Questões de EFAF História
7.715 Questões
Questão 8 14946692
ONHB Fase 3 2020A materialidade da repressão à guerrilha do Araguaia
Narrando suas cinco prisões, o camponês João Crisóstomo explica que em Xambioá ”Chegou um cara com pá, picareta e enxada e botou a gente para cavar buraco. Chegou outro com duas carteiras de cigarro e fósforo. Fiquei mais aliviado. ‘Cava direitinho, porque vocês vão ficar aí dentro’, disse um soldado. Às onze horas, o buraco estava pronto. Não era pra gente” O lixo dos buracos, cavar buracos como castigo, o enterro em buracos, a tortura em buracos, a prisão no buraco, esconder-se em buracos e a ameaça velada que o cavar ganhou no contexto da base alteraram a topografia local. (...)
(…) São várias as referências a prisões em larga e pequena escala nas bases de Bacaba e Xambioá e o encarceramento de pessoas em buracos (valas) fechadas com grades de ferro. Tudo isso dá fisicalidade à existência de espaços e estratégias negadas por muito tempo pelos militares enquanto “invenção da esquerda”
Cada uma destas bases militares (...) era um elemento sólido da paisagem e carregava seu próprio microuniverso de terror – o da base de Xambioá com os buracos. (...)
(...) toda a paisagem da repressão, incluindo todas as bases militares, guerrilheiras e todas as povoações, formam uma paisagem de terror (terrorscape), lugar de memória para o qual converge a violência perpetrada pelo Estado. (...)
A paisagem das estratégias de terrorismo de Estado que gestaram a repressão ocorrida no Araguaia solidificou-se, assim, através da incerteza carregada pelas mudanças e pelas novidades introduzidas, parte de novos sistemas que discreta (eletricidade) ou obviamente (granadas e armas automáticas) causaram receio e medo. Os novos objetos trazidos pelo sistema de abastecimento militar, carregados e descartados por soldados por toda a região, no âmbito da modernidade autoritária, chegavam com o receio comum das inovações tecnológicas enquanto elemento que vem de fora. Aqui, essas inovações foram potencializadas pelas frentes de expansão e pela repressão, que correram juntas, impondo novos objetos (enlatados), vocabulário (terroristas) e pessoas (militares). São estas manifestações o lado mais obscuro e nefasto da modernidade dos anos de 1960 e 1980 no Brasil. O regime militar estimulou a vinda e estabelecimento de novidades que compunham sistemas tecnológicos que destruíram, controlaram e desapareceram, forçadamente ou de modo indireto, com a floresta que se erguia intransponível entre o Estado e a resistência, com modos de vida considerados atrasados e primitivos, e com pessoas de repente consideradas perigosas ou indesejadas, em seus tempos históricos distintos.
Os rumores, a propaganda antiguerrilha, as torturas, desaparecimentos e os atos indizíveis e inexplicáveis que eram parte da repressão talharam direitos mínimos de liberdade: o medo de não ter o que comer, de não obter bens básicos a saúde, frente à desigualdade dos efetivos militares que tinham acesso a bens supérfluos e de lazer e a itens considerados de tecnologia de ponta para época; o medo do amigo e do conhecido, a desconfiança e a quebra dos laços de amizade que sustentavam tramas de apoio mútuo, material e emocional; o medo dos buracos onde se era jogado o lixo (ou com o lixo), descartado o que não tinha valor, associados às punições iminentes, se não de si, daqueles a quem se queria bem, uma forma de disciplina enfiada goela abaixo que determinava onde caminhar, o que falar, com quem falar, como se portar, onde ir, o que comer e inclusive quando e como morrer. (...)
