[15] anunciou a seguir: “Vimos aqui para trabalhar na área do Meio Ambiente”.
Ora, a ideia de Meio Ambiente, naquela cultura, não existe de forma autônoma e não há palavra para
designar exactamente esse conceito. O tradutor hesitou e acabou escolhendo a palavra Ntumbuluku, que quer
dizer várias coisas mas, sobretudo, refere uma espécie de Big Bang, o momento da criação da humanidade.
Como podem imaginar, os ilhéus estavam fascinados: a sua pequena ilha tinha sido escolhida para estudar um
[20] assunto da mais nobre e elevada metafísica.
Já no período de diálogo, o mesmo sueco pediu à assembléia que identificasse os problemas
ambientais que mais perturbavam a ilha. A multidão entreolhou-se, perplexa: “Problemas ambientais?”
E após recíprocas consultas as pessoas escolheram o maior problema: a invasão das machambas1
pelos tinguluve, os porcos do mato. Curiosamente, o termo tinguluve nomeia também os espíritos dos
[25] falecidos que adoeceram depois de terem deixado de viver. Fossem espíritos, fossem porcos, o consultor
estrangeiro não se sentia muito à vontade no assunto dos tinguluve. Ele jamais havia visto tal animal. A
assembléia explicou: os tais porcos surgiram misteriosamente na ilha, reproduziram-se na floresta e agora
destruíam as machambas.
— Destroem as machambas? Então, é fácil: vamos abatê-los!
[30] A multidão reagiu com um silêncio receoso. Abater espíritos? Ninguém mais quis falar ou escutar fosse
o que fosse. E a reunião acabou abruptamente, ferida por uma silenciosa falta de confiança. Já noite, um grupo
de velhos me veio bater à porta. Solicitavam que chamasse os estrangeiros para que o assunto dos porcos
fosse esclarecido. Os consultores lá vieram, admirados pelo facto de lhes termos interrompido o sono.
— É por causa dos porcos selvagens.
[35] — O que têm os porcos?
— É que não são bem-bem porcos...
COUTO , Mia. Línguas que não sabem os que sabíamos. In: E se Obama fosse africano? São Paulo: Cia das Letras, 2009. Fragmento. Disponível em: http://www.companhiadasletras.com.br/trechos/13116.pdf
1Terrenos agrícolas para produção familiar.
Em Moçambique, que tem o português como língua oficial, são faladas mais de 25 línguas distintas, dentre elas o chidindinhe.
No texto de Mia Couto, escritor moçambicano, percebe-se que há um claro problema de tradução entre o português e essa língua local porque
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