Questões de EFAF História
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Questão 11 14931536
ONHB 3 Fase 2025A memória, a história e o fogo
O incêndio do galpão da Cinemateca Brasileira, com quatro toneladas de acervo, mostra a importância de se preservar a cultura, independentemente de ideologias
Para liquidar os povos, começa-se por lhes tirar a memória. Destroem-se seus livros, sua cultura, sua história. E uma outra pessoa lhes escreve outros livros, lhes dá outra cultura e lhes inventa uma outra história.
Milan Kundera, O Livro do Riso e do Esquecimento
Memória e história podem e devem ser consideradas partes indissociáveis do longo fio que tece nossa malha cultural, nossa identidade. É a partir delas que nos estruturamos, seja como indivíduos, seja – de uma forma muito mais ampla – como país. Qualquer um que um dia perdeu fotos antigas ou um velho e importante filme gravado em super-8 ou sem querer deletou todo seu álbum de fotos no smartphone sabe a dor que dá. Era a história que se esvanecia, deixando para a memória a tarefa de trazer de volta, em reminiscências cada vez mais fluidas, o que não existe mais. Agora, imagine se perder, literalmente da noite para o dia, por mais que alertas tivessem sido dados, cerca de quatro toneladas de documentos e filmes históricos, parte essencial da memória cinematográfica brasileira. Pois foi exatamente isso o que aconteceu na noite do último dia 29 de julho, quando as chamas consumiram três salas – cerca de 300 metros quadrados – de um galpão da Cinemateca Brasileira, na Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo. Não, o fogo não queimou a sede da Cinemateca, na Vila Clementino, quase do outro lado da cidade, como chegou a se informar enquanto a fumaça subia. Isso importa? Por um lado, sim – afinal, o prédio continua lá, intacto e abandonado, como um símbolo em concreto da atual situação da cultura brasileira.

Localizado na Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo, galpão da Cinemateca incendiado no dia 29 de julho guardava material audiovisual produzido pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP - Foto: Fotos Públicas
Por outro lado, foi o nome “Cinemateca Brasileira” que ardeu naquela quinta-feira. Mais: foi um pedaço considerável de nossa memória e de nossa história audiovisual – fios indissociáveis, lembram? –, até da nossa memória afetiva pode-se afirmar, que queimou noite adentro. Naquele galpão estavam parte dos arquivos da falecida Embrafilme e do Instituto Nacional do Cinema, documentos e filmes de Glauber Rocha, parte do acervo de filmes nacionais e estrangeiros da Pandora Filmes, matrizes de cinejornais como o icônico Canal 100, filmes domésticos – mas não menos importantes para nossa história cultural – e uma parcela considerável do acervo da produção audiovisual, em 16 mm e 35 mm, de alunos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Todos os fogos, o fogo, escreveu o argentino Julio Cortázar. Todos os fogos, o fogo, ecoou pela Vila Leopoldina até o amanhecer.
(...)
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal eletrônico ORIGEM: Marcello Rollemberg. “A memória, a história e o fogo”. Jornal da USP, 04/08/2021. Disponível em: https://jornal.usp.br/cultura/a-memoria-a-historia-e-o-fogo/ CRÉDITOS: Marcello Rollemberg; Juliana Alves, Simone Gomes. PALAVRAS-CHAVE: museus, cinema
A partir da leitura do texto escolha uma das alternativas abaixo:
Questão 2 14931338
ONHB 3 Fase 2025Leia o tratado proposto por escravizados a Manuel da Silva Ferreira, durante o tempo em que se conservaram levantados.
Tratado proposto a Manuel da Silva Ferreira pelos seus escravos durante o tempo em que se conservaram levantados (c.1789)
Meu Senhor, nós queremos paz e não queremos guerra; se meu Senhor também quiser nossa paz há de ser nesta conformidade, se quiser estar pelo que nós quisermos a saber: Em cada semana nos há de dar os dias de sexta-feira e de sábado para trabalharmos para nós não tirando um destes dias por causa de dia santo.
Para podermos viver nos há de dar rede, tarrafa e canoas. Não nos há de obrigar a fazer camboas, nem a mariscar, e quando quiser fazer camboas e mariscar mandes os seus pretos Minas.
