Questões de EFAF História - Temática
1.155 Questões
Questão 5 10724714
CMR 6° Ano - Português 2020TEXTO
BISA BIA, BISA BEL
[...]
A gente ia conversando e olhando os retratos. De repente eu vi um que era a coisa mais fofa
que você puder imaginar. Para começar, não era quadrado nem retangular, como os retratos que a
gente sempre vê. Era redondo, espichado. Oval, mamãe explicou depois, em forma de ovo. E não
era colorido nem preto-e-branco. Era marrom e bege clarinho. Mamãe disse que essa Cor de retrato
velho chamava sépia. E não ficava solto, que nem essas fotos que a gente tira e busca depois na
loja, num álbum pequeno ou dentro de um envelope. Nada disso. Esse retrato oval e sépia ficava
preso num cartão duro cinzento, todo enfeitado de flores e laços de papel mesmo, só que mais alto,
como se o papelão estivesse meio inchado naquele lugar - gostoso de ficar passando o dedo por
aquele cartão alto. E dentro disso tudo é que estava a fofura maior. Uma menininha linda, de cabelo
todo cacheado. Vestido claro cheio de fitas e rendas, segurando numa das mãos uma boneca de
chapéu e na outra uma espécie de pneu de bicicleta soltinho, sem bicicleta, nem raio, nem pedal, sei
lá, uma coisa parecida com um bambolê de metal.
– Ah, mãe, me dá essa bonequinha...
– Não é boneca, minha filha, é um retrato da vovó Beatriz.
– Ué, essa avó eu não conheço. Só conheço a vó Diná e a vó Ester. Tem outras, é?
– Tem, mas é minha. Vovó Beatriz. Sua bisavó...
– Minha bisavó Beatriz...
Fiquei olhando para o retrato e logo vi que não podia chamar de bisavó Beatriz aquela
menina fofa com jeito de boneca. Não tinha cara nenhuma de bisavó, vê lá... Dava vontade de
brincar com ela.
– Cadê a boneca da menina, mãe? E o bambolê? Que fim levou? Alguém guardou?
– Não. Isso tudo já faz muito tempo, se perdeu por aí. E não era bambolê...
– Pneu de bicicleta, já sei.
– Não, era um brinquedo antigo, que se empurrava pelo chão, rodando e equilibrando.
Chamava arco. Não é nem do meu tempo, é do tempo da vovó Beatriz. Sua bisavó... – minha mãe
ia respondendo com uma voz meio sonhadora,
– Minha Bisa V6... Minha Bisa Beatriz...
Acho que deve ter sido meio por aí que comecei a pensar nela como minha Bisa Bia. E queria
o retrato pra mim:
– Ah, mãe, me dá a foto, dá... É uma gracinha, parece uma boneca, dá pra mim...
– Não posso, minha filha. Pra que é que você quer isso? Você nem conheceu sua bisavó...
– Por isso mesmo, para eu ficar com ela para cima e para baixo, até conhecer bem. Levar
para a escola, para a praça, para a calçada, pra todo canto. Dá pra mim, dá...
O tom de voz da mamãe ficou mais firme:
– Não. É o único retrato que tenho dela, não posso dar.
Mas eu devo ter olhado com uma cara tão pidona que ela ficou com pena;
– Está bem. Dar, eu não dou, Mas empresto para você levar para a escola.
Quando eu já ia saindo aos pinotes com o retrato na mão, ela ainda recomendou:
– Mas muito cuidado, hem? Não suje o retrato, não amasse. E, principalmente, veja se não
larga por aí à toa... É a única foto de sua bisavó quando era pequena.
[...]
MACHADO, Ana Maria. Bisa Bia, Bisa Bel. Moderna, 2002. (Fragmento)
Assinale a alternativa que identifica o foco narrativo no fragmento do texto “Bisa Bia, Bisa Bel”.
Questão 4 10724710
CMR 6° Ano - Português 2020TEXTO
BISA BIA, BISA BEL
[...]
