Questões de EFAF História - Temática -
42 Questões
Questão 7 14929232
ONHB 1 Fase 2025Esta questão possui quatro alternativas. Há mais de uma resposta correta, mas cabe a sua equipe escolher qual alternativa considera como a mais adequada e selecioná-la.
Atenção: A prova pode ser salva em “rascunho”, mas não se esqueçam de confirmar as respostas até a data limite, clicando em “entregar a questão”. Após clicar em “entregar a questão” não será mais possível realizar alterações na questão.
Leia o texto e observe as imagens:
O Avestruz
O ano de 1892 – o terceiro na República no Brasil – começou com uma péssima notícia para parte da população do Rio de Janeiro chegada em uma fuzarca: o Ministério do Interior do governo do presidente Floriano Peixoto resolveu adiar o carnaval. A festa que ocorreria em fevereiro foi transferida para junho, com o argumento de que a insalubridade da capital da República inviabilizaria os festejos carnavalescos. Segundo os defensores da medida, o calor do verão facilitaria a propagação de epidemias e a aglomeração gerada seria devastadora para a saúde pública.
O Rio de Janeiro, não custa lembrar, tinha a fama de ser uma das cidades mais perigosas do mundo, a ponto de o corpo diplomático bater em retirada no verão para Petrópolis, tentando escapar de doenças como varíola, a febre amarela, a malária e a tuberculose. O Reino Unido pagava adicional de insalubridade aos representantes diplomáticos da Rainha Vitória que se aventuravam na capital da República. A Iniciativa do governo quanto ao adiamento do carnaval fracassou. Os foliões não se fizeram de rogados: brincaram em junho, no carnaval autorizado, mas tomaram as ruas também em fevereiro, saindo no cacete com a polícia, disposta a reprimir a festança. As fantasias de morte, caixão de defunto e mosquito transmissor da febre amarela fizeram sucesso. O governo, temendo que a moda de dois carnavais pegasse, voltou atrás na ideia da alteração da data. O carnaval do ano seguinte aconteceu em fevereiro mesmo, dentro dos conformes.
Naquele momento, a ideia de que o Brasil republicano precisava apresentar-se ao mundo como uma nação com padrões civilizatórios europeus, impactava o Rio de Janeiro de maneira intensa: a capital da República teria que ser uma espécie de vitrine de um país comprometido com a ordem, o progresso, a moral, a ciência e a higiene; palavras largamente utilizadas no período.
Ancorados na ideia exposta acima, os mandachuvas da República projetaram a reorganização do espaço urbano carioca buscando espelhar na cidade a inserção do Brasil no modelo capitalista internacional. Nesse sentido, era importante facilitar a circulação de mercadorias, apagar os resquícios da monarquia (a ordem anterior) e construir espaços simbólicos que afirmassem os valores de uma elite cosmopolita.
Havia, porém, um obstáculo a ser removido para a concretização desse projeto de cidade: os pobres que perambulavam pelas ruas centrais e moravam em habitações coletivas, como os cortiços lotados de descendentes de escravizados, mestiços ciganos, judeus, árabes, imigrantes portugueses, italianos e galegos.
