Questões de EFAF História - Temática -
30 Questões
Questão 3 14946562
ONHB Fase 4 2024Documento
Crônica do viver baiano seiscentista : obra poética completa
Que de quilombos que tenho
com mestres superlativos,
nos quais se ensinam de noite
os calundus , e feitiços.
Com devoção os freqüentam
mil sujeitos femininos,
e também muitos barbados,
que se presam de narcisos.
Ventura dizem, que buscam;
não se viu maior delírio!
eu, que os ouço, vejo, e calo
por não poder diverti-los.
O que sei, é, que em tais danças
Satanás anda metido,
e que só tal padre-mestre
pode ensinar tais delírios.
Não há mulher desprezada,
galã desfavorecido,
que deixe de ir ao quilombo
dançar o seu bocadinho.
E gastam pelas patacas
com os mestres do cachimbo,
que são todos jubilados
em depenar tais patinhos.
E quando vão confessar-se,
encobrem aos Padres isto,
porque o têm por passatempo,
por costume, ou por estilo.
Em cumprir as penitências
rebeldes são, e remissos ,
e muito pior se as tais
são de jejuns, e cilícios .
A muitos ouço gemer
com pesar muito excessivo,
não pelo horror do pecado,
mas sim por não consegui-lo.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Crônica ORIGEM: MATOS, Gregório de [1633?-1696]. Crônica do viver baiano seiscentista : obra poética completa. Disponível em: https://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/Cronica%20do%20Viver%20Baiano%20Seiscentista.pdf. Acesso em: 25 mai 2024. CRÉDITOS: Gregório de Matos [1633?-1696] GLOSSÁRIO: Calundu : cerimônia religiosa, de origem afro-brasileira, frequentada por africanos, afrodescendentes e brancos, muito popular entre os séculos XVII e XVIII. Ventura : Sorte; fortuna. Patacas : antiga moeda brasileira. Jubilados : com grande alegria. Remissos : negligentes. Cilício : Forma de penitência que consiste no uso de uma túnica ou cinto com arame ou tecido áspero sobre a pele. PALAVRAS-CHAVE: vida cotidiana, literatura
Os versos:
Questão 33 15124284
IFES 2023“A palavra messianismo deriva de messias, que significa “enviado de Deus”, “salvador”. É um termo ligado às religiões judaica e cristã.
Na história do Brasil, o termo messianismo é usado para se referir aos movimentos sociais em que milhares de pessoas formaram comunidades sob a influência de um líder político e religioso. De modo geral, essas comunidades acreditavam que seu líder tinha dons para guiar as pessoas, fazer milagres e curas.”
COTRIM, Gilberto; RODRIGUES, Jaime. Historiar, 9º ano: ensino fundamental, anos finais - 3º edi ção - São Paulo: Saraiva, 2018, p. 42.
Entre os movimentos de caráter messiânico que ocorreram durante a Primeira República no Brasil podemos citar:
Questão 30 15485110
CPM/ERJ 6 Ano 2022As pirâmides foram construídas com imensos blocos de pedra. Eles eram carregados pelos escravos e servos em trenós feitos de madeira e arrastados pelo deserto.
Para que foram construídas as pirâmides?
Questão 7 14945437
ONHB Fase 2 2022Leia o excerto a seguir, que foi retirado do Livro Tombo da Paróquia do Rosário e São Benedito, localizada em Cuiabá (MT).
Livro Tombo da Paróquia do Rosário e São Benedito
Pedido de Licença
Dizem os Devotos, Rey, Juiz, Officiaes e Irmãos de Meza da Confraria do Glorioso S. Benedito, cuja Veneravel Imagem se acha collocada em hum dos altares Collateraes da Capella de Nossa Senhora do Rozario da cidade do Cuiabá que há 60 annos se congregarão os Devotos da mesma venerável imagem, construirão huma Confraria sem alcançar a Imperial Permissão necessaria para isso, porem reconhecendo sempre ser a dita Confraria da Jurisdicção Imperial, por ser pleno jure pertencente ao Grão Mestrado, Cavallaria e Ordens de Nosso Senhor Jesus Christo, humildes, e submissos prostão-se os Supplicantes ante o Throno de Vossa Magestade Imperial, rogando que por bem o Serviço de Deos, Vossa Magestade Imperial se digne Approvar a instituição da dita Irmandade, revalidando-a com a Imperial Sancção, sem embargo da nullidade com que foi instituída, e confirmando os vinte e seis Capítulos de Compromisso, que com esta apresentão para servir de regra à mesma Confraria.
Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Registro paroquial ORIGEM: Livro Tombo 1828 da Paróquia do Rosário e São Benedito. “Práticas Culturais Afro-brasileiras na Festa de São Benedito de Cuiabá e de Nossa Senhora do Livramento” (p. 79) In: Manifestações Culturais e Arte-Educação na América Latina. Disponível em: https://publicar.claec.org/index.php/editora/catalog/view/48/48/442-1 CRÉDITOS: Irmandade de São Benedito PALAVRAS-CHAVE: patrimônio cultural, história das religiões, brasil império
Considerando o excerto apresentado e a históra da formação de Irmandades no Brasil, assinale uma opção.
Questão 53 15408441
FIRJAN 2020“(...) ser gente bestial, de pouco saber e por isso tão esquiva. Porém e com tudo isso andam muito bem curados e muito limpos. E naquilo me parece ainda mais que são como aves ou alimárias monteses, às quais faz o ar melhor pena e melhor cabelo que às mansas, porque os corpos seus são tão limpos, tão gordos e tão formosos(...) (...) Assim, Senhor, a inocência desta gente é tal, que a de Adão não seria maior, quanto a vergonha. Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.”
CAMINHA, Pero Vaz de. A carta de Pero Vaz de Caminha: Fundação Biblioteca Nacional. p. 8-14. Disponível em http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronicos/carta.pdf Acesso em 21/8/2019.
O trecho acima faz parte da Carta de Pero Vaz de Caminha na ocasião do primeiro contato português com os nativos desta terra. Este trecho evidencia a intenção do colonizador de:
Questão 6 14946671
ONHB Fase 3 2020Diário do Maranhão, 24 de maio de 1874
“(...) Hontem o Maranhão quem conduzio meio Maranhão para
Alcantara.
Entenda-se, que foi o vapor Maranhão quem conduzio muito
povileo desta cidade de S. Luiz do Maranhão para a poetica
cidade de Alcantara.
É uma festa de arromba, a que já um anno assistimos em
companhia de nossa velha mãe.
(...)
Trepamos pelo Jacaré acima e ao chegar ás Mercez, a essas
ruinas, topamos com uma procissão que se preparava a seguir
para o largo cujo nome não nos lembra agora de repente.
Um páo enorme descançava ao longo da rua, liado por
cordas a que prendiam outros tantos páos como os de carregar
pipas.
Muitos devotos estavam promptos a meter o hombro ao santo
mastro, e com effeito, no meio de uma algazarra infernal
suspenderam o cujo e pozeram se a caminho.
O tal páo era carregado por uns, porem outros, ou por maior
devoção ou antes por mais espertos iam em cima delle.
A marcha rompeu ao som dos infernaes tambores e umas
cantigas n’uma toada mesmo sem tom nem som.
No lugar proprio, la foi o pao para o ar com applauso do povo
tabaréo de todas as classes e categorias.
No dia seguinte levaram-no a casa do juiz, não senhor, do
imperador:
Ora o imperante, quasi sempre escolhe para seu palacio uma
d’aquellas grandes e antigas casas, reliquias preciosas de uma
grandeza, que se evaporou, e de que restam apenas esses
monumentos semi carcomidos e prestes a desabar.
Entremos no alcacer.
Nada de extraordinario no vestibulo do sanctuario.
Vestigio de que as aranhas, suas vetustas habitadoras
exercem tranquillas a sua industria, é o que se vê.
