Questões de EFAF História - Brasil - Período Colonial
671 Questões
Questão 7 14935776
ONHB Fase 1 2021Guerra dos Mascates
No alvorecer da segunda década do século XVIII, eclode em Pernambuco um conflito explosivo entre as cidades de Olinda e Recife. A primeira, dominada em grande parte por uma elite latifundiária, tinha sua principal atividade baseada na produção e venda de açúcar. O declínio desse produto resultou na sua crescente dependência em relação aos comerciantes do Recife, portugueses, em sua maioria, e engajados em atividades mercantis e empréstimos a juros. Dado o desenvolvimento econômico paulatino do Recife, os comerciantes, que também eram intitulados ”mascates”, recorreram à Coroa portuguesa solicitando sua emancipação de Olinda e instalação de uma câmara municipal em seu território. O pedido, atendido pela Coroa em 1710, provocou a ira dos senhores de engenho de Olinda e a tensão entre os dois grupos escalou em conflito armado.
Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Texto on-line ORIGEM: Douglas Bandeira, Mariane Figueiredo, Rógger Manoel, Tainá Cristina e Thayara Cristina. Revolta dos Mascates - Pernambuco. In: Impressões Rebeldes. Disponível em: https://www.historia.uff.br/impressoesrebeldes/?revoltas_categoria=1710-revoltamascates-pernambuco. Acesso em: 15 de jan. de 2021. CRÉDITOS: Douglas Bandeira, Mariane Figueiredo, Rógger Manoel, Tainá Cristina e Thayara Cristina. PALAVRAS-CHAVE: guerra dos mascates, aristocracia açucareira, identidades políticas
A fronda dos mazombos
”A confrontação entre a loja e o engenho tendeu principalmente a assumir a forma de uma contenda municipal, de escopo jurídico-institucional, entre um Recife florescente que aspirava à emancipação e uma Olinda decadente que procurava mantê-Io numa sujeição irrealista. Essa ingênua fachada municipalista não podia, contudo, resistir ao embate dos interesses em choque. Logo revelou-se o que realmente era, o jogo de cena a esconder uma luta pelo poder entre o credor urbano e o devedor rural.”
Ficha técnica
TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: Evaldo Cabral de Mello. A fronda dos mazombos,
São Paulo, Cia. das Letras, 1995, p. 123. CRÉDITOS: Evaldo Cabral de Mello
PALAVRAS-CHAVE: guerra dos mascates, aristocracia açucareira, identidades políticas
A partir dos documentos e de seus conhecimentos sobre a Guerra dos Mascates escolha a alternativa mais adequada:
Questão 3 16237759
ONHB Fase 4 2020O que significava ser cidadão nos tempos coloniais
“(…) Nem sempre a cidadania foi encarada como um direito. Na Europa da época moderna, assim como no Brasil colonial, a cidadania não era considerada, como hoje, um direito político. Cidadãos eram aqueles que, por participarem do governo local, nas câmaras municipais, recebiam privilégios, honras e mercês do rei de Portugal. Tratava-se de uma sociedade organizada nos moldes do Antigo Regime, hierarquizada e excludente e, sobretudo, escravista.
Para discutirmos o significado de ser cidadão na sociedade colonial brasileira – produto da colonização dos Estados europeus na época moderna –, é necessário entendermos um pouco mais sobre aqueles Estados durante o período que se convencionou chamar de Antigo Regime (séculos XVI ao XVIII). Um dos temas mais debatidos pelos historiadores na última década refere-se ao estatuto político dos Estados na Europa da época moderna e os mecanismos de poder das monarquias absolutistas. É corrente a ideia de que a partir do século XVI as monarquias europeias se fortaleceram através de um processo de centralização política e do desenvolvimento de um aparelho burocrático, militar e fiscal capaz de exercer um controle crescente sobre o território e os indivíduos, criando assim novas formas de exercício do poder e de ordenação social. (...) no Brasil, o acesso aos cargos das câmaras das inúmeras vilas e cidades coloniais surgia como objeto de cobiça e de disputa entre grupos economicamente influentes nas localidades, constituídos principalmente por senhores de terras e de escravos – os chamados homens bons. Estas disputas podem ser entendidas como um dos fatores que indicam a centralidade daqueles cargos não apenas como espaço de distinção e hierarquização dos colonos, mas, e principalmente, de negociação com a Coroa. Isso porque as câmaras constituíram-se, entre várias outras instituições coloniais, em uma das principais vias de acesso a um conjunto de privilégios que permitia nobilitar os colonos; e que, ao transformá-los em cidadãos, os levou a participar do governo político do Império colonial português.”
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: Adaptado de: BICALHO, Maria Fernanda Baptista. “O que significava ser cidadão nos tempos coloniais”. ABREU, Martha, SOIHET, Rachel (org). Ensino de História: conceitos, temáticas e metodologia . Rio de Janeiro: FAPERJ/Casa da Palavra, 2009, pp. 139, 145. CRÉDITOS: Maria Fernanda Baptista Bicalho PALAVRAS-CHAVE: brasil colônia, cidadania
Assinale a alternativa mais adequada sobre a cidadania na sociedade colonial brasileira.
