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Questões de EFAF História - Temática

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1.155 Questões

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Questão 8 14957713
Fácil 00:00

ONHB Fase 4 2022
  • EFAF História
  • Sugira
  • Temática
  • Cultura Sociedade
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Resolução comentada

Leia o conjunto de documentos a seguir, formado por um trecho de entrevista em que a historiadora Carla Vieira discorre sobre uma peça muito popular do Museu do Ceará: o bode Ioiô, e pela manchete retirada de uma reportagem especial do jornal cearense ”O Povo” que foi publicada com o intuito de recordar os 90 anos do falecimento de Ioiô.

 

Museu do Ceará abriga a história do Bode Ioiô

 

Transcrição de trecho da entrevista

Almir Gadelha: Carla, vem cá. Carla Vieira que é diretora aqui do Museu do Ceará… O bode tá aqui, é bem visitado e a gente pode ver de pertinho, não é isso? Bom dia!

Carla Vieira: Bom dia. É verdade, o bode está aqui inclusive desde… durante quase toda história do próprio Museu. Depois de morto o animal, a empresa ... que tinha sua propriedade mandou taxidermizar o animal, doou-o ao Museu e aqui ele está em exposição desde então. É um dos poucos objetos do nosso acervo que nunca saiu de exposição e é uma das maiores personalidades. [...] O bode já é bastante popular, é uma personagem popular que viveu a Fortaleza do início do século XX, ganhou a simpatia da população à época e continua ganhando a simpatia dos visitantes do Museu.

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Entrevista ORIGEM: Jornal Bom Dia Ceará, 28 de fevereiro de 2019. Disponível em https://globoplay.globo.com/v/7418288/  CRÉDITOS: Jornal Bom Dia Ceará GLOSSÁRIO: Taxidermizar : processo de empalhar animais PALAVRAS-CHAVE: eleições, museus, memória

 

Há 90 anos morria Bode Ioiô

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Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Machete ORIGEM: Jornal O Povo,  29 de dezembro de 2021. Disponível em: https://mais.opovo.com.br/reportagens-especiais/2021/12/29/ha-90-anos-morria-bode-ioio-caprinoboemio-que-foi-eleito-vereador-em-fortaleza.html CRÉDITOS: Jornal O Povo PALAVRAS-CHAVE: eleições, memória

 

Assinale a alternativa mais adequada:

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Questão 7 14957630
Fácil 00:00

ONHB Fase 4 2022
  • EFAF História
  • Sugira
  • Temática
  • Problemas Sociais Sociedade
  • Exibir tags
Resolução comentada

Como o ‘privilégio corporal’ cria barreiras para pessoas gordas acessarem direitos básicos

 

Mulheres lutam em Salvador para conseguir a aprovação de leis que garantam acessibilidade de pessoas gordas no transporte público; ”os estereótipos relacionados ao corpo gordo estão associados à questão de negligência e à culpabilidade da pessoa gorda”, diz ativista

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Foto: Movimento ’Vai Ter Gorda’

Subir degraus do ônibus, passar por catracas e sentar de maneira confortável são situações cotidianas que parecem comuns, mas que são encaradas como obstáculos por pessoas gordas ao acessar o transporte público.

A ativista Adriana Santos é uma mulher gorda e já passou por situações constrangedoras ao entrar no ônibus. Ela conta que, aos 14 anos, chegou a ouvir de um motorista de ônibus que o transporte tinha ficado mais ”leve” depois que ela desembarcou. Depois, adulta, ouviu que não podia entrar pela porta de desembarque mesmo com o filho no colo.

”Já fiquei presa na catraca por meu corpo não poder passar em um lugar tão pequeno. Já senti todos os tipos de constrangimento dentro de um transporte público e também já foi negado a mim o direito de entrar pela porta de desembarque. Eu estava com meu bebê no colo e foi muito difícil. É muito doloroso você ter os seus direitos e os seus acessos negados, sendo que você é um cidadão que paga os seus impostos igual a qualquer outro cidadão”, lamenta.

Fundadora do movimento ’Vai Ter Gorda’ - coletivo criado há seis anos para o combate à gordofobia -, Adriana diz que essa negação do direito de acesso está enraizado na gordofobia, que se revela mais agressiva conforme as interseccionalidades que atingem os corpos que não atendem aos padrões impostos socialmente.

