Questões de EFAF História
7.715 Questões
Questão 7 14946373
ONHB Fase 3 2022Leia a transcrição do diálogo ocorrido entre dois personagens da telenovela “Nos Tempos do Imperador”: o Duque de Saxe-Coburgo-Gota, marido da Princesa Leopoldina, e Dom Pedro II:
Nos Tempos do Imperador
Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota : E Solano López? O que diz o Marquês [de Caxias]?
Dom Pedro II : O miserável continua foragido... Vagando pelo país. O problema é que mesmo que consigam localizá-lo, ele será protegido.
Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota : Protegido? Como assim?
Dom Pedro II : Ele está acompanhado de um grupo de mulheres e crianças, Augusto. Você acredita nisso? Ele está usando essas pobres criaturas como escudo humano.
Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota : É inacreditável tamanha covardia. Isso... isso pode virar uma guerrilha.
Dom Pedro II : Eu escrevi a Caxias pedindo máximo empenho.
Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota : Ótimo.
Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Telenovela ORIGEM: Thereza Falcão e Alessandro Marson, Nos Tempos do Imperador, Rede Globo, Capítulo 151, 2021-2022. CRÉDITOS: Thereza Falcão; Alessandro Marson; Rede Globo. PALAVRAS-CHAVE: telenovela, brasil império, meios de comunicação de massa
A partir da leitura do documento e de seus conhecimentos, escolha uma alternativa:
Questão 5 14946306
ONHB Fase 3 2022O conteúdo a seguir foi traduzido do espanhol pela pesquisadora Fernanda Gregolin. Trata-se de um texto assinado pela anarquista Maria Antônia Soares (1898-1991) publicado, em setembro de 1922, na capa do jornal Nuestra Tribuna, editado na Argentina.
O centenário brasileiro

Trechos traduzidos:
Os caça níqueis de todas as repúblicas e monarquias existentes estiveram reunidos nesta capital com o pretexto de comemorar o centenário da independência brasileira. E comemoraram lindamente! Os banquetes se sucedem de tal forma que aparecem empenhados em deixar bem presente a voracidade dos comensais e a generosidade do povo anfitrião. A exaltação despendida para obsequiar as delegações estrangeiras assumiu proporções escandalosas, porque nossos governantes parecem ter perdido aquela qualidade dos bons políticos a qual consiste em enganar o povo deixando-o contente, e então, a pouca vergonha que tinham.
Uma coisa ganharemos os brasileiros com tudo isso; ao voltar aos seus países, os ilustres hóspedes dirão aos jornalistas que os entrevistarão: ”o Brasil é uma grande nação; o povo brasileiro é hospitaleiro, cavalheiro, bom, generoso, rico, etc, etc.”
O povo do Brasil. Pobre povo!
Disso tudo, das festas do centenário, guardará uma lembrança muito amarga.
Jamais nossas misérias parecem tão grandes em relação aos demais. E neste caso, não houve ao menos a preocupação de fazer do contraste algo menos brutal.
Mas se a atitude do governo nestas festas foi de desprezo e provocação para com o povo, uma sábia precaução o colocou em condições de poder atuar livremente, sem nenhum contratempo, ao decretar estado de sítio.
Se nestas festas somente aos embaixadores e demais engravatados é dado o direito de estar no banquete e se divertir, também somente a eles é permitido falar. E assim dirão, em longos e retumbantes discursos, toda a grandeza de uma pátria independente e livre. Entoarão hinos à glória imensa deste povo que há cem anos se libertou do domínio português, mas esconderão muito bem escondido e não dirão que hoje vivem sob o domínio de um pequeno tirano sem escrúpulos, sofrendo das desastrosas consequências de uma política de escândalos e vergonhas.
Depois da campanha eleitoral em prol dos candidatos à presidência da República, e com a decisão tomada, os derrotados colocaram em atividade todas as suas habilidades intrigantes e prepararam um movimento revolucionário que teve início em princípios de julho p.p. com a Revolta do Forte de Copacabana.
Falta de preparação, de tática, ou por traição, o movimento fracassou. E alguns poucos jovens valentes que levaram a sério a coisa e vestiram seu heroísmo até o fim, foram sacrificados. Os feridos foram recolhidos a hospitais, os presos foram colocados em lugares incomunicáveis e desde então não se sabe deles. O estado de sítio foi logo decretado para que as bocas pudessem ser ainda mais amordaçadas e algumas consciências compradas pelo melhor preço.
