Questões de EFAF História - Temática
1.155 Questões
Questão 17 10782652
COLÉGIO SÓLIDO* 1º Ano 2024TEXTO
Daniel Munduruku: “Eu não sou índio, não existem índios no Brasil
– Peço licença para entrar no território de vocês. Eu venho questionar esse olhar quadrado que o ocidente desenvolveu e que exclui olhares circulares.
Foi assim que Daniel Munduruku deu início à sua fala histórica na 63ª Feira do Livro de Porto Alegre, trazendo a oralidade e a ancestralidade de seu povo em uma hora de conversa. Mediada pelo professor de história José Rivair de Macedo, a palestra teve também a presença de Angélica Kaingang, liderança jovem de sua comunidade e graduada em Serviço Social pela UFRGS. Um representante da etnia Guarani também foi convidado, mas não conseguiu comparecer.
Ator representa o pajé Jurecê, em Terra e Paixão, na Rede Globo, é Doutor em Educação pela USP, Pós-Doutor em Literatura pela Universidade de São Carlos e autor de 52 livros, Daniel iniciou sua fala desconstruindo o imaginário que a média da população brasileira tem em relação à palavra “índio” e a sua carga simbólica.
– Quando leem minha biografia, dizem que não sou mais índio, que já sou “civilizado”. Eu não sou índio e não existem índios no Brasil. Essa palavra não diz o que eu sou, diz o que as pessoas acham que eu sou. Essa palavra não revela minha identidade, revela a imagem que as pessoas têm e que muitas vezes é negativa.
Segundo o escritor, há dois conceitos no imaginário da sociedade brasileira intrínsecos a esta palavra: o olhar romântico, do “índio” que vive no meio do mato, e o aspecto ideológico que considera que “índios são preguiçosos e atrasam o progresso”. Esse imaginário, fruto do pensamento ocidental e colonizador, criou um achatamento da riqueza cultural brasileira, explicou Daniel.
– Quando a gente chama alguém de índio, não ofende só uma pessoa, ofende culturas que existem há milhares de anos. Esse olhar linear empobrece nossa experiência de humanidade. A gente defende um sistema de vida que tem dado certo há 3 mil anos – afirmou.
Um dos 307 povos indígenas do país, o povo Munduruku vive no Pará, Amazonas e Mato Grosso. Segundo Daniel, há cerca de 15 mil pessoas da etnia Munduruku no Brasil.
– No dia 19 de abril, a gente comemora um equívoco, porque se esconde a diversidade de povos que existem no Brasil. Cada povo cria seu modo de estar no mundo a partir da cultura, que é alimentada pela língua que ele fala. E cada povo tem suas tradições, sua crença, cultura, política e economia. Nós aprendemos que só existe a língua portuguesa por aqui né. Mas no Brasil existem 307 línguas muito antigas e diferentes entre si. E a língua é uma leitura de mundo. Quando a gente generaliza e diz que “o índio chama casa de oca”, imediatamente a gente está esquecendo que oca é apenas um jeito de falar. E essas línguas são tão diferentes entre si quanto o português é diferente do chinês. Se um Kaingang fala a língua dele, eu não sei para onde vai, porque é de um tronco linguístico diferente. Aí vocês podem entender porque o povo tupi (que é o meu caso, o povo Munduruku é tupi) se organiza de um jeito e porque o povo Kaingang, que é do tronco Macro-Je, se organiza de outro jeito.
O autor também criticou o uso da palavra “tribo” para se referir às aldeias e etnias, já que ela significa apenas um pedaço de um povo. Já a palavra “índio” não tem relação alguma com o verdadeiro significado dos povos originários do Brasil. Ao ser perguntado sobre a maneira mais adequada de tratamento, Daniel defendeu o uso da palavra indígena, que significa “nativo”, e pediu também que sejam consideradas as etnias.
Crítico dos modelos neoliberal e neo-desenvolvimentista de governança, Daniel abordou a relação entre os indígenas, os brancos e a natureza.
– É claro que nós [indígenas] temos muitas coisas em comum, porque nós somos parte da natureza, nós somos a natureza. A única diferença é que a sociedade “civilizada” trouxe o esquecimento para as pessoas – disse.
Daniel ressaltou o papel do agronegócio como uma ameaça ao meio ambiente e às comunidades tradicionais.