”A gente vive no Brasil uma gordofobia estrutural que é demarcada na questão de gênero, na questão de raça e na questão da classe social. Ou seja, quanto mais negra, quanto mais pobre, quanto mais mulher, mais os estereótipos relacionados ao corpo gordo vão estar associados à questão da saúde, à questão de negligência e à culpabilidade do corpo da pessoa gorda”, diz Adriana.

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’Quanto mais negra, pobre e mulher, mais os estereótipos relacionados ao corpo gordo vão estar associados à culpabilidade do corpo da pessoa gorda’ | Foto: Adriana Santos/Instagram

 

No início do ano, o coletivo ’Vai Ter Gorda’ realizou um protesto em uma estação de ônibus e metrô, em Salvador, para cobrar melhorias no transporte público que garantam o acesso e inclusão de pessoas gordas nos coletivos. Dentre as reivindicações também está o pedido de desarquivamento do projeto de lei 303/2019 na Câmara Municipal de Salvador, que garante o acesso de pessoas gordas pela porta de desembarque e suspende a obrigatoriedade de passar pela catraca.

”A gente recebe vários relatos de meninas e mulheres sobre a dificuldade de subir os degraus dos ônibus, sobre as catracas que são minúsculas, os assentos dos ônibus, além do corredor que é estreito. Muitas vezes as pessoas gordas não têm o seu direito de sentar nas cadeiras por ser muito pequena e acabam ficando em pé e isso também gera um certo constrangimento. A gente pede um olhar mais humano das autoridades, do poder público e de pensar formas de uma acessibilidade mais inclusiva para todos os corpos”, solicita Adriana Santos.

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’A gente pede um olhar mais humano das autoridades e de pensar formas de uma acessibilidade mais inclusiva para todos os corpos’ | Foto: Movimento Vai Ter Gorda

 

Com cartazes com frases ’Diga não à gordofobia’ e ’Acessibilidade, Humanização e Direitos Humanos’, as ativistas também cobraram pela aprovação de projetos de lei (PL) que promovem ações de conscientização contra a gordofobia, como o PL nº 23.507/2019, que determina a criação do Dia Estadual de Combate à Gordofobia na Bahia. O texto ainda aguarda a aprovação do governador Rui Costa (PT).

”A gente precisa ouvir esse público para entender o que eles precisam, as necessidades diárias desse corpo, a falta de dignidade humana que existe em ser gordo. Não existe uma política pública que dê acessos e direitos, principalmente, sem patologizar esse corpo”, completa Andreia.

‘Privilégio corporal trata os corpos de maneira diferente’ Para além do transporte público, a falta de acessibilidade e a gordofobia também são sentidas nos espaços que deveriam servir de acolhimento, como os de saúde. Quando estava grávida, Laina Crisóstomo chegou a ouvir da médica que precisava emagrecer porque estava com o colesterol alto. Segundo a co-vereadora da mandata ’Pretas por Salvador’, ainda é comum que profissionais da área da saúde adotem práticas que reproduzem a lógica gordofóbica.

”Existe um processo de patologização das pessoas gordas, que é um entendimento de que tudo na pessoa gorda é doença: se eu tenho problema no coração é por conta de ser gorda, se meu açúcar está alto é porque eu sou gorda, se eu estou com câncer, eu preciso emagrecer para tratar. Eu estava grávida e estava com o colesterol alto e a médica disse que eu precisava emagrecer e eu falei: ’gente, eu vou emagrecer na gravidez?’. Quando a gente fala de acesso, não é só transporte público que a gente quer cadeira, a catraca, o cinto de segurança, mas é garantir, por exemplo, que tenha um equipamento de saúde que nos caiba”, afirma Laina.

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’Quando a gente fala de acesso, não é só transporte público, mas é garantir, por exemplo, que tenha um equipamento de saúde que nos caiba’ | Foto: Laina Crisóstomo/Facebook

 

A co-vereadora, que sofreu com transtorno alimentar e bulimia na adolescência, é responsável, junto com a mandata ’Pretas por Salvador’, pela criação de um projeto de lei que estabelece a Semana Municipal de Combate à Gordofobia, que tem como objetivo levantar discussões e debates sobre o tema nos espaços públicos de Salvador. Aprovado em dezembro do ano passado, o projeto entra em vigor na segunda semana de setembro, ainda este ano.