Desde breve os jornais de oposição mudaram suas atitudes passando a enaltecer aqueles que até o dia anterior eram insultados por eles rudemente. E os nossos jornais, que naturalmente não podiam se prestar a essa atitude de renúncia e humilhação, tiveram que suspender a circulação. A censura é exercida com exagerada severidade e as partes censuradas não podem sair em branco, devem ser substituídas por outras. Assim, o que chega de fora, que nada disso sabe, nunca poderá supor que a censura existe. As aparências com o estrangeiro são salvas e o Brasil não perde seus privilégios legais de país livre.
O presidente Epitácio Pessoa vive sob o pesadelo de levantes militantes. Daí sua severidade, suas medidas reacionárias, e este ambiente de apreensão, de ameaças vagas e resultados obtusos: os governantes excluíram o povo das festas do centenário, e este povo por natureza sempre alegre e expansiva, encarou os mesmos festejos com atitude fria, indiferente.
E a alegria, como sempre, foi para os de cima... e para os outros...
Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: Periódico: Nuestra Tribuna, Ano I, Número 4, capa, setembro de 1922. Documento digitalizado disponível em: https://americalee.cedinci.org/portfolio-items/nuestra-tribuna/ Tradução: Fernanda Gregolin in: Aline Ludmila et alli Unidas nos lancemos na luta: o legado anarquista de Maria A. Soares. São Paulo: Tenda de Livros, 2021, pp. 61-3. CRÉDITOS: Maria Antonia Soares; Tradução: Fernanda Gregolin in: Aline Ludmila. GLOSSÁRIO: p.p . = passado próximo PALAVRAS-CHAVE: jornal, centenário da independência, história das mulheres
A autora Maria Antônia Soares:
Questão 4 14946235
ONHB Fase 3 2022Leia os dois documentos retirados de periódicos publicados em maio de 1915.
A Festa do Trabalho

Legenda
Aspecto do comício realisado a 1 de Maio, na esplanada da Cathedral, tirado no momento em que falava uma operaria.
Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Revista ORIGEM: A Cigarra, Anno II, n. XXI, 11 de maio de 1915, p. 11. Arquivo Público do Estado de São Paulo. Disponivel em: https://bibdig.biblioteca.unesp.br/bitstream/handle/10/5571/a-cigarra-1915- 0021.pdf?sequence=2&isAllowed=y CRÉDITOS: A Cigarra PALAVRAS-CHAVE: mundos do trabalho, movimento operário, história das mulheres
Guerra à guerra!
A grande manifestação de 1 de Maio Comícios e sessões de propaganda foram realizados em muitas cidades do Brasil
(...)
Em S. Paulo
Os comícios do centro e dos arrabaldes – a reunião da Escola
Moderna N. 1
Correram regularmente animados os comícios promovidos pela Comissão Internacionalista Contra a Guerra, com o fim de acompanhar o movimento pacifista que se está operando em muitos países da Europa e da América.
De acordo com o que anunciamos, realizaram-se dois comícios preparatórios, pelas 9 horas da manhã, no Braz, onde falaram os companheiros Francisco Calvo e Antonio Nalepinski, e no Piques, no largo do Riachuelo, falando, Fosco Fardini e José Romero, de onde os trabalhadores partiram, em colunas, precedidos de suas bandeiras e cantando hinos operários, para o largo da Sé. Logo após a entrada desses grupos de proletários, foi dado início, pelo camarada Edgard Leuenroth, ao meeting da esplanada do largo da Sé.
Falaram a seguir, pela C. I. C. a G., os companheiros dr. Passos Cunha, a camarada Maria Antonia Soares, Vittorio Buttis e Eduardo Hoffmeister, sendo dois em português, um em italiano e outro em alemão. Encerrando a série dos discursos, foi lida a moção apresentada pela citada comissão, recebendo a aprovação da grande assistência por meio de uma calorosa salva de palmas.
Falou a seguir o jornalista Carlos Caváco, partindo depois o povo trabalhador, em compacta massa, para a passeata.
Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: A Lanterna: Anti-clerical e de combate, São Paulo, 15 de maio de 1915, n. 280, p. 2. Hemeroteca Digital Brasileira. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=366153&pasta=ano%20191&pesq=&pagfis=1115 CRÉDITOS: A Lanterna: Anti-clerical e de combate PALAVRAS-CHAVE: movimento operário, mundos do trabalho
Depois de analisar a imagem e o documento escrito, selecione a alternativa mais pertinente:
Questão 1 14946103
ONHB Fase 3 2022No dia 14 de março de 2018, o Brasil perdeu a socióloga e política ativista e defensora dos direitos humanos Marielle Franco, brutalmente assassinada na cidade do Rio de Janeiro. No dia 20 de janeiro de 2022, perdemos, de causas naturais, a cantora e compositora Elza Soares. Assista ao clipe e confira a letra da música “Mulher do fim do mundo” (2017) e analise a imagem de Instagram que recupera uma frase de Anielle Franco, irmã de Marielle, no programa ”Roda Vida” de 22 de novembro de 2021:
Mulher do fim do mundo (2017)
Meu choro não é nada além de carnaval
É lágrima de samba na ponta dos pés
A multidão avança como vendaval
Me joga na avenida que não sei qualé
Pirata e super homem cantam o calor
Um peixe amarelo beija minha mão
As asas de um anjo soltas pelo chão
Na chuva de confetes deixo a minha dor
Na avenida deixei lá
A pele preta e a minha voz
Na avenida deixei lá
A minha fala, minha opinião
A minha casa, minha solidão
Joguei do alto do terceiro andar
Quebrei a cara e me livrei do
Resto
Dessa
Vida,
Na avenida,
Dura
Até
O fim
Mulher
do fim
do mundo
Eu sou
Eu vou
Até o fim
Cantar
Eu sou mulher do fim do mundo
Eu vou, eu vou, eu vou cantar
Me deixem cantar até o fim
Lá-lá-lá-laiá-lá-lá-laiá
Lá-lá-lá-laiá-lá-lá-laiá
Até o fim eu vou cantar
Eu quero cantar, eu quero é cantar
Eu vou cantar até o fim
Lá-lá-lá-lará-lá-lará-laiá
Eu vou cantar, eu vou cantar
Me deixem cantar até o fim
Me deixem cantar até o fim
Me deixem cantar
Me deixem cantar até o fim
Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Canção e videoclipe ORIGEM: Direção e Montagem: Paula Gaitán; com Grace Passô, Mafalda Pequenino, Mariana Nunes, Rene Ferrer, Daniel Passi. Produção Executiva: Eryk Rocha Compositores: Romulo Fróes e Alice Coutinho Interprete: Elza Soares Álbum: A mulher do fim do mundo (The Woman at the End of the World), 2015 Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=6SWIwW9mg8s CRÉDITOS: Direção e Montagem: Paula Gaitán; com Grace Passô, Mafalda Pequenino, Mariana Nunes, Rene Ferrer, Daniel Passi. Produção Executiva: Eryk Rocha Compositores: Romulo Fróes e Alice Coutinho Interprete: Elza Soares PALAVRAS-CHAVE: história das mulheres, história afro-brasileira
Anielle Franco - Roda Viva

Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Publicação no Instagram OBSERVAÇÃO: Agradecemos ao Instituto Marielle Franco por gentilmente autorizar o uso da imagem ONHB. A ONHB tem autorização para a utilização em sua prova e não se responsabiliza por utilização indevida, cabendo a quem pretender reproduzir o material entrar em contato com o detentor de direitos legais sobre o documento. ORIGEM: Anielle Franco. Roda Viva / TV Cultura. 22 de nov. de 2021. Instagram @aniellefrancol - 25/11/2021. Disponível em: https://www.instagram.com/p/CWszCTOF-8e/ CRÉDITOS: Anielle Franco PALAVRAS-CHAVE: história afro-brasileira, história das mulheres
Os documentos acima remetem:
Questão 10 14945516
ONHB Fase 2 2022Leia trechos da letra.
Triste, louca ou má
Triste, louca ou má
Será qualificada
Ela quem recusar
Seguir receita tal
A receita cultural
Do marido, da família
Cuida, cuida da rotina
Só mesmo, rejeita
Bem conhecida receita
Quem não sem dores
Aceita que tudo deve mudar
Que um homem não te define
Sua casa não te define
Sua carne não te define
Você é seu próprio lar
Um homem não te define
Sua casa não te define
Sua carne não te define (você é seu próprio lar)
Ela desatinou, desatou nós
Vai viver só
Ela desatinou, desatou nós
Vai viver só
Eu não me vejo na palavra
Fêmea, alvo de caça
Conformada vítima
Prefiro queimar o mapa
Traçar de novo a estrada
Ver cores nas cinzas
E a vida reinventar
E um homem não me define
Minha casa não me define
Minha carne não me define
Eu sou meu próprio lar
E o homem não me define
Minha casa não me define
Minha carne não me define
Eu sou meu próprio lar
Ela desatinou, desatou nós
Vai viver só
Ela desatinou, desatou nós
Vai viver só
Ela desatinou, desatou nós (e um homem não me define,
minha casa não me define)
Vai viver só (minha carne não me define)
(Eu sou meu próprio lar)
Ela desatinou, desatou nós (e um homem não me define)
Vai viver só (minha carne não me define)
Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Música ORIGEM: Dirigido e Produzido por: Rafael Câmara Compositor: Ju Strassacapa Intérprete: Francisco, el Hombre Albúm: soltaabruxa Ano: 2016 Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=lKmYTHgBNoE CRÉDITOS: Compositor: Ju Strassacapa Intérprete: Francisco, el Hombre PALAVRAS-CHAVE: brasil contemporâneo, história das mulheres, história da música
Sobre a canção e seus possíveis significados, escolha uma alternativa.
