Questões de EFAF História - Brasil - Período Colonial
671 Questões
Questão 5 14946075
ONHB Fase 1 2020O ”Diário da Diligência que por ordem do Illustrissimo e Excellentissimo João d’Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, Governador e Capitão General da Capitania de Mato Grosso, se fez no anno de 1795, a fim de se destruírem vários Quilombos, e buscar alguns logares em que houvesse ouro” é utilizado pela antropóloga Maria Fátima R. Machado, da UFMT, em sua pesquisa. Acompanhe um trecho de seu artigo ”Quilombos, cabixis e caburés: índios e negros em Mato Grosso”:
Quilombos, Cabixis e Caburés
Em março de 1795, o capitão general e governador da Capitania de Mato Grosso, João d’Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, mandou chamar o Juiz Presidente e o vereador mais velho da Câmara da então capital Vila Bela para tratar da decadência das minas e das perdas e danos causados aos moradores pelas fugas de muitos escravos, que ”tranquillamente” aquilombavam-se nas escarpas da extensa Serra dos Parecis. Eles ”derramavam-se” pelas vizinhanças dos arraiais e nas águas das nascentes do Guaporé, principalmente nos rios Galera, Sararé, Pindaituba e Piolho, então denominado de São João, além de outros, dos quais tinha constantes notícias. Sendo a obrigação das câmaras socorrer às necessidades públicas, a fuga de escravos e a falta de terras minerais exigiam a formação de uma bandeira que explorasse os sertões, convocando os moradores para uma contribuição voluntária, comprometendo a Fazenda Real com a munição e a quinta parte da gente empregada nessa diligência. A bandeira saiu em 7 de maio de 1795, descendo o Guaporé, composta por 45 pessoas (...)
No dia 19 (de junho), depois de andar meia légua, capturaram dois índios, um negro e um ”caboré”, mestiço de índio e negro. Um índio fugiu e, ao correr, foi perseguido. Com uma curta carreira, foram dar no seu quilombo: ”a gente delle logo se poz em fugida, mas apezar disso foram seguidos e neste dia ficaram prezos alem dos três negros, 32 pessoas mais entre homens, mulheres, rapazes e raparigas, dos quaes huns eram Índios, outros Caborés, faltando ainda segundo as informações que deram mais três negros e 16 pessoas”.
Na tarde do dia seguinte, três escoltas entraram no mato e capturaram mais 12 fugitivos.
(...)
Informou o comandante em seu diário que o quilombo do Piolho, que emprestava o nome do rio onde estava situado, já havia sido atacado e destruído em 1770 pelo Sargento Mór João Leme do Prado, quando apreendeu ”numerosa escravatura”, restando ainda ali muitos escondidos pelos matos, que se estabeleceram novamente nas cercanias do
lugar. Desses escravos novamente aquilombados, ”morreram muitos, huns de velhice e outros ás mãos do gentio Cabixês, com quem tinham continuada guerra, afim de lhes furtarem as mulheres, das quaes houveram os filhos Caborés”.
(...)
No dia 19 de setembro, saiu o dito paisano com os quilombolas para a capital, chegando no dia 27, com todos os 54 capturados, assim relacionados:
Relação dos pretos, Índios e Caborés de que se compunha o Quilombo do Piolho em que se deu no dia 19 de Junho de 1795:

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: MACHADO, Maria Fátima Roberto - ”Quilombos, Cabixis e Caburés: índios e negros em Mato Grosso no século XVIII”. Disponível em: http://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/NEAB/GT48Fatima.pdf [http://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/NEAB/GT48Fatima.pdf] http://files.ufgd.edu.br/arquivos/arquivos/78/NEAB/GT48Fatima.pdf CRÉDITOS: Maria Fátima Roberto Machado PALAVRAS-CHAVE: brasil colonial, escravidão, quilombos
Sobre o Quilombo do Piolho e sua composição selecione a alternativa mais pertinente:
Questão 3 14942024
ONHB Fase 0 2020Leia o trecho do livro 1824, do historiador Rodrigo Trespach. Sobre os viajantes e seu conhecimento, escolha a alternativa mais adequada:
1824: como os alemães vieram parar no Brasil
”O Brasil, no entanto, ainda permanecia praticamente desconhecido para a Europa até o início do século XIX. Sua rica fauna e flora, além das peculiaridades das populações indígenas, eram um mistério para os cientistas europeus. A exceção do livro de Staden, que não era cientista, publicado em 1557, pouca coisa fora impressa nos dois séculos seguintes. Salvo raras exceções, a administração portuguesa não permitia que estrangeiros visitassem a colônia na esperança de mantê-la longe de olhos interesseiros. O primeiro naturalista a receber permissão real para entrar no Brasil foi o botânico alemão Friedrich Wilhelm Sieber, que aqui chegou em 1801 e permaneceu por seis anos na bacia Amazônica realizando estudos geológicos e botânicos. Um dos mais conhecidos exploradores alemães do século XIX, no entanto, o explorador e naturalista Alexander von Humboldt, amigo de José Bonifácio, foi impedido de entrar no Brasil, após sua presença na região Amazônica ser considerada fruto de espionagem pela Coroa portuguesa. Assim, quando o príncipe regente d. João assinou em Salvador o Tratado de Abertura dos Portos às Nações Amigas, em 1808, um grande número de cientistas começou a aportar no país.