A gente ia conversando e olhando os retratos. De repente eu vi um que era a coisa mais fofa
que você puder imaginar. Para começar, não era quadrado nem retangular, como os retratos que a
gente sempre vê. Era redondo, espichado. Oval, mamãe explicou depois, em forma de ovo. E não
era colorido nem preto-e-branco. Era marrom e bege clarinho. Mamãe disse que essa Cor de retrato
velho chamava sépia. E não ficava solto, que nem essas fotos que a gente tira e busca depois na
loja, num álbum pequeno ou dentro de um envelope. Nada disso. Esse retrato oval e sépia ficava
preso num cartão duro cinzento, todo enfeitado de flores e laços de papel mesmo, só que mais alto,
como se o papelão estivesse meio inchado naquele lugar - gostoso de ficar passando o dedo por
aquele cartão alto. E dentro disso tudo é que estava a fofura maior. Uma menininha linda, de cabelo
todo cacheado. Vestido claro cheio de fitas e rendas, segurando numa das mãos uma boneca de
chapéu e na outra uma espécie de pneu de bicicleta soltinho, sem bicicleta, nem raio, nem pedal, sei
lá, uma coisa parecida com um bambolê de metal.
– Ah, mãe, me dá essa bonequinha...
– Não é boneca, minha filha, é um retrato da vovó Beatriz.
– Ué, essa avó eu não conheço. Só conheço a vó Diná e a vó Ester. Tem outras, é?
– Tem, mas é minha. Vovó Beatriz. Sua bisavó...
– Minha bisavó Beatriz...
Fiquei olhando para o retrato e logo vi que não podia chamar de bisavó Beatriz aquela
menina fofa com jeito de boneca. Não tinha cara nenhuma de bisavó, vê lá... Dava vontade de
brincar com ela.
– Cadê a boneca da menina, mãe? E o bambolê? Que fim levou? Alguém guardou?
– Não. Isso tudo já faz muito tempo, se perdeu por aí. E não era bambolê...
– Pneu de bicicleta, já sei.
– Não, era um brinquedo antigo, que se empurrava pelo chão, rodando e equilibrando.
Chamava arco. Não é nem do meu tempo, é do tempo da vovó Beatriz. Sua bisavó... – minha mãe
ia respondendo com uma voz meio sonhadora,
– Minha Bisa V6... Minha Bisa Beatriz...
Acho que deve ter sido meio por aí que comecei a pensar nela como minha Bisa Bia. E queria
o retrato pra mim:
– Ah, mãe, me dá a foto, dá... É uma gracinha, parece uma boneca, dá pra mim...
– Não posso, minha filha. Pra que é que você quer isso? Você nem conheceu sua bisavó...
– Por isso mesmo, para eu ficar com ela para cima e para baixo, até conhecer bem. Levar
para a escola, para a praça, para a calçada, pra todo canto. Dá pra mim, dá...
O tom de voz da mamãe ficou mais firme:
– Não. É o único retrato que tenho dela, não posso dar.
Mas eu devo ter olhado com uma cara tão pidona que ela ficou com pena;
– Está bem. Dar, eu não dou, Mas empresto para você levar para a escola.
Quando eu já ia saindo aos pinotes com o retrato na mão, ela ainda recomendou:
– Mas muito cuidado, hem? Não suje o retrato, não amasse. E, principalmente, veja se não
larga por aí à toa... É a única foto de sua bisavó quando era pequena.
[...]
MACHADO, Ana Maria. Bisa Bia, Bisa Bel. Moderna, 2002. (Fragmento)
No trecho "- Mas muito cuidado, hem? Não suje o retrato, não amasse. E, principalmente, veja se não larga por aí à toa...”, a fala da personagem representa cuidado, porque ela
Questão 3 10724709
CMR 6° Ano - Português 2020TEXTO
BISA BIA, BISA BEL
[...]