No escopo de uma política de terror implementada como mecanismo que materializou uma paisagem que era a própria premissa da doutrina de segurança nacional, o medo e o silêncio imperaram inseparáveis, seja enquanto defesa às ameaças a vida, seja como recurso utilizado pelas Forças Armadas para isolar a população dos guerrilheiros. As estratégias que impunham medo (...) culminaram em um estado de constante alerta, no qual todos eram suspeitos, todos, portanto, passíveis de serem levados às bases em Marabá, Bacaba ou Xambioá, de serem mortos, terem seus corpos profanados ou desaparecerem. A paisagem no Araguaia é, portanto, tanatopolítica , articulando morte, destruição e ocultamento, expressos em narrativas e nos complexos arranjos materiais associados à violência do autoritarismo.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: SOUZA, Rafael de Abreu e. A materialidade da repressão à guerrilha do Araguaia e do terrorismo de Estado no Bico do Papagaio, TO/PA: noite e nevoeiro na Amazônia . Tese de doutorado. São Paulo: Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, 2019, pp. 345-348. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/71/71131/tde-02102019-152549/pt-br.php [https://teses.usp.br/teses/disponiveis/71/71131/tde-02102019-152549/pt-br.php] https://teses.usp.br/teses/disponiveis/71/71131/tde-02102019-152549/pt-br.php CRÉDITOS: Rafael de Abreu e Souza GLOSSÁRIO: Tanatopolítica: “Por definição, tanatopolítica significa ’política da morte’ (...) a tanatopolítica gerencia de forma instrumental (e útil) a morte de pessoas e até grupos sociais considerados indesejáveis ou prejudiciais para uma sociedade ou grupo social. (...)”. Para saber mais: Ricardo Machado – “A produção de violência e morte em larga escala: da biopolítica à tanatopolítica”. Revista do Instituto Humanistas Unisinos, edição 521, 07 de maio de 2018. Disponível em: https://tinyurl.com/y2rfwnkh [https://tinyurl.com/y2rfwnkh] https://tinyurl.com/y2rfwnkh PALAVRAS-CHAVE: violência, tocantins, ditadura civil-militar
Sobre o texto e os eventos por ele mencionados, é correto afirmar:
Questão 6 14946671
ONHB Fase 3 2020Diário do Maranhão, 24 de maio de 1874
“(...) Hontem o Maranhão quem conduzio meio Maranhão para
Alcantara.
Entenda-se, que foi o vapor Maranhão quem conduzio muito
povileo desta cidade de S. Luiz do Maranhão para a poetica
cidade de Alcantara.
É uma festa de arromba, a que já um anno assistimos em
companhia de nossa velha mãe.
(...)
Trepamos pelo Jacaré acima e ao chegar ás Mercez, a essas
ruinas, topamos com uma procissão que se preparava a seguir
para o largo cujo nome não nos lembra agora de repente.
Um páo enorme descançava ao longo da rua, liado por
cordas a que prendiam outros tantos páos como os de carregar
pipas.
Muitos devotos estavam promptos a meter o hombro ao santo
mastro, e com effeito, no meio de uma algazarra infernal
suspenderam o cujo e pozeram se a caminho.
O tal páo era carregado por uns, porem outros, ou por maior
devoção ou antes por mais espertos iam em cima delle.
A marcha rompeu ao som dos infernaes tambores e umas
cantigas n’uma toada mesmo sem tom nem som.
No lugar proprio, la foi o pao para o ar com applauso do povo
tabaréo de todas as classes e categorias.
No dia seguinte levaram-no a casa do juiz, não senhor, do
imperador:
Ora o imperante, quasi sempre escolhe para seu palacio uma
d’aquellas grandes e antigas casas, reliquias preciosas de uma
grandeza, que se evaporou, e de que restam apenas esses
monumentos semi carcomidos e prestes a desabar.
Entremos no alcacer.
Nada de extraordinario no vestibulo do sanctuario.
Vestigio de que as aranhas, suas vetustas habitadoras
exercem tranquillas a sua industria, é o que se vê.
Uma sala de banquetes, em que pesada mesa com uma especie
de castello ao centro, regorgitava de tudo em que se pode
misturar assucar, contido em chicaras, pires, pratos,
covilhetes, compoteiras e etc. etc.
Penetremos no sancto-sanctorum:
Um altar e dois thronos: n’um destes esta sua magestade
mascolina, no outro a ella do imperador.
Os tambores rufam, as caixeiras se requebram e as bandeiras
ondulam, e todos se misturam, fervilham redomoinham e se
confundem perante o throno das magestosas magestades
desse dia, as quaes no alto do solio empunhão um sceptro de
páo dourado.
Mudam-se as scenas:
As magestades descem à rua, a sua corte as acompanha, e o
povo, seus subditos fieis ahi estão fazendo-lhes as honras
devidas.
Na frente, como nas procissões aqui da cidade, vão os foguetes
e os moleques, parte integrante de todas as solemnidades.
Algumas negrinhas enfeitadas seguem após com as bandeiras
do Divino.
Acto continuo porção de pretas e molatas velhas e algumas
moças, mas já estragadas pelo tempo (...), rufam, a compasso
descompassado e terrivel, tantas caixas de guerra quantas são
as taes caixeiras.
Estas cujas e muitas gente mais entoa em som monotono uma
espécie de
Á á á á, é é é..... é é é ..... ou cousa que o valha.
