Questões de EFAF História
7.715 Questões
Questão 10 16212558
ONHB Fase 2 2021Leia o excerto da obra “Em costas negras” do historiador Manolo Florentino.
Um negócio de alto risco: roubo, pirataria e morte no tráfico
Uma das principais características dos negócios negreiros era o risco. Todas as etapas da circulação dos escravos, desde as trocas realizadas na esfera africana até aquelas que, efetuadas no Brasil, ensejavam o consumo final da mercadoria humana, enfrentavam enormes perigos, visto ter sido o cativo um bem altamente requerido e constantemente exposto à morte.
O risco tinha início na própria África, a partir do momento em que, prisioneiro ou oferecido em tributo, o escravo chegava às mãos dos mercadores nativos. Havia, de início, as mortes durante o longo trajeto entre as zonas da captura no interior e a costa africana, que somavam às ocorridas durante a espera nos barracões e portos. Joseph Miller (...) afirma que provavelmente 40% dos negros escravizados em Angola pereciam durante o deslocamento até o litoral, onde outros 10% ou 20% morriam antes de serem embarcados. Em geral, pois cerca da metade do contingente de cativos poderia perecer ainda em solo africano (...)
Os mercadores de almas ainda sofriam freqüentes roubos durante as longas jornadas entre o interior e os portos africanos (...) Nestes últimos, nos barracões onde os cativos ficavam concentrados à espera de embarque, ou mesmo nas próprias embarcações – ancoradas às vezes por semanas ou meses, à espera de completar a lotação – também havia a possibilidade de perda (...)
Durante a etapa marítima, mais do que em qualquer outra, aumentavam os riscos dos traficantes estabelecidos no Rio. A perda da mercadoria humana através da ação corsária ou mesmo do naufrágio era possibilidade sempre presente em qualquer tipo de operação mercantil marítima, importando menos a natureza da mercadoria do que seu valor enquanto presa. Não se deve esquecer, porém, que o escravo constituía uma mercadoria literalmente perecível, dado constantemente levado em conta pela ação empresarial.
Uma vez no mar, o primeiro perigo era a subtração da mercadoria humana por piratas (...)
Problema antigo, o corso não atingia somente os traficantes de escravos. Sua freqüência podia chegar a níveis tão altos que, muitas vezes, aos comerciantes não restava alternativa senão recorrer à proteção do Estado. Foi o que fizeram os mercadores lisboetas, em 1761, quando solicitaram ao Conselho de Estado a organização de uma armada para a defesa dos navios e frotas do Brasil, constantemente atacadas por naus mouras e holandesas (...)
O naufrágio era, por definição, outro tipo de risco marítimo. Suas causas deitavam-se ao acaso, que punha homens e equipamentos frente uma natureza por vezes volúvel, e a erros de comando e de cálculo. Parece ter sido grande o número de naus idas a pique, mas mesmo assim os prejuízos dependiam dos caprichos de Netuno. (...)
Logo depois do corso eram as mortes durante a travessia oceânica as que mais diretamente atingiam os traficantes do porto do Rio de Janeiro. Mortandades freqüentes no tempo, mas extremamente variáveis em cada expedição (...)
Pode-se imputar as mortes a bordo a fatores como a escassez de alimentos e água, maus tratos, superlotação e até mesmo ao medo, que minava a resistência física, moral e espiritual de contingentes muitas vezes fatigados prisioneiros de guerra.
Havia, porém, o próprio tráfico enquanto veículo de aproximação e contágio entre esferas microbianas distintas, cujos resultados, mesmo quando tendenssem à acomodação a médio e longo prazos, traduziam-se de imefiato em mortes (...)
