Questões de EFAF História - Temática - Cotidiano
44 Questões
Questão 2 14946525
ONHB Fase 4 2024Leia a reportagem a seguir.
Documento
Sirene da Folha, no centro de SP, toca diariamente há mais de 60 anos
Entre os infinitos sons que integram a vasta paisagem sonora da cidade, ecoa diariamente o da sirene instalada no terraço da Folha, na alameda Barão de Limeira.
Por conta da atividade do parque gráfico que funcionava no próprio jornal, a “sirena”, ou “sereia”, como chamada antigamente, tocava duas vezes ao dia, ao meio-dia e às 18h.

Sirene localizada na cobertura do prédio da Folha na Alameda Barão de Limeira, na região central de São Paulo (Lalo de Almeida/Folhapress)
A traquitana é brasileira e emite seu alarme por meio de seis enormes bocas de cornetas metálicas, abrigadas por um guarda-chuva/sol do mesmo material. Com cerca de 2 m de altura, pesa por volta de 150 quilos.
Existe desde o final da década de 1950, quando a Folha se mudou para os Campos Elíseos, na atual sede.
Hoje, mesmo após a desativação do parque gráfico no local, a sirene continua a ser acionada todos os dias, às 18h, de segunda a segunda.
O canto da “sereia” originalmente durava 30 segundos, iniciando com um solo potente e num crescendo de 15 segundos, para depois ir decrescendo, melancolicamente, até morrer aos 30.
No entanto, desde fevereiro de 2020, o alarme foi reduzido pela metade, de 30 para 15 segundos. Segundo Isael José do Rosário, eletricista responsável pelo equipamento, a mudança ocorreu após um problema ter feito com que ela tocasse por um tempo muito maior do que o programado, o que gerou reclamações.
Isael, 46, trabalha no jornal como eletricista desde os 20 anos. “Não me recordo exatamente quando, mas, há muitos anos, a diretoria pediu que a sirene parasse de tocar ao meio-dia. Eu e outro eletricista removemos uma pecinha de um disco que a acionava nesse horário”, conta.
O alarme das 18h também chegou a ser desligado em algumas ocasiões, como obras. Porém, o jornal recebeu pedidos da
vizinhança para que voltasse a tocar, uma vez que fazia parte da vida de pessoas que se orientavam por meio dele. Vicença Arcângela Imperatrice, a dona Vicentina, é uma delas. Em 1961, foi contratada na Folha, onde permaneceu por 55 anos até se aposentar.
“Quando ouvia a sirene [do meio-dia], corria para pegar o bonde que passava na [avenida] Duque de Caxias e ia para a Casa Verde. Eu morava no Bom Retiro e descia na rua José Paulino, caminhava até minha casa, almoçava e voltava a pé para o jornal. Eram 17 quarteirões”, lembra.
Hoje vivendo a poucos metros da Folha, ela diz que, ao ouvir o alarme, sabe que são 18h, quando então faz o sinal da cruz e reza uma Ave-Maria.
Católico, o representante comercial Carlos Antônio Sobral, 64, mora no bairro há 40 anos e compartilha do hábito religioso de dona Vicentina. “O som pra mim é sagrado e ajuda a me lembrar do horário, não preciso ficar preocupado em olhar no relógio.”
Quem não o acha nada sacro é o enfermeiro Gustavo Granados, 28, que vive na avenida Duque de Caxias e desconhecia a origem do alarme. “Achava que era tipo um sino de uma igreja. É um barulho alto e faz parecer que o mundo vai acabar. Às vezes, você está de boa e assusta. Parece que está em um outro país e está vindo um tsunami”, disse.
Já o carioca Geraldo Silveira da Silva Perilo, 57, que há mais de 20 anos trabalha no mercado das flores do largo do Arouche, tem relação carinhosa com o som: chama-o de “meu despertador”. “Enquanto não toca, fico esperando para poder ir embora, pegar o metrô e depois o trem para Francisco Morato.”
