Questões de EFAF Geografia - Geral - Sociedade e População
605 Questões
Questão 8 10779298
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2020TEXTO
Acolhimento a refugiados é destaque em projeto da UFF
Na entrevista a seguir, a professora Ângela Magalhães Vasconcelos fala sobre o Laboratório de Políticas Públicas,
Migrações e Refúgio, do qual é coordenadora. Os refugiados, segundo a pesquisadora, deixam seus países de origem de
várias maneiras, que podem incluir, além do pagamento efetuado aos coiotes (pessoas que cobram para atravessar
emigrantes irregulares), também a submissão às práticas violentas diversas impostas pelos traficantes humanos, já no
[5] novo país. A celebração do Dia Mundial do Refugiado, em 20 de junho, serviu para sensibilizar sobre uma temática real,
que envolve pessoas, perdas e traumas, bem como chamar atenção sobre o crescimento dos fluxos migratórios de
homens, mulheres e crianças, que apontam para uma endêmica1 pobreza apátrida, muitas vezes consequência também
dos efeitos climáticos.
Há programas assistenciais governamentais para refugiados?
[10] Ângela Vasconcelos — Existem programas específicos na rede pública. Entre 2012 e 2013, elaborei um projeto de
pesquisa sobre os Programas de Transferência de Renda no Brasil, especificamente o Programa Bolsa Família (PBF). Na
ocasião, verifiquei que não havia registro específico no CADÚnico (cadastramento de pessoas de baixa renda para serem
beneficiadas por programas sociais) sobre os solicitantes de refúgio ou refugiados. Era um momento em que o mundo e o
Brasil observavam um aumento nos fluxos migratórios. Essa realidade continua. Para se desenhar políticas são
[15] necessários números e apesar de termos dados sobre pessoas refugiadas da Polícia Federal, IBGE, Conare e aqueles
repassados por instituições não governamentais, eles não estão refinados e são insuficientes, principalmente nos
municípios e suas regiões.
O estado do Rio de Janeiro está preparado para atender aos refugiados?
Ângela Vasconcelos — Os refugiados vêm sendo atendidos nas redes públicas de saúde, educação, etc. Entretanto,
[20] como todos nós, enfrentam também a precarização dos serviços públicos. Isso tudo agravado pelos problemas na
comunicação, pois muitos ainda não dominam a língua portuguesa. Há demandas peculiares que apresentam em virtude
dos motivos que os trouxeram para cá e pelo fato de muitos funcionários públicos desconhecerem os direitos dessas
pessoas. Existem raríssimas prefeituras investindo em processos de qualificação de gestores e servidores para atender
aos refugiados. A questão da moradia também é um sério problema pelo alto custo. Muitas pessoas acabam dividindo o
25 aluguel de espaços pequenos, forçando a migrarem cada vez mais para as periferias, onde os aluguéis são mais baratos.
Além disso, eles acabam participando de movimentos por moradia.
Como a população vem acompanhando a chegada dos refugiados em solo brasileiro?
Ângela Vasconcelos — De um lado se observa uma xenofobia aos muçulmanos, porque há uma ideia de que eles
disseminam terrorismo. (...) De outro, vejo e vivencio o acolhimento e o compromisso da integração com autonomia e
[30] respeito aos aspectos multiculturais. Ainda ouço e vivencio situações de (re)vitimização das pessoas em relação aos
refugiados, mas eles têm direitos, compromissos e efetivamente são capazes, com acolhimento, proteção e
acompanhamento, de seguir em frente e de construir novas histórias.
(Adaptado de: PESSANO, Jorge. Acolhimento a refugiados é destaque em projeto da UFF. 29 jun. 2017. Disponível em: http://www .uff.br/?q=noticias/29-06-2017/acolhimento-refugiados-e-destaque-em-projeto-da-uff. Acesso em: 8 set. 2019
Vocabulário
1Endêmico: constante, que não passa.
Observe o trecho abaixo, retirado do Texto:
“Muitas pessoas acabam dividindo o aluguel de espaços pequenos, forçando a migrarem cada vez mais para as periferias, onde os aluguéis são mais baratos. Além disso, eles acabam participando de movimentos por moradia.” (I. 24-26)
As locuções verbais acima sublinhadas, formadas por uma estrutura cada vez mais usada coloquialmente, expressam, na fala da entrevistada,
Questão 4 10779263
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2020TEXTO
Por que os imigrantes fogem da África?