Questão 9 14945480
ONHB Fase 2 2022Observe a pintura e, em seguida, leia o texto:
Coroação de D. Pedro I

Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Óleo sobre tela ORIGEM: Jean-Baptiste Debret. Coroação de D. Pedro I. 1828, Palácio do Itamaraty. Ministério das Relações Exteriores. Brasília. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Jean-Baptiste_Debret_- _Coroa%C3%A7%C3%A3o_de_D._Pedro_I_(detalhe).jpg#/media/Ficheiro:Jean-Baptiste_Debret_- _Coroa%C3%A7%C3%A3o_de_D._Pedro_I,_1828.jpg CRÉDITOS: Jean-Baptiste Debret TÉCNICA: Óleo sobre tela DIMENSÕES: 380 x 636 cm. PALAVRAS-CHAVE: brasil império, monarquia, história da moda
História da Moda
O traje áulico usado por Pedro I nas cerimônias de aclamação, sagração e coroação, em 1822, chegaram até nós pela iconografia criada por Debret. O imperador do Brasil escolheu as cores verde e amarelo, encomendando ao pintor novos símbolos que figurassem a nação brasileira durante um decisivo período de transição política. Na farda azul-escuro alterou-se o risco do bordado com ramagens de carvalho, signo da sabedoria e da força. Culote branco, espada e botas altas de montaria inteiravam o conjunto.
O uso das botas e manto real por D. Pedro de início causou estranheza depois se tornou uma tradição dos reis de Portugal. A escolha mostrava muito da personalidade do jovem imperador, seu caráter original e ativo, pouco afeito a formalidades. Nesse aspecto do militarismo manifesto no traje, vemos o caráter vigoroso e dinâmico das lideranças latino americanas da época.
O manto de veludo na forma do poncho sul americano era verde forrado de seda amarela, diferente do manto português, semicircular. O bordado dourado na borda tinha folhas e frutos da palmeira, símbolo da vitória e da imortalidade, e no meio, estrelas douradas, representando as províncias do império. A gola de rufos com três voltas à espanhola - usada durante o século XVI, item arcaizante de matiz romântico - e a pelerine feita de papos de tucano, tal as capas indígenas que fascinaram as elites europeias desde o descobrimento.
A coroa elíptica, diferente da portuguesa, era ornamentada por folha de palmeira, na junção dos ramos uma esfera armilar em ajour e sobre ela, uma cruz da Ordem de Cristo incrustada de diamantes. Na base, as armas do Brasil, ramos de café e tabaco floridos, alternadas com florões. O cetro diferente do português, era longo e trazia no topo um dragão.
A escolha do traje de D. Pedro I tinha um propósito bem definido. Além do nexo entre os usos no Brasil e em Portugal, articulou cores, materiais e ornamentos com signos reconhecíveis, aspectos da moda europeia do início do séc. XIX e detalhes arcaicos ou exóticos escolhidos com o fito político de distinção. Resultou de embates político-ideológicos, envolvendo conservadores e outros mais liberais que criam na modernidade.
Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Instagram ORIGEM: Maria Cristina Volpi. Texto publicado na conta do Instagram @historiadamoda.ufjf, organizada pela Profa. Dra. Maria Claudia Bonadio (UFJF). Disponível em: //www.instagram.com/p/CFLMLwWn3jO/
CRÉDITOS: Maria Cristina Volpi; @historiadamoda.ufjf
GLOSSÁRIO: Áulico : cortês; próprio da corte ou de seus cortesãos.
Pelerine : espécie de capa comprida com abertura para os braços.
Armilar : que tem círculos. Ajour : orifício; fresta.
PALAVRAS-CHAVE: história da moda, monarquia, brasil império
Escolha uma das alternativas.
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