”É um debate que é cotidiano e a gente precisa cada vez mais incluir as pessoas gordas para falarem das suas dores nos vários espaços. Uma pessoa gorda na educação sofre diferente, uma pessoa gorda na saúde sofre diferente, uma pessoa gorda na política sofre o debate de forma diferente. A gente precisa cada vez mais combater a gordofobia em todos os espaços, essa é uma tarefa diária”, ressalta a co-vereadora.

Para a psicóloga clínica e especialista em transtornos alimentares, Vanessa Tomasini, a gordofobia está relacionada com o que chamamos de ’privilégio corporal’, que se caracteriza como uma maior passibilidade que alguns corpos vão ter em relação a outros. Quanto mais o corpo se distanciar do padrão imposto pela sociedade, maiores serão os obstáculos e menores serão os direitos de consumo e acesso aos espaços. ”Quando a gente fala de privilégio corporal estamos dizendo que a sociedade trata os corpos de maneira diferente, se eles são totalmente aceitos ou não. O corpo magro é socialmente aceito, é elogiado e tem muito mais acesso para usar o transporte público, para comprar uma roupa, para andar de ônibus ou de avião. Esse privilégio corporal não ocorre com pessoas gordas a partir do momento em que elas têm muito mais obstáculos para conseguir coisas básicas, como sentar na cadeira de médico, conseguir passar na catraca do ônibus, conseguir andar de avião ou de ônibus de uma forma mais confortável ou até mesmo o fato de como as pessoas olham e julgam pessoas gordas”, explica a especialista.

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”Quando a gente fala de privilégio corporal estamos dizendo que a sociedade trata os corpos de maneira diferente, se eles são totalmente aceitos ou não” | Foto: Vanessa Tomasini/Instagram

 

Segundo a psicóloga, a falta de acessibilidade para pessoas gordas também geram impactos na saúde mental, desencadeando em quadros de depressão, ansiedade e fobia social.

A partir do momento em que a catraca não consegue contemplar todos os tamanhos de corpos, eu estou dizendo que esse transporte não serve para essa pessoa. A partir do momento em que eu não consigo comprar uma roupa que me sirva de forma confortável, eu estou dizendo que essa pessoa não precisa sair na rua, que ela não precisa estar no espaço social. Do ponto de vista psicológico, é um impacto muito grande porque são pessoas que acabam diminuindo o seu acesso à vivência social, a estar nos lugares, a ser cidadão e andar livremente pela rua. São pessoas que acabam desenvolvendo quadros depressivos, ansiosos e quadros fóbicos, de ter pavor de entrar em um ônibus e ser apontada, de passar por situações vexatórias e ser alvo de piadas”, pontua.

Para além de políticas públicas, a fundadora do movimento ’Vai Ter Gorda’, Adriana Santos, acredita que a educação pode ser um dos pilares fundamentais no combate à gordofobia em práticas diárias.

”Dificilmente você vai ver uma mulher preta e gorda num livrinho infantil e que esse significado seja algo positivo para uma criança. A gente precisa desconstruir esses ensinamentos principalmente desde a nossa infância. É trazer uma literatura mais inclusiva, com todos os corpos, todos os gêneros, todas as raças, todas as classes sociais. É desconstruir toda essa estrutura gordofóbica machista, racista, sexista e genocida que existe na nossa sociedade”, pontua.

Para Laina Crisóstomo, o primeiro passo é despadronizar o que foi constituído como beleza padrão, enraizada na colonização. ”Eu acho que tem a ver com o processo de despadronizar o que é belo e isso tem a ver com a colonização, com os padrões que são extremamente colonizados: ’O que é bonito? É uma pessoa magra, branca, loira?’, ’Qual é o corpo de praia?’. É qualquer corpo, os nossos corpos são lindos. É um processo que na verdade é muito mais amplo. Precisa ter política pública, precisa fazer o debate na política, mas a gente precisa mudar a sociedade como um todo”, acrescenta a co-vereadora.