Agricultura devastada e desemprego levam caravanas a deixar dezenas de países
AGADEZ, Níger — É segunda-feira e isso significa dia de mudança em Agadez, um cruzamento ao norte do deserto do
Níger e a principal plataforma de onde saem os imigrantes da África Ocidental. Fugindo da agricultura devastada,
superpopulação e falta de emprego, os imigrantes de uma dezena de países se reúnem em caravanas todas as
segundas-feiras à noite e iniciam uma corrida louca pelo deserto do Saara em direção à Líbia, na esperança de
[5] eventualmente cruzar o Mediterrâneo até a Europa.
A montagem dessa caravana é uma cena a ser testemunhada. Embora seja noite, ainda faz 40 graus e há apenas
uma lua crescente para iluminar a escuridão. Então, de repente, o deserto acorda.
Usando o aplicativo de mensagens WhatsApp de seus celulares, os traficantes locais, vinculados a redes de
contrabandistas que se estendem por toda a África Ocidental, começam a coordenar o carregamento clandestino de
[10] migrantes que estão em abrigos e porões por toda a cidade. Eles vêm se reunindo há semanas, vindos do Senegal, Serra
Leoa, Nigéria, Costa do Marfim, Libéria, Chade, Guiné, Camarões, Mali e outras cidades de Níger.
Com 15 a 20 homens — não há mulheres — amontoados na parte de trás de pick-ups Toyota, seus braços e pernas
pendurados para fora, os veículos surgem de becos e ruelas e seguem os carros que partiram na frente para garantir que
não haverá policiais, oficiais ou guardas de fronteiras desagradáveis à espreita que ainda não foram pagos. É como
[15] assistir a uma sinfonia, mas ninguém tem ideia de quem é o maestro. Eventualmente, todos convergem para um ponto de
encontro no norte da cidade, formando uma caravana gigante de 100 ou 200 veículos — a grande quantidade é necessária
para afastar os bandidos do deserto.
Pobre Níger. Agadez, que tem casas com paredes de barro ornamentadas, é um notável Patrimônio Mundial da
Unesco, mas a cidade foi abandonada pelos turistas depois que locais próximos foram atacados pelo Boko Haram1 e
[20] outros jihadistas2. Por isso, como explica um traficante, os carros e os ônibus da indústria do turismo estão sendo
reaproveitados na indústria da migração. Há agora, por toda a Africa Ocidental, recrutadores, ligados aos traficantes, que
trabalham por conta própria e pedem às mães dos meninos US$400 ou US$500 para mandá-los procurar empregos na
Líbia ou na Europa. Poucos conseguem, mas outros continuam chegando.
A revolução na Síria foi provocada, em parte, pela pior seca de quatro anos da história moderna do país — além da
[25] superpopulação, tensões climáticas e a internet —- e o mesmo acontece com a onda de migração dos africanos. (...)
— Hoje perdemos anualmente para a desertificação 100 mil hectares de terras aráveis. E perdemos entre 60 mile
80 mil hectares de florestas todos os anos — afirma Adamou Chaifou [ministro do Meio Ambiente de Níger].
(...) Recentemente, a União Europeia fez um acordo com a Turquia para aumentar muito a ajuda da União
Europeia para que Ancara lide com os refugiados e migrantes que chegarem ao país e restrinja seu fluxo para a Europa.
[30] — Se investíssemos uma fração dessa quantia para ajudar as nações africanas a combater o desmatamento,
melhorar a saúde e a educação e sustentar a agricultura de pequena escala, que é o meio de sustento de 80 por cento das
populações na África, elas poderiam ficar na terra. Seria muito melhor para elas e para o planeta — explicou Michele
Barbut [chefe da Convenção das Nações Unidas para Combate à Desertificação).
Todo mundo quer construir muros nos dias de hoje, afirmou ela, mas o muro de que mais precisamos é um “muro
[35] verde”, de reflorestamento, que seguraria o deserto e se estenderia de Mali no oeste à Etiópia no leste.
— É uma ideia que os próprios africanos tiveram — contou ela. E faz muito sentido.
Porque, no final, nenhum muro vai segurar essa onda de migrantes. Tudo que você vê por aqui são gritos de que,
a não ser que haja uma maneira de estabilizar a pequena agricultura da África, de alguma maneira ou de outra, eles vão
tentar chegar à Europa. Os que não podem, com certeza vão gravitar para um grupo extremista que os pague. Muitos hoje
[40] sabem pelos meios de comunicação que há uma vida melhor além-mar e acreditam que seus governos são muito frágeis
para poder ajudá-los a melhorar.
(FRIEDMAN, Thomas L. Por que os imigrantes fogem da África?. O Globo. Rio de Janeiro, 28 abr. 2016. Disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/artigo-por-que-os-imigrantes-fogem-da-africa-19179333. Acesso em: 8 set. 2019)
Vocabulário
1Boko Haram: organização fundamentalista islâmica surgida no norte da Nigéria.