Em todos os períodos [1795-1811 e 1821-1830] perdiam-se quase três vezes mais escravos entre os cativos embarcados no Índico do que na área congo-angolana, fato perfeitamente explicável pela duração da travessia: enquanto os negreiros provenientes desta última região levavam de 33 a 40 dias no mar até o Rio de Janeiro, os daquela podiam navegar até 76 dias.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico OBSERVAÇÃO: Nossa homenagem ao historiador Manolo Florentino (1958-2021), professor aposentado do Instituto de História da UFRJ e do seu Programa de Pós-Graduação em História Social (PPGHIS/UFRJ). ORIGEM: Manolo Florentino. Em costas negras: uma história do tráfico de escravos entre a África e o Rio de Janeiro (séculos XVIII e XIX). São Paulo: Companhia das Letras, 1997, pp. 140-146. CRÉDITOS: Manolo Florentino PALAVRAS-CHAVE: rio de janeiro, tráfico negreiro, áfrica
Segundo o documento é correto afirmar:
Questão 9 16212507
ONHB Fase 2 2021Leia excertos de ”Autos da vila de Nossa Senhora da Assunção de Benevente”, da Comarca da Província do Espírito Santo, de outubro de 1822:
Autos da vila de Nossa Senhora da Assunção de Benevente
Auto de Independência
[...] nesta vila de Nossa Senhora da Assunção de Benevente Comarca da Província do Espírito Santo (...) declararam solenemente a sua independência e que por ela protestarão dar a vida por causa das Cortes de Portugal, pois todas as suas máximas (...) eram a procurar toda a nossa infelicidade e nos escravizar, e colonizar este Reino do Brasil, e por isso mesmo desde já declamavam, (...) pois, que aquelas Cortes não querem igualdade deles entre os brasileiros [...].
Auto de Aclamação
Ano de nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e vinte dois, aos doze dias do mês de outubro do dito ano nesta vila de Nossa Senhora da Assunção de Benevente Câmara da Capitania do Espírito Santo, nas casas da Câmara paço do Conselho, onde estava o presidente do Senado o Capitão Antonio Rodrigues Cardoso, e os mais vereadores e Procurador do conselho abaixo assinados, o reverendo pároco desta freguesia, sargento-mor, capitães, e mais Povo desta vila, e todos unanimemente disseram que visto termos declarado nossa independência, e se ter nomeado o deputado para a Assembleia Geral Constituinte, e Legislativa do Brasil, era forçoso (ilegível) quem faça executar as leis que os nossos deputados iam deferir, e por isso desde já aclamaram por primeiro Imperador do Brasil ao Senhor Dom Pedro Primeiro hoje príncipe regente e defensor perpétuo do Brasil por contar unanime do mesmo Povo, com declaração que o mesmo senhor prestará previamente o juramento solene, de jurar, guardar, manter, e defender, a Constituição política que fizer Assembleia Geral constituinte do Brasil, que todos lhe prometeram dar seu sangue, para a defesa da nossa independência, e monarquia brasileira; e logo todos por repetidas e numerosas vezes, bradaram como vivas seguintes – viva a nossa santa religião – viva a independência do Brasil – viva a Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Brasil – viva o Imperador Constitucional do Brasil o Senhor Dom Pedro Primeiro – viva a Imperatriz do Brasil (...) – viva o Povo constitucional do Brasil de que de tudo para constar mandarem lavrar esta ata com que todos assinaram [...]
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Documento legal ORIGEM: Autos da vila de Nossa Senhora da Assunção de Benevente, outubro de 1822. Arquivo Nacional. Série Interior Idd 9 – 607. Rio de Janeiro. In: Rodrigo da Silva Goularte. Portos e Sertões: a província do Espírito Santo e a emancipação da América Portuguesa (1815-1825). 2015. 220 p. Tese (Doutorado) – Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia. Niterói, RJ. Disponível em: https://www.historia.uff.br/stricto/td/1757.pdf [https://www.historia.uff.br/stricto/td/1757.pdf] https://www.historia.uff.br/stricto/td/1757.pdf CRÉDITOS: Arquivo Nacional/Rodrigo da Silva Goularte PALAVRAS-CHAVE: atores políticos, celebrações, independência
Após ler os excertos, assinale a alternativa mais adequada:
Questão 8 16212395
ONHB Fase 2 2021Inflação do ano chega a 1.764,86%

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: O Estado de S. Paulo, edição de 29 de dezembro de 1989, p. 1. Disponível em: https://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19891229-35236-nac-0001-999-1-not [https://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19891229-35236-nac-0001-999-1-not] https://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19891229-35236-nac-0001-999-1-not CRÉDITOS: O Estado de S. Paulo PALAVRAS-CHAVE: governo sarney, economia