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal eletrônico

Adaptado de: Dindara Ribeiro | Edição: Nadine Nascimento | Foto: Movimento ’Vai Ter Gorda’. “Como o ‘privilégio corporal’ cria barreiras para pessoas gordas acessarem direitos básicos”. Cotidiano, 10 de fevereiro de 2022. Alma Preta. Disponível em: https://almapreta.com/sessao/cotidiano/como-o-privilegio-corporal-cria-barreiras-para-pessoasgordas-acessarem-direitos-basicos CRÉDITOS: Texto: Dindara Ribeiro | Edição: Nadine Nascimento | Fotos: Movimento ’Vai Ter Gorda’; Laina Crisóstomo; Adriana Santos; Vanessa Tomasini.

 

O documento:

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Questão 5 14957482
Fácil 00:00

ONHB Fase 4 2022
  • EFAF História
  • Sugira
  • Temática
  • Africanos e afrodescendentes Problemas Sociais
  • Exibir tags
Resolução comentada

Em janeiro de 2022, no jornal Folha de São Paulo, ocorreu um debate, por meio de artigos publicados, entre Antônio Risério e Petrônio Domingues. O documento a seguir é a resposta de Domingues a Risério.

 

‘Racismo reverso’ de Risério busca deslegitimar luta por igualdade racial

 

Em sua cruzada neofreyriana, autor recorre a ideia sem fundamento para equilibrar narrativa anti-identitária.

 

O antropólogo baiano branco Antonio Risério publicou um artigo na Folha (...) que causou polêmica. Em síntese, ele preconiza a tese de que existe um “racismo preto antibranco”. Infelizmente, Risério incorre em problemas conceituais básicos: preconceito, discriminação e racismo são termos relacionais, mas não sinônimos.

O preconceito racial envolve o julgamento ou a internalização de imagens que as pessoas alimentam a respeito umas das outras, com base em atributos raciais. Implica tecer juízos de valor apriorísticos , como considerar negros violentos e inconfiáveis, judeus avarentos ou orientais “naturalmente” preparados para as ciências exatas.

Discriminação racial, por sua vez, é a atribuição de tratamento diferenciado e desigual a pessoas ou grupos em razão das suas origens, pertenças ou aparências raciais. Isso ocorre, por exemplo, quando países proíbem a entrada de negros, judeus, muçulmanos ou pessoas de origem árabe, quando lojas se recusam a atender pessoas de determinado grupo e mesmo quando bares, restaurantes e hotéis conferem tratamento diferenciado aos clientes conforme sua aparência e origem racial.

Se o preconceito opera no plano do pensamento, por meio de ideias estereotipadas, a discriminação caracteriza-se pela ação – excluir, preterir, marginalizar.

Já o racismo, como assevera Silvio Almeida, é definido por seu caráter sistêmico. Consiste “em um processo em que condições de subalternidade e de privilégio que se distribuem entre grupos raciais se reproduzem nos âmbitos da política, da economia e das relações cotidianas”.

O racismo é estrutural e, a rigor, se difere do preconceito racial e da discriminação racial. É importante ressaltar isso porque todos os casos de “racismo preto antibranco” elencados por Risério em seu artigo não passam de preconceito ou discriminação racial.

Porém, o racismo não se restringe a comportamentos preconceituosos ou atos discriminatórios de indivíduos ou grupos. Antes, diz respeito a uma estrutura social (relações políticas, econômicas, jurídicas, institucionais e até familiares) fundada em uma dinâmica que confere desvantagens e privilégios com base na ideia de raça.

Nesse sentido, é até possível classificar os “pretos”, citados por Risério, de preconceituosos e responsáveis por atitudes discriminatórias, mas não de racistas. Afinal, o sistema social (instituições públicas e privadas, agências e relações de poder, cultura, padrões estéticos normativos, práticas sociais cotidianas etc.) não está estruturado em seu benefício ou privilégio.

São as pessoas brancas que, deliberadamente ou não, se beneficiam das condições gestadas por uma sociedade que se organiza se baseando em normas e padrões prejudiciais à população negra.

O racismo faz parte de um processo sistêmico de discriminação que influencia a organização da sociedade. Não se resume, portanto, a atos isolados ou episódicos de um indivíduo ou de um grupo. Consiste, dessa forma, em um processo estrutural de poder dos grupos que exercem o domínio sobre o ordenamento político, cultural e econômica da sociedade.