Não são apenas humanos que aguardam pelo sinal, mas também outros animais. É o caso do vira-lata Paçoca, que vive com Elaine Meneses, 42, em apartamento no décimo andar na rua Conselheiro Nébias. “Eu gosto dele porque me sintoniza e sei que são 18h, hora de passear com o cachorro”, diz ela, que trabalha como ajudante geral em uma adega.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: JUNIOR, Carlos Bozzo. Sirene da Folha, no centro de SP, toca diariamente há mais de 60 anos. Folha de S. Paulo, 25 fev. 2021. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2021/02/sirene-da-folha-no-centro-de-sp-tocadiariamente- ha-mais-de-60-anos.shtml. Acesso em: 19 jan. 2024. CRÉDITOS: Carlos Bozzo Junior. GLOSSÁRIO: Traquitana : objeto grande e desconjuntado. PALAVRAS-CHAVE: usos e costumes, mundos do trabalho, cultura material
As sirenes
Questão 4 14958828
ONHB Fase 1 2023Documento
Boemia e modernidade em Cuiabá
A ocorrência destes personagens na vida pública de outras cidades é vasta. Em Cuiabá mesmo, a sucessão de nomes e alcunhas dos tipos populares constantemente rememorados revelam a forte presença destes personagens na vida cotidiana da cidade: Maria Taquara, Antonio Peteté, General Saco, Zaramella, Cobra Fumando, Barba de Arame, entre tantos outros evocados constantemente nas narrativas e na crônica cuiabana.
(...)
Estes flanadores da cidade eram representações vivas do projeto moderno dilacerante que estava em curso e que destruía os referenciais urbanos, mudava a fisionomia da cidade, sua sociabilidade e seus moradores. Afastados do trabalho, das obrigações civis e da marcação do tempo, a cidade os enxergava com um misto de medo e admiração, de inveja e de pena.
(...)
José Inácio da Silva, o Zé Bolo-flor ganhou o imaginário popular na condição de mendigo-poeta. (...) O nome é originado do primeiro ofício de José Inácio, vendedor ambulante que comercializava bolos e flores artificiais na área central para ajudar a família que lhe fornecia abrigo. Assim, José Inácio torna-se Zé Bolo-flor. (...)
Sem família, sem paradeiro, a publicidade da loucura de Bolo-flor acaba por incrementar o fascínio sobre sua figura. De poeta da cidade, é investido à posição de louco da cidade. (...) Não se sabe exatamente porquê, no final dos anos setenta, sua loucura torna-se institucionalizada e é encaminhado ao Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto Acadêmico ORIGEM: BEZERRA , Silvia Ramos. Boemia e modernidade em Cuiabá: O personagem Zé Bolo-flor. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto de Linguagens. Cuiabá, Agosto de 2007, p. 98-117. Disponível em: https://livros01.livrosgratis.com.br/cp090366.pdf CRÉDITOS: Silvia Ramos Bezerra. PALAVRAS-CHAVE: história da loucura, tipos populares, história das cidades
Documento
Zé Bolo-Flor, c. 1950

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Fotografia ORIGEM: Foto de Zé Bolo-Flor, segurando imagens de santos, Cuiabá, aprox. década de 50. Foto: Reprodução. Olhar conceito, 14 Fev 2014 . Disponível em: https://www.olharconceito.com.br/noticias/exibir.asp?id=4002&Noticia=o-poeta-andarilho-e-mendigoque-fazia-musicas-e-poemas-para-cuiaba-virou-nome-de-parque-ze-bolo-flo. Acesso em: 18 fev. 2023. CRÉDITOS: Foto: Reprodução; Olhar conceito. PALAVRAS-CHAVE: tipos populares, história das cidades, história da loucura
A partir do texto e da imagem, escolha uma alternativa:
Questão 31 10771386
EPCAR 2023TEXTO I
Dia 22
Às 2 ½ horas da madrugada de ontem, um indivíduo,
que corria da rua da Relação em direção à repartição da
polícia, caiu morto junto à porta principal do edifício,
apresentando no peito um profundo ferimento.
[5] Ato contínuo um outro indivíduo, que também se
achava ferido no rosto, parou junto ao cadáver procurando
certificar-se se o indivíduo que ali se achava caído estava
com vida.
Tornando-se o referido indivíduo suspeito, foi
[10] imediatamente preso e apresentado ao Sr. Dr. Carijó,
1º delegado auxiliar.
/.../
Ontem pela manhã apareceram no necrotério três
praças da brigada policial, entre os quais se achava
[15] Antonio Primeiro, pertencente à 6ª companhia, que
declarou reconhecer o cadáver como o de João Ferreira
da Silva, ex-corneta da brigada policial, de onde teve baixa
há cerca de três meses.
/.../
[20] Silva era casado com Maria Virginia da Costa, com a
qual residia, em companhia de dois filhos menores, na
casinha nº 19 da estalagem da rua do Rezende, nº 109.