Sobre o contexto da notícia aqui reproduzida, é correto afirmar:
Questão 7 16212325
ONHB Fase 2 2021Theatro Municipal

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Propaganga ORIGEM: Diário da Noite, n. 7844, São Paulo (SP), 10 de julho de 1950, p. 21. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=093351&pasta=ano%20195&pesq=&pagfis=18099 [http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=093351&pasta=ano%20195&pesq= &pagfis=18099] http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=093351&pasta=ano%20195&pesq=&pagfis=18099 CRÉDITOS: Teatro Municipal, Diário da Noite PALAVRAS-CHAVE: cultura, teatro municipal, são paulo
Racismo em São Paulo

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: Pequeno Jornal: Jornal Pequeno, n. 154, Recife (PE), 12 de julho de 1950, p. 2. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=800643&pasta=ano%20195&pesq=&pagfis=82450 [http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=800643&pasta=ano%20195&pesq= &pagfis=82450] http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=800643&pasta=ano%20195&pesq=&pagfis=82450 CRÉDITOS: Pequeno Jornal: Jornal Pequeno PALAVRAS-CHAVE: cultura, racismo, são paulo
A partir dos documentos, escolha a alternativa mais pertinente:
Questão 5 16212273
ONHB Fase 2 2021(ADAPTADA) Acompanhe a letra da canção “ Retorno”, da rapper indígena Souto MC.
Retorno
Quanto tempo de nós foi tirado?
Quanto tudo que é nosso é negado?
Anos após ano tentaram
Mas olha pra nós, todos retornaram
Quanto tempo de nós foi tirado?
Quanto tudo que é nosso é negado?
Anos após ano tentaram
Mas olha pra nós, todos retornaram
Filhos da terra, de volta pra terra, todo canto do mundo é seu
lar
Nossa alma não grita mas berra,
Nosso canto é guerra que atravessa rio e mar
Não vão mais roubar, não vão mais ousar
Da história de um povo se apropriar
Cocar não é enfeite ou brinquedo,
Se exige respeito, repensa antes de usar
Não deixamos de ser o que somos por conta de um celular
São mais de 500 anos, que eles causam danos visando apenas
cédulas
Territórios originários e não fundiários, herança viva secular
Crença nas criança, o levante avança, trazendo vitória
incrédula
Querendo a pintura, querendo o sagrado
Querendo a cultura, querendo o legado
Não somos só figura pra ser estudado
Somos ruptura de colonizados
Feitos de bravura, não domesticado
Força que perdura, não catequizados
Eles captura, traz escravatura,
E nós é que tem que ser civilizado?
Dispenso elogio ”exótica”, homenagens racistas patéticas
Nossa presença além de estatística
Lógicas sexistas antiética
Sem tempo pra ser didática
Queremos a prática enfática que tanto se fala
Se ver por completo e não só objeto de sala de aula
Entre dor e trauma, história e drama
Carrego na alma das histórias a trama
De raiz nordeste como cajarana
Ceará agreste sem a raça ariana
Somos suçuarana , somos Sagarana
Na saga em busca e nada ofusca
A volta pra terra de Pindorama
(Pindorama)
Quanto tempo de nós foi tirado?
Quanto tudo que é nosso é negado?
Anos após ano tentaram
Mas olha pra nós, todos retornaram
Quanto tempo de nós foi tirado?
Quanto tudo que é nosso é negado?
Anos após ano tentaram
Mas olha pra nós, todos retornaram
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Música ORIGEM: Composição: Souto MC Intérprete: Souto MC Ano: 2019 CRÉDITOS: Souto MC GLOSSÁRIO: Cajarana: fruta encontrada nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Suçuarana: felino de médio porte encontrado nas Américas, também conhecido como “onça-parda” ou “puma”. Sagarana: livro de contos publicado por Guimarães Rosa em 1946, cujo título é composto pela palavra dos mitos germânicos “saga” e pelo sufixo tupi-guarani “rana” (semelhante). Histórias que se assemelham às sagas. Pindorama: designação dada ao Brasil por parte dos povos originários, mais precisamente pelos habitantes dos Andes e dos Pampas. PALAVRAS-CHAVE: indígenas, ocupação do território, música
A partir do conteúdo apresentado pela canção, é correto afirmar que:
Questão 4 16212238
ONHB Fase 2 2021Para lei escolar do Império, meninas tinham menos capacidade intelectual que meninos
A primeira grande lei educacional do Brasil, de 1827, determinava que, nas “escolas de primeiras letras” do Império, meninos e meninas estudassem separados e tivessem currículos diferentes. Em matemática, as garotas tinham menos lições do que os garotos. Enquanto eles aprendiam adição, subtração, multiplicação, divisão, números decimais, frações, proporções e geometria, elas não podiam ver nada além das quatro operações básicas. (...)