A manutenção desse poder, contudo, depende da capacidade de o grupo dominante legitimar seus interesses, impondo a toda a sociedade regras, padrões de conduta e modos de racionalidade que tornem “normal” e “natural” o seu domínio. Conforme assinalava Clóvis Moura, o racismo tem um “conteúdo de dominação, não apenas étnico, mas também ideológico e político”.

Dessa perspectiva, é desprovida de fundamento a ideia de racismo reverso. Seria uma espécie de “racismo ao contrário”, ou seja, um racismo do grupo subalternizado dirigido ao grupo dominante. Trata-se de uma ideia equivocada porque membros dos grupos subalternizados podem até ser preconceituosos ou praticar discriminações, porém não podem impor desvantagens sociais a membros de grupos dominantes.

Pessoas brancas não perdem vagas de emprego pelo fato de serem brancas e não são “suspeitas” de atos criminosos por sua condição racial, tampouco têm sua inteligência ou sua capacidade profissional questionadas devido à cor da pele.

Como questiona Lilia Schwarcz, “existiu e existe discriminação aos orientais, aos muçulmanos, aos judeus, aos ciganos, aos armênios. Mas aos brancos? Como categoria? Como pode haver racismo reverso e supremacismo negro se não existe racismo estrutural e institucional sofrido pelos brancos?”.

O próprio sentido semântico do termo racismo reverso é curioso, pois o vocábulo “reverso” pressupõe uma inversão, algo fora do lugar. Seria algo “normal” ou “natural” o racismo contra “minorias” – negros, latinos, judeus, árabes, ciganos etc. Para além desses grupos, o racismo seria atípico, reverso. Lélia Gonzalez chegou a ironizar o sentido semântico do termo: “Esse orgulho de ser negro, de pertencer a uma cultura tão rica, pode parecer ‘racismo às avessas’, se se considerar que o ‘racismo às direitas ’ pode existir”.

deslegitimar as demandas por igualdade racial. É este, a meu ver, o cerne do artigo de Risério, que, desde o seu livro “A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros” (2007), embarcou em uma cruzada neofreyriana, de narrativa anti-identitária, refratária aos avanços democráticos no campo dos direitos e da cidadania da população negra.

Entretanto, tal retórica não é novidade na história do Brasil. Desde o movimento abolicionista, os indivíduos e grupos que esposam a causa da população negra são acusados de promover um discurso e plataformas racistas.

A Frente Negra Brasileira (1931-1937) – Risério comete o erro factual de afirmar que a organização apoiou o Estado Novo de Getúlio Vargas – lutou arduamente em prol da integração da “gente negra” à comunidade nacional e obteve algumas conquistas importantes no campo dos direitos civis. Isso não a impediu de ser acoimada de fomentar o “racismo às avessas”.

 

O mesmo ocorreu com a UHC (União dos Homens de Cor), a mais notável organização afro-brasileira durante a Quarta República (1945-1964), e com o MNU (Movimento Negro Unificado, fundado em 1978), entidade que, ainda na ditadura, preconizou uma nova narrativa de afirmação identitária, calcada na celebração das raízes africanas, na revalorização da história e culturas negras e na denúncia do mito da democracia racial.

A partir da década de 1990 e, sobretudo no início dos anos 2000, os movimentos negros, em aliança com setores da sociedade civil brasileira (intelectuais, sindicatos, ONGs, estudantes etc.), encamparam a defesa de ações afirmativas, em especial programas de cotas raciais.

Como fruto dessa ampla mobilização, o Estado brasileiro implementou pela primeira vez políticas públicas em benefício – e não em prejuízo – da população negra, o que representou um marco na história da nação, pois refletiu o reconhecimento pelo governo da existência do racismo contra negros no Brasil e o fim do conceito da democracia racial.

Risério não só acompanhou a mobilização racial e o debate público a respeito das ações afirmativas como cerrou fileiras na tropa de choque antagônica às cotas raciais, valendo-se, entre outros argumentos, daquele que afirma que as cotas podem açular o “racismo às avessas”.