O botânico Carl Friedrich Philipp von Martius e o zoólogo Johann Baptist von Spix chegaram ao Brasil com a comitiva real da arquiduquesa d. Leopoldina, em 1817. Em mais de três anos de viagens, percorreram juntos um extenso território que ia desde o litoral carioca, passando pelo Nordeste até a bacia Amazônica. Ao retornarem à Europa, Von Martius e Spix apresentaram ao rei Maximiliano José da Baviera um casal de indígenas (outros dois morreram na viagem transatlântica e o próprio casal que chegou vivo a Munique morreu pouco depois), 85 espécies de mamíferos, 350 de aves, 130 anfíbios, 116 peixes, 2700 insetos, oitenta aracnídeos e crustáceos e 6500 plantas. Ambos escreveram muitos livros, alguns em conjunto, sobre a flora, a fauna, a Geografia e a História do Brasil. O mais conhecido, Viagem pelo Brasil, um extenso relato de suas andanças pelo país e cujo terceiro volume, o último, foi impresso originalmente na Europa depois da morte de Spix, ganhou sua primeira edição integral no Brasil somente em 1938.”
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: TRESPACH, Rodrigo. 1824: como os alemães vieram parar no Brasil, criaram as primeiras colônias, participaram do surgimento da Igreja protestante e de um plano para assassinar D. Pedro I . São Paulo: LeYa, 2019, pp.10-11. CRÉDITOS: Rodrigo Trespach PALAVRAS-CHAVE: século xix, história da ciência, viajantes
Questão 2 14942020
ONHB Fase 0 2020Nossa história: brasileiro troca cartas com Thomas Jefferson sobre independência do Brasil
“A influência da independência nas colônias inglesas chegou aqui por meio de jornais, entre eles a Gazeta de Lisboa, que circulava na colônia, a edição do livro História filosófica e política dos estabelecimentos europeus nas duas Índias, do abade Raynal, que, na edição de 1780, já trazia a narrativa da independência na América do Norte, e a coleção das leis constitutivas dos Estados Unidos da América, que tem vários documentos importantes, como a Declaração dos Direitos do Homem. Os inconfidentes se apropriaram desses escritos, assim como usaram também documentos sobre a restauração portuguesa de 1640”, explica Luiz Carlos Villalta, historiador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). [Ele] ressalta que as influências não partiram apenas de estudantes brasileiros que retornavam da Europa após cursar instituições de ensino superior, mas alguns moradores da colônia também tinham acesso aos ideais iluministas e relatos da independência das colônias inglesas. “Pessoas que nunca foram para a Europa leram obras importantes aqui mesmo na colônia. Tiradentes, por exemplo, nunca saiu do Brasil e teve acesso a escritos de fora. Ele não dominava o francês, mas usava dicionários para entender as mensagens. Não podemos exagerar a difusão dessas ideias, até porque a camada de quem sabia ler naquele período era bastante restrita, mas tivemos até mesmo algumas obras traduzidas para o português por inconfidentes”, explica Villalta.”
