Questões de EFAF História - Temática
1.155 Questões
Questão 4 10697057
CMRJ 6° Ano - Português 2016Meu tataravô era africano é um romance que conta a história de Inácio - um menino que aprende na escola sobre a escravidão no Brasil. Preocupado com a possibilidade de seus familiares terem sido escravos, ele quer ouvir de seu avô essa história.
Inácio entrou em casa correndo, procurando seu avô:
-Mãe, mãe, cadê o vovô? Preciso multo falar com ele.
-Calma, menino! Seu avô foi comprar pão.
- Então ele vai demorar multo! Ele fica conversando com todo mundo na rua, e eu tenho que perguntar umas coisas pra ele. É um trabalho de escola.
-E seu avô vai saber responder?
- Acho que vai, é um trabalho sobre os escravos, e minha professora disse que os negros vieram da África e que, antigamente, todos os negros eram escravos. Então, se vovô é negro, ele veio da África e era escravo.
- Não, querido, Nem todos os negros vieram da África ou foram escravos. Seu avô nasceu aqui no Brasil e nunca foi escravo.
-Nunca? Mas a minha professora disse que....
-Quem veio da África e era escravo foi o bisavô do sou avô.
/.../
Na Fazenda de café
- Vô, tenho um amigo lá na escola que em todas as férias viaja para a fazenda da tia dele, que fica em São Paulo. Eu queria tanto conhecer uma fazenda! Deve ser muito bom acordar cedinho e tirar leite das vacas, não é?
-Sabe, Inácio, antigamente eu vivia dizendo que se ganhasse na loteria compraria um sitio. Agora, não tenho mais esperanças de ganhar, não. -Mas, vô, você joga na loteria?
-Já joguei, agora não jogo mais. Acho uma bobagem, não ganho mesmo.
- Vô, mas eu não queria conhecer uma fazenda do mesmo jeito que meu tataravô conheceu, não.
Minha professores contou que era muito triste a vida nas fazendas de café, a começar pela viagem, pois os escravos viajavam dias e dias a pé, e lá eram obrigados a trabalhar muito.
-Poxa, Inácio, como você é inteligente! Consegue guardar tudo nessa cabecinha. Na minha idade, não consigo aprender mais nada.
- Que é isso, vô? Tem um monte de gente da sua idade que ainda estuda, sabia? Por que você não volta a estudar?
- Ah, Inácio, acho que não dou mais pra isso, não. Não tenho mais paciência pra esse negócio de escola.
-Então, vô, você pode estudar comigo, que tal? Tudo o que minha professora de História me ensinar eu ensino pra você, combinado?
/.../
MARTINS, Georgina, TELLES, Teresa Sila. Meu tataravô era africano. São Paulo: Editora DCL, 2008, 29-30, 45-47. (fragmento adaptado)
Na palavra destacada na frase "Consegue guardar tudo nessa cabecinha", a terminação -inha indica
Questão 3 10697053
CMRJ 6° Ano - Português 2016Meu tataravô era africano é um romance que conta a história de Inácio - um menino que aprende na escola sobre a escravidão no Brasil. Preocupado com a possibilidade de seus familiares terem sido escravos, ele quer ouvir de seu avô essa história.
Inácio entrou em casa correndo, procurando seu avô:
-Mãe, mãe, cadê o vovô? Preciso multo falar com ele.
-Calma, menino! Seu avô foi comprar pão.
- Então ele vai demorar multo! Ele fica conversando com todo mundo na rua, e eu tenho que perguntar umas coisas pra ele. É um trabalho de escola.
-E seu avô vai saber responder?
- Acho que vai, é um trabalho sobre os escravos, e minha professora disse que os negros vieram da África e que, antigamente, todos os negros eram escravos. Então, se vovô é negro, ele veio da África e era escravo.
- Não, querido, Nem todos os negros vieram da África ou foram escravos. Seu avô nasceu aqui no Brasil e nunca foi escravo.