Para o seu sustento tenha lancha de pescaria ou canoas do alto, e quando quiser comer mariscos mande os seus pretos Minas. Faça uma barca grande para quando for para Bahia nós metermos as nossas cargas para não pagarmos fretes.
Na planta de mandioca, os homens queremos que só tenham tarefa de duas mãos e meia e as mulheres de duas mãos. A tarefa da farinha há de ser de cinco alqueires rasos, pondo arrancadores bastantes para estes servirem de pendurarem os tapetes.
A tarefa de cana há de ser de cinco mãos, e não de seis, e a dez canas em cada freixe (sic).
No barco há de pôr quatro varas, e um para o leme, e um no leme puxa muito para nós.
A madeira que se serrar com serra de mão embaixo hão de serrar três, e um em cima.
A medida de lenha há de ser como aqui se praticava, para cada medida um cortador, e uma mulher para carregadeira.
Os atuais feitores não os queremos, faça eleição de outros com nossa aprovação.
Nas moendas há de pôr quatro moedeiras, e duas guindas e uma carcanha.
Em cada uma caldeira há de haver botador de fogo, e em cada terno de faixas o mesmo, e no dia sábado há de haver irremediavelmente peija no Engenho.
Os martinheiros que andam na lancha além de camisa de baeta que se lhe dá, hão de ter gibão de baeta, e todo o vestuário necessário.
O canavial de Jabirú o iremos aproveitar por esta vez, e depois há de ficar para pasto porque não podemos andar tirando canas por entre mangues.
Poderemos plantar nosso arroz onde quisermos, e em qualquer brejo, sem que para isso peçamos licença, e poderemos cada um tirar jacarandás ou qualquer pau sem darmos parte para isso.
A estar por todos os artigos acima, e conceder-nos estar sempre de posse de ferramenta, estamos prontos para o servimos como dantes, porque não queremos seguir os maus costumes dos mais Engenhos.
Podemos brincar, folgar, e cantar em todos os tempos que quisermos sem que nos empeça (sic) e nem seja preciso licença.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Tratado ORIGEM: REIS, João José; SILVA, Eduardo. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, pp. 123-124. Disponível em: https://www.historia.uff.br/impressoesrebeldes/2022/wp-content/uploads/2013/07/SAN1789.1- Tratado-proposto-por-escravos.pdf. Acesso em: 23 fev. de 2025. CRÉDITOS: João José Reis, Eduardo Silva, Escravizados não identificados. GLOSSÁRIO: Camboa : cova aberta na beira do mar para que a água nela penetre e forme uma espécie de piscina que possa conter peixes miúdos.
Mariscar: colher ou retirar (mariscos) de algum lugar.
Guinda: altura (de um mastro ou mastaréu ou de um mastro completo), desde a linha de flutuação até o topo.
Carcanha: Sinônimo de Caicanha: Peixe teleósteo perciforme (Genyatremus luteus), da família dos hemulídeos, encontrado do Caribe às regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul (PR), com aproximadamente 33 cm de comprimento, corpo ovalado, dorso azulado e abdome amarelo levemente prateado; a nadadeira dorsal é espinhosa, escura, e tem acúleos prateados, enquanto as nadadeiras peitorais, ventrais e caudal são amareladas.
Peija: sinônimo de peia, cabo com que se amarra a carga para que se não desloque no navio.
Baeta: tecido felpudo, geralmente de lã pesada e grossa.
Gibão: antiga peça do vestuário masculino, usada por baixo do paletó, que envolve o corpo do pescoço à cintura.
Tarefa: refere-se à quantidade de trabalho e/ou de produto atribuída a uma pessoa. Nos dias atuais, tarefa é uma medida agrária, que varia conforme a região do país, de 2.500 a 4.356 a metros quadrados.
Tarrafa: pode ser uma rede para pescar ou um barco. PALAVRAS-CHAVE: resistência negra, história da escravidão, insurreições
O documento:
Questão 9 14930562
ONHB 2 Fase 2025Os documentos abaixo foram retirados da obra publicada no ano de 1671, “O mundo novo e desconhecido, ou descrição de americanos e sulistas”, na qual seu autor, o holandês Arnoldus Montanus, descreve regiões de todo o continente americano.