Sua magestade veste uma farda, que foi de presidente ou
capitão general, cujas abas lhe dão nos calcanhares, manto de
arminho e etcetera e cousas.
Um general lhe leva a espada, e mais outros personagens, que
compõem sua imperial corte, tomam parte no prestito, que lá
vai para a igreja.
(...)
Lá entra no templo toda esta cousa descripta: cada qual a seu
lugar; este se assenta se tem onde, aquelle se ajoelha, outros
ficam de pé.
As caixas e as caixeiras, as bandeiras e as bandeirantes,
dançam, tocam, vão, vem, avançam e recuam em
cumprimentos e genuflexões, até que aquietados toma a
palavra o sacerdote.
Começa o acto religioso e termina na paz do Senhor.
Segue a passeata, volta a[o] palacio, e, lá dentro, agora o verás.
O que está no palacio de sua magestade diz-se que é do povo
porque é com os tributos lançados ao povo e cobrados a som de
caixa que se faz a festança.
(...)
Á noite, dança se do fino em casa do juiz, e a infantaria por
aqui e por ali faz o mesmo.
(...)
São estes os prazeres, amáveis leitoras, que está gozando a
gente que foi no vapor, e do que estamos privados por causa
desse maldito folhetim.
(...)
Temos hoje o Espirito Santo por toda a parte.”
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: Diário do Maranhão - Jornal do Commercio, Lavoura e Indústria, 24 de maio de 1874. Anno V, No. 243, pp. 1. Memória BN. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=720011&pagfis=3536 [http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=720011&PagFis=0] http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=720011&pagfis=3536 CRÉDITOS: Diário do Maranhão GLOSSÁRIO: Povileo: Poviléu, povoléu; a classe social mais baixa.
Páo/Pao: pau, mastro.
Liado: o mesmo que ligado.
Pipas: vasilha de madeira, de grandes dimensões, para vinho; azeite etc.
Tabareo: tabaréu; soldado ou recruta sem experiência, confuso, incompetente; pessoa simples, do
campo, simplória.
Carcomidos: podres, deteriorados.
Alcacer: alcácer; palácio afortalezado; mansão; residência régia.
Vetustas: antigas, de longa data.
Covilhetes: pratinho chato de louça vidrada próprio para doce.
Sceptro: Cetro; bastão curto que é uma das insígnias do poder soberano.
Solio: Sólio; trono, assento real.
Préstito: procissão; desfile; acompanhamento. PALAVRAS-CHAVE: festas populares, maranhão
Sobre o documento apresentado, assinale a alternativa mais adequada
Questão 5 14946665
ONHB Fase 3 2020Emenda Constitucional nº1, de 17 de outubro de 1969
“Art. 153
§ 8º É livre a manifestação de pensamento, de convicção
política ou filosófica, bem como a prestação de informação
independentemente de censura, salvo quanto a diversões e
espetáculos públicos, respondendo cada um, nos têrmos da lei,
pelos abusos que cometer. É assegurado o direito de resposta.
A publicação de livros, jornais e periódicos não depende de
licença da autoridade. Não serão, porém, toleradas a
propaganda de guerra, de subversão da ordem ou de
preconceitos de religião, de raça ou de classe, e as publicações e exteriorizações contrárias à moral e aos bons costumes.”
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Documento legal ORIGEM: Augusto Hamann Rademaker Grünewald; Aurélio de Lyra Tavares; Márcio de Souza e Mello. Presidência da República, Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos. Emenda Constitucional nº1, de 17 de outubro de 1969. Disponível em: https://tinyurl.com/y4k6xabl [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ Emendas/Emc_anterior1988/emc01-69.htm] https://tinyurl.com/y4k6xabl CRÉDITOS: Augusto Hamann Rademaker Grünewald; Aurélio de Lyra Tavares; Márcio de Souza e Mello PALAVRAS-CHAVE: legislação, brasil, ditadura civil-militar
Decreto-lei nº 1.077, de 26 de janeiro de 1970
“O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe
confere o artigo 55, inciso I da Constituição e
CONSIDERANDO que a Constituição da República, no artigo
153, § 8º dispõe que não serão toleradas as publicações e
exteriorizações contrárias à moral e aos costumes;
CONSIDERANDO que essa norma visa a proteger a instituição
da família, preservar-lhe os valôres éticos e assegurar a
formação sadia e digna da mocidade;
CONSIDERANDO, todavia, que algumas revistas fazem
publicações obscenas e canais de televisão executam
programas contrários à moral e aos bons costumes;
CONSIDERANDO que se tem generalizado a divulgação de
livros que ofendem frontalmente à moral comum;
CONSIDERANDO que tais publicações e exteriorizações
estimulam a licença, insinuam o amor livre e ameaçam
destruir os valores morais da sociedade Brasileira;
CONSIDERANDO que o emprêgo dêsses meios de comunicação
obedece a um plano subversivo, que põe em risco a segurança
nacional.