A gente ia conversando e olhando os retratos. De repente eu vi um que era a coisa mais fofa
que você puder imaginar. Para começar, não era quadrado nem retangular, como os retratos que a
gente sempre vê. Era redondo, espichado. Oval, mamãe explicou depois, em forma de ovo. E não
era colorido nem preto-e-branco. Era marrom e bege clarinho. Mamãe disse que essa Cor de retrato
velho chamava sépia. E não ficava solto, que nem essas fotos que a gente tira e busca depois na
loja, num álbum pequeno ou dentro de um envelope. Nada disso. Esse retrato oval e sépia ficava
preso num cartão duro cinzento, todo enfeitado de flores e laços de papel mesmo, só que mais alto,
como se o papelão estivesse meio inchado naquele lugar - gostoso de ficar passando o dedo por
aquele cartão alto. E dentro disso tudo é que estava a fofura maior. Uma menininha linda, de cabelo
todo cacheado. Vestido claro cheio de fitas e rendas, segurando numa das mãos uma boneca de
chapéu e na outra uma espécie de pneu de bicicleta soltinho, sem bicicleta, nem raio, nem pedal, sei
lá, uma coisa parecida com um bambolê de metal.
– Ah, mãe, me dá essa bonequinha...
– Não é boneca, minha filha, é um retrato da vovó Beatriz.
– Ué, essa avó eu não conheço. Só conheço a vó Diná e a vó Ester. Tem outras, é?
– Tem, mas é minha. Vovó Beatriz. Sua bisavó...
– Minha bisavó Beatriz...
Fiquei olhando para o retrato e logo vi que não podia chamar de bisavó Beatriz aquela
menina fofa com jeito de boneca. Não tinha cara nenhuma de bisavó, vê lá... Dava vontade de
brincar com ela.
– Cadê a boneca da menina, mãe? E o bambolê? Que fim levou? Alguém guardou?
– Não. Isso tudo já faz muito tempo, se perdeu por aí. E não era bambolê...
– Pneu de bicicleta, já sei.
– Não, era um brinquedo antigo, que se empurrava pelo chão, rodando e equilibrando.
Chamava arco. Não é nem do meu tempo, é do tempo da vovó Beatriz. Sua bisavó... – minha mãe
ia respondendo com uma voz meio sonhadora,
– Minha Bisa V6... Minha Bisa Beatriz...
Acho que deve ter sido meio por aí que comecei a pensar nela como minha Bisa Bia. E queria
o retrato pra mim:
– Ah, mãe, me dá a foto, dá... É uma gracinha, parece uma boneca, dá pra mim...
– Não posso, minha filha. Pra que é que você quer isso? Você nem conheceu sua bisavó...
– Por isso mesmo, para eu ficar com ela para cima e para baixo, até conhecer bem. Levar
para a escola, para a praça, para a calçada, pra todo canto. Dá pra mim, dá...
O tom de voz da mamãe ficou mais firme:
– Não. É o único retrato que tenho dela, não posso dar.
Mas eu devo ter olhado com uma cara tão pidona que ela ficou com pena;
– Está bem. Dar, eu não dou, Mas empresto para você levar para a escola.
Quando eu já ia saindo aos pinotes com o retrato na mão, ela ainda recomendou:
– Mas muito cuidado, hem? Não suje o retrato, não amasse. E, principalmente, veja se não
larga por aí à toa... É a única foto de sua bisavó quando era pequena.
[...]
MACHADO, Ana Maria. Bisa Bia, Bisa Bel. Moderna, 2002. (Fragmento)
Na frase “Vestido claro cheio de fitas e rendas, segurando numa das mãos uma boneca de chapéu e na outra uma espécie de pneu de bicicleta soltinho, sem bicicleta, nem raio, nem pedal, sei lá, uma coisa parecida com um bambolê de metal”, o fragmento em destaque descreve um brinquedo antigo.
Assinale a alternativa que corresponde ao nome desse objeto,
Questão 2 10724706
CMR 6° Ano - Português 2020TEXTO
BISA BIA, BISA BEL
[...]
A gente ia conversando e olhando os retratos. De repente eu vi um que era a coisa mais fofa
que você puder imaginar. Para começar, não era quadrado nem retangular, como os retratos que a
gente sempre vê. Era redondo, espichado. Oval, mamãe explicou depois, em forma de ovo. E não
era colorido nem preto-e-branco. Era marrom e bege clarinho. Mamãe disse que essa Cor de retrato
velho chamava sépia. E não ficava solto, que nem essas fotos que a gente tira e busca depois na
loja, num álbum pequeno ou dentro de um envelope. Nada disso. Esse retrato oval e sépia ficava
preso num cartão duro cinzento, todo enfeitado de flores e laços de papel mesmo, só que mais alto,
como se o papelão estivesse meio inchado naquele lugar - gostoso de ficar passando o dedo por
aquele cartão alto. E dentro disso tudo é que estava a fofura maior. Uma menininha linda, de cabelo
todo cacheado. Vestido claro cheio de fitas e rendas, segurando numa das mãos uma boneca de
chapéu e na outra uma espécie de pneu de bicicleta soltinho, sem bicicleta, nem raio, nem pedal, sei
lá, uma coisa parecida com um bambolê de metal.
