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Questão 6 10779289
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2020TEXTO
Racismo contra imigrantes no Brasil é constante, diz pesquisador
Na tese Dois Séculos de Imigração no Brasil: A Construção da Identidade e do Papel dos Estrangeiros pela
Imprensa entre 1808 e 2015, [o pesquisador Gustavo] Barreto analisou a cobertura do tema em jornais como O Globo, O
Estado de S. Paulo, Folha da Manhã (hoje Folha de S. Paulo), Correio da Manhã, O País e Gazeta do Rio de Janeiro ao
longo de 207 anos.
[5] Em entrevista à BBC Brasil, ele explica como os termos são usados de forma diferente na imprensa. “O refugiado
é sempre negativo, um problema grave a ser discutido. O imigrante é uma questão a ser avaliada, pode ser algo positivo
ou negativo, mas em geral a visão é de algo problemático. Já o estrangeiro é sempre positivo, inclusive melhor do que o
brasileiro. É alguém com quem podemos aprender”, diz.
Veja os principais trechos da entrevista:
[10] Quanto ao racismo, é possível identificar avanços? Como tem sido a cobertura da chegada de imigrantes
haitianos e bolivianos ao Brasil, mais recentemente”
Barreto — O racismo era algo natural e aceitável no século 19, incluindo o destaque às ideias de supremacia de raças,
entre 1870 até o governo Vargas. A partir da Segunda Guerra, os grupos começam a ser valorizados. Judeus, alemães e
italianos no Brasil começam a recontar sua história, assim como os japoneses, depois de um momento muito difícil. Após
[15] as cartas de direitos humanos, os valores eugenistas1 já não são mais declarados, o que é um avanço.
Mais recentemente, o país passou a receber um número considerável de bolivianos e haitianos. Mas também chegam
portugueses e espanhóis. A imprensa, no entanto, costuma destacar muito os problemas que os haitianos trazem, e
rapidamente começa a ser construída uma visão de que eles são um problema. Enquanto isso, os imigrantes europeus
recentes são valorizados por sua cultura e contribuição ao Brasil.
[20] Contribuições culturais ou produtivas dos haitianos e bolivianos, que têm uma riqueza cultural enorme, dificilmente viram
notícia. O racismo atual se dá pelo não dito, pelo que a imprensa omite. Quando aparecem na mídia estão atrelados a
problemas, crises, marginalizações, ou ligados à ideia de uma invasão. (...)
Suas observações não contrastam com a ideia tão difundida do Brasil como um país hospitaleiro, e do brasileiro
como um povo acolhedor, famoso no mundo todo pela simpatia e boa recepção aos estrangeiros?
[25] Barreto — Na verdade entre os pesquisadores do assunto há a noção do “mito da hospitalidade”. Há uma diferença entre a
maneira como nos vendemos para o mundo e a verdadeira hospitalidade a qualquer estrangeiro ou a democracia racial.
O estudo de como a imigração é retratada no pais entre 1808 e 2015 mostra que a hospitalidade é seletiva, mas que essa
noção sempre foi difundida, em benefício do Brasil. Esta é uma das minhas principais conclusões na tese, a de que a
nossa famosa hospitalidade é um mito. (...)
[30] Você citou um editorial do jornal Folha da Manhã, de 1926, intitulado “Fechem-se as fronteiras”. Esta seria um
pouco a noção de que o Brasil enxergou durante muito tempo a imigração de forma unilateral e seletiva? Ainda
vemos este discurso?
Barreto — Sim, o tema do editorial de 1926 é justamente a noção de que o país já teria recebido todos os imigrantes
necessários. Já chegaram todos que nós queremos, após a vinda em massa de alemães e italianos, foi cumprida a função
[35] da imigração no Brasil. Já ocupamos e populamos o país, e agora as fronteiras devem ser fechadas e quem entrar deverá
ser muito bem selecionado.