Questão 3 14946584
ONHB Fase 3 2020Os trechos de um poema de Cecília Meireles musicados por Sueli Costa falam da Sedição de Vila Rica, em 28 de junho de 1720, revolta contra a Coroa portuguesa que teve entre seus líderes Felipe do Santos, que pertencia às camadas populares. Leia esses trechos de ”Dorme, Meu Menino, Dorme”
Dorme, Meu Menino, Dorme
Dorme, meu menino, dorme...
Que o mundo vai se acabar
Vieram cavalos de fogo
São do Conde de Assumar
Pelo Arraial de Ouro Podre
Começa o incêndio a lavrar
Dorme, meu menino, dorme...
Dorme e não queiras sonhar
Morreu Felipe dos Santos e,
por castigo exemplar,
depois de morto na forca,
mandaram-no esquartejar
Dorme, meu menino, dorme...
Que Deus te ensine a lição
dos que sofrem neste mundo
Violência e perseguição
Morreu Felipe dos Santos
Outros, porém nascerão
Morreu Felipe dos Santos
Outros, porém nascerão
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Literatura / Música ORIGEM: Poema: MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. São Paulo: Editora Global. 2013 [1953]. Música: Sueli Costa LP RESISTINDO Gravadora: Philips Catálogo: 6349 323 Ano: 1977 Artistas: Quarteto Em Cy CRÉDITOS: Poema: Cecília Meireles Música: Sueli Costa PALAVRAS-CHAVE: minas gerais, poesia, música
O documento:
Questão 2 14946580
ONHB Fase 3 2020Pós-abolição e quotidiano
”Há certas ocasiões, oportunas e fugazes, em que o acaso nos inflige certa postura; outras vezes, ao contrário, tais medidas são antes um benefício do que um infortúnio. Esse é o caso de Benedicto Manuel.
O ano era 1896, portanto, já contava oito do decreto da lei áurea. Segundo nos esclarecem os depoimentos consultados, por volta das 8h da noite, faziam a ronda na fazenda, perto dos cafezais, três empregados: Amancio Rufino da Conceição, Paschoal Grecco e Franscico Cerratori. Ali estavam porque foram encarregados de descobrir o(s) autor(es) de diversos furtos recentes de café
Contam que estavam os três junto à porteira que divide o pasto da fazenda do respectivo cafezal, inertes, quando avistaram surgir o ’preto’ Benedicto Manoel. Às costas carregava uma saca de café. Continha, ao que se calculou posteriormente, mais ou menos uma arroba do dito gênero. Quando indagado sobre a procedência daquele café, declarou o denunciado que o apanhou de um monte, situado à margem do caminho, pelo que foi preso e entregue ao administrador da fazenda, sendo conduzido mais tarde à cidade. Em certo momento, procurou ainda o denunciado evadir-se, não logrando seu intento, pois foi imediata e novamente capturado.
(...)
Logo em seguida, o delegado interrogou o indiciado. Foi-lhe perguntado o que usualmente se inquiria aos denunciados: seu nome, idade, estado civil, nacionalidade, ocupação, moradia e se sabia ler e escrever. Ao que respondeu respectivamente chamar-se Benedicto Manoel, contando com a idade de 45 anos, casado, brasileiro, pedreiro e residente na rua Francisco Glicério, pegado ao número 110, não sabendo ler nem escrever. Quando indagado se tinha ciência do motivo pelo qual se achava preso retorquiu:
(...) que em dias deste mês foi ele respondente, convidado em sua própria casa, em presença de Benedicto Clemente de Tal, por um seu patrício Antônio da Silva colono da Fazenda Matto Dentro, para ir na mesma fazenda ajudá-lo a colher café, ao que ele respondente não anuiu porém pela insistência de Antônio da Silva, resolveu [resolvera?] ir ajudá-lo, sendo que o primeiro dia que prestou esse serviço foi no dia onze do corrente; que trabalhou três dias na fazenda, vindo dormir todas as noites em sua casa; que no dia treze, resolveu ele respondente a não continuar mais nesse serviço pois que estava sendo prejudicado em seus salários; então, preveniu Antônio da Silva, que não continuasse mais a trabalhar, e ia para sua casa ao anoitecer; que chegando essa hora, isto as oito da noite Antônio da Silva lhe fez presente metade de um leitão e um pouco de café em coco , que havia recebido do patrão; que posto isto dentro de um saco, ele respondente dirigiu-se ao caminho da cidade, para ir para sua casa; que ao chegar a porteira do cafezal foi ele preso pelos rondantes, que examinando o saco que trazia, disseram que o café era furtado, mas que estavam ali mesmo a espera de Antônio da Silva sobre quem havia denúncia de furto de café; que daí foi ele respondente conduzido a fazenda, e em seguida a esta cidade; que na ocasião que era conduzido preso a esta cidade, conseguiu evadir-se de seus condutores, sendo novamente preso em sua casa muito tempo depois. ”
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: AMANCIO, Kleber Antonio de Oliveira. Pós-abolição e quotidiano: ex-escravos, ex-libertos e seus descendentes em Campinas (1888-1926). São Paulo: Alameda, 2013, pp. 46-50. CRÉDITOS: Kleber Antonio de Oliveira Amancio GLOSSÁRIO: Café em coco: Café com casca. PALAVRAS-CHAVE: pós-abolição, campinas
A respeito do contexto do pós-abolição e do processo, descrito no texto de Kleber Amancio, escolha a alternativa mais pertinente.
