Questões de EFAF História - Temática
1.155 Questões
Questão 4 14958828
ONHB Fase 1 2023Documento
Boemia e modernidade em Cuiabá
A ocorrência destes personagens na vida pública de outras cidades é vasta. Em Cuiabá mesmo, a sucessão de nomes e alcunhas dos tipos populares constantemente rememorados revelam a forte presença destes personagens na vida cotidiana da cidade: Maria Taquara, Antonio Peteté, General Saco, Zaramella, Cobra Fumando, Barba de Arame, entre tantos outros evocados constantemente nas narrativas e na crônica cuiabana.
(...)
Estes flanadores da cidade eram representações vivas do projeto moderno dilacerante que estava em curso e que destruía os referenciais urbanos, mudava a fisionomia da cidade, sua sociabilidade e seus moradores. Afastados do trabalho, das obrigações civis e da marcação do tempo, a cidade os enxergava com um misto de medo e admiração, de inveja e de pena.
(...)
José Inácio da Silva, o Zé Bolo-flor ganhou o imaginário popular na condição de mendigo-poeta. (...) O nome é originado do primeiro ofício de José Inácio, vendedor ambulante que comercializava bolos e flores artificiais na área central para ajudar a família que lhe fornecia abrigo. Assim, José Inácio torna-se Zé Bolo-flor. (...)
Sem família, sem paradeiro, a publicidade da loucura de Bolo-flor acaba por incrementar o fascínio sobre sua figura. De poeta da cidade, é investido à posição de louco da cidade. (...) Não se sabe exatamente porquê, no final dos anos setenta, sua loucura torna-se institucionalizada e é encaminhado ao Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto Acadêmico ORIGEM: BEZERRA , Silvia Ramos. Boemia e modernidade em Cuiabá: O personagem Zé Bolo-flor. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto de Linguagens. Cuiabá, Agosto de 2007, p. 98-117. Disponível em: https://livros01.livrosgratis.com.br/cp090366.pdf CRÉDITOS: Silvia Ramos Bezerra. PALAVRAS-CHAVE: história da loucura, tipos populares, história das cidades
Documento
Zé Bolo-Flor, c. 1950

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Fotografia ORIGEM: Foto de Zé Bolo-Flor, segurando imagens de santos, Cuiabá, aprox. década de 50. Foto: Reprodução. Olhar conceito, 14 Fev 2014 . Disponível em: https://www.olharconceito.com.br/noticias/exibir.asp?id=4002&Noticia=o-poeta-andarilho-e-mendigoque-fazia-musicas-e-poemas-para-cuiaba-virou-nome-de-parque-ze-bolo-flo. Acesso em: 18 fev. 2023. CRÉDITOS: Foto: Reprodução; Olhar conceito. PALAVRAS-CHAVE: tipos populares, história das cidades, história da loucura
A partir do texto e da imagem, escolha uma alternativa:
Questão 3 14958805
ONHB Fase 1 2023Leia o excerto a seguir, que aborda a presença do chocolate no Império Português e uma de suas formas de preparo:
Documento
Bebida dos deuses
O primeiro livro de receitas de cozinha português, Arte da Cozinha, do cozinheiro de D. Pedro II , Domingos Rodrigues, foi publicado em 1680 e despertou grande interesse, como indicam as sucessivas edições ocorridas ao longo dos séculos XVIII e XIX. Domingos Rodrigues ofereceu apenas uma receita de chocolate na seção destinada aos doces, mas esta foi, sugestivamente, alocada após uma receita de florada (água de flor), indicativo talvez de que poderia ser usado na confecção de uma bebida, ou até como complemento da outra receita. A descrição do modo de preparo restringiu-se à pasta do chocolate, sem informar sua utilidade, sinal de que os leitores - provavelmente experientes cozinheiros - sabiam como usá-la, podendo ser dispensadas maiores explicações. Esse procedimento permite pensar que o consumo do chocolate havia se enraizado na culinária portuguesa há algum tempo, muito provavelmente introduzido a partir dos contatos estreitos com a corte espanhola entre os séculos XVI e XVII, e estimulado posteriormente pelo comércio dos produtos coloniais
A receita presente no livro de Domingos Rodrigues instruía sobre a necessidade de se torrar o cacau, descascá-lo e “pisá-lo muito bem”. Posteriormente misturava-se o cacau a “três arráteis de açúcar de pedra e três onças de canela fina peneirada”. De acordo com o cozinheiro real, logo que estivesse tudo isso muito bem misturado, devia-se ir “moendo numa pedra segunda e terceira vez” e quando estivesse “em massa”, adicionava-se “oito baunilhas pisadas e peneiradas e fazendo-se bolos na forma que quiserem”.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto Acadêmico ORIGEM: ALGRANTI, Leila Mezan. “Bebida dos deuses”: técnicas de fabricação e utilidades do chocolate no império português (séculos XVI-XIX). In: ALGRANTI, Leila Mezan; MEGIANI, Ana Paula (org). O Império por Escrito – formas de transmissão da cultura letrada no mundo ibérico (séculos XVI-XIX). São Paulo: Alameda Casa Editorial, 2009. p. 418. CRÉDITOS: Leila Mezan Algranti. GLOSSÁRIO: D. Pedro II : Rei de Portugal e Algarves de 1683 até à sua morte em 1705; não confundir com D. Pedro II, segundo e último monarca do Império do Brasil. Onça : Unidade de medida inglesa de peso, equivalente a 28,349 gramas. Arrátel : Antiga unidade de medida de peso equivalente a 459,5 gramas. PALAVRAS-CHAVE: império português, história da alimentação, brasil império
A partir das informações fornecidas pelo texto, afirma-se:
Questão 7 14937029
ONC NÍVEL B - Fase 1 2023Observe a tabela abaixo.

