Questões de EFAF História - Temática
1.155 Questões
Questão 10 10739855
CEDAF 2017O texto a seguir foi extraído do livro O cortiço, de Aluísio Azevedo. A história se passa no Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX. O personagem principal é João Romão, um português que possuía uma venda, alugava uma vila de casinhas e explorava uma escrava, ele tinha como verdadeira obsessão enriquecer. Os outros personagens são seus vizinhos ricos, Miranda e família, também as lavadeiras e os trabalhadores braçais que possuem seus próprios problemas e vivem no cortiço tentando conseguir o seu sustento através do trabalho duro diário.
Texto
“E ninguém seria capaz de acreditar que a causa de tudo isso era o fato de ter sido o Miranda agraciado com o título de Barão
Sim, senhor! aquele taverneiro, na aparência tão humilde e tão miserável; aquele sovina que nunca saíra dos seus tamancos e da sua camisa de riscadinho de Angola; aquele animal que se alimentava pior que os cães, para pôr de parte tudo, tudo, que ganhava ou extorquia; aquele ente atrofiado pela cobiça e que parecia ter abdicado dos seus privilégios e sentimentos de homem; aquele desgraçado, que nunca jamais amara senão o dinheiro, invejava agora o Miranda, invejavao deveras, com dobrada amargura do que sofrera o marido de Dona Estela, quando, por sua vez, o invejara a ele. Acompanhara-o desde que o Miranda viera habitar o sobrado com a família; vira-o nas felizes ocasiões da vida, cheio de importância, cercado de amigos e rodeado de aduladores; vira-o dar festas e receber em sua casa as figuras mais salientes da praça e da política; vira-o luzir, com um grosso pião de ouro, girando por entre damas da melhor e mais fina sociedade fluminense; vira-o meter-se em altas especulações comerciais e sair-se bem; vira seu nome figurar em várias corporações de gente escolhida e em subscrições, assinando belas quantias; vira-o fazer parte de festas de caridade e festas de regozijo nacional; vira-o elogiado pela imprensa e aclamado como homem de vistas largas e grande talento financeiro; virao enfim em todas as suas prosperidades, e nunca lhe tivera inveja. Mas agora, estranho deslumbramento quando o vendeiro leu no “Jornal do Comércio” que o vizinho estava barão – Barão! – sentiu tamanho calafrio em todo o corpo, que a vista por um instante se lhe apagou dos olhos.”
O cortiço. Aluísio Azevedo. Série Bom Livro, 22 ed. São Paulo: Editora Ática, 1990, p.79-80.
Texto - A REVOLUÇÃO DO PRECARIADO
Vilma Gryzinski
Entre tantas outras, duas categorias podem ser usadas para dividir a humanidade: a dos que fazem qualquer esforço para ter uma casa própria e a dos que gastam tudo em cerveja no bar. “Cerveja”, evidentemente, é sinônimo de férias deliciosas, a última palavra em eletrônicos, bolsas grifadas ou passeios de barco. “Casa” abrange, entre outras necessidades básicas, viagens com orçamento planejado, pilates, laptop, zapzap e outros dissílabos – além da casa em si. Ambas as categorias fazem isso para tentar abrandar uma das mais básicas e insuportáveis condições da vida, a precariedade. Se eu gastar como marinheiro bêbado em dia de pagamento, o amanhã não vai me surpreender com perdas do que não tenho. Se eu construir uma base sólida, o amanhã não vai me pegar desprevenido sem as coisas que devia ter. Em momentos de crise política, de convulsões econômicas ou de mudanças históricas, formigas e cigarras humanas tremem igualmente com a sensação de extrema instabilidade em sua vida e não adianta truque mental algum para evitar o buraco na barriga que provoca.
O economista inglês Guy Standing começou a usar o termo “precariado” para definir uma nova classe social (...) uma mistura de precário com proletariado, é um fenômeno evidente na Europa. Trata-se de pessoas que têm trabalhos temporários, de baixa remuneração, sem a segurança dos empregos estáveis. Para quem vê a situação com os nossos olhos, os europeus, acolchoados por mecanismos de compensação, reclamam de ventre estufado por décadas de boa vida. A precariedade é praticamente uma condição inerente ao ser brasileiro. Mesmo o que chamamos de estabilidade econômica, tão brutalmente desperdiçada, pareceria uma atividade quase suicida do ponto de vista da Europa. Sair de casa, para muitos de nós, na realidade ou na percepção dela, o que dá no mesmo resultado, equivale a correr um risco de levar um tiro por causa de um celular. Ficar em casa aumenta a probabilidade de que vejamos mais notícias sobre o comportamento dos nobres representantes do povo.