DECRETA:
Art. 1º Não serão toleradas as publicações e exteriorizações
contrárias à moral e aos bons costumes quaisquer que sejam
os meios de comunicação.
Art. 2º Caberá ao Ministério da Justiça, através do
Departamento de Polícia Federal verificar, quando julgar
necessário, antes da divulgação de livros e periódicos, a
existência de matéria infringente da proibição enunciada no
artigo anterior.
Parágrafo único. O Ministro da Justiça fixará, por meio de
portaria, o modo e a forma da verificação prevista neste artigo.
Art. 3º Verificada a existência de matéria ofensiva à moral e
aos bons costumes, o Ministro da Justiça proibirá a divulgação
da publicação e determinará a busca e a apreensão de todos os
seus exemplares.
Art. 4º As publicações vindas do estrangeiro e destinadas à
distribuição ou venda no Brasil também ficarão sujeitas,
quando de sua entrada no país, à verificação estabelecida na
forma do artigo 2º dêste Decreto-lei.”
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Documento legal ORIGEM: Emílio G. Médici; Alfredo Buzaid. Decreto-lei nº 1.077, de 26 de janeiro de 1970. Coleção de Leis do Brasil - 1970, Página 10 Vol. 1 (Publicação Original). Disponível em: https://tinyurl.com/yxehysdv [https://www2.camara.leg.br/legin/fed/declei/1970-1979/decreto-lei-1077-26- janeiro-1970-355732-publicacaooriginal-1-pe.html] https://tinyurl.com/yxehysdv CRÉDITOS: Emílio G. Médici; Alfredo Buzaid PALAVRAS-CHAVE: ditadura civil-militar, legislação, brasil
Com base nos documentos produzidos durante a ditadura civil-militar no Brasil e os temas por eles tratados, assinale a alternativa mais adequada.
Questão 4 14946629
ONHB Fase 3 2020O Almirante José Carlos de Carvalho, o Dr. Octavio Costa Marques e grupo em visita ao Forte do Príncipe da Beira, 1913]

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Fotografia ORIGEM: Alfredo Clímaco de Carvalho. O Almirante José Carlos de Carvalho, o Dr. Octavio Costa Marques e grupo em visita ao Forte do Príncipe da Beira, 6/07/1913. Costa Marques, Rondônia / Acervo DPHDM. CRÉDITOS: Alfredo Clímaco de Carvalho TÉCNICA: Fotografia PALAVRAS-CHAVE: rondônia, patrimônio
O Almirante José Carlos de Carvalho e grupo em frente ao frontão principal do Forte do Príncipe da Beira, 1913

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Fotografia ORIGEM: Alfredo Clímaco de Carvalho. O Almirante José Carlos de Carvalho e grupo em frente ao frontão principal do Forte do Príncipe da Beira, 6/07/1913. Costa Marques, Rondônia / Acervo DPHDM CRÉDITOS: Alfredo Clímaco de Carvalho TÉCNICA: Fotografia PALAVRAS-CHAVE: rondônia, patrimônio
Sobre as fotografias, o Real Forte do Príncipe da Beira e a expedição realizada até ele em 1913, escolha a melhor alternativa.
Questão 3 14946584
ONHB Fase 3 2020Os trechos de um poema de Cecília Meireles musicados por Sueli Costa falam da Sedição de Vila Rica, em 28 de junho de 1720, revolta contra a Coroa portuguesa que teve entre seus líderes Felipe do Santos, que pertencia às camadas populares. Leia esses trechos de ”Dorme, Meu Menino, Dorme”
Dorme, Meu Menino, Dorme
Dorme, meu menino, dorme...
Que o mundo vai se acabar
Vieram cavalos de fogo
São do Conde de Assumar
Pelo Arraial de Ouro Podre
Começa o incêndio a lavrar
Dorme, meu menino, dorme...
Dorme e não queiras sonhar
Morreu Felipe dos Santos e,
por castigo exemplar,
depois de morto na forca,
mandaram-no esquartejar
Dorme, meu menino, dorme...