– Não tem importância nenhuma se destruir a natureza, se construir hidrelétrica na Amazônia, se colocar gado para acabar com a floresta, se derrubar tudo para o agronegócio, não tem problema, porque afinal, agro é pop, é legal ser agro – ironizou. – O Brasil é como um adolescente que não se aceita. É preciso fazer um resgate da nossa história e saber que somos um povo formado pelos negros, indígenas e europeus. Caso contrário, vamos entregar nossas riquezas para fora, como estamos fazendo com nosso minério.
Segundo ele, esse amadurecimento social contribuiria não só para os povos indígenas, mas para todo o país.
– Nós, indígenas, não temos esse conceito de propriedade privada, somos parte da natureza e não nos colocamos acima dos outros seres vivos. Quando o indígena luta pela terra, está lutando por um conjunto de vidas. Talvez essa mensagem de pertencimento seja a grande contribuição dos indígenas.
Representando a etnia Kaingang, Angélica deu seu depoimento enquanto Kaingang e moradora do Rio grande do Sul.
– A gente entende que nossos territórios indígenas estão com a gente também quando estamos na cidade, na universidade. Nossos conhecimentos ancestrais e tradicionais são tão valorosos quanto os não indígenas. Já ouvi muitas vezes que “lugar de índio” é no mato. Mas que mato está sobrando pra nós? – questionou.
[...]
Disponível em: https://www.nonada.com.br/2017/11/daniel-munduruku-eu-nao-sou-indio-nao-existem-indios-no-brasil/ . Acesso em: 21 de agosto de 2023.
Os diversos elementos que atuam como indicadores de argumentação em um texto são denominamos de modalizadores discursivos. Eles são os encarregados de evidenciar o ponto de vista assumido pelo falante e assegurar o modo como ele elabora o discurso.
Dos termos destacados abaixo, é exemplo de modalizador discursivo:
Questão 16 10782651
COLÉGIO SÓLIDO* 1º Ano 2024TEXTO
Daniel Munduruku: “Eu não sou índio, não existem índios no Brasil
– Peço licença para entrar no território de vocês. Eu venho questionar esse olhar quadrado que o ocidente desenvolveu e que exclui olhares circulares.
Foi assim que Daniel Munduruku deu início à sua fala histórica na 63ª Feira do Livro de Porto Alegre, trazendo a oralidade e a ancestralidade de seu povo em uma hora de conversa. Mediada pelo professor de história José Rivair de Macedo, a palestra teve também a presença de Angélica Kaingang, liderança jovem de sua comunidade e graduada em Serviço Social pela UFRGS. Um representante da etnia Guarani também foi convidado, mas não conseguiu comparecer.
Ator representa o pajé Jurecê, em Terra e Paixão, na Rede Globo, é Doutor em Educação pela USP, Pós-Doutor em Literatura pela Universidade de São Carlos e autor de 52 livros, Daniel iniciou sua fala desconstruindo o imaginário que a média da população brasileira tem em relação à palavra “índio” e a sua carga simbólica.
– Quando leem minha biografia, dizem que não sou mais índio, que já sou “civilizado”. Eu não sou índio e não existem índios no Brasil. Essa palavra não diz o que eu sou, diz o que as pessoas acham que eu sou. Essa palavra não revela minha identidade, revela a imagem que as pessoas têm e que muitas vezes é negativa.
Segundo o escritor, há dois conceitos no imaginário da sociedade brasileira intrínsecos a esta palavra: o olhar romântico, do “índio” que vive no meio do mato, e o aspecto ideológico que considera que “índios são preguiçosos e atrasam o progresso”. Esse imaginário, fruto do pensamento ocidental e colonizador, criou um achatamento da riqueza cultural brasileira, explicou Daniel.
– Quando a gente chama alguém de índio, não ofende só uma pessoa, ofende culturas que existem há milhares de anos. Esse olhar linear empobrece nossa experiência de humanidade. A gente defende um sistema de vida que tem dado certo há 3 mil anos – afirmou.
Um dos 307 povos indígenas do país, o povo Munduruku vive no Pará, Amazonas e Mato Grosso. Segundo Daniel, há cerca de 15 mil pessoas da etnia Munduruku no Brasil.