O precariado no senso estrito aumenta a insegurança mesmo daqueles que não estão economicamente incluídos nessa categoria. Disso emana uma sensação de mal-estar que produz resultados instantâneos. Um desses resultados é a queixa de vários países em relação ao fluxo de cidadãos não europeus esgotando os sistemas como as escolas e hospitais. Assim, crescem os partidos de direita que são contrários ao recebimento de imigrantes e refugiados.
É a revolução do precariado, uma espécie de revolta contra as elites globalizadas e desconectadas da vida fora de suas esferas de privilégio, que empurra partidos próximos dos extremos à direita e à esquerda, em geral com o mesmo tom de populismo. No Brasil, essa sensação de falência pode levar o país a se afundar levando consigo cigarras, formigas e todas as outras metáforas com invertebrados que inventamos para evitar o frio na espinha da existência.
Revista Veja, 22 de junho, 2016, p. 30. Texto adaptado.
Considerando a leitura dos textos, sobre os tipos textuais, é CORRETO dizer:
Questão 10 10731221
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2017Leia este texto e responda à questão.
TEXTO
NADA COMO UMA BOA BRIGA
(Duda Teixeira)
COM TODO MUNDO lendo nas redes sociais
somente as notícias que corroboram seus
preconceitos, os debates entre políticos ganharam
uma utilidade pública ainda maior. Ao confrontarem
[5] ideias opostas, eles revelam fragilidades e silenciam
os radicalismos ancorados na internet. Na segunda-
feira, 26, a refrega verbal entre Hillary Clinton e
Donald Trump, candidatos à Presidência dos
Estados Unidos, estendeu-se por noventa minutos.
[10] O republicano Trump escorregou ao dizer que não
pode divulgar sua declaração de imposto de renda e
ao negar ter sido a favor da Guerra do Iraque. A
democrata Hillary não explicou por que passou a
criticar os tratados de livre-comércio, os quais
[15] sempre defendeu. À vista de todos, nenhuma
mentira ficou impune. As afirmações foram
conferidas simultaneamente por equipes de
jornalistas. Abastecido por eles, o moderador,
Lester Holt, da NBC, interpelou várias vezes os dois
[20] rivais sobre as falsidades que tinham acabado de
dizer. A transparência e a rapidez deixaram tudo
mais empolgante e atraíram 84 milhões de
espectadores nos Estados Unidos. Apesar do risco
de corrigir algo que esteja certo, a checagem dos
[25] fatos em tempo real entusiasmou canais de
televisão brasileiros, que pensam em reproduzir a
iniciativa. Ficou a impressão de que, na era da
polarização virtual, a democracia não perdeu vigor,
como se especula aqui e ali. Está apenas sendo
[30] reinventada.
Veja. Ed. 2498, de 5 de outubro de 2016. p. 39.
Segundo o texto, é incorreto afirmar que
Questão 5 10731181
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2017Para responder à questão, leia o texto abaixo.
TEXTO
“A política não é lugar pra preto vagabundo feito você!”
(Douglas Belchior)
Tenho plena consciência de que represento uma exceção. Ainda que miscigenado (fosse a pele retinta, bem sei que a vida reservaria ainda mais dificuldades), como homem negro, estudei. Alcancei o banco de uma universidade reconhecida, a PUC- SP, onde me formei em História e alcei o desvalorizado, mas nem por isso menos nobre, status de professor. Trabalhador da rede pública estadual de São Paulo, nada convidativo financeiramente, mas ainda assim, digno.
Conciliar profissão a militância política foi uma opção consciente – outro privilégio para poucos. Trabalho, ganho a vida e pago minhas contas fazendo o que amo: educação, logo, política. A vida que escolhi me levou a pessoas incríveis: lideres políticos, intelectuais, atletas e artistas. Me levou a lugares impensáveis: salas acarpetadas de governos, viagens para debates, palestras e atividades políticas das mais diversas em quase todos os estados brasileiros e até nos EUA. Em todos esses espaços, tanto em momentos de conflito com adversários, quanto em momentos de elaboração e confraternização com os meus da “esquerda”, uma coisa nunca mudou: sou um homem negro. E como um negro no país da democracia racial, sempre soube que o tratamento gentil e tolerante a mim dispensado sempre esteve condicionado a que eu soubesse o meu lugar e que não me atrevesse a sair dele.