Segundo nos informou Maria Virginia, seu marido era
homem pacato, de bons costumes e trabalhava como
[25] servente de pedreiro em umas obras da rua Francisco
Muratori.
Disse mais que seu marido havia estado no botequim
no 64 da referida rua, ponto de reunião de indivíduos
suspeitos, não regressando mais à casa.
Dia 23
[30] O Sr. Dr. Carijó, 1º delegado auxiliar, auxiliado por
seu escrivão o Sr. major Luiz de Andrade, já descobriu o
fio do misterioso assassinato de João Ferreira da Silva,
perpetrado na rua da Relação, na madrugada de 21 do
corrente mês.
[35] Já depuseram no inquérito muitas testemunhas, entre
as quais se acham os dois soldados de polícia que
rondaram a referida rua e a dos Inválidos, José Teixeira da
Silva, Balbino Ferreira de Oliveira, Pedro da Costa, Manuel
de Souza e Silva, Maria Regina da Costa e outras pessoas
[40] que estiveram com o falecido no botequim nº 64 da rua do
Rezende, de onde saíram em serenata.
A autoridade policial espera em breve descobrir o
verdadeiro assassino para entregá-lo à ação da justiça.
Segundo trata C. Lombroso* em seu livro intitulado
[45] L´Uomo delinquente, publicamos em seguida as tatuagens
verificadas no corpo de Manuel de Sousa e Silva pelos
Drs. Moraes Brito e Cunha Cruz.
Manuel de Sousa e Silva, de cor branca, com 21 anos
de idade, português, solteiro, morador à rua
[50] Resende, nº 109.
Apresenta uma ferida incisa na região tenar**, dois
centímetros de extensão, dirigida de cima para baixo, de
dentro para fora, na mão esquerda; apresenta, entre
outras, as seguintes tatuagens: um crucifixo na face
[55] anterior do braço esquerdo; um signo de Salomão, na face
externa do mesmo braço; as iniciais I. M. C. (Isaura Maria
da Conceição) isto no dorso da mão do mesmo lado; no
dorso da mão direita um signo de Salomão; na face
anterior do antebraço, do mesmo lado um coração, com
[60] ápice para baixo, atravessado por uma seta, e um punhal
em cruz; na área representada pelo coração, as iniciais M.
S. S. (Manuel de Sousa e Silva); por baixo dessas iniciais,
e na mesma área, as iniciais S. E. S. (Sara Escaldina dos
Santos); por sobre o coração, na mesma face do braço,
[65] uma estrela; sobre a estrela, uma fita com as iniciais M. S.
F. (Maria da Silva Fidalga); por sobre a fita as iniciais M. J.
R. C. (Maria Joaquina Rosa da Conceição); no peito, na
região precordial, um coração atravessado por dois
punhais em cruz. Uma figura de mulher e outra de homem,
[70] em colóquio amoroso, na face anterior do braço direito.
*Cesare Lombroso (1835-1909) foi criminologista italiano,
autor entre outros livros de L’uomo delinquente (1876), e
muito influente na época, embora em boa parte
desacreditado hoje. Achava que a criminalidade era
hereditária, e que os criminosos podiam ser reconhecidos
por certos traços e defeitos físicos, inclusive o uso excessivo
de tatuagem.
** tenar: palma da mão.
Dia 24
Sobre o assassinato de João Ferreira da Silva,
perpetrado na rua da Relação, temos a acrescentar o
seguinte:
O Sr. Dr. Carijó, 1º delegado auxiliar, conseguiu
[75] descobrir e prender todos os indivíduos que, na noite do
crime, estiveram em serenata com a vítima /.../.
O Sr. Dr. Souza Lima, lente* da Academia de
Medicina, requisitou ontem do Sr. Dr. Carijó a presença de
Manuel de Souza e Silva, o homem tatuado de que
[80] tratamos ontem na nossa notícia.
À 1 hora da tarde, na aula de medicina legal, fez uma
pequena preleção aos seus alunos sobre os indivíduos
tatuados de que trata o professor Lombroso,
apresentando-lhes Souza e Silva como um dos indivíduos
[85] que deviam estar sempre sob as vistas da polícia por isso
que os desenhos de tatuagem que apresentava no corpo
eram descritos pelo sábio escritor italiano em seu livro
L´Uomo delinquente, os quais demonstraram ser uma
cópia fiel dos que existiam no citado livro.
* lente: professor de escola superior ou secundária.