Assim, é plausível supor que a tese de Risério, transformando a “exceção” em “norma”, e suas diatribes contra a afirmação identitária da população negra sejam cortina de fumaça, que escamoteia e, a um só tempo, atualiza seu incômodo frente aos avanços democráticos no campo dos direitos e da cidadania da população negra.

Parece-me que, enquanto não alcançarmos uma sociedade alicerçada na igualdade racial –, a afirmação identitária da população negra é necessária, assim como políticas públicas em favor desse segmento populacional.

Para finalizar, uma arguta reflexão de Frantz Fanon em seu livro “Pele Negra, Máscaras Brancas”: “A desgraça da pessoa de cor é ter sido escravizada. A desgraça e a desumanidade do branco consistem em ter matado o ser humano onde quer que fosse. Consistem em, ainda hoje, organizar racionalmente essa desumanização. Mas eu, homem de cor, na medida em que me seja possível existir plenamente, não tenho o direito de me confinar em um mundo de reparações retroativa. Eu, homem de cor, quero apenas uma coisa: que o instrumento jamais domine o homem. Que cesse para sempre a escravização do homem pelo homem. Ou seja, de mim por outro. Que me seja permitido descobrir e desejar o homem, onde quer que se encontre. O negro não existe. Não mais que o branco”.

Ficha técnica

TIPO DE DOCUMENTO: Jornal eletrônico ORIGEM: Petrônio Rodrigues. ‘Racismo reverso’ de Risério busca deslegitimar luta por igualdade racial. Folha de S. Paulo. São Paulo, 19 jan. 2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2022/01/racismo-reverso-de-riserio-buscadeslegitimar-luta-por-igualdade-racial.shtml CRÉDITOS: Petrônio Rodrigues GLOSSÁRIO: Apriorismo : sistema, doutrina dos que atribuem, como causa de fenômenos e processos, elementos presentes a priori, ou seja, independentemente da natureza dos fatos e do desenvolvimento dos processos. Às direitas : expressão que se opõe à expressão “às avessas”, referindo-se ao que seria correto, normal. Remete à ideia de direita e esquerda. Acoimada : quem é atribuída culpa. Açular : instigar, incitar. Diatribes : crítica severa e mordaz. PALAVRAS-CHAVE: história das ideias, movimento negro

 

No artigo, Petrônio Domingues

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Questão 4 14957436
Fácil 00:00

ONHB Fase 4 2022
  • EFAF História
  • Sugira
  • Temática
  • História Regional Sociedade
  • Centro Oeste
  • Distrito Federal
  • Exibir tags
Resolução comentada

Centro de Ceilândia na década de 1970

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Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Fotografia ORIGEM: Centro de Ceilândia na década de 1970. (Acervo do Arquivo Público Comunitário). In: Vinicius Carvalho Carvalho. A Casa da Memória Viva da Ceilândia : uma análise à luz da Nova Museologia (1997-2010). 2013. 152 f. Trabalho de Conclusão (Graduação em Museologia)-Faculdade de Ciência da Informação da UnB, Brasília, 2013. Disponível em: . CRÉDITOS: Vinicius Carvalho Pereira; Arquivo Público Comunitário. . PALAVRAS-CHAVE: urbanismo, brasil contemporâneo

 

A construção injusta do espaço urbano

 

Ao final da década de 60, o governo do Distrito Federal verificou que inúmeras favelas (as ‘grandes invasões’) e acampamentos de construtoras (denominadas ‘localidades provisórias’), com cerca de 82 mil habitantes, ocupavam territórios estratégicos, nas proximidades do Plano-Piloto. Segundo foi reportado pela imprensa, o então presidente da República, general Médici, teria manifestado ao governador geral, o coronel Prates da Silveira, seu desagrado por ter em sua trajetória para o Palácio do Planalto e, deste, para o sítio do Riacho Fundo, numerosas e ‘incomodativas invasões’. Para atender à observação presidencial e tentando coibir a proliferação das favelas - sempre atribuída às fortes migrações - o governo do Distrito Federal instituiu a Campanha de Erradicação de Invasões (CEI), que, entre os anos de 1971 e 1972, cadastrou todos os barracos existentes nas vilas periféricas ao Núcleo Bandeirante, transferindo posteriormente sua população para a nova localidade de Ceilândia. Em razão do aparato montado, a transferência se deu sem que os percalços (poeira, lama, falta de água e de trabalho) constituíssem motivo de revolta dos transferidos. O ‘comportamento adequado’ dos favelados foi também atribuído à promessa de ‘legalização’ dos terrenos a baixo custo e pronta instalação de equipamentos como escolas, água encanada e eletricidade - facilidades que não eram encontradas nos acampamentos e favelas da periferia do Núcleo Bandeirante.