Observe a gravura e, em seguida, leia o trecho que a acompanha.
Descrição fantasiosa de animais da fauna brasileira

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Gravura ORIGEM: MONTANUS, Arnoldus. [Descrição fantasiosa de animais da fauna brasileira]. Amsterdã, 1671. Gravura em Metal, 31,4 x 20. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Disponível em: https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/23727/descricao-fantasiosa-deanimais-da-fauna-brasileira. Acesso em: 6 fev. 2025. CRÉDITOS: Arnoldus Montanus PALAVRAS-CHAVE: brasil colônia, fauna
O mundo novo e desconhecido, ou descrição de americanos e sulistas
Nessa ilha há também todos os tipos de macacos e símios, entre os quais há um muito notável, chamado The Zimme Cayon , todo peludo, com uma longa barba branca, rosto de homem velho, orelhas calvas, olhos pretos e cauda longa, que eles enrolam em um galho e, assim, pendurados, balançam-se de uma árvore para outra; são muito ferozes e também elusivos, se forem feridos por uma flecha, atacam o inimigo sem o menor medo; Quando sobem nas árvores, enchem a boca e as mãos de pedras para atirar nos viajantes e, se algum deles for ferido, todos os outros que estiverem por perto o ajudam e tapam o ferimento com folhas e coisas do gênero; os jovens se penduram nas costas de suas mães, que correm muito rápido com eles e pulam de uma árvore para outra
Juan Ardenois relata que os Coyons jogam certos jogos com os nativos por dinheiro e gastam o que ganham em bares.
Joseph de Acosta nos conta que um desses tipos de criaturas, ao ser enviado a uma taverna para tomar vinho, não se separava de seu dinheiro antes de encher o pote, que ele defendia dos meninos que se ofereciam para tomá-lo, atirando-lhes pedras; e, embora gostasse muito de vinho, sempre o levava para casa sem provar.
Não é menos maravilhoso o que Peter Martyr relata sobre uma dessas criaturas, a saber, que ao ver um sujeito pronto para disparar uma arma contra uma delas, antes que ele pudesse atirar, a mesma pulou da árvore e agarrou uma criança, segurando-a como um escudo diante de si.
(Texto adaptado, itálicos e nomes próprios mantidos do original)
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Excerto de Livro ORIGEM: Adaptado de: MONTANUS, Arnoldus. De nieuwe en onbekende weereld, of, Beschryving van America en ’t zuid-land : vervaetende d’oorsprong der Americaenen en zuid-landers, gedenkwaerdige togten derwaerds, gelegendheid der vaste kusten, eilanden, steden, sterkten, dorpen, tempels, bergen, fonteinen, stroomen, huisen, de natuur van beesten, boomen, planten en vreemde gewasschen, Gods-dienst en zeden, wonderlijke voorvallen, vereeuwde en nieuwe oorloogen : verciert met af-beeldsels na ’t leven in America gemaekt. [O mundo novo e desconhecido, ou descrição de americanos e sulistas, passeios memoráveis pelo mundo, validade das ilhas continentais, cidades, fortalezas, aldeias, templos, fontes de Berger, riachos, casas, a natureza dos animais, árvores, plantas e cultivo Colheitas, Deus]. Amsterdam: Jacob Meurs, 1671. Disponível em: http://archive.org/details/denieuweenonbeke00mont. Acesso em: 5 fev. 2025. CRÉDITOS: Arnoldus Montanus GLOSSÁRIO: Elusivo: que tende a esgueirar-se ou esquivar-se habilmente. PALAVRAS-CHAVE: brasil colônia, fauna
A partir da leitura dos documentos, escolha uma alternativa:
Questão 6 14929216
ONHB 1 Fase 2025Esta questão possui quatro alternativas. Há mais de uma resposta correta, mas cabe a sua equipe escolher qual alternativa considera como a mais adequada e selecioná-la.
Atenção: A prova pode ser salva em “rascunho”, mas não se esqueçam de confirmar as respostas até a data limite, clicando em “entregar a questão”. Após clicar em “entregar a questão” não será mais possível realizar alterações na questão.