– Ah, mãe, me dá essa bonequinha...
– Não é boneca, minha filha, é um retrato da vovó Beatriz.
– Ué, essa avó eu não conheço. Só conheço a vó Diná e a vó Ester. Tem outras, é?
– Tem, mas é minha. Vovó Beatriz. Sua bisavó...
– Minha bisavó Beatriz...
Fiquei olhando para o retrato e logo vi que não podia chamar de bisavó Beatriz aquela
menina fofa com jeito de boneca. Não tinha cara nenhuma de bisavó, vê lá... Dava vontade de
brincar com ela.
– Cadê a boneca da menina, mãe? E o bambolê? Que fim levou? Alguém guardou?
– Não. Isso tudo já faz muito tempo, se perdeu por aí. E não era bambolê...
– Pneu de bicicleta, já sei.
– Não, era um brinquedo antigo, que se empurrava pelo chão, rodando e equilibrando.
Chamava arco. Não é nem do meu tempo, é do tempo da vovó Beatriz. Sua bisavó... – minha mãe
ia respondendo com uma voz meio sonhadora,
– Minha Bisa V6... Minha Bisa Beatriz...
Acho que deve ter sido meio por aí que comecei a pensar nela como minha Bisa Bia. E queria
o retrato pra mim:
– Ah, mãe, me dá a foto, dá... É uma gracinha, parece uma boneca, dá pra mim...
– Não posso, minha filha. Pra que é que você quer isso? Você nem conheceu sua bisavó...
– Por isso mesmo, para eu ficar com ela para cima e para baixo, até conhecer bem. Levar
para a escola, para a praça, para a calçada, pra todo canto. Dá pra mim, dá...
O tom de voz da mamãe ficou mais firme:
– Não. É o único retrato que tenho dela, não posso dar.
Mas eu devo ter olhado com uma cara tão pidona que ela ficou com pena;
– Está bem. Dar, eu não dou, Mas empresto para você levar para a escola.
Quando eu já ia saindo aos pinotes com o retrato na mão, ela ainda recomendou:
– Mas muito cuidado, hem? Não suje o retrato, não amasse. E, principalmente, veja se não
larga por aí à toa... É a única foto de sua bisavó quando era pequena.
[...]
MACHADO, Ana Maria. Bisa Bia, Bisa Bel. Moderna, 2002. (Fragmento)
No fragmento “Mas eu devo ter olhado com uma cara tão pidona que ela ficou com pena”, o trecho em destaque atesta que a mãe
Questão 1 10724698
CMR 6° Ano - Português 2020TEXTO
BISA BIA, BISA BEL
[...]
A gente ia conversando e olhando os retratos. De repente eu vi um que era a coisa mais fofa
que você puder imaginar. Para começar, não era quadrado nem retangular, como os retratos que a
gente sempre vê. Era redondo, espichado. Oval, mamãe explicou depois, em forma de ovo. E não
era colorido nem preto-e-branco. Era marrom e bege clarinho. Mamãe disse que essa Cor de retrato
velho chamava sépia. E não ficava solto, que nem essas fotos que a gente tira e busca depois na
loja, num álbum pequeno ou dentro de um envelope. Nada disso. Esse retrato oval e sépia ficava
preso num cartão duro cinzento, todo enfeitado de flores e laços de papel mesmo, só que mais alto,
como se o papelão estivesse meio inchado naquele lugar - gostoso de ficar passando o dedo por
aquele cartão alto. E dentro disso tudo é que estava a fofura maior. Uma menininha linda, de cabelo
todo cacheado. Vestido claro cheio de fitas e rendas, segurando numa das mãos uma boneca de
chapéu e na outra uma espécie de pneu de bicicleta soltinho, sem bicicleta, nem raio, nem pedal, sei
lá, uma coisa parecida com um bambolê de metal.