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Livro ORIGEM: Adaptado de Aldo Paviani. ”A construção injusta do espaço urbano”. In: Aldo Paviani (Org.). A conquista da cidade: movimentos populares em Brasília . Brasília: Editora da UnB, 1991. pp. 128-129. CRÉDITOS: Aldo Paviani PALAVRAS-CHAVE: urbanismo, brasil contemporâneo

 

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Questão 3 14957362
Fácil 00:00

ONHB Fase 4 2022
  • EFAF História
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  • Africanos e afrodescendentes
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Leia a notícia veiculada no informativo online da Universidade Federal de Santa Catarina/SC:

 

UFSC homenageia Antonieta de Barros com título de Doutora Honoris Causa

 

Nesta sexta-feira, 10 de dezembro, o Conselho Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (CUn/UFSC) aprovou, por unanimidade, a concessão do título de Doutora Honoris Causa (in memoriam) à professora Antonieta de Barros (1901-1952), por sua importância para a educação estadual e nacional. A homenagem foi uma iniciativa de três pesquisadoras do Centro de Educação (CED) – Joana Célia dos Passos, Eliane Debus e Patrícia de Moraes Lima –, representantes dos seguintes núcleos de pesquisa: Alteritas: diferença, arte e educação , Literalise e Nuvic: estudos sobre as violências .

Na proposta, que também teve a participação da Associação de Educadores Negras, Negres e Negros de Santa Catarina (AENSC), as docentes argumentam que Antonieta de Barros foi “uma das mulheres mais importantes da história de Santa Catarina e do país”. Desde a infância e juventude, conforme descrevem, a homenageada soube “o que significava ser mulher negra e pobre, num estado do sul do Brasil, majoritariamente branco e com forte adesão à eugenia como política social”.

Antonieta de Barros, natural de Florianópolis, foi responsável por criar, nas primeiras décadas do século XX, um curso de alfabetização destinado a comunidades pobres e marginalizadas. Ela era também jornalista e foi no exercício desse ofício que se tornou conhecida como “Maria da Ilha”, pseudônimo com o qual assinava suas crônicas nos periódicos locais. Dirigiu os jornais “A Semana” e “Vida Ilhoa”, nos quais defendia a participação política das mulheres e criticava o racismo.

Na obra “Antonieta de Barros: professora, escritora, jornalista, primeira deputada catarinense e negra do Brasil” (2021), a autora Jeruse Romão descreve seu protagonismo político, destacando o fato de ela ter sido a primeira mulher negra a ser eleita deputada estadual em Santa Catarina, além de também ter sido a primeira mulher a presidir a Assembleia Legislativa do estado. Além de defender amplamente a democratização da educação e a escola pública, Antonieta de Barros também atuou na organização política de professores(as) e dirigiu o Instituto Estadual de Educação.

“Ela tinha como uma de suas principais pautas políticas o poder revolucionário e libertador da educação para todas(os) e, com isso, contribuiu significativamente para o enfrentamento do analfabetismo em Santa Catarina”, afirma Carolina Orquiza Cherfem, professora do curso de licenciatura em Educação do Campo e relatora do parecer favorável à concessão do título.

Cherfem destacou “a relevância social e política da história de uma profissional da educação e da política, mulher negra, que defendeu a educação, os direitos iguais para as mulheres e negros(as), como professora, como jornalista e como deputada estadual”. Para a docente, “trata-se de uma profissional de extrema competência, que, com seu espírito de justiça, contribuiu para revelar as desigualdades e opressões sofridas pelos pobres, por meio de ações educativas e políticas concretas. Ela revelou a resistência e luta cotidiana, a criatividade e ousadia do povo negro. A importância histórica de Antonieta de Barros para Santa Catarina e para o país certamente justifica esta iniciativa de reconhecimento, como mais uma ação para tirá-la da invisibilidade”.