Naquele contexto, a cidade passou por um notável crescimento de sua população. Se no censo de 1890, o Rio tinha cerca de 520 mil habitantes, esse número salta para cerca de 700 mil em 1904 – com a chegada de trabalhadores negros das áreas decadentes de lavoura do Vale do Praíba, do interior de Minas Gerias e da Bahia, de migrantes vindos de outras regiões do país e de imigrantes europeues escapando do desemprego e das guerras de unificação no continente. A legislação de terras do período – oriunda dos tempos do Império – inviabiliza o acesso à propriedade aos negros e imigrantes pobres. O crescimento populacional ocorre em uma cidade sem planejamento urbano, estrutura sanitária e rede formal de trabalho capaz de absorver o contingente de recém-chegados. Em meio a esse turbilhão, a elite republicana imaginava erguer uma Paris tropical dos sonhos higienistas. Para que esse paraíso cosmopolita fosse viável, era necessário para os donos do poder reprimir, controlar, vigiar, disciplinar, impor padrões e regras à população. Ao mesmo tempo em que o projeto de uma cidade europeia desenhava, as elites do Rio de Janeiro não podiam renunciar aos trabalhadores urbanos realizadores das tarefas cotidianas. Eram eles que mantinham a cidade funcionando para que essas mesmas elites delirassem com Paris. Sem os pobres e descendentes de escravizados, quem seriam os feirantes, peixeiros, soldados, trabalhadoras domésticas, coveiros, condutores de bondes, caçadores de ratos, desentupidores de bueiros, limpadores de cocô de cavalo, quebradores de pedras, vendedores ambulantes de todo os tipos de produto? Quem serviria o café da manhã das madames?
Meses depois da citada tentativa de cancelamento do carnaval, o prefeito Barata Ribeiro baixou um decreto que dava à prefeitura o direito de usar todos os meios possíveis para varrer os cortiços da cidade. No mesmo dia em que o decreto foi assinado (26 de janeiro de 1893) começou a demolição do Cabeça de Porco, maior cortiço carioca, invadido por bombeiros, funcionários da Higiene Pública, policiais , sanitaristas e engenheiros. Os jornais da época comemoram a derrubada do cortiço, considerado um valhacouto de vícios, pulsões homicidas, desordens, desregramentos contrários aos princípios da civilização de coisas similares.
Civilizar a capital da República – nessa perspectiva – exigiria ainda o apagamento ou o enquadramento disciplinar de referências culturais da herança africana, especialmente aquelas que criavam laços de solidariedade e reforçavam convívios comunitários: rodas de samba, festas religiosas, maltas de capoeiras,blocos de carnaval, batucadas, macumbas. Dois anos antes daquele 1892, foi sancionado o Código Penal que transformou a capoeiragem em crime de vadiagem, enquadrando seus praticantes como vadios sujeitos à detenção de dois a seis meses.
Na cidade tensionada entre o sonho da Paris tropical e a vida pulsante nas esquinas e vielas, um parque de padrão europeu foi reinaugurado com pompa, circunstância e salamaleques (ocorreu uma inauguração anterior, em 1888): o Jardim Zoológico de Vila Isabel, nas bordas da serra do Engenho Novo. O parque era capitaneado por um figurão dos tempos da monarquia que tentava manter o prestígio nos primeiros anos da nova ordem republicana: João Batista Viana Drummond, mais conhecido pelos bajuladores de plantão como o “primeiro e único Barão de Drummond”
Além da bicharada, o zoológico tinha restaurante, hotel, espaço para a prática de esportes, boliche e o escambau. A festa apresentou diversas novidades; dentre elas a apresentação de um novo jogo, de fácil compreensão. A regra era simples: quem adquirisse um bilhete para entrar no parque, receberia um comprovante com a imagem de um animal. Eram vinte e cinco bichos disponíveis, começando com o avestruz e terminando com a vaca. Dos mais domésticos, como cachorro e o gato, aos mais selvagens, como leão, elefante, o tigre e o urso.
No final da tarde, foi aberta a caixa de madeira pendurada em um poste perto da entrada principal, que continha a imagem de um bicho. Os sortudos que possuíam bilhetes com o animal revelado receberam um prêmio vinte cinco vezes maior que o valor da entrada.
E qual foi o primeiro bicho cuja imagem aparece na abertura da caixa? Avestruz. Não sabemos se o presidente Floriano Peixoto, presente ao zoológico naquele dia, faturou algum dinheiro na brincadeira proposta pelo Barão.
