Questões de EFAF História - Brasil - Período Colonial -
33 Questões
Questão 2 14928508
ONHB 1 Fase 2025Esta questão possui quatro alternativas. Há mais de uma resposta correta, mas cabe a sua equipe escolher qual alternativa considera como a mais adequada e selecioná-la.
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O trecho a seguir foi retirado da obra Chronica da Companhia de Jesu do estado do Brasil e do que obraram seus filhos n’esta parte do novo mundo em que se trata da entrada da Companhia de Jesu nas partes do Brasil, dos fundamentos que n’ellas lançaram e continuaram seus religiosos, e algumas noticias antecedentes, curiosas e necessarias das cousas d’aquelle estado, escrita pelo Padre Simão de Vasconcelos (1597-1671) e publicada pela primeira vez em 1663. Nesta questão, utilizamos a segunda edição da obra, corrigida e aumentada, publicada em 1865.
Chronica da Companhia de Jesu do estado do Brasil (...)
Não posso deixar de contar aqui (supposto que repugne a penna) o successo mais triste, que até estes tempos virão as partes do Brasil, e chorárão os Portugueses d’elle. Foi este o naufragio, e morte cruel de D. Pedro Fernandes Sardinha, Bispo primeiro d’este Estado, e dos que com elle navegavão. Chegára este grande Prelado á Bahia de Todos os Santos, cabeça de sua diocese, no princípio do anno 1552, e procedera com o zelo, e aceitação que n’aquelle anno tocâmos: até que no presente em que imos (não sei se chamado do Ceo, se do Rei: dizem alguns, que da melhoria das almas) se embarcou pera Portugal em companhia de Antonio Cardoso de Barros, Provedor-mór que fôra do Estado, e de outras pessoas nobres, que levavão familias de mulheres, e filhos. Derão á vela nos primeiros de Junho; e havendo navegado quatorze dias, armou-se contra elles o horizonte com fera tempestade de ventos de travessia envoltos em escuridão, trovões, e relampagos; tão furiosa, que logo se derão por perdidos; porque distava perto a terra, e não podia contrastar a náo a furia dos mares. Mandou ferrar o piloto o panno; e quando quiserão lançar ferro ao mar (remedio unico de suas esperanças) tendo a amarra entre mãos, lavou o convés tal pancada de mar, que levou comsigo ancoras, e amarras, e faltou pouco que não levasse os pobres navegantes. A tudo se achava presente o santo Prelado, e vendo as poucas esperanças que restavão de vida (porque já hiam avistando as praias, e pera ellas levavão a náo como conjurados agoas, ventos, e mares, que batião furiosamente o costado) posto de joelhos, depois de exclamar ao Ceo, começou huma pratica aos companheiros, porém não acabou; porque foi atalhada com confusão de vozes, e alaridos dos tristes navegantes, que vião a náo ir descaindo sobre hum disforme penedo que por entre as nuvens, e relampagos então mal divisavam, mas logo conhecerão ás claras, indo dar sobre elle, e fazendo miseravel naufragio, nos baixos chamados de D. Francisco; por outro nome enseada do porto dos Francezes, altura de dez gráos e hum quarto, entre dous rios, o de S. Francisco, e outro por nome Cururúig [Coruripe], a dezeseis de Junho do corrente anno.
Porém aqui (oh fereza de corações humanos!) quando os ventos, marés, e penedos derão como perdão aos affligidos naufragantes, sahindo a terra, huns a nado, outros em o batel , todos debilitados, quasi no ultimo alento, a mãos de selvagens chamados Caétes, que n’aquella paragem habitavão, acabarão as vidas com naufragio muito mais deshumano. Em vendo estes o destroço da náo do alto de suas serranias, descerão ás praias, a aguardando alli fingirão-se amigos, mostrando compadecer-se de seu estado; levárão-nos a hospedar a suas pequenas choupanas, fizerão fogo, trouxerão mantimento, alentárão os corpos debilitados; mas com cautela atraiçoada, porque fizerão no mesmo tempo aviso a seus circunvizinhos pera o que haviam de obrar, e veremos logo. O coração do homem he leal, e mais em occasiões de tanto aperto. Nunca se derão por seguros os pobres Portugueses: olhavão para os hospedes, parecião-lhes feras tragadoras; pera os quintais de suas pousadas, vião rumas de ossos, e caveiras de mortos, sinaes dos muitos que tinhão comido, insignias prezadas de seu esforço e valentia. Elles em quantidade innumeraveis, os nossos poucos, os mais mulheres, e meninos, desarmados, e alguns sem camisa, assi como o mar os deixára. Fazião da necessidade virtude, cariciavão os que conheciam por mortaes inimigos, mostravão-lhes sinaes de agradecimento debaixo de tão fundados arreceios.