Hoje em dia a posição continua, mas travestida por outro argumento. A imprensa trabalha com o mito de que somos um
país pobre, em desenvolvimento, e não temos condições de receber mais ninguém. Vamos receber somente os melhores
e mais úteis. São evidências no discurso da imprensa e na visão da sociedade brasileira que contrastam diretamente com
[40] a ideia do “Brasil hospitaleiro, onde todos são bem-vindos”.
No contexto atual, de crise econômica e política, há que se observar atentamente a maneira como o imigrante será
retratado na imprensa, por ele ser um excelente bode expiatório para os problemas. Não tem grande chance de defesa,
não está integrado ao país, é o outro, o diferente, que traz dificuldades.
Desemprego, inflação e crise tendem a tornar a visão dos imigrantes ainda mais negativa.
(PUFF, Jefferson. Racismo contra imigrantes no Brasil é constante. 26 ago. 2015. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150819 racismo imigrantes jp rm. Acesso em: 8 set. 2019)
Vocabulário
1Eugenista: adepto da eugenia, teoria desenvolvida no século XIX que defendia a superioridade e o melhoramento das raças, estimulando o embranquecimento da população
A pesquisa de Gustavo Barreto, apresentada no Texto, conclui que os termos “refugiado”, “imigrante” e “estrangeiro” nos jornais brasileiros ao longo dos anos:
Questão 45 10775982
IFMG 2020/1Leia estes textos.
TEXTO I
“Foi o mais conhecido dos imperadores do Mali, e essa reputação se deveu à sua peregrinação a Meca em 1325 e, sobretudo, à temporada no Cairo, onde distribuiu ouro em tal quantidade que fez baixar a cotação do precioso metal por muito tempo. Essa peregrinação teve consequências bastante importantes para a subsequente história do Sudão ocidental, região que doravante passaria a ocupar a mente dos homens; Egito, Magreb, Portugal e as cidades mercantis da Itália interessavam-se cada vez mais pelo Mali. O próprio mansa Mūsā, orgulhoso de seu poder, muito fez para que o Mali se afigurasse um Eldorado aos olhos dos estrangeiros. Uma vez no trono, tratou de consolidar as aquisições dos predecessores e de fazer respeitada a autoridade central, contando, para isso, com a ajuda do insigne general Saran Mandian. Este reafirmou o poder do soberano, não apenas no vale do Níger até adiante de Gao, como também em todo o Sahel, conquistando a submissão dos nômades saarianos, tão inclinados ao saque e à revolta.”
NIANE, DjibrilTamsir. O Mali e a segunda expansão Manden. In: História Geral da África, IV: África do século XII ao XVI. Brasília: UNESCO, 2010. p. 133-192.
TEXTO II
“[A globalização] no período Moderno caracterizou um processo amplo de abertura dos horizontes geográficos da humanidade, marcado pelo crescimento das navegações indianas pelo Índico; expansão do comércio na Ásia, por vias terrestres e marítimas; fortalecimento das rotas de peregrinação muçulmana, em todo o Velho Mundo; ampliação das conexões africanas com o exterior, através doSaara, Mediterrâneo ou marVermelho; estabelecimento definitivo de vínculos entre a África Ocidental e Meca; ligação da América ao restante do globo, através das navegações europeias, e circunavegação marítima do globo, realizada pelos europeus. Trata-se, assim, de um processo difuso e multivetorial”.
MOTA, Thiago Henrique. História Atlântica da islamização na África Ocidental: Senegâmbia, séculos XVI e XVII. Universidade Federal de Minas Gerais (Tese de Doutorado). Belo Horizonte, 2018. p. 178.
Considerando esses textos, o Império do Mali
Questão 44 10775981
IFMG 2020/1Leia estes textos.
