Questões de EFAF História - Temática
1.155 Questões
Questão 9 14946679
ONHB Fase 4 202445 / Questão
Leia a seguir partes das reportagens de dois jornais e a apresentação de um abaixo-assinado.
Documento
Lula Ordena Devolver el Cañon Cristiano
Lula ordena a devolução do Canhão Cristiano [Cristão] O presidente do Brasil, Lula Da Silva, determinou a devolução do Canhão Cristão que foi tomado como troféu de guerra em 1868 durante a Guerra da Tríplice Aliança.
(...) O troféu de guerra é atualmente exibido no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro. O [ministro paraguaio] Federico Franco havia afirmado no último dia 1º de março que a devolução dos troféus e do arquivo são importantes para a “cicatrização” das feridas ocasionadas pela guerra. O ”Cañón Cristiano” recebeu esse nome por ter sido elaborado a partir de campanhas das igrejas do Paraguai. O mesmo foi capturado pelo exército brasileiro em 1868, dois anos antes de concluída a guerra do Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: Adaptado de “Lula Ordena Devolver el Cañon Cristiano”. ABC Notícias. Assunção, Paraguai. 04 de março de 2010. Disponível em: (https://www.abc.com.py/internacionales/lula-ordena-devolver-el-canon-cristiano-75035.html) (tradução equipe ONHB) CRÉDITOS: ABC Notícias. PALAVRAS-CHAVE: patrimônio, cultura material, guerra do paraguai
Documento
Os troféus de guerra que o Paraguai quer de volta
Chama-se El Cristiano e fica exposto no pátio Epitácio Pessoa do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, um canhão que materializa uma longa controvérsia entre Brasil e Paraguai. Forjado a partir do derretimento de sinos de diversas igrejas paraguaias — por isso seu nome, em português “o cristão” — a peça de artilharia foi utilizada contra o Brasil na Batalha do Curupaiti, em 1866.
Foi um dos tantos troféus de guerra trazidos ao Brasil. Mas, 153 anos depois, a arma está de volta a um cenário de disputa. Desta vez, política. Conservador de direita, Santiago Peña, presidente paraguaio que tomou posse nesta terça-feira (15), já manifestou interesse em repatriar itens como o canhão. Há um mês, em conversa com jornalistas, ele disse que “há equipamentos que foram tomados pelas forças brasileiras e que agora estão nos museus brasileiros [que pertencem] ao governo paraguaio”.
“No final da guerra, o exército imperial apoderou-se do arquivo público paraguaio, que Solano Lopez transportava, e do canhão El Cristiano”, comenta o historiador Francisco Doratioto, professor na Universidade de Brasília (UnB) e autor de, entre outros, Maldita Guerra: Nova História da Guerra do Paraguai. Símbolos de uma guerra que foi particularmente avassaladora para o Paraguai são há décadas colocados em mesas de negociações bilaterais entre os países — com parte deles, aliás, já devolvidos. O canhão talvez seja a peça mais complicada. Para os paraguaios, ele representa a união do povo em prol da nação, por conta da origem de sua matéria-prima; mas um complicador a uma eventual devolução é porque o bem é, desde 1998, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
De acordo com a historiadora Wilma Peres Costa, discussões sobre a devolução dos troféus de guerra remontam aos primeiros anos da República, proclamada em 1889. “Naquela época, os jovens militares positivistas falavam em devolver os troféus como forma de desafiar a própria monarquia, já que advogavam uma condenação das guerras e uma missão política do exército”. Foi um movimento também realizado pelos outros vitoriosos da guerra, o Uruguai e a Argentina. (...) “Em 1954, o governo do presidente argentino Juan Domingo Perón [(1895-1974)] buscou reaproximar-se do Paraguai com a repatriação de parte desses objetos”, lembra [Enrique Natalino, cientista político pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).]