– No dia 19 de abril, a gente comemora um equívoco, porque se esconde a diversidade de povos que existem no Brasil. Cada povo cria seu modo de estar no mundo a partir da cultura, que é alimentada pela língua que ele fala. E cada povo tem suas tradições, sua crença, cultura, política e economia. Nós aprendemos que só existe a língua portuguesa por aqui né. Mas no Brasil existem 307 línguas muito antigas e diferentes entre si. E a língua é uma leitura de mundo. Quando a gente generaliza e diz que “o índio chama casa de oca”, imediatamente a gente está esquecendo que oca é apenas um jeito de falar. E essas línguas são tão diferentes entre si quanto o português é diferente do chinês. Se um Kaingang fala a língua dele, eu não sei para onde vai, porque é de um tronco linguístico diferente. Aí vocês podem entender porque o povo tupi (que é o meu caso, o povo Munduruku é tupi) se organiza de um jeito e porque o povo Kaingang, que é do tronco Macro-Je, se organiza de outro jeito.
O autor também criticou o uso da palavra “tribo” para se referir às aldeias e etnias, já que ela significa apenas um pedaço de um povo. Já a palavra “índio” não tem relação alguma com o verdadeiro significado dos povos originários do Brasil. Ao ser perguntado sobre a maneira mais adequada de tratamento, Daniel defendeu o uso da palavra indígena, que significa “nativo”, e pediu também que sejam consideradas as etnias.
Crítico dos modelos neoliberal e neo-desenvolvimentista de governança, Daniel abordou a relação entre os indígenas, os brancos e a natureza.
– É claro que nós [indígenas] temos muitas coisas em comum, porque nós somos parte da natureza, nós somos a natureza. A única diferença é que a sociedade “civilizada” trouxe o esquecimento para as pessoas – disse.
Daniel ressaltou o papel do agronegócio como uma ameaça ao meio ambiente e às comunidades tradicionais.
– Não tem importância nenhuma se destruir a natureza, se construir hidrelétrica na Amazônia, se colocar gado para acabar com a floresta, se derrubar tudo para o agronegócio, não tem problema, porque afinal, agro é pop, é legal ser agro – ironizou. – O Brasil é como um adolescente que não se aceita. É preciso fazer um resgate da nossa história e saber que somos um povo formado pelos negros, indígenas e europeus. Caso contrário, vamos entregar nossas riquezas para fora, como estamos fazendo com nosso minério.
Segundo ele, esse amadurecimento social contribuiria não só para os povos indígenas, mas para todo o país.
– Nós, indígenas, não temos esse conceito de propriedade privada, somos parte da natureza e não nos colocamos acima dos outros seres vivos. Quando o indígena luta pela terra, está lutando por um conjunto de vidas. Talvez essa mensagem de pertencimento seja a grande contribuição dos indígenas.
Representando a etnia Kaingang, Angélica deu seu depoimento enquanto Kaingang e moradora do Rio grande do Sul.
– A gente entende que nossos territórios indígenas estão com a gente também quando estamos na cidade, na universidade. Nossos conhecimentos ancestrais e tradicionais são tão valorosos quanto os não indígenas. Já ouvi muitas vezes que “lugar de índio” é no mato. Mas que mato está sobrando pra nós? – questionou.
[...]
Disponível em: https://www.nonada.com.br/2017/11/daniel-munduruku-eu-nao-sou-indio-nao-existem-indios-no-brasil/ . Acesso em: 21 de agosto de 2023.
As alternativas abaixo apresentam um posicionamento de Daniel Munduruku a respeito de um dado assunto, EXCETO:
Questão 13 10782638
COLÉGIO SÓLIDO* 1º Ano 2024TEXTO

Disponível em: https://64.media.tumblr.com/52e007f2028aaa09965fe6281779891f/tumblr_nldkndkVVH1u1iysqo1_540.pnj. Acesso em: 18 de agosto de 2023.
Plot twist é uma mudança radical na direção esperada ou prevista do enredo de uma obra narrativa. É uma prática muito usada para manter o interesse do público e para normalmente surpreendê-los com uma revelação surpresa.
A tirinha de Armandinho (texto VII) apresenta um plot twist quando
Questão 16 10136988
COTUCA 1° Ano 2024A média aritmética das idades de Artur e Bruno é 34 anos. Há 7 anos, a idade de Artur era o dobro da idade de Bruno.