Despedirão-se ultimamente de seus hospedes, e forão seguindo o caminho que elles lhes mostrárão a fim de seu engano. Eis que chegando ao descoberto das praias, junto a hum rio, que de força havião de passar, sahem de emboscada chusmas de ferozes selvagens, atroando aquellas enseadas com seus costumados alaridos (menos bastava pera hum exercito tão fraco). Cahirão logo desmaiadas mulheres, e crianças com vista tão terrivel. Dos homens poucos podião ter-se em pé: fizerão aquella gente fera dos peitos immoveis alvo de suas frechas, e das cabeças prova de suas maças, sem resistencia alguma. Hião matando huns, e outros carregando, qual caça do matto, pera fazer banquetes a toda a sua gente. Oh tigres hircanos! Que crueldades vossas não virão hoje estas avaras praias? Nem choros de crianças, nem abraços de mãis, nem despedidas tristes dos desposados, pais, e filhos, commovião aqueles peitos duros. As mais tenras crianças tomavão pelo braço, e despedaçavão em hum penedo, e ás mãis que as choravão, abrião a cabeça, ou rasgavão os peitos com facões de páos duros. Não chegou aqui a crueldade de hum Herodes, ou a de um Diocleciano.
Resta porém o caso mais triste. Tinha passado o rio em balsa o Prelado, e estava vendo da outra parte toda a tragedia sanguinolenta, ouvindo os alaridos dos lobos feros, e os balidos das ovelhas mansas, que a seus dentes acabavão, e padecia outras tantas lançadas em seu coração: quando pregado com os olhos no Ceo, e consultando o que faria, sahirão do mar ás ribeiras do rio multidão dos mesmos selvagens nadadores, que em busca d’elle, e dos que o levárão, tinhão passado. Significárão-lhe estes por acenos, que era aquelle o grande Prelado dos Portugueses, Sacerdote consagrado a Deos, que havia tomar vingança de seus excessos. Não penetrava porém cousa alguma tão duros corações: derão com huma maça no santo Prelado, abrirão-lhe a cabeça pelo meio. O mesmo fizerão aos companheiros, e levárão-nos pera pasto prezado de seus ventres, e seus ossos por insignia de tão grande façanha. E este foi o fim do primeiro Bispo do Brasil D. Pedro Fernandes Sardinha.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Crônica ORIGEM: VASCONCELLOS, Simão de. Chronica da Companhia de Jesu do Estado do Brasil (...). 2. ed. Lisboa: Typographia Rollandiana, 1865, pp. 123-125. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/242811. Acesso em: 20 jan. 2025. CRÉDITOS: Simão de Vasconcelos GLOSSÁRIO: Prelado: título honorífico privativo de certas dignidades eclesiásticas tais como bispos, arcebispos, chefes de comunidades religiosas etc.
Descair: cair; descer
Ruma: grande quantidade
Presar: apresar; apreender
Arreceio: receio
Chusma: multidão
Atroar: fazer grande estrondo
Alarido: gritaria; algazarra
Frecha: flecha
Maça: arma de mão forte e pesada
Fero: feroz
Balido: grito próprio de ovelha
Prática: atividade religiosa
Penedo: rochedo
Batel: pequena embarcação PALAVRAS-CHAVE: companhia de jesus, alteridade
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IFTM Integrados 2019/1Entre o final do século XV e o início do século XIX, a Espanha teve a sorte de extrair muita prata e ouro de suas colônias na América. Outros países recorriam a um método mais rude de obter metais preciosos: os roubos dos corsários.

O almirante britânico Sir Henry Morgan (1635-1688), corsário (ou pirata?) que esteve a serviço, discretamente, da Inglaterra e pode ter saqueado cerca de 400 navios ao longo de sua carreira. Reprodução/Fine Art America
Sobre a atuação dos corsários e piratas no passado colonial, qual opção está incorreta?
Questão 9 10332692
OBG 2017No dia 7 de outubro de 2017, foi realizada a segunda edição do Plebisul em diversas cidades dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Obteve-se um resultado muito parecido à consulta realizada no ano anterior: cerca de 95% dos votos foram favoráveis à formação de um país independente formado pelas três unidades da federação. A consulta foi organizada pelo movimento “O Sul é meu país”, que tem como mascote o Sulito (abaixo).
As atuais fronteiras do território brasileiro foram conformadas por diversas disputas ao longo da História.
Assinale a alternativa incorreta:

Questão 35 10252575
IFSertãoPE 2016Em 1630 a 1654 a Colônia do Brasil esteve sob o domínio dos holandeses.
Qual alternativa abaixo não é característico do período:
06
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