– Ah, mãe, me dá essa bonequinha...
– Não é boneca, minha filha, é um retrato da vovó Beatriz.
– Ué, essa avó eu não conheço. Só conheço a vó Diná e a vó Ester. Tem outras, é?
– Tem, mas é minha. Vovó Beatriz. Sua bisavó...
– Minha bisavó Beatriz...
Fiquei olhando para o retrato e logo vi que não podia chamar de bisavó Beatriz aquela
menina fofa com jeito de boneca. Não tinha cara nenhuma de bisavó, vê lá... Dava vontade de
brincar com ela.
– Cadê a boneca da menina, mãe? E o bambolê? Que fim levou? Alguém guardou?
– Não. Isso tudo já faz muito tempo, se perdeu por aí. E não era bambolê...
– Pneu de bicicleta, já sei.
– Não, era um brinquedo antigo, que se empurrava pelo chão, rodando e equilibrando.
Chamava arco. Não é nem do meu tempo, é do tempo da vovó Beatriz. Sua bisavó... – minha mãe
ia respondendo com uma voz meio sonhadora,
– Minha Bisa V6... Minha Bisa Beatriz...
Acho que deve ter sido meio por aí que comecei a pensar nela como minha Bisa Bia. E queria
o retrato pra mim:
– Ah, mãe, me dá a foto, dá... É uma gracinha, parece uma boneca, dá pra mim...
– Não posso, minha filha. Pra que é que você quer isso? Você nem conheceu sua bisavó...
– Por isso mesmo, para eu ficar com ela para cima e para baixo, até conhecer bem. Levar
para a escola, para a praça, para a calçada, pra todo canto. Dá pra mim, dá...
O tom de voz da mamãe ficou mais firme:
– Não. É o único retrato que tenho dela, não posso dar.
Mas eu devo ter olhado com uma cara tão pidona que ela ficou com pena;
– Está bem. Dar, eu não dou, Mas empresto para você levar para a escola.
Quando eu já ia saindo aos pinotes com o retrato na mão, ela ainda recomendou:
– Mas muito cuidado, hem? Não suje o retrato, não amasse. E, principalmente, veja se não
larga por aí à toa... É a única foto de sua bisavó quando era pequena.
[...]
MACHADO, Ana Maria. Bisa Bia, Bisa Bel. Moderna, 2002. (Fragmento)
No trecho “De repente eu vi um que era a coisa mais fofa que você puder imaginar. Para começar, não era quadrado nem retangular, como os retratos que a gente sempre vê”, percebemos que a menina
Questão 4 10723823
CMRJ 6° Ano - Português 2020Texto

Imagem disponível em: LOBATO, Monteiro.
História das invenções. São Paulo, SP: Círculo do Livro.
História das invenções
Dona Benta costumava receber livros novos, de ciências, de arte, de literatura. Era o tipo da
velhinha novidadeira. Bem dizia o compadre Teodorico: "Dona Benta parece velha, mas não é, tem o
espírito mais moço que o de jovens de vinte anos".
Assim foi que naquele bolorento mês de fevereiro, em que era impossível botar o nariz fora
[5] de casa, de tanto que chovia, resolveu contar aos meninos um dos últimos livros chegados.
— Tenho aqui um livro de Hendrik Van Loon — disse ela —, um sábio americano, autor de
coisas muito interessantes. Ele sai dos caminhos por onde todo mundo anda e fala das ciências dum
modo que tudo vira romance, de tão atrativo. Já li para vocês a geografia que ele escreveu e agora
vou ler este último livro — História das invenções do homem, o fazedor de milagres.
[10] Era um livro grosso, de capa preta, cheio de desenhos feitos pelo próprio autor. Desenhos
não muito bons, mas que serviam para acentuar suas ideias.
— E quando começa? — quis saber Narizinho.
— Hoje mesmo, no serão. Podemos começar logo depois do rádio.
— Comece, vovó! — disse Pedrinho. E Dona Benta começou.
[15] — Este livro não é para crianças — disse ela; — mas se eu ler do meu modo, vocês
entenderão tudo. Não tenham receio de me interromperem com perguntas, sempre que houver
qualquer coisa obscura. Aqui está o prefácio. . .