Fonte: Relação [...] dos escravos pertencentes a Joaquim Ribeiro de Avaller [filho]. Coleção Particular. Citação de MUAZE, Mariana. As memórias da Viscondessa: família e poder no Brasil Império. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
A existência de um item para qualificar aptidão para o trabalho de um escravizado, revela que a exploração da mão de obra escravizada era:
Questão 6 14937021
ONC NÍVEL B - Fase 1 2023Leia o trecho e veja a imagem.
O século XIX, no Brasil, foi marcado por expedições estrangeiras que apresentaram o país ao mundo por meio dos registros de artistas viajantes como Thomas Ender, Johann Moritz Rugendas, príncipe Maximilian Wied-Neuwied, entre outros. Paisagem, flora, fauna, sociedade e escravidão eram temas deste inventário internacional que originou vasta gama de estudos científicos sobre o Brasil.
A partir da segunda metade do século, com a origem do Museu Nacional e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, cresceu a demanda por uma produção de conhecimento científico exclusivamente brasileiro. Como resposta ao domínio dos europeus sobre temas nacionais, nasceu a Comissão Científica Exploratória das Províncias do Norte. Composta somente por brasileiros, com apoio de D. Pedro II, ela tinha o objetivo de explorar o Brasil, partindo dos locais menos conhecidos do país.
O Ceará foi a primeira - e única - província a ser explorada pela expedição. Alguns historiadores atribuem essa escolha aos rumores de que, no local, havia minas de pedras preciosas não descobertas. Muitos aparatos foram providenciados para a viagem: uma biblioteca científica com cerca de dois mil livros e periódicos, máquina fotográfica (uma inovação tecnológica para a época), microscópios, telescópios, termômetros e barômetros.
Fonte: https://www.brasilianaiconografica.art.br
Folhas, flores, frutos e raízes

Fonte: CARVALHO, José dos Reis. [Folhas, flores, frutos e raízes].Desenho. 1859-1861.Acervo Biblioteca Nacional.
Leia as afirmativas e, em seguida, escolha a alternativa correta.
I. A expedição ao Ceará, no século XIX, no contexto do Segundo Reinado, indica a preocupação com a Ciência por parte do governo monárquico.
II. Em nível mundial, D. Pedro II foi o primeiro governante a investir em expedições de cunho científico.
III. O século XIX é marcado pelas discussões sobre o avanço do feudalismo e a colonização na América.
IV. No início do século XIX, no Brasil, houve outras expedições de cunho científico, como a de Jean Baptiste Debret, em 1816.
Assinale a alternativa correta.
Questão 5 14937011
ONC NÍVEL B - Fase 1 2023Observe a imagem e leia um trecho de uma reportagem sobre o acontecimento que ficou conhecido como Massacre de Manguinhos.

Fonte: Acervo da Casa Osvaldo Cruz. Reintegração dos cientistas cassados em 1986. Da esquerda para a direita, os cientistas cassados de Manguinhos: Augusto Perissé, Tito Cavalcanti, Haity Moussatché, Fernando Ubatuba, Moacyr Vaz de Andrade, Hugo de Souza Lopes, Masao Goto, Herman Lent, Sebastião José de Oliveira e Domingos Arthur Machado. https://www.bbc.com.
Em 1º abril de 1970, sob a vigência do Ato Institucional nº 5, dez pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz – embrião da Fiocruz – foram cassados pela ditadura militar e tiveram seus direitos políticos sumariamente suspensos, causando perdas incalculáveis para o país. [...] A cassação dos dez cientistas – Herman Lent, Haity Moussatché, Moacyr Vaz de Andrade, Augusto Cid de Mello Perissé, Hugo de Souza Lopes, Sebastião José de Oliveira, Fernando Braga Ubatuba, Tito Arcoverde Cavalcanti de Albuquerque, Masao Goto e Domingos Arthur Machado Filho –, não foi um episódio isolado ocorrido no ano de 1970, mas “o ápice de um processo relativamente longo, tramado pelos órgãos de segurança, com base em histórico policial anterior a 1964”, e que contou, inclusive, com a participação de gestores da própria instituição[...].
Fonte: https://www.historiadaditadura.com.br.
O episódio, ocorrido em 1970, indica que a ditadura militar promovia:
Questão 8 14936560
ONC NÍVEL A - Fase 1 2023Leia o texto.
Além dos seres vivos e da matéria cósmica, existem, também, coisas culturais, muitíssimo mais complicadas. Chama-se cultura tudo o que é feito pelos homens, ou resulta do trabalho deles e de seus pensamentos. Por exemplo, uma cadeira está na cara que é cultural porque foi feita por alguém. [...] . Uma galinha é cultura também, porque foi feita pelos homens. Sem a intervenção humana, que criou os bichos domésticos, as galinhas, as vacas, os porcos, os cabritos, as cabras, não existiriam. Só haveria animais selvagens[...]. A fala, por exemplo, que se revela quando a gente conversa, e que existe independentemente de qualquer boca falante, é criação cultural.
Fonte: RIBEIRO, Darcy, Noções de Coisas. São Paulo: Ed. FTD, 1995. (adaptado)
Quando o autor do texto menciona que galinha é cultura também, ele se refere ao período histórico conhecido por:
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