Observe as propagandas veiculadas no jornal Correio Paulistano.
A TRAGÉDIA DOS CALVOS

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Propaganda ORIGEM: A TRAGÉDIA DOS CALVOS. Correio Paulistano (SP), São Paulo, 23 fev. 1936. p. 7. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=090972_08&pagfis=11274. Acesso em: 9 fev. 2025. CRÉDITOS: Correio Paulistano, Loção Brilhante PALAVRAS-CHAVE: propagandas, história da saúde
UM QUE PRECISA DE JABOO

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Propaganda ORIGEM: UM QUE PRECISA DE JABOO. Correio Paulistano (SP), São Paulo, 26 mai. 1937. p. 11. Disponível em: https://memoria.bn.gov.br/docreader/DocReader.aspx?bib=090972_08&pagfis=18527. Acesso em: 9 fev. 2025. CRÉDITOS: Correio Paulistano, Jaboo PALAVRAS-CHAVE: história da saúde, propagandas
As propagandas
Questão 6 15394361
Colégio Pedro II 2024Texto
ISMÁLIA
A felicidade do branco é plena
A felicidade do preto é quase
No fim das conta é tudo Ismália, Ismália
Ismália, Ismália
[5] Ismália, Ismália
Quis tocar o céu, mas terminou no chão
Ela quis ser chamada de morena
Que isso camufla o abismo entre si e a humanidade plena
A raiva insufla(1), pensa nesse esquema
[10] A ideia imunda, tudo inunda
A dor profunda é que todo mundo é meu tema
Apunhalado pelas costa
Esquartejado pelo imposto imposta
E como analgésico nós posta que
[15] Um dia vai tá nos conforme
Que um diploma é uma alforria
Minha cor não é uniforme
Hashtags #PretoNoTopo, bravo!
80 tiros te lembram que existe pele alva e pele alvo
[20] Quem disparou usava farda (Mais uma vez)
Primeiro cê sequestra eles, rouba eles, mente sobre eles
Nega o deus deles, ofende, separa eles
Se algum sonho ousa correr, cê para ele
E manda eles debater com a bala que vara eles, mano
[25] Quem disparou usava farda (Ismália)
Quem te acusou nem lá num tava (Ismália)
É a desunião dos preto junto à visão sagaz (Ismália)
De quem tem tudo, menos cor, onde a cor importa demais
VINICIUS LEONARD MOREIRA, RENAN SAMAM & EMICIDA. Disponível em: https://www.google.com.br. Acesso em: 24 ago. 2023. Adaptado.
VOCABULÁRIO
(1) Insufla: desperta; instiga.
A escravidão, na história do Brasil, foi um longo e doloroso período marcado por diferentes formas de tortura, tanto física quanto psicológica. Ao longo da letra do poema-canção (Texto II), recuperamse algumas práticas do período de escravidão como meio de forte denúncia contra o racismo covarde e cruel que ainda persiste em nosso tempo.
Os versos que representam a referência a esse passado histórico são:
Questão 31 15120227
IFES 2024Antes do tráfico atlântico de escravos, o continente africano já tinha sido afetado por várias migrações forçadas. [...] No entanto, nenhum [fluxo migratório] teve um custo humano tão alto quanto o tráfico atlântico, que vitimou cerca de 12 milhões de pessoas entre os séculos XVI e XIX, e disseminou violência e escravização no continente africano. [...]
Ao estimular guerras e a expansão territorial entre reinos rivais, o tráfico gerou um quadro de instabilidade sistêmica nas sociedades africanas. Ao expor os africanos a redes de comércio responsáveis pela introdução de armas, têxteis e álcool, alimentou a escravização por débito. Através de guerras, sequestros ou métodos judiciais, produziu escravização crônica e difusa.
FERREIRA, Roquinaldo. África durante o comércio negreiro. In: SCHWARCZ, Lilia M.; GOMES, Flávio (org.). Dicionário da escravidão e liberdade: 50 textos crí ticos. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 51-53. IN: BRAICK, Patrícia Ramos. Se liga na His tória. 7º ano. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2022.
Sobre o tráfico atlântico de africanos, estabelecido no período moderno, podemos afirmar que
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