Questão 2 14946182
ONHB Fase 2 2020Em 1938 foi criada uma Comissão Nacional do Livro Didático, um selo do programa governamental de Getúlio Vargas. Leia um fragmento do texto legal que regimentou essa Comissão e assinale a alternativa mais pertinente:
Romance II ou do Ouro Incansável
Mil bateias vão rodando
sobre córregos escuros;
a terra vai sendo aberta
por intermináveis sulcos;
infinitas galerias
penetram morros profundos.
De seu calmo esconderijo,
o ouro vem, dócil e ingênuo;
torna-se pó, folha, barra,
prestígio, poder, engenho . . .
É tão claro! — e turva tudo:
honra, amor e pensamento.
Borda flores nos vestidos,
sobe a opulentos altares,
traça palácios e pontes,
eleva os homens audazes,
e acende paixões que alastram
sinistras rivalidades.
Pelos córregos, definham
negros a rodar bateias.
Morre-se de febre e fome
sobre a riqueza da terra:
uns querem metais luzentes,
outros, as redradas pedras.
Ladrões e contrabandistas
estão cercando os caminhos;
cada família disputa
privilégios mais antigos;
os impostos vão crescendo
e as cadeias vão subindo.
Por ódio, cobiça, inveja,
vai sendo o inferno traçado.
Os reis querem seus tributos,
— mas não se encontram vassalos.
Mil bateias vão rodando,
mil bateias sem cansaço.
Mil galerias desabam;
mil homens ficam sepultos;
mil intrigas, mil enredos
prendem culpados e justos;
já ninguém dorme tranqüilo,
que a noite é um mundo de sustos.
Descem fantasmas dos morros,
vêm almas dos cemitérios:
todos pedem ouro e prata,
e estendem punhos severos,
mas vão sendo fabricadas
muitas algemas de ferro.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Literatura ORIGEM: MEIRELES, Cecília. “Romance II ou do Ouro Incansável”. Romanceiro da Inconfidência. São Paulo: Editora Global. 2013 [1953]. CRÉDITOS: Cecília Meireles PALAVRAS-CHAVE: ouro, minas gerais, literatura
Sobre o poema, assinale a alternativa mais adequada:
Questão 6 14946083
ONHB Fase 1 2020História do Brasil de Frei Vicente de Salvador
”Da origem do gentio do Brasil, e diversidade de línguas que entre eles há
D. Diogo de Avalos (...) na sua Miscelânea Austral, diz que nas serras de Altamira, em Espanha, havia uma gente bárbara, que tinha ordinária guerra com os espanhóis, e que comiam carne humana, do que enfadados os espanhóis juntaram suas forças, e lhes deram batalha na Andaluzia, em que os desbarataram, e mataram muitos. Os poucos que ficaram não se podendo sustentar em terra a desempararam , e se embarcaram para onde a fortuna os guiasse, e assim deram consigo nas ilhas Fortunadas, que agora se chamam Canárias: tocaram as de Cabo Verde e aportaram no Brasil: saíram dois irmãos por cabos desta gente, um chamado Tupi e outro Guarani, este último deixando o Tupi povoando o Brasil passou ao Paraguai com sua gente, e povoou o Peru: esta opinião não é certa, e menos o são outras, que não refiro, porque não tem fundamento: o certo é que esta gente veio de outra parte, porém donde não se sabe, porque nem entre eles há escrituras, nem houve algum autor antigo, que deles escrevesse. O que de presente vemos é que todos são de cor castanha, e sem barba, e só se distinguem em serem uns mais bárbaros, que outros / posto que todos o são assaz.”
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Livro ORIGEM: Frei Vicente de Salvador. “Capítulo Décimo Segundo – da origem do gentio do Brasil, e diversidade de línguas que entre eles há”. História do Brasil , Livro Primeiro em que se trata do descobrimento do Brasil, costumes dos naturais, aves, peixes, animais e do mesmo Brasil, 1627, pp. 16-17. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2268 [http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action= &co_obra=2268] http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2268 CRÉDITOS: Frei Vicente de Salvador GLOSSÁRIO: Desempararam : desertaram. Assaz : Muito, bastante. PALAVRAS-CHAVE: indígenas, povoamento, brasil colonial
A obra de Frei Vicente de Salvador (1564-1633), História do Brasil em 5 volumes, foi trazida a público no ano de 1627. Neste fragmento do capítulo XII do Livro I, o autor brasileiro comenta sobre uma explicação para a origem dos povos ameríndios, a partir dos escritos de um renomado autor espanhol.
A partir da leitura do documento, podemos inferir que Frei Vicente:
06
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