Então, a idade de Bruno é um número:
Questão 17 15408812
CAp-UERJ 9 ano 2023ÁFRICAS
As ruas que circundavam a praça Onze e a região portuária da cidade eram como uma África
fincada no coração de um Rio de Janeiro tensionado pelo sonho cosmopolita de suas elites. Essa ideia
é consagrada não só na imaginação popular, como também na literatura e história que têm como tema
a cidade. O apelido de “berço do samba”, tantas vezes usado para se referir à velha praça e aos seus
[5] arredores, é exemplar disso.
Apesar da indiscutível centralidade da praça Onze, o estudo mais sistemático sobre a cidade e o
samba mostra ser mais coerente falarmos de um Rio de Janeiro de “pequenas Áfricas”, no plural. A ideia
de uma África cravada no coração da cidade ganhou contornos quase mitológicos, fundamentados
em referências orais e escritas que atestam o destaque da região.
[10] Devemos lembrar, entretanto, que as reconfigurações urbanas da cidade foram expandindo o Rio
de Janeiro cada vez mais para a Zona Norte, para os subúrbios e para o alto dos morros. Comunidades
negras acabaram tendo papéis de absoluta relevância no processo de ocupação dessas regiões. Um
caso exemplar é o bairro de Oswaldo Cruz, bem perto de Madureira, como diz um samba bonito do
Monarco.
[15] Para se falar de Oswaldo Cruz, convém começar pela Freguesia de Irajá. Ela foi criada no século
XVII e, com o tempo, se transformou em uma das principais zonas de abastecimento da cidade do Rio
de Janeiro, produzindo frutas tropicais, cachaça, hortaliças e materiais de construção saídos de suas
olarias. O abastecimento da cidade era feito por um pequeno porto situado na foz do rio Irajá, de onde
as embarcações desciam até o rio Meriti e seguiam por outros pequenos canais que desaguavam na
[20] baía de Guanabara.
Com as reformas urbanas do início da República, aumentou a ocupação dos morros das regiões
mais próximas ao centro - especialmente no Estácio, na Tijuca, na Saúde e em Vila Isabel -, e também
de alguns loteamentos do subúrbio.
Do loteamento da Fazenda do Campinho, na região de Irajá, surgiram os bairros de Campinho
[25] e Madureira. Ambos assistiram a um aumento no número de moradores nas primeiras décadas do
século XX. Oswaldo Cruz surgiu a partir do loteamento de terras pertencentes ao português Miguel
Gonçalves Portela, que concentravam grande parte do rebanho bovino da cidade.
Os poucos relatos existentes sobre Oswaldo Cruz nessa época descrevem uma região rural, sem água
encanada, luz elétrica e calçamento. As ruas eram cortadas por valões que dificultavam a passagem
[30] dos habitantes, obrigados a se locomover a pé ou a cavalo. Quando chovia, era um deus nos acuda.
O comércio era feito entre vários currais e se resumia a alguns armazéns e bares. Vez por outra, bois
e vacas que adentravam os estabelecimentos tinham que ser expulsos pela turma que bebericava e
botava a conversa em dia.
LUIZ ANTONIO SIMAS Adaptado de O corpo encantado das ruas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2023.
Apesar da indiscutível centralidade da praça Onze, o estudo mais sistemático sobre a cidade e o samba mostra ser mais coerente falarmos de um Rio de Janeiro de “pequenas Áfricas”, no plural. (l. 6-7)
Considerando a leitura global do texto, o emprego do plural em "pequenas Áfricas" tem a finalidade de destacar:
Questão 30 11436728
IFMS 2023________________ foi promulgada para proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e a livre formação da personalidade de cada indivíduo. A Lei fala sobre o tratamento de dados pessoais, dispostos em meio físico ou digital, feito por pessoa física ou jurídica de direito público ou privado, englobando um amplo conjunto de operações que podem ocorrer em meios manuais ou digitais.
(Brasil. Disponível em: https://www.gov.br/cidadania/pt-br/acesso-a-informacao/lgpd Acesso em: 11 de ago. de 2022.)
A alternativa que completa corretamente a lacuna do texto acima é:
06
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