Era o dia 3 de julho de 1892, um domingo nublado no inverno carioca, e a história da cidade do Rio de Janeiro não seria mais a mesma.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: Simas, Luiz Antonio. “O Avestruz”. Maldito invento dum baronete: uma breve historia do jogo do bicho. Ilustração Pablo Meijueiro, Fernanda Varella. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Mórula, 2024, pp. 13-16. CRÉDITOS: Luiz Antonio Simas PALAVRAS-CHAVE: brasil república, história da cultura, história política
Bilhete Jardim Zoológico - Ovelha

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Bilhete ORIGEM: Jardim Zoológico de Santa Isabel. Disponível em: “Série o Rio de Janeiro Desaparecido”, Brasiliana Fotográfica. Disponível em: https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?tag=serie-o-rio-de-janeiro-desaparecido. Acesso em: 26 fev. de 2025. CRÉDITOS: Jardim Zoológico de Santa Isabel; Brasiliana Fotográfica. PALAVRAS-CHAVE: história política, história da cultura, brasil república
Bilhete Jardim Zoológico - Leão

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Bilhete ORIGEM: Jardim Zoológico de Santa Isabel. Disponível em: BNL-Data. Disponível em:https://bnldata.com.br/jogo-do-bicho-completa-134-anos-de-criacao/. Acesso em: 26 fev. de 2025. CRÉDITOS: Jardim Zoológico de Santa Isabel; BNL-Data. PALAVRAS-CHAVE: brasil república, história da cultura, história política
Bilhete Apostas Jogo do Bicho

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Bilhete ORIGEM: Bilhete Apostas Jogo do Bicho. Disponível em: BNL-Data. Disponível em:https://bnldata.com.br/sera-que-o-jogo-do-bicho-podera-burlar-a-legalizacao-dos-jogos-de-azar/. Acesso em: 26 fev. de 2025. CRÉDITOS: BNL-Data. PALAVRAS-CHAVE: história da cultura, história política, brasil república
Sobre os documentos e o tema que eles tratam, escolha a alternativa mais pertinente.
Questão 3 14941628
ONHB Fase 1 2024Esta questão possui quatro alternativas. Há mais de uma resposta correta, mas cabe a sua equipe escolher qual alternativa considera como a mais adequada e selecioná-la. Atenção: A prova pode ser salva em “rascunho”, mas não se esqueçam de confirmar as respostas até a data limite, clicando em “entregar a questão”. Após clicar em “entregar a questão” não será mais possível realizar alterações na questão.
Documento
Relatório do Presidente da Província de Pernambuco à Assembléia Legislativa, 1857
Há ruas nesta capital, sobretudo no bairro do Recife,
exclusivamente estreitas, úmidas, mal arejadas, guarnecidas
de edifícios velhos e ignóbeis, em que habitam muitas famílias
que ali acham a deterioração de sua saúde e até a deterioração
de seu moral, pois a imundície que cerca o corpo contamina
também a alma.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Relatório ORIGEM: Relatório do Presidente da Província de Pernambuco à Assembléia Legislativa, 1857, p. 22. Arquivo Público Estadual de Pernambuco. Citado em FARIAS, Rosilene Gomes. EPIDEMIA E SOCIEDADE NO RECIFE IMPERIAL. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011, p. 2. CRÉDITOS: Arquivo Público Estadual de Pernambuco PALAVRAS-CHAVE: história das cidades, história da ciência, brasil império
Documento
“CIDADE VIGIADA”, “CIDADE CIVILIZADA”
Além da ação da Igreja, nos oitocentos o país também contou com o emergente discurso médico que ganhava impulso com o passar das décadas. Assim como a Igreja, a medicina também prometia “curar”, “moralizar” e “regenerar” os indivíduos, mas os meios seriam distintos, visto o seu desempenho se dar com base nas chamadas “verdades científicas”, ou seja, as respostas seriam proporcionadas pelo poder da ciência que prometia garantir e defender a “boa moral” e os “bons costumes”.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: MORAIS, Grasiela Florêncio de. “CIDADEVIGIADA”, “CIDADE CIVILIZADA”: Impressões sobre a difícil convivência entre o progresso e a pobreza no Recife Imperial (1830–1850), CLIO: Revista de Pesquisa Histórica. n°. 34. vol. 2 (2016), p. 186. CRÉDITOS: Grasiela Florêncio de Morais. PALAVRAS-CHAVE: brasil império, história da ciência, história das cidades
A partir dos documentos é correto afirmar que naquele período
Questão 51 11345676
CONCURSOS 2 2024Muitos acreditavam que só que até de olhar um doente podia contaminar alguém. Para a maioria, no entanto, a epidemia era um castigo divino. A _________________, que se alastrou rapidamente por grande parte da Europa no século XIV. A proximidade entre as pessoas favoreceu a contaminação nas cidades, onde ocorreram os mais altos índices de mortalidade.
