Questões de EFAF História
Questão 25 10783584
Liceu-SP 2015Leia o texto a seguir para responder à questão:
SAUDADES DE SADDAM HUSSEIN
Clóvis Rossi
Ditaduras são sempre nefandas, nefastas, odiosas, horrorosas ou qualquer outro qualificativo diabólico que ocorra ao leitor.
Mas a carnificina em curso no Iraque obriga a reconhecer que elas afetam diretamente a sobrevivência física de um número menor de pessoas que situações de conflito agudo e prolongado pós-ditaduras.
É por isso que dá para supor que uma parcela talvez importante dos iraquianos esteja sentindo saudades do ditador Saddam Hussein, deposto pelos EUA em 2003. A ditadura era um horror, mas ao menos servia para manter congelado o conflito sectário entre sunitas e xiitas, que se tornou aberto após a sua deposição e vira agora uma tragédia em que se sucedem “execuções sumárias e assassinatos extrajudiciais”, como diz Navi Pallay, a comissária da ONU para Direitos Humanos.
Convém reafirmar que não estou dizendo que ditaduras podem ser melhores do que qualquer outra situação. Não são.
O problema é saber, primeiro, se há uma alternativa a elas em países em que há divisões étnico-religiosas como no Iraque. Para o meu gosto, a democracia seria uma alternativa — e foi com ela como suposta bandeira que o governo George Walker Bush decretou a invasão do Iraque há 11 anos.
Houve, então, um erro de origem: Washington dispensou a única legitimidade disponível no mercado (a aprovação da ONU) e se lançou a uma operação unilateral, com apoio de uns poucos aliados fiéis.
Resultado segundo Nabil Khoury, pesquisador-sênior de Oriente Médio e Segurança Nacional no Conselho de Assuntos Globais de Chicago, em artigo para a “Cairo Review of Global Affairs”:
“Uma coisa é clara: as metas dos Estados Unidos no Iraque não foram alcançadas, e quaisquer conquistas obtidas antes da saída das tropas em 2011 estão sendo agora desfeitas. Da elevada meta de 2003 de construir uma nação, estão de fato de pé uma Constituição e um sistema parlamentar. Entretanto, a reconciliação nacional ficou para trás e pode estar agora na iminência de um colapso”.
Culpar apenas os EUA é fácil, mas pode não ser o mais correto.
O que entra em questão no conflito iraquiano (e suas ramificações na Síria) é se países de maioria muçulmana são capazes de construir uma democracia ou se a única forma de conter os conflitos sectários é com a mão de ferro das ditaduras.
Para quem acredita na primeira hipótese, é desanimador ver o desenlace, por ora, das diferentes manifestações da Chamada Primavera Árabe, no Egito, na Síria, na Líbia.
Resta de pé apenas a Tunísia, país não só menos relevante no xadrez árabe-muçulmano como com uma história de tolerância religiosa mais estabelecida, mesmo durante a ditadura de Ben Ali.
O pior é que não se vê saída fácil para a crise iraquiana e já se fala no uso de drones, que tantas vítimas civis fizeram quando utilizados contra os talebans no Afeganistão, grupo que cortou os dedos de pelo menos 11 pessoas por estarem manchados da tinta que comprovava terem votado no domingo.
É um horror contra outro horror.
ROSSI, C. Saudades de Saddam Hussein. Folha de São Paulo, São Paulo, 17 jun. 2014. Caderno Mundo, p. A13.
O uso da expressão “Para o meu gosto”, no 5º parágrafo,
Questão 24 10783581
Liceu-SP 2015Leia o texto a seguir para responder à questão:
SAUDADES DE SADDAM HUSSEIN
Clóvis Rossi
Ditaduras são sempre nefandas, nefastas, odiosas, horrorosas ou qualquer outro qualificativo diabólico que ocorra ao leitor.
Mas a carnificina em curso no Iraque obriga a reconhecer que elas afetam diretamente a sobrevivência física de um número menor de pessoas que situações de conflito agudo e prolongado pós-ditaduras.
É por isso que dá para supor que uma parcela talvez importante dos iraquianos esteja sentindo saudades do ditador Saddam Hussein, deposto pelos EUA em 2003. A ditadura era um horror, mas ao menos servia para manter congelado o conflito sectário entre sunitas e xiitas, que se tornou aberto após a sua deposição e vira agora uma tragédia em que se sucedem “execuções sumárias e assassinatos extrajudiciais”, como diz Navi Pallay, a comissária da ONU para Direitos Humanos.
Convém reafirmar que não estou dizendo que ditaduras podem ser melhores do que qualquer outra situação. Não são.
O problema é saber, primeiro, se há uma alternativa a elas em países em que há divisões étnico-religiosas como no Iraque. Para o meu gosto, a democracia seria uma alternativa — e foi com ela como suposta bandeira que o governo George Walker Bush decretou a invasão do Iraque há 11 anos.
Houve, então, um erro de origem: Washington dispensou a única legitimidade disponível no mercado (a aprovação da ONU) e se lançou a uma operação unilateral, com apoio de uns poucos aliados fiéis.
