Questões de EFAF História
7.715 Questões
Questão 6 14946004
ONHB Fase 3 2024Ouça e acompanhe a letra da canção “Peabiru”, de Almir Sater. Em seguida, leia o trecho da reportagem que descreve algumas das interpretações historiográficas sobre o Caminho do Peabiru:
Documento
Peabiru
Quem souber, podia me dizer
Onde é que nosso ouro foi
Pau-brasil faz tempo que sumiu
Dessa terra tão abençoada
Que entrou em outra jogada
E hoje é tudo soja, milho e boi
Quem souber podia me dizer
Como é que eu faço pra pegar
A velha estrada do Peabiru
Que vem lá de Santa Catarina, Paraná
Paraguai acima, e atravessa a América do Sul
Na promessa de um Eldorado
Vinham almas aventureiras
Sempre a procurar horizontes
Venceram até cordilheiras
E o Pacífico era azul
Quem souber podia me dizer
Onde é que a gente se meteu
Nessa imensa faixa de fronteira
Cujo o nome é terra de ninguém
Onde reina e manda qualquer um
Onde o rei pode ser um fora da lei
Quem souber podia me dizer
D’onde é que veio esse som
Tá com jeito meio do Altiplano
Onde o povo segue celebrando
O Sol, a Lua e tudo que é profano
No tango, charango, viola e chamamé
Na promessa de um Eldorado
Vinham almas aventureiras
Sempre a procurar horizontes
Venceram até cordilheiras
E o Pacífico era azul
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Canção ORIGEM: Peabiru · Almir Sater Peabiru 2022 Cantaville Released on: 2022-06-03 Auto-generated by YouTube. CRÉDITOS: Almir Sater PALAVRAS-CHAVE: história da música, formação do território, indígenas
Documento
Caminho de Peabiru: a fascinante rota indígena que conecta o Atlântico ao Pacífico
Eu havia viajado até o Estado do Paraná, não muito longe da fronteira com o Paraguai, em busca dos restos do Caminho de Peabiru — uma rede de trilhas com 4 mil quilômetros de extensão, que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico, construída ao longo de milênios pelos povos indígenas sul-americanos.
A maior parte do caminho original desapareceu, consumido pela natureza ou transformado em rodovias ao longo dos séculos. [...] No entanto, é fácil compreender por que essa trilha transcontinental cativa a imaginação das pessoas com tanta facilidade — uma fascinação que vem desde o primeiro europeu conhecido por caminhar por toda a sua extensão: o navegador português Aleixo Garcia.
Garcia naufragou no litoral de Santa Catarina no ano de 1516, depois do fracasso de uma missão espanhola que pretendia navegar pelo Rio da Prata. Ele e meia dúzia de outros navegadores foram acolhidos pelos indígenas guaranis. Oito anos mais tarde, depois de ouvir as histórias sobre um caminho que levava até um império nas montanhas, rico em ouro e prata, Garcia viajou com 2 mil guerreiros guaranis até os Andes, a cerca de 3 mil quilômetros de distância.
[...] As trilhas que vinham do Brasil conectavam-se à rede de estradas incas e pré-incas através dos Andes, que hoje recebem muitos visitantes, mas o Caminho de Peabiru propriamente dito deixou poucos vestígios.
As teorias divergem não apenas sobre a época da sua criação, mas também o local exato por onde a rota passava. ”Sempre teremos várias hipóteses”, explica a arqueóloga Cláudia Inês Parellada. ”É difícil ter certeza sobre o caminho completo porque ele mudou ao longo do tempo.”
O consenso é que o caminho principal da rede conectava o litoral leste e oeste da América do Sul. Dos seus pontos de partida no litoral brasileiro (onde hoje ficam os Estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina), as trilhas se reuniam no Paraná, prosseguindo através do território que hoje forma o Paraguai até a região de Potosí, na Bolívia, que era rica em prata.