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal eletrônico ORIGEM: Marcelo Fonseca. Nossa história: brasileiro troca cartas com Thomas Jefferson sobre independência do Brasil. Jornal Estado de Minas, 04/07/2015. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/07/04/interna_gerais,664920/nossahistoria-brasileiro-troca-cartas-com-thomas-jefferson-sobre-ind.shtml [https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/07/04/interna_gerais,664920/ nossa-historia-brasileiro-troca-cartas-com-thomas-jefferson-sobre-ind.shtml] https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/07/04/interna_gerais,664920/nossa-historiabrasileiro-troca-cartas-com-thomas-jefferson-sobre-ind.shtml CRÉDITOS: Marcelo Fonseca PALAVRAS-CHAVE: historiografia, minas gerais, inconfidência mineira
No trecho do artigo de jornal apresentado, a análise do historiador:
Questão 15 14929947
ONC NÍVEL B - Fase 1 2020“Uma das mentiras da nossa história, tal como usualmente se conta nas escolas, é a da pretendida riqueza e até mesmo opulência das Minas Gerais na época da abundância do ouro. Em boa e pura verdade nunca houve a tão propalada riqueza, a não ser na fantasia amplificadora de escritores inclinados às hipérboles românticas. A realidade foi bem diversa. Nem riqueza, nem grandezas. Apenas o atraso econômico e a pobreza. A produção bruta de ouro foi elevada, e Minas representou 70% da produção da colônia do século XVIII; entretanto, o sistema colonial fez com que o fisco, a tributação sobre os escravos, o sistema monetário implantado e as importações consumissem a sua maior parte. Deduzidos os gastos de compra e manutenção dos escravos e os gastos não quantificáveis, o saldo se tornava negativo. Dado o baixo nível da renda, poucos foram, nestas condições, os que fizeram fortuna”.
Adaptado de: Laura de Mello e Souza. Desclassificados do Ouro: a pobreza mineira no século XVIII. Rio de Janeiro: Graal, 2004.
Conforme o texto, os relatos de riqueza na região de Minas Gerais não retratam a realidade vivida pelas cidades coloniais mineiras.
O que dificultava o enriquecimento de homens e cidades neste período?
Questão 14 14924226
ONC NÍVEL A - Fase 1 2020“Desde o século XVI estabeleceu-se a prática de paradas de navios no litoral do Brasil, quando saíam da Europa em direção ao Rio da Prata ou ao Estreito de Magalhães ou na rota em sentido inverso. Tanto na ida quanto na volta, fazia-se necessário tocar a terra, antes ou depois de atravessar o Oceano Atlântico, para renovar as provisões e reparar as embarcações, cujos cascos de madeira sofriam o efeito tanto do calor da região equatorial como dos embates no mar. Impunha se também a calafetagem e, devido àqueles percalços, urgia a ancoragem em algum porto e os mais próximos se encontravam nas costas do Brasil. (...) Com tal movimento de navios, tanto o porto de Pernambuco como o do Rio de Janeiro foram bem fortificados”. In: Lucy Maffei Hutter. “A madeira do Brasil na construção e reparos de embarcações”, Revista IEB, 1986, p. 49-50.
(Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rieb/article/view/69790)
Com base no texto e nos seus conhecimentos, assinale a alternativa que indica uma consequência da prática de paradas de navios no litoral do Brasil.
Questão 33 11012494
IFF Integrados 2020Texto I
“A agricultura é o nervo econômico da civilização. Com ela se inicia – se excluirmos o insignificante ciclo extrativo do pau-brasil – e a ela deve a melhor porção de sua riqueza. Numa palavra, é propriamente na agricultura que assentou a ocupação e exploração da maior e melhor parte do território brasileiro.” (PRADO JÚNIOR, 1996, p.130).
PRADO JÚNIOR, C. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1996.
Texto II
“A grande propriedade será acompanhada no Brasil pela monocultura; os dois elementos são correlatos e derivam das mesmas causas. A agricultura tropical tem por objetivo único a produção de certos gêneros de grande valor comercial, e por isso altamente lucrativos. Não é com outro fim que se enceta, e não fossem tais as perspectivas, certamente não seria tentada ou logo pereceria. É fatal portanto que todos os esforços sejam canalizados para aquela produção; mesmo porque o sistema de grande propriedade trabalhada por mão de obra inferior, como é a regra nos trópicos, e será o caso no Brasil, não pode ser empregada numa exploração diversificada e de alto nível técnico.” (PRADO JÚNIOR, 1972, p.34).
PRADO JÚNIOR, C. História Econômica do Brasil. São Paulo: Editora Brasiliense, 1972.
A produção açucareira no Brasil é considerada a base da economia colonial, sendo a atividade que viabilizou a ocupação permanente do território e influenciou fortemente a formação política e social do país.
Assinale a alternativa que relaciona de forma CORRETA as principais características da produção mercantil açucareira no Brasil durante o período colonial:
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