2Jihadista: membro do Jihad, guerra santa muçulmana.
O Texto, um artigo de opinião, apresenta orientação argumentativa em que há posicionamento diante das situações relatadas.
O ponto de vista do autor é evidenciado, por exemplo, pelas adjetivações, conforme ocorre em:
Questão 24 10763812
COLTEC 2020Sobre os processos migratórios no Brasil e em outras partes do mundo, são realizadas as seguintes afirmações:
I – o território brasileiro passou a receber um número maior de imigrantes, desde a primeira década do século XXI. Fazem parte desse processo migratório os bolivianos, haitianos, cubanos e venezuelanos, entre outros povos;
II – crises econômicas, guerras, catástrofes naturais, instabilidade política e maior controle das fronteiras dos países desenvolvidos são algumas das causas que influenciam a migração para o Brasil;
III – a União Europeia tem recebido um grande número de pedidos de asilos nos últimos anos. Entre as pessoas que pedem asilo estão sírios, afegãos e iraquianos.
Estão CORRETAS as afirmativas:
Questão 35 10738222
COLÉGIO SÓLIDO* 1º Ano 2020Em comemoração ao Dia da Mulher a prefeitura de Montes Claros juntamente com onze Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) realizaram passeatas e rodas de conversas.

Qual a distância percorrida pela passeata em comemoração ao dia internacional da mulher sabendo que este movimento percorreu todos os lados da praça (acima) apenas uma vez.
Questão 8 10724724
CMR 6° Ano - Português 2020TEXTO

Disponível em: https; //educa,ibge.gov.br/crianças/brasil/2697 -1e-ibge-educa/jovens/materias-especiais/20786-perfil-das criancas-brasileiras.htmi (Acesso em: 10set20)
De acordo com o Texto, analise as afirmativas a seguir.
I) De acordo com o IBGE (2018), crianças de até 12 anos constituem menos da metade da população brasileira.
II) Segundo o gráfico, não há crianças brasileiras com mais de 12 anos.
III) A maioria das crianças vive em áreas urbanas.
IV) Às crianças do sexo feminino, com até 12 anos, representam menos da metade deste público.
É correto o que se afirma em:
Questão 18 10616227
Colégio Embraer 2020Leia o editorial para responder à questão
Os jovens e a pandemia
Além de expor velhas fragilidades do sistema de ensino brasileiro, a pandemia do novo coronavírus agregou novos desafios às crianças e aos adolescentes. Segundo estimativa da Unicef, 35 milhões de jovens no País estão fora das salas de aula em razão das restrições de circulação de pessoas impostas para diminuir a taxa de expansão do novo coronavírus. Ainda que seja uma empreitada difícil, dadas as limitações de diversas ordens, é uma exigência de justiça com o País, muito especialmente com as novas gerações, assegurar, nas atuais condições de isolamento social, um mínimo de continuidade ao processo educativo desses jovens, em seus respectivos níveis de ensino.
Recente estudo do Fórum Econômico Mundial observa que “a pandemia é uma oportunidade para nos relembrar das habilidades que os estudantes precisam nesse mundo imprevisível, como decisões embasadas, solução criativa de problemas e, talvez, acima de tudo, adaptabilidade”. Além disso, como especialistas têm ressaltado, ensino a distância não é sinônimo de aula on-line, devendo incluir também vários modos de estimular a aprendizagem remota e a construção colaborativa do conhecimento.
Além da interrupção das aulas presenciais, a pandemia do novo coronavírus expôs desigualdades sociais e econômicas que, em situação normal, já afetavam as condições de ensino. Segundo dados da pesquisa TIC Kids Online 2019 do Cetic.br/NIC.br, 4,8 milhões de estudantes vivem em famílias que não têm acesso à internet.
Para esses jovens, que representam quase 14% do total dos estudantes, a pandemia do novo coronavírus significou de forma imediata a interrupção do aprendizado. Ou seja, a situação de vulnerabilidade tornou-se ainda mais limitadora. Vale lembrar que o dado não se refere a um detalhe ou circunstância acessória. Em pleno século 21, 4,8 milhões de estudantes não têm acesso à internet em suas casas. A consequência é evidente: a falta de acesso a essa infraestrutura básica acarreta profundas restrições e dificuldades de aprendizado. Um país responsável com seu futuro não pode fechar os olhos a tal disparidade.
(Opinião. https://opiniao.estadao.com.br, 22.06.2020. Adaptado)
Na frase “Além de expor velhas fragilidades do sistema de ensino brasileiro, a pandemia do novo coronavírus agregou novos desafios às crianças e aos adolescentes.
(1º parágrafo), os termos destacados significam, correta e respectivamente:
06
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