Resultado segundo Nabil Khoury, pesquisador-sênior de Oriente Médio e Segurança Nacional no Conselho de Assuntos Globais de Chicago, em artigo para a “Cairo Review of Global Affairs”:
“Uma coisa é clara: as metas dos Estados Unidos no Iraque não foram alcançadas, e quaisquer conquistas obtidas antes da saída das tropas em 2011 estão sendo agora desfeitas. Da elevada meta de 2003 de construir uma nação, estão de fato de pé uma Constituição e um sistema parlamentar. Entretanto, a reconciliação nacional ficou para trás e pode estar agora na iminência de um colapso”.
Culpar apenas os EUA é fácil, mas pode não ser o mais correto.
O que entra em questão no conflito iraquiano (e suas ramificações na Síria) é se países de maioria muçulmana são capazes de construir uma democracia ou se a única forma de conter os conflitos sectários é com a mão de ferro das ditaduras.
Para quem acredita na primeira hipótese, é desanimador ver o desenlace, por ora, das diferentes manifestações da Chamada Primavera Árabe, no Egito, na Síria, na Líbia.
Resta de pé apenas a Tunísia, país não só menos relevante no xadrez árabe-muçulmano como com uma história de tolerância religiosa mais estabelecida, mesmo durante a ditadura de Ben Ali.
O pior é que não se vê saída fácil para a crise iraquiana e já se fala no uso de drones, que tantas vítimas civis fizeram quando utilizados contra os talebans no Afeganistão, grupo que cortou os dedos de pelo menos 11 pessoas por estarem manchados da tinta que comprovava terem votado no domingo.
É um horror contra outro horror.
ROSSI, C. Saudades de Saddam Hussein. Folha de São Paulo, São Paulo, 17 jun. 2014. Caderno Mundo, p. A13.
A citação do 8º parágrafo do texto
Questão 41 10772613
COLUNI/UFV 1° Dia 2015Leia o trecho a seguir para responder à questão:
“Percorrendo os corredores do supermercado onde normalmente fazemos compra, encontramos nosso invasor nas prateleiras, em embalagens práticas, simpáticos rótulos e imagens multinacionais. E com mil nomes diferentes: detergente White, amaciante Comfort, desodorante Feel Free, shampoo Johnson ́s, absorvente Care Free, creme dental Ultra Brite, e com eles toda uma sensação de que somos Dorys Day, Woody Allen, Mary Tyler Moore ou Jack Lemmon, fazendo compras em Chicago, San Francisco ou New York. Na sessão de alimentos e bebidas, a coisa muda um pouco, devido ao prestígio dos franceses e italianos no setor de vinhos, queijos e massas. Porém, prosseguindo a caminhada como alegres ladies of house, solidários husbands ou solitários singles, topamos com iogurtes Dan-up, balas Kid ́s, goma de mascar Freshen-up, pão Pullman ou Seven Boys, e Pepsi ou Sprite para os nossos lunchs”.
(ALVES, Júlia Falivene. In: MARQUES, Alencar; BERUTTI, Flávio, FARIA, Ricardo. Brasil: História em construção. Belo Horizonte: Ed. Lê, 1996, p.76.)
O trecho acima aborda questões referentes ao Brasil contemporâneo e tem a ver com uma política cultural empreendida entre os anos 1940 e 1950, relacionada ao contexto:
Questão 40 10772612
COLUNI/UFV 1° Dia 2015Uma das personagens do livro Corda Bamba, de Lygia Bojunga, é Barbuda, uma mulher que tem barba, e por isso virou atração de circo. O fascínio criado em torno de pessoas diferentes, como Barbuda, não é fruto só da ficção literária. No final do século XIX, no contexto do imperialismo, homens e mulheres considerados exóticos foram retirados de suas comunidades originais, principalmente da África e da Ásia, e foram levados para a Europa a fim de serem exibidos em exposições universais em países como a França, por exemplo.
Sobre o contexto imperialista e a relação entre os europeus (colonizadores) e os outros povos (colonizados), é INCORRETO afirmar que:
Questão 39 10772609
COLUNI/UFV 1° Dia 2015No início de 2014 foi realizada, na cidade de São Paulo, uma exposição chamada “Ocupação Zuzu”, em homenagem à estilista Zuleika Angel Jones (1921-1976). Mais conhecida como Zuzu Angel, ela se tornou famosa por sua luta empreendida em busca de seu filho Stuart Angel, que foi preso pelo regime militar em 1971, e nunca foi encontrado. Zuzu foi a primeira estilista do país a usar a brasilidade como temática para a moda, segundo sua visão de mundo. Fazia “vestidinhos com flor, pássaros, moda alegre e descontraída”, como ela dizia. No entanto, a partir do sumiço de seu filho, Zuzu começa a produzir roupas com outros bordados. Em 1971, foi convidada a lançar sua coleção na residência do cônsul de Nova York, e surpreendeu a todos com seu desfile. Em lugar das rendas e dos bordados de flores, frutos e borboletas, os vestidos exibiam silhuetas bélicas, pássaros engaiolados e balas de canhão disparadas contra anjos – o anjinho de sua grife.

(ZULEIKA. São Paulo: Itaú Cultural, ano 1, n.1, p.10-11, abr. 2014. Adaptado.)
A partir da leitura do texto, da interpretação da imagem acima e dos conhecimentos sobre o período militar (1964-1985), em questão, é CORRETO afirmar que:
Questão 37 10772607
COLUNI/UFV 1° Dia 2015O processo histórico político da República Brasileira passou por várias mudanças referentes à ampliação da cidadania política e dos direitos civis, ao longo do século XX.
Sobre essas conquistas, marque a alternativa CORRETA:
06
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