Dia 25
[90] O Sr. Dr. Carijó, prosseguindo no inquérito sobre o
assassinato de João Ferreira da Silva, chegou à
conclusão de que o autor do crime foi Manuel de Souza e
Silva, vulgo Nené, o qual já cumpriu pena há anos
passados por crime de morte.
[95] Nené é o indivíduo que, conforme noticiamos,
apresenta o corpo cheio de tatuagens.
/.../
Pelos depoimentos das testemunhas, vê-se que o
móvel do crime foram os ciúmes de Nené por causa de
[100] uma mulher.
(ASSIS, Machado de. A Semana – 165. Edição, apresentação e notas por John Gledson. In: Machadiana Eletrônica, Vitória, v. 4, n.9, p. s-s, jul.-dez. 2021.- com adaptações.)
TEXTO II
Fisionomia dos criminosos
/.../ estudando a massa inteira desses infelizes,
como o fiz nas casas de detenção, conclui-se que, ainda
que não tenham sempre uma fisionomia rebarbativa* e
assustadora, têm eles uma toda particular e quase
[5] especial a cada forma de criminalidade.
Entre os violadores (quando não são cretinos),
quase sempre os olhos são salientes, a fisionomia é
delicada, os lábios são volumosos. A maior parte é frágil,
loura, raquítica e, às vezes, corcunda. /.../
[10] Os homicidas, os arrombadores, têm cabelos
crespos, são deformados no crânio, têm possantes
maxilares, zigomas** enormes e frequentes tatuagens;
são cobertos de cicatrizes na cabeça e no tronco.
Os homicidas habituais têm o olhar vidrado, frio,
[15] imóvel, algumas vezes sanguíneo e injetado; o nariz,
frequentemente aquilino ou adunco como o das aves de
rapina, sempre volumoso; os maxilares são robustos; as
orelhas, longas; os zigomas largos; os cabelos crespos
são abundantes e escuros. Com frequência, a barba é
[20] escassa, os dentes caninos muito desenvolvidos; os
lábios, finos.
/.../
Em geral, muitos criminosos têm orelhas de abano,
cabelos abundantes, barba escassa, sinos frontais*** e
[25] maxilares enormes, queixo quadrado e saliente, zigomas
largos /.../.
* rebarbativa: desagradável, rude, carrancuda.
** zigomas: bochechas.
*** sinos frontais: seios da face.
(LOMBROSO, Cesare. O homem delinquente. Tradução, atualização, notas e comentários de Maristela Tomasini e Oscar Antonio Corbo Garcia. Porto alegre: Ricardo Lenz Editor, 2001, p. 247-248)
TEXTO III
A SEMANA – 165
Raramente leio as notícias policiais, e não sei se
faço bem. São monótonas, vulgares, a língua não é boa;
em compensação, podem achar-se pérolas nesse
esterco. Foi o que me sucedeu esta semana, deixando
[5] cair os olhos na notícia do assassinato de João Ferreira
da Silva. Não foi o nome da vítima que me prendeu a
atenção, nem o do suposto assassino, nem as demais
circunstâncias citadas no depoimento das testemunhas
/.../
[10] /.../ O que me atraiu nesse crime foi a força do amor,
não por ser o motivo da discórdia e do ato, – há muito
quem mate e morra por mulheres – mas por apresentar
na pessoa de Manuel dos Santos, o suposto assassino,
um modelo particular de paixões contrárias e múltiplas.
[15] Foram as tatuagens do corpo do homem que me
deslumbraram.
As tatuagens são todas ou quase todas amorosas.
Braços e peito estão marcados de nomes de mulheres e
de símbolos de amor. Lá estão as iniciais de uma Isaura
[20] Maria da Conceição, as de Sara Esaltina dos Santos, as
de Maria da Silva Fidalga, as de Joaquina Rosa da
Conceição. Lá estão as figuras de um homem e de uma
mulher em colóquio amoroso; lá estão dois corações, um
atravessado por uma seta, outro por dois punhais em
[25] cruz...
Quando os médicos examinaram este homem
fizeram-no com Lombroso na mão, e acharam nele os
sinais que o célebre italiano dá para se conhecer um
criminoso nato; daí a veemente suposição de ser ele o
[30] assassino de João Ferreira. Eu, para completar o juízo
científico, mandaria ao mestre Lombroso cópia das
tatuagens, pedindo-lhe que dissesse se um homem tão
dado a amores, que os escrevia em si mesmo, pode ser
verdadeiramente criminoso. /.../
(ASSIS, Machado de. A Semana – 165. Edição, apresentação e notas por John Gledson. In: Machadiana Eletrônica, Vitória, v. 4, n.9, p. s-s, jul.-dez. 2021.- com adaptações.)