Fui candidato a deputado federal nas eleições de 2014. Alcancei quase 12 mil votos, alcançando posição de segundo suplente à câmara federal. Como liderança política do diverso e confuso movimento negro brasileiro, me dediquei ao enfrentamento ao racismo, à denúncia do genocídio negro e à luta por direitos sociais para o povo negro, sobretudo no que diz respeito à educação e aos direitos humanos, temas em que atuo com mais profundidade. Ainda assim, sempre enfrentei olhares desconfiados, posturas desencorajadoras e a impressão de eterna dúvida quanto à minha capacidade política ou profissional. Depois da candidatura em 2014, essa impressão só aumentou. E agora finalmente transpareceu, verbalizada, em uma destas conversas de internet, na última semana: “A política não é lugar pra preto vagabundo feito você!”
Um fato é inquestionável: negros não são tolerados na política, senão como serviçais, cabos eleitorais ou, no máximo, assistentes. No campo da esquerda isso não muda. E se for mulher é ainda mais difícil. Só que desta vez consegui reverter o efeito desestimulante. Diante da cultura racista dominante na ocupação dos espaços do poder político, dou aqui a minha resposta: “Vamos enfrentar, vamos disputar e vamos vencer! Lugar de preto é onde ele quiser – inclusive na política!”
(http://negrobelchior.cartacapital.com.br/politica-nao-e-lugar-pra-preto-vagabundo-feito-voce/. Texto adaptado)
“Ainda que miscigenado (fosse a pele retinta, bem sei que a vida reservaria ainda mais dificuldades), como homem negro, estudei.”
A frase manter-se-ia com sentido equivalente se, em vez da palavra grifada, se utilizasse um vocábulo que lhe fosse sinônimo, tal qual
Questão 4 10731175
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2017Para responder à questão, leia o texto abaixo.
TEXTO
“A política não é lugar pra preto vagabundo feito você!”
(Douglas Belchior)
Tenho plena consciência de que represento uma exceção. Ainda que miscigenado (fosse a pele retinta, bem sei que a vida reservaria ainda mais dificuldades), como homem negro, estudei. Alcancei o banco de uma universidade reconhecida, a PUC- SP, onde me formei em História e alcei o desvalorizado, mas nem por isso menos nobre, status de professor. Trabalhador da rede pública estadual de São Paulo, nada convidativo financeiramente, mas ainda assim, digno.
Conciliar profissão a militância política foi uma opção consciente – outro privilégio para poucos. Trabalho, ganho a vida e pago minhas contas fazendo o que amo: educação, logo, política. A vida que escolhi me levou a pessoas incríveis: lideres políticos, intelectuais, atletas e artistas. Me levou a lugares impensáveis: salas acarpetadas de governos, viagens para debates, palestras e atividades políticas das mais diversas em quase todos os estados brasileiros e até nos EUA. Em todos esses espaços, tanto em momentos de conflito com adversários, quanto em momentos de elaboração e confraternização com os meus da “esquerda”, uma coisa nunca mudou: sou um homem negro. E como um negro no país da democracia racial, sempre soube que o tratamento gentil e tolerante a mim dispensado sempre esteve condicionado a que eu soubesse o meu lugar e que não me atrevesse a sair dele.
Fui candidato a deputado federal nas eleições de 2014. Alcancei quase 12 mil votos, alcançando posição de segundo suplente à câmara federal. Como liderança política do diverso e confuso movimento negro brasileiro, me dediquei ao enfrentamento ao racismo, à denúncia do genocídio negro e à luta por direitos sociais para o povo negro, sobretudo no que diz respeito à educação e aos direitos humanos, temas em que atuo com mais profundidade. Ainda assim, sempre enfrentei olhares desconfiados, posturas desencorajadoras e a impressão de eterna dúvida quanto à minha capacidade política ou profissional. Depois da candidatura em 2014, essa impressão só aumentou. E agora finalmente transpareceu, verbalizada, em uma destas conversas de internet, na última semana: “A política não é lugar pra preto vagabundo feito você!”
Um fato é inquestionável: negros não são tolerados na política, senão como serviçais, cabos eleitorais ou, no máximo, assistentes. No campo da esquerda isso não muda. E se for mulher é ainda mais difícil. Só que desta vez consegui reverter o efeito desestimulante. Diante da cultura racista dominante na ocupação dos espaços do poder político, dou aqui a minha resposta: “Vamos enfrentar, vamos disputar e vamos vencer! Lugar de preto é onde ele quiser – inclusive na política!”