Algumas viram metade de sua população morrer. Pelas estimativas mais conservadoras a epidemia teria varrido um terço da população européia.
A epidemia a que se refere o texto era ocasionada pela propagação da:
Questão 154 11173984
CONCURSOS 3 2024No governo de DILMA ROUSSEFF, importantes programas foram lançados na sociedade brasileira dentre os quais estão:
I- Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec);
II- Programa de Privatização de Estatais – PPE;
III- O Mais Médicos;
IV - Programa de Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer).
Está(ão) Correta(s):
Questão 5 16208961
ONHB Fase 4 2023Outro rapaz morre com a peste-gay

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: “Outro rapaz morre com a peste-gay”. Jornal Luta Democrática, Rio, 17 e 18 de setembro de 1983, p.4, ano XXX, n.8.616. Arquivo: Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=030678&pasta=ano%20198&pesq=&pagfis=70522. Acesso em: 18 fev. 2023. CRÉDITOS: Jornal Luta Democrática. PALAVRAS-CHAVE: meios de comunicação de massa, história da medicina, aids
Peste Gay já apavora São Paulo

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: “Peste Gay já apavora São Paulo”, Jornal Notícias Populares, 12 de junho de 1983. Disponível em: https://naomekahlo.com/documentario-que-reconstroi-historia-dohiv-e-da-aids-no-pais-revela-desinformacao-e-preconceitos/. Acesso em: 18 fev. 2023. CRÉDITOS: Jornal Notícias Populares. PALAVRAS-CHAVE: história da medicina, meios de comunicação de massa, aids
Brasil contra a AIDS
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Propaganda ORIGEM: Comercial BRASIL CONTRA AIDS/GOVERNO FEDERAL 1989, Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=qlT46pADaTU. Acesso em 18 fev. 2023. CRÉDITOS: GOVERNO FEDERAL PALAVRAS-CHAVE: meios de comunicação de massa, aids, história da medicina
Sobre os documentos e o tema que eles apresentam, escolha uma alternativa:
Questão 5 14936529
ONC NÍVEL A - Fase 1 2023Leia o texto e observe a imagem que trata sobre o sistema imunológico dos povos indígenas americanos no contexto das invasões europeias dos séculos XV e XVI.
No Brasil, vários surtos [de gripe e de varíola] ocorreram, desde as primeiras décadas de presença portuguesa. Um deles, ocorrido entre 1563 e 1564 em Itaparica e Ilhéus, na Bahia, teve 30 mil mortos estimados em três meses. [...] O biólogo norte-americano Jared Diamond, justifica que, em sua maioria, as doenças que causaram mais mortes eram decorrentes do contato com animais domesticados – o que era comum na Europa, mas praticamente não existia na América, o que reduzia o estímulo imunológico das populações nativas.

Imagens de indígenas Mexica (Asteca) contaminados com varíola, presentes no Códice Florentino, também conhecido como Historia General de las cosas de la Nueva España, criado sob a supervisão do frade franciscano Bernardino de Sahagún
Fonte: https://cienciahoje.org.br (adaptado)
A ausência de estímulo imunológico, no contexto das invasões às terras dos ameríndios, indica que:
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)