Ao chegar ao lago Titicaca (hoje, fronteira entre a Bolívia e o Peru), o caminho seguia até Cusco — a capital do império inca — e, de lá, descia até o litoral peruano e o norte do Chile. ”Pode-se dizer que o roteiro do Peabiru era aquele que acompanhava o movimento aparente do Sol, nascente-poente”, segundo Rosana Bond, na série literária História do Caminho de Peabiru, publicada em 2021. Nessa série, a pesquisadora brasileira analisa diversas hipóteses plausíveis sobre as origens da trilha e conclui que a rede de caminhos provavelmente foi criada e usada por diversos grupos indígenas ao longo dos séculos, mas sua característica principal era o desejo de conectar o Atlântico ao Pacífico.
Entre os povos a que Bond se refere, encontram-se os guaranis, uma das maiores populações nativas remanescentes na América do Sul. Eles vivem em parte do Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia.
O Caminho de Peabiru é uma rota física e espiritual na cultura guarani, que leva a um paraíso mitológico chamado por eles de Yvy MarãEy, que fica além da água (o Oceano Atlântico), onde nasce o Sol. Esse paraíso (”a terra sem mal”, em tradução livre) é mencionado na tradição oral dos guaranis, nos seus rituais, música, dança, simbologia e em nomes de lugares. As lendas guaranis chegam a dizer que a rede de caminhos é um reflexo da Via Láctea na Terra.
Mas, para os colonizadores europeus (como o navegador português Aleixo Garcia), o caminho espiritual dos guaranis para o paraíso tornou-se uma via rápida até as riquezas dos incas nas expedições pelo Novo Mundo, que acabaram por causar a morte em massa das populações indígenas da América do Sul pela guerra, pela fome e, principalmente, pelas doenças.
As lendas sobre o Eldorado e a Serra da Prata trouxeram frotas de navios espanhóis e portugueses através do Atlântico e alguns grupos indígenas os ajudaram a penetrar no interior do continente, através do Caminho de Peabiru, segundo Parellada.
”Conhecer as rotas e trilhas principais através das populações nativas tornou-se uma vantagem estratégica, que amplificou o saque, a destruição e a cobiça de novos territórios e riquezas minerais”, explica ela.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal eletrônico ORIGEM: BALSTON, Catherine. Caminho de Peabiru: a fascinante rota indígena que conecta o Atlântico ao Pacífico. BBC News Brasil, 26 jun. 2022. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/vert-tra-61808692. Acesso em: 19 jan. 2024 (adaptado). CRÉDITOS: Catherine Balston PALAVRAS-CHAVE: indígenas, formação do território
Em relação aos elementos apresentados pela reportagem sobre o Caminho do Peabiru, o trecho da canção
Questão 4 14945987
ONHB Fase 3 2024Observe as propagandas:
Documento
Na câmara de torturas o TV Philips 550 resistiu a tudo

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Propaganda ORIGEM: O ESTADO DE S. PAULO: PÁGINAS DA EDIÇÃO DE 05 DE OUTUBRO DE 1969 - PAG. 23. Disponível em: https://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19691005-28986-nac-0023-999-23-not. Acesso em 26 mai. 2024. CRÉDITOS: O Estado de São Paulo. PALAVRAS-CHAVE: mídias, publicidade
Documento
Na câmara de torturas o TV Philips 550 resistiu a tudo

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Propaganda ORIGEM: Revista Manchete, 1969. X, Baú da Propaganda Nacional. Disponível em: https://x.com/bpnacional/status/1564987624808452098?s=48. Acesso em 26 mai. 2024. CRÉDITOS: Baú da Propaganda Nacional. PALAVRAS-CHAVE: publicidade, mídias
Sobre as propagandas e o contexto de sua produção escolha uma alternativa:
Questão 5 14945927
ONHB Fase 3 2024Leia o texto a seguir, publicado no suplemento especial de Seleções Reader’s Digest, em março de 1964:
Documento
Modos e modas do Rio Grande do Sul

Ele vem surgindo, ao passo tranquilo do cavalo, como se brotasse da planície sem fim. Donde veio, ninguém sabe. É não só uma mistura de raças como também uma mistura de épocas. Sua barba rala e seus olhos rasgados, sua pele curtida de sol, seu amor à Natureza, denotam o sangue índio. Mas o seu código de honra traz os brasões de um cavaleiro europeu da Idade Média; a indumentária é mescla de um poncho incaico e de uma bombacha oriental. Mescla há também em suas crenças como em tudo, em tudo que brota da planície do tempo e do mistério.