(http://negrobelchior.cartacapital.com.br/politica-nao-e-lugar-pra-preto-vagabundo-feito-voce/. Texto adaptado)
Sabe-se que, nos textos, assumem-se diferentes estilos linguísticos, de acordo com os contextos enunciativos, que demandam diferentes níveis de linguagem.
Quanto a esse aspecto no texto de Belchior, marque a alternativa correta.
Questão 2 10731165
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2017Para responder à questão, leia o texto abaixo.
TEXTO
“A política não é lugar pra preto vagabundo feito você!”
(Douglas Belchior)
Tenho plena consciência de que represento uma exceção. Ainda que miscigenado (fosse a pele retinta, bem sei que a vida reservaria ainda mais dificuldades), como homem negro, estudei. Alcancei o banco de uma universidade reconhecida, a PUC- SP, onde me formei em História e alcei o desvalorizado, mas nem por isso menos nobre, status de professor. Trabalhador da rede pública estadual de São Paulo, nada convidativo financeiramente, mas ainda assim, digno.
Conciliar profissão a militância política foi uma opção consciente – outro privilégio para poucos. Trabalho, ganho a vida e pago minhas contas fazendo o que amo: educação, logo, política. A vida que escolhi me levou a pessoas incríveis: lideres políticos, intelectuais, atletas e artistas. Me levou a lugares impensáveis: salas acarpetadas de governos, viagens para debates, palestras e atividades políticas das mais diversas em quase todos os estados brasileiros e até nos EUA. Em todos esses espaços, tanto em momentos de conflito com adversários, quanto em momentos de elaboração e confraternização com os meus da “esquerda”, uma coisa nunca mudou: sou um homem negro. E como um negro no país da democracia racial, sempre soube que o tratamento gentil e tolerante a mim dispensado sempre esteve condicionado a que eu soubesse o meu lugar e que não me atrevesse a sair dele.
Fui candidato a deputado federal nas eleições de 2014. Alcancei quase 12 mil votos, alcançando posição de segundo suplente à câmara federal. Como liderança política do diverso e confuso movimento negro brasileiro, me dediquei ao enfrentamento ao racismo, à denúncia do genocídio negro e à luta por direitos sociais para o povo negro, sobretudo no que diz respeito à educação e aos direitos humanos, temas em que atuo com mais profundidade. Ainda assim, sempre enfrentei olhares desconfiados, posturas desencorajadoras e a impressão de eterna dúvida quanto à minha capacidade política ou profissional. Depois da candidatura em 2014, essa impressão só aumentou. E agora finalmente transpareceu, verbalizada, em uma destas conversas de internet, na última semana: “A política não é lugar pra preto vagabundo feito você!”
Um fato é inquestionável: negros não são tolerados na política, senão como serviçais, cabos eleitorais ou, no máximo, assistentes. No campo da esquerda isso não muda. E se for mulher é ainda mais difícil. Só que desta vez consegui reverter o efeito desestimulante. Diante da cultura racista dominante na ocupação dos espaços do poder político, dou aqui a minha resposta: “Vamos enfrentar, vamos disputar e vamos vencer! Lugar de preto é onde ele quiser – inclusive na política!”
(http://negrobelchior.cartacapital.com.br/politica-nao-e-lugar-pra-preto-vagabundo-feito-voce/. Texto adaptado)
Quanto aos aspectos relativos ao circuito da comunicação no texto de Douglas Belchior, a única alternativa correta é:
Questão 6 10727344
CMJF 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa (Prova 1) 2017TEXTO
Negrinho do pastoreio
Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.
Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta
[5] cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da fazenda.
O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para descansar e ... acabou dormindo.
[10] Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:
— 1,2,83, 4... 29...297?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!
O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,
[15] resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?
Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou furioso:
— O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!
[20] Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.
Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu novamente.
Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi
[25] recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.
— Onde está o cavalo?
— Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...
— Mas o quê, garoto?
— Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,
[30] senhor.
— Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um suspiro e morreu.
[35] No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé, sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.
Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
— Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos
[40] necessitados... Prometo tudo o que quiserem.
Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para onde.
Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.
[45] Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. E comum, por exemplo, ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.
E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tomou uma espécie de
[50] anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.
SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.
Vocabulário do texto
baio: castanho, que tem a cor do ouro
estancieiro: proprietário de fazenda
O texto inicia-se da seguinte forma: "Há muitos anos...".
Analisando atentamente esse fragmento textual, pode-se afirmar que:
06
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