Que Deus te ensine a lição
dos que sofrem neste mundo
Violência e perseguição
Morreu Felipe dos Santos
Outros, porém nascerão
Morreu Felipe dos Santos
Outros, porém nascerão
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Literatura / Música ORIGEM: Poema: MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. São Paulo: Editora Global. 2013 [1953]. Música: Sueli Costa LP RESISTINDO Gravadora: Philips Catálogo: 6349 323 Ano: 1977 Artistas: Quarteto Em Cy CRÉDITOS: Poema: Cecília Meireles Música: Sueli Costa PALAVRAS-CHAVE: minas gerais, poesia, música
O documento:
Questão 2 14946580
ONHB Fase 3 2020Pós-abolição e quotidiano
”Há certas ocasiões, oportunas e fugazes, em que o acaso nos inflige certa postura; outras vezes, ao contrário, tais medidas são antes um benefício do que um infortúnio. Esse é o caso de Benedicto Manuel.
O ano era 1896, portanto, já contava oito do decreto da lei áurea. Segundo nos esclarecem os depoimentos consultados, por volta das 8h da noite, faziam a ronda na fazenda, perto dos cafezais, três empregados: Amancio Rufino da Conceição, Paschoal Grecco e Franscico Cerratori. Ali estavam porque foram encarregados de descobrir o(s) autor(es) de diversos furtos recentes de café
Contam que estavam os três junto à porteira que divide o pasto da fazenda do respectivo cafezal, inertes, quando avistaram surgir o ’preto’ Benedicto Manoel. Às costas carregava uma saca de café. Continha, ao que se calculou posteriormente, mais ou menos uma arroba do dito gênero. Quando indagado sobre a procedência daquele café, declarou o denunciado que o apanhou de um monte, situado à margem do caminho, pelo que foi preso e entregue ao administrador da fazenda, sendo conduzido mais tarde à cidade. Em certo momento, procurou ainda o denunciado evadir-se, não logrando seu intento, pois foi imediata e novamente capturado.
(...)
Logo em seguida, o delegado interrogou o indiciado. Foi-lhe perguntado o que usualmente se inquiria aos denunciados: seu nome, idade, estado civil, nacionalidade, ocupação, moradia e se sabia ler e escrever. Ao que respondeu respectivamente chamar-se Benedicto Manoel, contando com a idade de 45 anos, casado, brasileiro, pedreiro e residente na rua Francisco Glicério, pegado ao número 110, não sabendo ler nem escrever. Quando indagado se tinha ciência do motivo pelo qual se achava preso retorquiu:
(...) que em dias deste mês foi ele respondente, convidado em sua própria casa, em presença de Benedicto Clemente de Tal, por um seu patrício Antônio da Silva colono da Fazenda Matto Dentro, para ir na mesma fazenda ajudá-lo a colher café, ao que ele respondente não anuiu porém pela insistência de Antônio da Silva, resolveu [resolvera?] ir ajudá-lo, sendo que o primeiro dia que prestou esse serviço foi no dia onze do corrente; que trabalhou três dias na fazenda, vindo dormir todas as noites em sua casa; que no dia treze, resolveu ele respondente a não continuar mais nesse serviço pois que estava sendo prejudicado em seus salários; então, preveniu Antônio da Silva, que não continuasse mais a trabalhar, e ia para sua casa ao anoitecer; que chegando essa hora, isto as oito da noite Antônio da Silva lhe fez presente metade de um leitão e um pouco de café em coco , que havia recebido do patrão; que posto isto dentro de um saco, ele respondente dirigiu-se ao caminho da cidade, para ir para sua casa; que ao chegar a porteira do cafezal foi ele preso pelos rondantes, que examinando o saco que trazia, disseram que o café era furtado, mas que estavam ali mesmo a espera de Antônio da Silva sobre quem havia denúncia de furto de café; que daí foi ele respondente conduzido a fazenda, e em seguida a esta cidade; que na ocasião que era conduzido preso a esta cidade, conseguiu evadir-se de seus condutores, sendo novamente preso em sua casa muito tempo depois. ”
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: AMANCIO, Kleber Antonio de Oliveira. Pós-abolição e quotidiano: ex-escravos, ex-libertos e seus descendentes em Campinas (1888-1926). São Paulo: Alameda, 2013, pp. 46-50. CRÉDITOS: Kleber Antonio de Oliveira Amancio GLOSSÁRIO: Café em coco: Café com casca. PALAVRAS-CHAVE: pós-abolição, campinas
A respeito do contexto do pós-abolição e do processo, descrito no texto de Kleber Amancio, escolha a alternativa mais pertinente.
06
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