Ele apeia. A hospitalidade o recebe com uma cuia de mate-chimarrão. Mate é a bebida; chimarrão é adjetivo traduzindo amargor. Mas, juntas as duas palavras, na tradição do pampa, é mais que um nome, é um ritual. Ritual dos índios guaranis sorvendo de boca em boca um trago de paz e solidariedade.
Ele canta. Ou é um cântico guerreiro, nascido das centenárias lutas de fronteira, ou é um hino de lirismo endereçado à mulher. “ Prenda Minha” – minha joia, meu tesouro – é obra-prima de lirismo.
Ele ama. A guerra o ensinou a confiar seu lar e os bens à companheira quando a luta o chamava para os confins da fronteira. Na escolha da “prenda”, na escolha da mulher, há o cuidado de quem busca uma sacerdotisa para a guarda dos penates . Conquista que se faz com rompantes de bravura e com meneios de dança, nesta mão a espada mas na outra a flor; guerra e amor unidos sempre como força de defesa na convulsão fronteiriça.
Ele dança. Danças que só vingam quando são “de par” – homem e mulher trocando afeto ao ritmo da “ tirana ”, do “ anu ”, da “ chimarrita ” – enquanto o resto do Brasil é um carnaval de homens soltos onde a mulher pouco importa. É nessas danças que melhor se pode observar a sua indumentária campeira: esporas, um poncho-pala de seda, cortante faca à cintura, no pescoço um lenço que tanto serve para prensar ferimentos como para o requinte de um minuete caboclo.
Ele crê. Em seu altar primitivo, há lugar para dois santos: Negrinho do Pastoreio e São Sepé Tiaraju. O primeiro, humilde escravo, morreu dos maus tratos de um sinhô ; hoje intercede junto à Nossa Senhora em favor daqueles que, com humildade, lhe acendem um toco de vela. O outro foi guerreiro índio; morreu lutando contra a prepotência, ressuscitou para morrer de novo em defesa de seu povo. São Sepé nunca se curvou e em seu culto só há lugar para quem grita altivez. Que o devoto escolha o melhor rumo na dualidade dessa religião... Eis o gaúcho. Mais que um homem, ele é um mito; assim confunde-se a fisionomia viril do Rio Grande.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Revista ORIGEM: Barbosa Lessa. Modos e modas do Rio Grande do Sul. Suplemento Especial da Revista Seleções Reader’s Digest – Março de 1964. Acervo: Instituto Memória Histórica e Cultural da Universidade de Caxias do Sul. CRÉDITOS: Revista Seleções Reader’s Digest; Barbosa Lessa. GLOSSÁRIO: Seleções Reader’s Digest : revista mensal criada em 1922, sendo publicada em mais de 30 línguas e distribuída em mais de 100 países. Tem um formato em tamanho reduzido em comparação com revistas tradicionais. Se caracteriza por trazer artigos selecionados sobre assuntos diversos, como cultura, saúde, anedotas, entre outros, mas de modo condensado, a partir de textos maiores publicados em outras revistas ou jornais, sendo portanto destinada a “leitores com pouco tempo” (por isso, recebeu o título de “reader’s digest”, traduzido livremente por “leitura digerida”). No Brasil, a revista começou a ser distribuída em 1942, e mantém edições até os dias atuais. Poncho : capa de lã, geralmente em formato quadrado, com uma abertura no centro. Incaico : relativo aos Incas. Bombacha : tipo de calça masculina que, folgada nas pernas e abotoada na altura dos tornozelos, compõe um traje típico do Rio Grande do Sul. Apeia : do verbo apear, aqui tem o sentido de descer do cavalo, desmontar, descavalgar. Prenda : no regionalismo do Rio Grande do Sul, significa mulher jovem, moça, garota. Penates : lar, casa, domicílio. Tirana : dança com sapateado, semelhante ao fandango. Anu : tipo de dança valsada que envolve casais. Chimarrita : outra dança típica do folclore gaúcho, feita em pares (casais), tendo como característica o bater de palmas e dos pés. Poncho-pala : mesmo que poncho. ‘Pala’ remete a um tipo da peça, de origem indígena. Minuete : mesmo que minueto, tipo de dança folclórica gaúcha, cuja origem remete à França. Sinhô : mesmo que “senhor de escravos”. PALAVRAS-CHAVE: regionalismo, modos de ser e de viver