TEXTO IV
A produção cultural do corpo
Pensar o corpo como algo produzido na e pela
cultura é, simultaneamente, um desafio e uma
necessidade. Um desafio porque rompe, de certa forma,
com o olhar naturalista sob o qual muitas vezes o corpo é
[5] observado, explicado, classificado e tratado. Uma
necessidade porque ao desnaturalizá-lo revela,
sobretudo, que o corpo é histórico. Isto é, mais do que um
dado natural cuja materialidade nos presentifica no
mundo, o corpo é uma construção sobre a qual são
[10] conferidas diferentes marcas em diferentes tempos,
espaços, conjunturas econômicas, grupos sociais,
étnicos, etc. Não é portanto algo dado a priori nem
mesmo é universal: o corpo é provisório, mutável e
mutante, suscetível a inúmeras intervenções consoante o
[15] desenvolvimento científico e tecnológico de cada cultura
bem como suas leis, seus códigos morais, as
representações que cria sobre os corpos, os discursos
que sobre ele produz e reproduz.
Um corpo não é apenas um corpo. É também o seu
[20] entorno. Mais do que um conjunto de músculos, ossos,
vísceras, reflexos e sensações, o corpo é também a
roupa e os acessórios que o adornam, as intervenções
que nele se operam, a imagem que dele se produz, as
máquinas que nele se acoplam, os sentidos que nele se
[25] incorporam, os silêncios que por ele falam, os vestígios
que nele se exibem, a educação de seus gestos... enfim,
é um sem-limite de possibilidades sempre reinventadas e
a serem descobertas. Não são, portanto, as semelhanças
biológicas que o definem mas, fundamentalmente, os
[30] significados culturais e sociais que a ele se atribuem.
(GOELLNER, Silvana Vilodre. “A produção cultural do corpo”. In: LOURO, Guacira Lopes (Org.). Corpo, gênero e sexualidade; um debate contemporâneo na educação. Petrópolis: Vozes, 2003, p. 28-29.)
Sobre as relações propostas entre argumentos do Texto IV e os demais textos desta prova, assinale a alternativa INCORRETA.
Questão 8 14945470
ONHB Fase 2 2022Alô, alô extremo Norte!
O programa de maior audiência da pioneira Rádio Difusora de Macapá, que sobreviveu às diferentes nomenclaturas e administrações, continua no ar até hoje: “Alô alô Amazônia”. O programa liga as comunidades isoladas do Pará e Amapá à capital do estado, Macapá. É transmitido de segunda a sexta, entre 13h e 15h, e sábados pela manhã (...). Com suas leituras de mensagens do interior para a capital e vice-versa, o programa é a ponte mais rápida para aproximar muitas comunidades ribeirinhas. São recados que tratam de amor e saudade, avisos de cobrança, felicitações de aniversário e casamentos, notas de falecimento, além de outras demandas do dia a dia. São registros pessoais que só se tornam públicos pela necessidade de comunicação. (...) Os moradores do interior do Amapá e dos municípios paraenses de Gurupá, Breves e Chaves utilizam o programa como uma espécie de “pombo-correio eletrônico”. A importância do “Alô alô Amazônia” pode ser mensurada pelo fato do governador Walter Góes, em 2015, ter sofrido duras críticas por ter permitido o aumento do valor das mensagens divulgadas na rádio. Os ribeirinhos se revoltaram contra a emissora por ter aumentado de R$2,00 para R$5,00 o preço das mensagens do programa.
“Isso é um absurdo. A Rádio Difusora é do povo e não há nenhuma justificativa para um aumento desses. O povo ribeirinho quando vem vender seus produtos em Macapá já vem com sacrifício e ganhando pouco. Duas mensagens são o equivalente a um prato de comida”, argumenta o ribeirinho Raimundo Vilhena (Redação MZ. Portal Marco Zero. 07 de fev. 2015)”
Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: Adaptado de Patricia Teixeira Azevedo Wanderley. Alô, alô extremo Norte! A história do rádio nos estados do Pará e Amapá. Bezerra, Anathália Maia da Silva et alli. 5º Encontro Nordeste de História da Mídia, 2018. Disponível em: http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/encontros-regionais/nordeste/2018-5oencontro/gt-5-2013-historia-da-midia-sonora/alo-alo-extremo-norte-a-historia-do-radio-nos-estadosdo-para-e-amapa/view CRÉDITOS: Patricia Teixeira Azevedo Wanderley PALAVRAS-CHAVE: história do rádio, meios de comunicação de massa, cultura popular
A partir do texto e de seus conhecimentos sobre a história da rádio no Brasil, assinale uma alternativa.