— Que é prefácio? — perguntou Emília.
— São palavras explicativas que certos autores põem no começo do livro para esclarecer os
[20] leitores sobre as suas intenções. O prefácio pode ser escrito pelo próprio autor ou por outra pessoa
qualquer. Neste prefácio o Senhor Van Loon diz que antigamente tudo era muito simples. . .
— Tudo o quê? — interrompeu Pedrinho. — A explicação das coisas do mundo. A Terra
formava o centro do universo. O céu era uma abóbada de cristal azul onde à noite os anjos abriam
buraquinhos para espiar. Esses buraquinhos formavam as estrelas. Tudo muito simples.
[25] Mas depois as coisas se complicaram. Um sábio da Polônia, de nome Nicolau Copérnico,
publicou um livro no qual provava que a Terra não era fixa, pois girava em redor do Sol, e as estrelas
não eram brinquedinhos dos anjos, sim sóis imensos, em redor dos quais giravam milhões de terras
como a nossa.
Isso veio causar uma grande trapalhada nas ideias assentes, isto é, nas ideias que estavam na
[30] cabeça de todo mundo — e por um triz não queimaram vivo a esse homem. Afinal a sua ideia
venceu e hoje ninguém pensa de outra maneira.
A astronomia, que é a ciência que estuda os astros, tomou um grande desenvolvimento. Os
astrônomos foram descobrindo coisas e mais coisas, chegando à perfeição de medir a distância dum
astro a outro, e pesar a massa desses astros. As distâncias entre os astros eram tão grandes que as
[35] nossas medidas comuns se tornaram insuficientes. Foi preciso criar medidas novas — medidas
astronômicas.
— Por quê? — perguntou Narizinho. — Com o quilômetro a gente pode medir qualquer
distância. É só ir botando zeros e mais zeros.
— Parece, minha filha. As distâncias entre os astros são tamanhas que para medi-las com
[40] quilômetros seria necessário usar carroçadas de zeros, de maneira que não haveria papel que
chegasse. E então os astrônomos inventaram o "metro astronômico", ou a "unidade astronômica",
que é como eles dizem. Essa unidade, esse metro tinha 92 900 000 milhas.
— Que colosso, vovó! Eu acho que fizeram um metro grande demais. . .
— Pois está muito enganada, minha filha. As distâncias entre a Terra e as novas estrelas, que
[45] com os modernos telescópios foram sendo descobertas, acabaram deixando essa medida pequena. E
então o astrônomo Michelson propôs outra medida: o ano-luz.
— Cáspite!
— Pois bem, isto que os astrônomos fizeram para os astros, outros homens de ciência
fizeram para o contrário dos astros, isto é, para as moléculas e átomos, que são coisinhas
[50] infinitamente pequenas. Chegaram a medir átomos que têm o tamanhinho de uma trilionésima parte
de milímetro.
— Será possível? Um milímetro já é uma isca que a gente mal percebe. . .
— Ora, neste livro o Senhor Van Loon trata de mostrar como esse bichinho homem, que já foi
peludo e andava de quatro, chegou a desenvolver seu cérebro a ponto de medir a distância entre os
[55] astros e a calcular o tamanho dos átomos.
— Como foi isso?
— Inventando coisas. O homem é um grande inventor de coisas, e a história do homem na
Terra não passa da história das suas invenções com todas as consequências que elas trouxeram para
a vida humana. É mais ou menos isto o que Van Loon diz neste prefácio. Vamos agora ver o capítulo
[60] número 1.
— Depois da pipoca, vovó! — gritou Narizinho farejando o ar.
De fato: da cozinha vinha para a sala o cheiro das pipocas que Tia Nastácia estava
rebentando. Pipocas à noite foi coisa que nunca faltou no sítio de Dona Benta.
Adaptado de: LOBATO, Monteiro.
História das invenções. São Paulo, SP: Círculo do Livro.
“Desenhos não muito bons, mas que serviam para acentuar suas ideias.” (l.10 e 11)
Assinale a opção cujo par de palavras melhor substitui a palavra em destaque no trecho acima:
06
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