O texto:
Questão 1 14945519
ONHB Fase 3 2024Documento
Em nome do objeto: museu, memória e ensino de história
Uma proliferação incessante de objetos. Essa é, certamente, uma característica do mundo no qual vivemos. Além do aparecimento constante de certas novidades que rapidamente se tornam de uso mais ou menos comum, como o telefone celular, o videocassete ou o CD, coisas já inventadas ganham rapidamente outras cores e formatos Estamos, como diz Jean Baudrillard, no “tempo dos objetos”. No passado, não muito distante, havia uma perenidade que hoje já não há: “os objetos viam o nascimento e a morte de gerações humanas. Atualmente, são os homens que assistem ao início e ao fim dos objetos”.
Quem nasceu nos anos 1970 não manuseou discos de cera, com uma música de cada lado. Para os adolescentes da década de 1990, o disco de vinil apresentou-se como coisa fora de uso comum. E assim, vemos nascer e morrer objetos, com uma rapidez que assusta e excita, no desejo sempre renovado de consumir. O “tempo dos objetos” pressupõe a existência da “sociedade de consumo”.
No cotidiano, usamos uma infinidade de objetos: desde a televisão até uma roupa. Por outro lado, pouco pensamos sobre os objetos que nos cercam. Se pouco refletimos sobre nossos próprios objetos, a nossa percepção de objetos expostos no museu será também de reduzida abrangência. Sem o ato de pensar sobre o presente vivido, não há meios de construir conhecimento sobre o passado. E o próprio conhecimento do presente já pressupõe referências ao pretérito. É por isso que qualquer museu histórico pode (e deve) ter, em seu acervo, artefatos do mundo contemporâneo.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: RAMOS, Francisco Régis Lopes. Em nome do objeto: museu, memória e ensino de história. Fortaleza, Imprensa Universitária da Universidade Federal do Ceará (UFC), 2020. Pgs. 31, 38, 41. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/56706. Acesso em 26 mai 2024. CRÉDITOS: Francisco Régis Lopes Ramos PALAVRAS-CHAVE: cultura material, historiografia
Documento
Do teatro da memória ao laboratório da História: a exposição museológica e o conhecimento histórico
Enfim, do ponto de vista metodológico (base também para uma sólida exploração educacional), as possibilidades da exposição histórica são privilegiadas. Não sendo a História um conjunto a priori de noções, afirmações e informações - mas uma leitura em que ela mesma institui, em última instância, aquilo que pretende tornar inteligível - ensinar História só pode ser, obrigatoriamente, ensinar a fazer História (e aprender História, aprender a fazer História). Por isso, a diretriz (...) de um museu histórico seria transformar-se num recurso para fazer História com objetos e ensinar como se faz História com os objetos.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. Do teatro da memória ao laboratório da História: a exposição museológica e o conhecimento histórico. São Paulo. Anais do Museu Paulista. V.3, jan/dez 1995, pgs 39-40. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/anaismp/article/view/5289. Acesso em: 26 mai 2024. CRÉDITOS: Ulpiano T. Bezerra de Meneses PALAVRAS-CHAVE: museus, historiografia, cultura material
Documento
Os objetos sobrevivem ao morto
Os objetos sobrevivem ao morto:
os sapatos,
o relógio,
os óculos
sobrevivem
ao corpo
e solitários restam
sem conforto.