Questão 1 16237115
ONHB Fase 4 2021Observe as propagandas a seguir:
Leite Condensado de Borden

Leite Condensado de Borden
Acabamos de receber uma factura deste delicioso leite, já tão conhecido nos Estados-Unidos e na Europa.
É o leite PURO, depois de haver evaporado quasi toda a agua, preparado com assucar refinado.
Preparado por esta fórma o leite conserva-se por muitos anos bom e fresco.
É excellente para todos os usos culinários em que se necessita de leite.
Para café, chá, chocolate, creme, bolos, pudins e toda qualidade de comida em cuja composição entre o leite.
Com uma só colhersinha de leite condensado faz-se um copo de leite fresco, de um gosto puro e frescal.
Os primeiros medicos o recommendão para crianças como preferível ao leite tirado das vacas, que vivem sempre nas estribarias, sem nunca respirarem o ar livre dos campos.
É sem igual para hoteis, para o exército, para a marinha, para viajantes de toda a qualidade, para casas particulares e para todos que desejão ter sempre á mão leite fresco de um gosto delicioso e puro.
Este leite é preparado unicamente pelos Srs
W. K. LEWIS E IRMAOS
DE BOSTON ESTADOS-UNIDOS
DE QUE SOMOS OS UNICOS AGENTES NESTE IMPÉRIO
Cada lata tem o rotulo em portuguez com o nosso nome impresso nelle.
15 RUA DIREITA 15
H. M. LANE E C.
Á Venda em São Paulo na casa de W. D. Pitt 46 RUA DIREITA 46
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Propaganda ORIGEM: Leite Condensado de Borden. Diário de São Paulo, n. 258, São Paulo, 20 de junho de 1866, p. 4. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=709557&pasta=ano%20186&pesq=&pagfis=974 [http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=709557&pasta=ano%20186&pesq= &pagfis=974] http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=709557&pasta=ano%20186&pesq=&pagfis=974 CRÉDITOS: Leite Condensado de Borden; Diário de São Paulo. PALAVRAS-CHAVE: propaganda, história da alimentação, comércio
Leite moça e Farinha láctea

Transcrição:
Superior:
É lindo ver-se uma creança bem vestida: porém, gosando esta ao mesmo tempo de bôa saúde é o supra-summo do ideal para uma mãe.
DUAS COISAS INDISPENSAVEIS A TODAS AS MÃES SÃO POIS:
Inferior esquerda:
O BOM LEITE MOÇA
que é puro, rico em creme, que não se pode falsificar e substitue com vantagem o leite fresco, Segundo a opinião de summidades medicas, é o único que póde fazer as vezes do leite materno na época difficil de serem desmamadas as creanças.
Inferior centro:
MÃES!! Peçam sempre os productos NESTLÉ, a saude das creanças
A VENDA EM TODA PARTE
Inferior direita:
A FARINHA NESTLÉ
que torna as creanças robustas, sadias e lhes mantem a saude.
E porque?
Porque os elementos nutritivos de que se compõe a FARINHA LÁCTEA NESTLÉ, não somente o leite puro, a farinha de trigo e o assucar, mas ainda os fosfatos indispensáveis à formação dos ossos.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Propaganda ORIGEM: Leite moça e Farinha láctea. Vida Doméstica, n. 50. Rio de Janeiro, 28 de julho de 1923, p. 25. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=830305&pasta=ano%20192&pesq=&pagfis=1997 [http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=830305&pasta=ano%20192&pesq= &pagfis=1997] http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=830305&pasta=ano%20192&pesq=&pagfis=1997 CRÉDITOS: Nestlé; Vida doméstica PALAVRAS-CHAVE: história da alimentação, comércio, propaganda
A partir das informações encontradas nas propagandas acima, escolha uma alternativa:
Questão 21 15484572
CPM/ERJ 6 ano 2021O local utilizado para garantir proteção a grupos humanos e guardar alimentos recebe o nome de:
06
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