-Nunca? Mas a minha professora disse que....
-Quem veio da África e era escravo foi o bisavô do sou avô.
/.../
Na Fazenda de café
- Vô, tenho um amigo lá na escola que em todas as férias viaja para a fazenda da tia dele, que fica em São Paulo. Eu queria tanto conhecer uma fazenda! Deve ser muito bom acordar cedinho e tirar leite das vacas, não é?
-Sabe, Inácio, antigamente eu vivia dizendo que se ganhasse na loteria compraria um sitio. Agora, não tenho mais esperanças de ganhar, não. -Mas, vô, você joga na loteria?
-Já joguei, agora não jogo mais. Acho uma bobagem, não ganho mesmo.
- Vô, mas eu não queria conhecer uma fazenda do mesmo jeito que meu tataravô conheceu, não.
Minha professores contou que era muito triste a vida nas fazendas de café, a começar pela viagem, pois os escravos viajavam dias e dias a pé, e lá eram obrigados a trabalhar muito.
-Poxa, Inácio, como você é inteligente! Consegue guardar tudo nessa cabecinha. Na minha idade, não consigo aprender mais nada.
- Que é isso, vô? Tem um monte de gente da sua idade que ainda estuda, sabia? Por que você não volta a estudar?
- Ah, Inácio, acho que não dou mais pra isso, não. Não tenho mais paciência pra esse negócio de escola.
-Então, vô, você pode estudar comigo, que tal? Tudo o que minha professora de História me ensinar eu ensino pra você, combinado?
/.../
MARTINS, Georgina, TELLES, Teresa Sila. Meu tataravô era africano. São Paulo: Editora DCL, 2008, 29-30, 45-47. (fragmento adaptado)
No texto, Inácio insiste em explicar como sabe as coisas: "minha professora disse", "minha professora contou", "tudo o que minha professora me ensinar".
Ao falar tanto na professora, o menino demonstra que
Questão 2 10697036
CMRJ 6° Ano - Português 2016Meu tataravô era africano é um romance que conta a história de Inácio - um menino que aprende na escola sobre a escravidão no Brasil. Preocupado com a possibilidade de seus familiares terem sido escravos, ele quer ouvir de seu avô essa história.
Inácio entrou em casa correndo, procurando seu avô:
-Mãe, mãe, cadê o vovô? Preciso multo falar com ele.
-Calma, menino! Seu avô foi comprar pão.
- Então ele vai demorar multo! Ele fica conversando com todo mundo na rua, e eu tenho que perguntar umas coisas pra ele. É um trabalho de escola.
-E seu avô vai saber responder?
- Acho que vai, é um trabalho sobre os escravos, e minha professora disse que os negros vieram da África e que, antigamente, todos os negros eram escravos. Então, se vovô é negro, ele veio da África e era escravo.
- Não, querido, Nem todos os negros vieram da África ou foram escravos. Seu avô nasceu aqui no Brasil e nunca foi escravo.
-Nunca? Mas a minha professora disse que....
-Quem veio da África e era escravo foi o bisavô do sou avô.
/.../
Na Fazenda de café
- Vô, tenho um amigo lá na escola que em todas as férias viaja para a fazenda da tia dele, que fica em São Paulo. Eu queria tanto conhecer uma fazenda! Deve ser muito bom acordar cedinho e tirar leite das vacas, não é?
-Sabe, Inácio, antigamente eu vivia dizendo que se ganhasse na loteria compraria um sitio. Agora, não tenho mais esperanças de ganhar, não. -Mas, vô, você joga na loteria?
-Já joguei, agora não jogo mais. Acho uma bobagem, não ganho mesmo.
- Vô, mas eu não queria conhecer uma fazenda do mesmo jeito que meu tataravô conheceu, não.
Minha professores contou que era muito triste a vida nas fazendas de café, a começar pela viagem, pois os escravos viajavam dias e dias a pé, e lá eram obrigados a trabalhar muito.