Alguns deles, como os livros,
Ficam com o destino torto.
Parecem filhos deserdados
ou folhas secas no horto.
As joias perdem o brilho
embora em outro rosto.
Não deveriam
deixar pelo mundo
espalhados
os objetos órfãos do morto, pois eles são, na verdade,
fragmentos
de um corpo.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Poema ORIGEM: SANT’ANNA, Affonso Romano de. Intervalo amoroso e outros poemas escolhidos. Porto Alegre: L&PM, 1999. p. 78. CRÉDITOS: Affonso Romano de Sant’Anna PALAVRAS-CHAVE: literatura, cultura material
Os dois textos acadêmicos, em conjunto com o poema, estabelecem:
Questão 7 14945467
ONHB Fase 2 2024Documento
A market stall (Uma tenda de mercado), 1821

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Gravura ORIGEM: Henry Chamberlain, A market stall (Uma tenda de mercado), 1821. Gravura, água-tinta e aquarela sobre papel, 26,1 x 35,8 cm. Londres: Gravador John Clark; Edição Howlwett and Brimmer; a partir de Joaquim Cândido Guillobel. Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil. Coleção Brasiliana/ Fundação Estudar. Doação da Fundação Estudar, 2007. Disponível em: https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/19451/a-market-stall. Acesso em: 27 fev. 2024. CRÉDITOS: Henry Chamberlain; Gravador John Clark; Edição Howlwett and Brimmer; a partir de Joaquim Cândido Guillobel. PALAVRAS-CHAVE: economia, história da escravidão, história da arte
Documento
Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil
Por volta das 6 horas da manhã surgem os carregadores de água e de leite e as vendedoras de pão-de-ló. De 6 a 7 horas encaminham-se sossegadamente para o centro da cidade os negros de ganho; uns preparam durante o caminho folhas de palmeiras para a confecção de chapéus, enquanto outros, menos ativos, acertam sossegadamente o passo ao som da marimba . Na mesma hora, esto (sic) é, de 6 a 8 horas, os mercados situados nas praias de desembarque e já abastecidos pelas embarcações chegadas de madrugada, apresentam um movimento generalizado de quitandeiras que se encontram o resto do dia nas ruas ou nos mercados internos da cidade. De 8 horas ao meio dia os cafés das grandes praças ou das imediações da Alfândega tornam-se o ponto de encontro dos comerciantes vindos do interior a negócios. De 8 às 11, vêem-se tropas chegadas de São Paulo e Minas estacionarem na rua Direita, na altura da Igreja da Cruz, descansando da última marcha noturna, depois de descarregada a mercadoria… Por volta das 4 da tarde tornam a aparecer nas ruas as vendedoras de pão-de-ló para a hora do chá. No mesmo momento aparecem também as vendedoras de velas; outras vendem doces, sonhos, etc; estas últimas se dirigem para o largo do Palácio onde se reunem das 4 às 7 os pequenos capitalistas e negociantes. De 7 às 10 ouve-se nas ruas o pregão dos vendedores de amendoim torrado, de milho assado, pasteis quentes, pasteis de palmito, pudim quente, manuê , etc, iguarias todas de grande procura...