— A questão é se as meninas precisam de igual grau de ensino que os meninos. Tal não creio. Para elas, acho suficiente a nossa antiga regra: ler, escrever e contar. Não sejamos excêntricos e singulares. Deus deu barbas ao homem, não à mulher — discursou o senador Visconde de Cayru (BA).
A fala do Visconde de Cayru está guardada no Arquivo do Senado, em Brasília. Antes de ser assinada pelo imperador dom Pedro I e virar lei, a proposta que estruturava o ensino primário do Brasil foi discutida e votada na Câmara e no Senado. Os senadores travaram acalorados debates sobre qual seria o currículo mais apropriado para as crianças do sexo feminino nesse Brasil oitocentista.
No Senado, o Visconde de Cayru foi um dos defensores de que o currículo de matemática das garotas fosse o mais enxuto possível. Nas palavras dele, o “belo sexo” não tinha capacidade intelectual para ir muito longe:
— Sobre as contas, são bastantes [para as meninas] as quatro espécies, que não estão fora do seu alcance e lhes podem ser de constante uso na vida. O seu uso de razão é mui pouco desenvolvido para poderem entender e praticar operações ulteriores e mais difíceis de aritmética e geometria. Estou convencido de que é vão lutar contra a natureza.
O senador Marquês de Caravelas (BA) fez uma argumentação semelhante:
— Em geral, as meninas não têm um desenvolvimento de raciocínio tão grande quanto os meninos, não prestam tanta atenção ao ensino. Parece que a sua mesma natureza repugna o trabalho árido e difícil e só abraça o deleitoso. Basta-lhes o saber ler, escrever e as quatro primeiras operações da aritmética. Se querem dar-lhes algumas prendas mais, ensinem-lhes a cantar e tocar, prendas que vão aumentar a sua beleza. O que importa é que elas sejam bem instruídas na economia da casa, para que o marido não se veja obrigado a entrar nos arranjos domésticos, distraindo-se dos seus negócios.
(...)
Procurando provocar medo nos colegas, o Visconde de Cayru insinuou que os estudos poderiam até mesmo corromper as mulheres:
— Não nego que tem havido mulheres de capacidade varonil. A história tem aplaudido as Aspásias, Cleópatras, Isabéis e Catarinas, mas são raridades da espécie. Todavia, não foram famosas em moral. Modernamente têm aparecido mulheres distintas na matemática. Torno a dizer, são raridades da espécie. Tem havido mulheres que até se lançaram ao mar da política, especialmente depois da revolução da França [em 1789]. Não se têm visto bons resultados. Bastará nomear a famosa inglesa Mary Wollstonecraft, que fez a obra Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher. Ela foi condenada por adúltera. Se formos nesse andar, não causará admiração que também se requeira que as mulheres possam ir estudar nas universidades, para termos grande número de doutoras. A lei educacional de 1827 foi sancionada por dom Pedro I em 15 de outubro. Pela importância da norma, a data se tornaria, em 1963, o Dia do Professor.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal Eletrônico ORIGEM: Ricardo Westin. Para lei escolar do Império, meninas tinham menos capacidade intelectual que meninos. Agência Senado. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/nas-escolas-do-imperio-menino-estudavageometria-e-menina-aprendia-corte-e-costura [https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/nas-escolas-doimperio-menino-estudava-geometria-e-menina-aprendia-corte-e-costura] https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/arquivo-s/nas-escolas-do-imperio-menino-estudavageometria-e-menina-aprendia-corte-e-costura CRÉDITOS: Ricardo Westin / Agência do Senado PALAVRAS-CHAVE: legislação, mulheres, história da educação
Sobre o ensino para as mulheres e as concepções apresentadas pelos parlamentares, indique uma alternativa:
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