-Poxa, Inácio, como você é inteligente! Consegue guardar tudo nessa cabecinha. Na minha idade, não consigo aprender mais nada.
- Que é isso, vô? Tem um monte de gente da sua idade que ainda estuda, sabia? Por que você não volta a estudar?
- Ah, Inácio, acho que não dou mais pra isso, não. Não tenho mais paciência pra esse negócio de escola.
-Então, vô, você pode estudar comigo, que tal? Tudo o que minha professora de História me ensinar eu ensino pra você, combinado?
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MARTINS, Georgina, TELLES, Teresa Sila. Meu tataravô era africano. São Paulo: Editora DCL, 2008, 29-30, 45-47. (fragmento adaptado)
Na conversa sobre o trabalho nas fazendas de café, o avó explica as razões pelas quais não pensa em voltar a estudar.
De acordo com a opinião dele, os estudos
Questão 1 10696328
CMRJ 6° Ano - Português 2016Meu tataravô era africano é um romance que conta a história de Inácio - um menino que aprende na escola sobre a escravidão no Brasil. Preocupado com a possibilidade de seus familiares terem sido escravos, ele quer ouvir de seu avô essa história.
Inácio entrou em casa correndo, procurando seu avô:
-Mãe, mãe, cadê o vovô? Preciso multo falar com ele.
-Calma, menino! Seu avô foi comprar pão.
- Então ele vai demorar multo! Ele fica conversando com todo mundo na rua, e eu tenho que perguntar umas coisas pra ele. É um trabalho de escola.
-E seu avô vai saber responder?
- Acho que vai, é um trabalho sobre os escravos, e minha professora disse que os negros vieram da África e que, antigamente, todos os negros eram escravos. Então, se vovô é negro, ele veio da África e era escravo.
- Não, querido, Nem todos os negros vieram da África ou foram escravos. Seu avô nasceu aqui no Brasil e nunca foi escravo.
-Nunca? Mas a minha professora disse que....
-Quem veio da África e era escravo foi o bisavô do sou avô.
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Na Fazenda de café
- Vô, tenho um amigo lá na escola que em todas as férias viaja para a fazenda da tia dele, que fica em São Paulo. Eu queria tanto conhecer uma fazenda! Deve ser muito bom acordar cedinho e tirar leite das vacas, não é?
-Sabe, Inácio, antigamente eu vivia dizendo que se ganhasse na loteria compraria um sitio. Agora, não tenho mais esperanças de ganhar, não. -Mas, vô, você joga na loteria?
-Já joguei, agora não jogo mais. Acho uma bobagem, não ganho mesmo.
- Vô, mas eu não queria conhecer uma fazenda do mesmo jeito que meu tataravô conheceu, não.
Minha professores contou que era muito triste a vida nas fazendas de café, a começar pela viagem, pois os escravos viajavam dias e dias a pé, e lá eram obrigados a trabalhar muito.
-Poxa, Inácio, como você é inteligente! Consegue guardar tudo nessa cabecinha. Na minha idade, não consigo aprender mais nada.
- Que é isso, vô? Tem um monte de gente da sua idade que ainda estuda, sabia? Por que você não volta a estudar?
- Ah, Inácio, acho que não dou mais pra isso, não. Não tenho mais paciência pra esse negócio de escola.
-Então, vô, você pode estudar comigo, que tal? Tudo o que minha professora de História me ensinar eu ensino pra você, combinado?
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MARTINS, Georgina, TELLES, Teresa Sila. Meu tataravô era africano. São Paulo: Editora DCL, 2008, 29-30, 45-47. (fragmento adaptado)
A partir de uma aula de história, Inácio procura o avô para aprender sobre o passado de sua família.
