Questões de EFAF História - Brasil - República
967 Questões
Questão 3 14945381
ONHB Fase 2 2024Documento
Grandes empresas y dictaduras en América Latina durante la Guerra Fría: nuevas contribuciones
O estudo de processos ditatoriais em diversos países da América Latina, no contexto da Guerra Fria, se ampliou e enriqueceu nos últimos anos, a partir de um trabalho crescentemente interdisciplinar e da crescente integração da produção de um conjunto de países da região. Há casos-chave como os da Ford Motor, Mercedes-Benz e Siemens na Argentina, Volkswagen do Brasil, da represa de Tucuruí construída pela Eletronorte e das grandes construtoras no Brasil, o caso da empresa de cobre Madeco no Chile, além (...) do papel dos bancos e do setor financeiro em vários países latino-americanos para a sustentação dos processos repressivos.
O caso da Volkswagen Brasil, não apenas uma fábrica emblemática do ABC paulista e um caso amplamente discutido porque foi denunciado pelos sobreviventes, mas um caso muito claro de articulação militar-empresarial, foi investigado pela Comissão Nacional da Verdade, foi objeto de investigação do Ministério Público Federal (MPF) e levou à assinatura de um acordo por parte da empresa. (...) Este caso permite discutir diversas evidências do apoio da empresa à ditadura, o aproveitamento e os benefícios obtidos e o controle sobre o ativismo sindical, assim como o processo repressivo leva adiante dentro da própria empresa, sendo o caso de Lucio Bellentani o mais emblemático. O caso da represa Tucuruí, cuja construção esteve à cargo da empresa Eletronorte (Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A.), que desde 1973 começou a ocupar o norte do Brasil, incluindo a região do Amazonas, permite um olhar extremamente interessante sobre uma empresa estatal de infraestrutura em um setor estratégico. O caso dessa represa, localizada no rio Tocantins, 300 km ao sul de Belém, capital do Pará, permite acessar à informação chave sobre o papel do Serviço Nacional de Informações (SNI), que foi estabelecido depois da ditadura com o apoio da CIA norte-americana e que propunha coordenar e supervisionar todo o território do país.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: Grandes empresas y dictaduras en América Latina durante la Guerra Fría: Nuevas contribuciones. Victoria Basualdo In: Repressão aos trabalhadores e responsabilidade empresarial nas ditaduras do Cone Sul / Larissa R. Corrêa, Marcelo Almeida de Carvalho Silva, Richard Martins (orgs.). – Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2022. 1 recurso eletrônico (190 p.) – (Coleção Interseções). Pgs 37, 40-41. Tradução equipe ONHB. CRÉDITOS: Coleção Interseções PALAVRAS-CHAVE: história da américa, ditadura civil-militar
Documento
Empresas passavam ‘listas negras’ de trabalhadores a órgãos de repressão.
O relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) identificou civis e empresas que colaboraram com o regime militar. O documento enumera 53 empresas, tanto estrangeiras quanto nacionais e de portes variados, que contribuíram de alguma forma com a concretização do golpe de 1964. Entra elas estão: Volkswagen, Johnson & Johnson, Esso, Pirelli, Texaco, Pfizer e Souza Cruz.
Já durante o período militar, a CNV destaca, entre as ações mais nocivas à luta dos trabalhadores por seus direitos, o poderoso sistema de controle e vigilância em fábricas e empresas, que repassavam ”listas negras”, com nome de trabalhadores, diretamente a órgãos de repressão. Segundo testemunhos, o operário que entrasse, por exemplo, com um jornal considerado ”estranho” debaixo do braço era imediatamente posto sob vigilância. De acordo com a Comissão, recursos de autoridades civis também ajudaram na montagem do Departamento de Ordem Político e Social (DOPS) paulista.
Nesta semana, um relatório parcial da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo mostrou que, nos últimos três anos, a entidade realizou diversas audiências e eventos com foco na investigação da colaboração de empresas com a ditadura militar. Segundo o documento, uma das descobertas da Comissão foi a visita do diretor da General Motor ao DEOPS/SP e a doação, por essa empresa, de abafadores de ruído para os instrutores de tiro. A informação foi obtida em audiência com um escrivão da polícia em fevereiro deste ano.
“A GM não deu apenas os protetores de ouvido. Ela montou, onde é a Sala São Paulo hoje, no estacionamento, um stand de tiro, que foi inaugurado pelo presidente da empresa. Não foi uma coisa à toa. A GM forneceu todos os carros da repressão: as veraneios, os opalas e os chevettes dos agentes. Eles compravam seus carros a preço de custo. A Volkswagen fazia o papel da repressão dentro de todas as empresas”, afirma o presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, deputado Adriano Diogo (PT).
Outra denúncia, citada no relatório, foi a da construção pela empreiteira Camargo Corrêa de uma cadeia clandestina para os índios que protestavam contra a invasão de suas terras em Roraima nos anos 1970.
Sobre a possibilidade de punição dessas empresas, Fernandes explica que a Comissão irá sugerir que essas companhias participem de alguma forma de reparação. “Eles precisam fomentar políticas públicas de verdade e memória. Também vamos pedir que essas denúncias sejam investigadas para saber se foram casos de lesa-humanidade”, afirma.
Segundo o deputado Adriano Diogo, a discussão sobre a punição de empresas e financiadores da ditadura ainda precisa ser ampliada. “No exterior, a punição foi dada aos funcionários de empresas. Começou, na II Guerra Mundial, com as empresas que contribuíram com o Terceiro Reich de Hittler. A Ford foi a que mais contribuiu. Essa discussão foi crescendo em outros países, mas no Brasil ela está só começando. Quem tem que ser processado? As empresas? Os empresários ou os diretores? Nenhuma reparação foi feita por essas empresas”, explica.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: Empresas passavam ‘listas negras’ de trabalhadores a órgãos de repressão. Comissão da Verdade aponta mais de 50 empresas que contribuíram com o golpe de 64. H. MENDONÇA. El País. São Paulo - 10 12 2014. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/10/politica/1418237519_479087.html CRÉDITOS: H. MENDONÇA PALAVRAS-CHAVE: ditadura civil-militar, história da américa
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