O professor Ademir Valdir dos Santos, do Departamento de Estudos Especializados em Educação, também ressaltou “a importância da iniciativa”, por “trazer, para as memórias coletivas e individuais, os feitos esquecidos, desprezados e invisibilizados pelos jogos de poder e opressão”. O pesquisador afirma que “temos a obrigação de fazer com que o nome e a atividade humana de Antonieta de Barros seja história, faça história e tenha história. É essencial que as contribuições de Antonieta de Barros à educação, à cultura e à humanidade sejam destacadas e reverenciadas”.

 Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal eletrônico ORIGEM: Daniela Caniçali. “UFSC homenageia Antonieta de Barros com título de Doutora Honoris Causa”. Notícias da UFSC, 10/12/2021. Disponível em: https://noticias.ufsc.br/2021/12/ufsc-homenageia-antonieta-de-barros-com-titulo-de-doutorahonoris-causa/ CRÉDITOS: Daniela Caniçali.  PALAVRAS-CHAVE: história das mulheres, história do ensino, biografia

 

 

A partir do documento assinale a alternativa mais pertinente.

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Questão 4 14946235
Fácil 00:00

ONHB Fase 3 2022
  • EFAF História
  • Sugira
  • Fundamentos da História e historiografia Temática
  • Fontes Históricas Trabalho
  • Material
  • Exibir tags
Resolução comentada

Leia os dois documentos retirados de periódicos publicados em maio de 1915.

 

A Festa do Trabalho

0_4c2c4831c925dd37ffeea0e12c9bd70f_14946235.jpg.png

Legenda

Aspecto do comício realisado a 1 de Maio, na esplanada da Cathedral, tirado no momento em que falava uma operaria.

Ficha técnica

TIPO DE DOCUMENTO: Revista ORIGEM: A Cigarra, Anno II, n. XXI, 11 de maio de 1915, p. 11. Arquivo Público do Estado de São Paulo. Disponivel em: https://bibdig.biblioteca.unesp.br/bitstream/handle/10/5571/a-cigarra-1915- 0021.pdf?sequence=2&isAllowed=y CRÉDITOS: A Cigarra PALAVRAS-CHAVE: mundos do trabalho, movimento operário, história das mulheres

 

Guerra à guerra!

A grande manifestação de 1 de Maio Comícios e sessões de propaganda foram realizados em muitas cidades do Brasil

 

(...)
Em S. Paulo
Os comícios do centro e dos arrabaldes – a reunião da Escola
Moderna N. 1

Correram regularmente animados os comícios promovidos pela Comissão Internacionalista Contra a Guerra, com o fim de acompanhar o movimento pacifista que se está operando em muitos países da Europa e da América.

De acordo com o que anunciamos, realizaram-se dois comícios preparatórios, pelas 9 horas da manhã, no Braz, onde falaram os companheiros Francisco Calvo e Antonio Nalepinski, e no Piques, no largo do Riachuelo, falando, Fosco Fardini e José Romero, de onde os trabalhadores partiram, em colunas, precedidos de suas bandeiras e cantando hinos operários, para o largo da Sé. Logo após a entrada desses grupos de proletários, foi dado início, pelo camarada Edgard Leuenroth, ao meeting da esplanada do largo da Sé.

Falaram a seguir, pela C. I. C. a G., os companheiros dr. Passos Cunha, a camarada Maria Antonia Soares, Vittorio Buttis e Eduardo Hoffmeister, sendo dois em português, um em italiano e outro em alemão. Encerrando a série dos discursos, foi lida a moção apresentada pela citada comissão, recebendo a aprovação da grande assistência por meio de uma calorosa salva de palmas.

Falou a seguir o jornalista Carlos Caváco, partindo depois o povo trabalhador, em compacta massa, para a passeata.

Ficha técnica

TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: A Lanterna: Anti-clerical e de combate, São Paulo, 15 de maio de 1915, n. 280, p. 2. Hemeroteca Digital Brasileira. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=366153&pasta=ano%20191&pesq=&pagfis=1115 CRÉDITOS: A Lanterna: Anti-clerical e de combate PALAVRAS-CHAVE: movimento operário, mundos do trabalho

 

Depois de analisar a imagem e o documento escrito, selecione a alternativa mais pertinente:

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