Uma sala de banquetes, em que pesada mesa com uma especie
de castello ao centro, regorgitava de tudo em que se pode
misturar assucar, contido em chicaras, pires, pratos,
covilhetes, compoteiras e etc. etc.
Penetremos no sancto-sanctorum:
Um altar e dois thronos: n’um destes esta sua magestade
mascolina, no outro a ella do imperador.
Os tambores rufam, as caixeiras se requebram e as bandeiras
ondulam, e todos se misturam, fervilham redomoinham e se
confundem perante o throno das magestosas magestades
desse dia, as quaes no alto do solio empunhão um sceptro de
páo dourado.
Mudam-se as scenas:
As magestades descem à rua, a sua corte as acompanha, e o
povo, seus subditos fieis ahi estão fazendo-lhes as honras
devidas.
Na frente, como nas procissões aqui da cidade, vão os foguetes
e os moleques, parte integrante de todas as solemnidades.
Algumas negrinhas enfeitadas seguem após com as bandeiras
do Divino.
Acto continuo porção de pretas e molatas velhas e algumas
moças, mas já estragadas pelo tempo (...), rufam, a compasso
descompassado e terrivel, tantas caixas de guerra quantas são
as taes caixeiras.
Estas cujas e muitas gente mais entoa em som monotono uma
espécie de
Á á á á, é é é..... é é é ..... ou cousa que o valha.
Sua magestade veste uma farda, que foi de presidente ou
capitão general, cujas abas lhe dão nos calcanhares, manto de
arminho e etcetera e cousas.
Um general lhe leva a espada, e mais outros personagens, que
compõem sua imperial corte, tomam parte no prestito, que lá
vai para a igreja.
(...)
Lá entra no templo toda esta cousa descripta: cada qual a seu
lugar; este se assenta se tem onde, aquelle se ajoelha, outros
ficam de pé.
As caixas e as caixeiras, as bandeiras e as bandeirantes,
dançam, tocam, vão, vem, avançam e recuam em
cumprimentos e genuflexões, até que aquietados toma a
palavra o sacerdote.
Começa o acto religioso e termina na paz do Senhor.
Segue a passeata, volta a[o] palacio, e, lá dentro, agora o verás.
O que está no palacio de sua magestade diz-se que é do povo
porque é com os tributos lançados ao povo e cobrados a som de
caixa que se faz a festança.
(...)
Á noite, dança se do fino em casa do juiz, e a infantaria por
aqui e por ali faz o mesmo.
(...)
São estes os prazeres, amáveis leitoras, que está gozando a
gente que foi no vapor, e do que estamos privados por causa
desse maldito folhetim.
(...)
Temos hoje o Espirito Santo por toda a parte.”
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: Diário do Maranhão - Jornal do Commercio, Lavoura e Indústria, 24 de maio de 1874. Anno V, No. 243, pp. 1. Memória BN. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=720011&pagfis=3536 [http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=720011&PagFis=0] http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=720011&pagfis=3536 CRÉDITOS: Diário do Maranhão GLOSSÁRIO: Povileo: Poviléu, povoléu; a classe social mais baixa.
Páo/Pao: pau, mastro.
Liado: o mesmo que ligado.
Pipas: vasilha de madeira, de grandes dimensões, para vinho; azeite etc.
Tabareo: tabaréu; soldado ou recruta sem experiência, confuso, incompetente; pessoa simples, do
campo, simplória.
Carcomidos: podres, deteriorados.
Alcacer: alcácer; palácio afortalezado; mansão; residência régia.
Vetustas: antigas, de longa data.
Covilhetes: pratinho chato de louça vidrada próprio para doce.
Sceptro: Cetro; bastão curto que é uma das insígnias do poder soberano.
Solio: Sólio; trono, assento real.
Préstito: procissão; desfile; acompanhamento. PALAVRAS-CHAVE: festas populares, maranhão
Sobre o documento apresentado, assinale a alternativa mais adequada
06
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