TEXTO I
Ontem, após forte bombardeio, a 3ª brigada e a 6ª tornaram novas posições ao inimigo, sendo conquistada a igreja nova, na qual entre aclamações de todo o exército, foi hasteada a bandeira da República. Está muitíssimo reduzida a área em poder do inimigo. Este cederá brevemente, pois já perdeu todos os recursos. Lavra no arraial intenso incêndio ateado pela explosão de bombas de dinamite, sendo inteiramente queimada a latada anexa à igreja nova, o último baluarte dos fanáticos.
Monte Santo, 7 de outubro de 1897. In: CUNHA, Euclides da. Diário de uma expedição. Organização de Walnice Nogueira Galvão. São Paulo, Companhia das Letras, 2000. p. 265.
TEXTO II
Chegou o desejado dia da vitória! Segundo nos informou o telégrafo, estão satisfeitas as esperanças da nação e desafrontados os brios do Exército e da República. Canudos é nosso; desabou o último baluarte dos ferozes jagunços de Antônio Conselheiro. Sobre aquele antro maldito, túmulo de tantos bravos brasileiros que perderam a vida, ganhando imortalidade e a gratidão eterna do país tremula hoje avante o pavilhão sagrado da República e epinício dos triunfadores. Não mais a rapina dos bandidos, não mais a fereza dos fanáticos perversos, não mais a perfídia dos irmãos desnaturados. A onda generosa do exército fiel à religião do dever lavou de uma extremidade à outra o reduto fementido; salvou-se a honra da nossa bandeira e encerrou-se esse doloroso capítulo da história pátria.
Canudos: a vitória, em Gazeta de Notícias, 7 de outubro de 1897, n. 280. Rio de Janeiro.
TEXTO III
“Nem o fogo nem a água conseguiram apagar nossa história. Minha bisavó, que visitou o cemitério pouco antes de ficar submerso para sempre, dizia que seus mortos iam morrer duas vezes”
Depoimento de Yamilson Mendes, guia turístico de Nova Canudos. In.: BARCA, Antônio Gimenes. Canudos, a cidade do fim do mundo: depois de renascer de suas cinzas, Canudos foi afogada por uma represa. Esta é sua memória. El País, 4 de fevereiro de 2017. Disponível em: https://brasil.elpais. com/brasil/2017/02/04/politica/1486239968_195098.html. Acesso em: 10 de set. 2019.
Considerando esses textos, assinale a alternativa correta a respeito da Revolta de Canudos na história do Brasil República.
Questão 27 10774691
IFBA 2020Durante a Idade Média, a Europa Ocidental foi marcada pela consolidação dos aspectos políticos, sociais e econômicos do feudalismo. Enquanto isso, o Oriente foi palco do nascimento de uma nova religião, o islamismo.
Em relação ao islamismo, podemos afirmar que:
Questão 24 10774681
IFBA 2020Observe o texto acerca da administração portuguesa no Brasil colonial.
“[...] em 1534, seguindo o princípio de transferir para terceiros as despesas com a colonização, a Coroa introduziu no Brasil o sistema de capitanias hereditárias.
[...] No entanto, a falta de recursos financeiros, a inexperiência de alguns donatários, o precário sistema de transporte ecomunicação e o relacionamento hostil entre portugueses e indígenas levaram a maior parte das capitanias ao fracasso.”
BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio (vol.1), 4ª ed. São Paulo: Moderna, 2016, p.36.
Ao constatar os problemas do sistema de capitanias hereditárias, a Coroa portuguesa instituiu:
Questão 19 10774671
IFBA 2020A História é uma ciência, que estuda os seres humanos em diferentes épocas. O historiador é o pesquisador responsável pela construção do conhecimento histórico. Para isso, ele utiliza as fontes históricas. A respeito das fontes históricas, é correto afirmar que:
I. As fontes materiais são registros como: documentos oficiais e privados, livros, pinturas, construções, roupas etc.
II. Entre as fontes imateriais, podemos destacar os relatos orais, músicas, danças e festas.
III. A importância de uma fonte histórica independe do olhar do pesquisador, do tempo e do espaço em que ele se encontra.
Assinale a alternativa que apresenta proposições corretas.
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