Essa atitude mostra que a escola dele
Questão 15 10531459
OBJETIVO 9º Ano - Português 2016Texto - O SINO DE OURO
Contaram-me que, no fundo do sertão de Goiás, numa localidade de cujo nome não estou certo, mas acho que é Porangatu, que fica perto do rio de Ouro e da serra de Santa Luzia, ao sul da Serra Azul – mas também pode ser Uruaçu, junto do rio das Almas e da serra do Passa-Três (minha memória é traiçoeira e fraca; eu esqueço os nomes das vilas e a fisionomia dos irmãos, esqueço os mandamentos e as cartas e até a amada que amei com paixão) –, mas me contaram que em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem – coisa bela e espantosa – um grande sino de ouro.
Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grão-senhor – nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.
É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus – gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões – eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro.
Quando vem o forasteiro de olhar aceso de ambição, e propõe negócios, fala em estradas, bancos, dinheiro, obras, progresso, corrupção – dizem que esses goianos olham o forasteiro com um olhar lento e indefinível sorriso e guardam um modesto silêncio. O forasteiro de voz alta e fácil não compreende; fica, diante daquele silêncio, sem saber que o goiano está quieto, ouvindo bater dentro de si, com um som de extrema pureza e alegria, seu particular sino de ouro. E o forasteiro parte, e a povoação continua pequena, humilde e mansa, mas louvando a Deus com sino de ouro. Ouro que não serve para perverter, nem o homem nem a mulher, mas para louvar a Deus.
E se Deus não existe não faz mal. O ouro do sino de ouro é neste mundo o único ouro de alma pura, o ouro no ar, o ouro da alegria. Não sei se isso acontece em Porangatu, Uruaçu ou outra cidade do sertão. Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.
O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrupção, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão.
(Rubem Braga. Os melhores contos de Rubem Braga. 10. ed. São Paulo: Global, 1999, p. 131-132.)
Em “...por nossa culpa e miséria e pecado e corrupção...”, a mesma regra que justifica a acentuação da palavra miséria justifica a acentuação de
Questão 10 10531381
OBJETIVO 9º Ano - Português 2016Texto - O SINO DE OURO
Contaram-me que, no fundo do sertão de Goiás, numa localidade de cujo nome não estou certo, mas acho que é Porangatu, que fica perto do rio de Ouro e da serra de Santa Luzia, ao sul da Serra Azul – mas também pode ser Uruaçu, junto do rio das Almas e da serra do Passa-Três (minha memória é traiçoeira e fraca; eu esqueço os nomes das vilas e a fisionomia dos irmãos, esqueço os mandamentos e as cartas e até a amada que amei com paixão) –, mas me contaram que em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem – coisa bela e espantosa – um grande sino de ouro.
Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grão-senhor – nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.
É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus – gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões – eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro.
Quando vem o forasteiro de olhar aceso de ambição, e propõe negócios, fala em estradas, bancos, dinheiro, obras, progresso, corrupção – dizem que esses goianos olham o forasteiro com um olhar lento e indefinível sorriso e guardam um modesto silêncio. O forasteiro de voz alta e fácil não compreende; fica, diante daquele silêncio, sem saber que o goiano está quieto, ouvindo bater dentro de si, com um som de extrema pureza e alegria, seu particular sino de ouro. E o forasteiro parte, e a povoação continua pequena, humilde e mansa, mas louvando a Deus com sino de ouro. Ouro que não serve para perverter, nem o homem nem a mulher, mas para louvar a Deus.
E se Deus não existe não faz mal. O ouro do sino de ouro é neste mundo o único ouro de alma pura, o ouro no ar, o ouro da alegria. Não sei se isso acontece em Porangatu, Uruaçu ou outra cidade do sertão. Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”.
O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrupção, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão.
(Rubem Braga. Os melhores contos de Rubem Braga. 10. ed. São Paulo: Global, 1999, p. 131-132.)
No trecho “E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria”, o autor sugere que o sino é considerado pelos homens do povoado como
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