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Relato de viajante ORIGEM: Jean Baptiste Debret. Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, São Paulo, Livraria Martins, 1972, p. 288. CRÉDITOS: Jean Baptiste Debret. GLOSSÁRIO: Marimba : espécie de tambor tocado pelo povo cafre, instrumento de percussão constituído por placas de madeira formando um teclado, percutidas por duas baquetas, tendo cabaças como ressoadores; marimbau; Manuê : manauê, bolo de fubá de milho e mel, por vezes com acréscimo de outros ingredientes. PALAVRAS-CHAVE: história da escravidão, economia, relatos de viajante
Sobre o pequeno comércio no Brasil do século XIX, a partir da leitura dos documentos acima e de seus conhecimentos prévios, escolha uma alternativa
Questão 6 14945451
ONHB Fase 2 2024Leia a notícia da Revista Time:
Documento
Quatro homens em uma jangada

Tradução
Estas imagens contam a história de uma viagem homérica que resultou em um milagre político no Brasil. Sessenta e um dias e 2.650 milhas fora de seu porto de origem, Fortaleza (CE), a jangada chamada São Pedro navegou até o porto do Rio de Janeiro. Dois meses antes, a tripulação do São Pedro era composta por quatro simples jangadeiros. Como outros pescadores brasileiros, eles navegavam nas suas jangadas, pescando com arrasto. Mas, eles tinham que entregar metade do que haviam pescado ao dono da jangada; a outra metade mal servia para sustentar quatro homens. O que mais os irritou foi que os jangadeiros não eram abrangidos pelos benefícios das leis de seguridade social do Brasil.
O líder Manoel Olímpio Meira e seus companheiros, que o chamam de ”Jacaré”, içaram as velas e partiram em setembro em uma viagem de 2.650 milhas ao longo da costa do Brasil até a capital, para contar ao presidente Getúlio Dornelles Vargas seus problemas. Sem um único instrumento de navegação, enfrentando vento e chuva, queimados pelo sol, seguiram para o sul. Aldeias de pescadores surgiam para recebê-los, alimentá-los e protegê-los.
Quando os quatro jangadeiros chegaram ao Rio, a imprensa já os transformara em heróis nacionais. No porto, aglomeravam barcos de pesca, apitando e agitando bandeiras. De lá, saiu um rebocador da Marinha. Saíram veleiros, barcos a remo, lanchas, canoas, iates, e uma lancha cheia de Escoteiros do Mar. A Banda da Marinha e a Banda da Polícia Municipal tocaram na Praça Mauá. Um guindaste tirou a São Pedro da água e baixou-a até um caminhão. Pela rua principal do Rio, lotada a Avenida Rio Branco, avançava a São Pedro. Atrás passava um desfile de centenas de caminhões sinalizados, cheios de membros de sindicatos e autoridades.
No Guanabara (Palácio Presidencial), o astuto presidente Vargas abriu os portões para a multidão, posou para fotos (veja abaixo), ouviu a história de Jacaré e prometeu-lhe justiça. Quando outras pessoas na multidão quiseram apresentar as suas próprias queixas, o Presidente fez uma audiência pública.
Dois dias depois, o Ministério do Trabalho da Presidência elaborou um projeto de lei especial, encaminhou-o a Getúlio Vargas, que o assinou. Agora, os jangadeiros estavam assegurados de todos os direitos trabalhistas sob a lei brasileira: fundos de aposentadoria, pensões para viúvas e filhos, casas, escolas, hospitalização. Levados pelo espírito da ocasião, os diretores da Navegação Aérea Brasileira ofereceram aos pescadores um [avião bimotor] Beechcraft para leválos de volta para casa. Tempo de voo Rio-Fortaleza: nove horas.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Revista OBSERVAÇÃO: Tradução de Anthony Beux Tessari. ORIGEM: Revista Time, 8 de dezembro de 1941. Disponível em: https://orsonwellesnobrasil.home.blog/2019/01/28/time-magazine-four-men-on-a-raft-08-12-1941/. Acesso em: 26 fev. 2024. CRÉDITOS: Revista Time PALAVRAS-CHAVE: jangadeiros, era vargas
A história dos quatro jangadeiros cearenses:
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