Na década de 1970, o mesmo ocorreria no Brasil, “como gesto simbólico da aliança estratégica que culminou com a construção da usina hidroelétrica de Itaipu”, ele ressalta. O governo do ditador Ernesto Geisel (1907-1996) restituiu ao vizinho o primeiro lote dos objetos, o que incluía a espada que pertencia a Solano Lopez. Em 1980, já sob o governo de João Figueiredo (1918-1999), um segundo lote também foi devolvido.
Tratativas visando a restituição do restante, incluindo o famoso canhão, avançaram bastante no fim do segundo mandato de Lula, em 2010, e durante as gestões de Dilma Rousseff. Na época, chegou-se a dizer que a devolução de El Cristiano estava encaminhada. Após o impeachment da ex-presidente, contudo, as negociações retrocederam. Natalino lembra que “a devolução de relíquias, troféus de guerra ou de outros bens culturais aos seus países de origem naturalmente implica em risco de perda ou de destruição desses acervos”.
“O que é mais importante: sua devolução aos donos de direito ou a garantia da sua preservação para a humanidade?”, questiona ele, lembrando que esses itens “se tornaram parte de uma memória coletiva politicamente construída sobre o sofrimento dos povos que vivenciaram os horrores da guerra”. Ele explica que uma eventual devolução do canhão seria “um ato unilateral do governo brasileiro, pois não há, perante o Direito Internacional, nenhuma obrigação do país em repatria-lo”. (...)
Já o historiador Paulo Henrique Martinez, professor na Unesp, é radicalmente contra a manutenção de peças assim. “Os troféus de todas as guerras confundem-se com a pilhagem material e os atos de tormento individual e coletivo dos adversários”, comenta ele.
“São comuns a prática de roubos, violência sexual contra crianças, meninas e mulheres, fuzilamentos, torturas, espancamentos como espetáculo em espaços abertos. A manutenção dessas peças em mãos de seus captores é inaceitável”, pontua Martinez.
“Primeiro, porque legitima uma prática de violência e de opressão que viola direitos essenciais, bloqueia a reparação material e simbólica o apaziguamento da memória coletiva. Segundo porque esses marcos, em diferentes momentos, são convertidos em fontes de ressentimentos que alimentam novas práticas de opressão e violência”, avalia.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: Adaptado de “Os troféus de guerra que o Paraguai quer de volta”. Edison Veiga 14/08/2023. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/os-trof%C3%A9us-deguerra- que-o-paraguai-quer-de-volta/a-66525378 CRÉDITOS: DW PALAVRAS-CHAVE: cultura material, patrimônio, guerra do paraguai
Documento
Abaixo-assinado “Campanha de Verdade e Justiça pelo Paraguai
Queridos amigos e amigas do Paraguai e região! Enviamos as saudações do Paraguai com o objetivo de fazer justiça histórica e preservar nossa memória coletiva. Hoje nos dirigimos a vocês para solicitar apoio à nossa campanha para exigir a devolução do arquivo nacional paraguaio sequestrado durante a Guerra da Tríplice Aliança, do canhão Cristiano e de outros butins de guerra levados para o Brasil há mais de 150 anos. Consideramos fundamental que esse valioso patrimônio cultural e histórico seja devolvido ao dono, o Paraguai; será um primeiro passo para uma reivindicação de justiça, em relação ao maior genocídio – em termos atuais – registrados nos últimos 200 anos na América Latina.
A guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) foi um conflito transcendental que teve consequências devastadoras para o Paraguai, condenando seu povo ao extermínio e décadas de miséria. O arquivo nacional paraguaio, o canhão cristão e demais butins de guerra, sequestrados e levados ao Brasil, são testemunhos tangíveis de um passado glorioso do Paraguai e tem um significado inestimável para chegar à verdade, assim como preservar a identidade paraguaia.
Por isso pedimos sua assinatura e apoio, para exigir do Presidente da República Federativa do Brasil, Luis Inácio Lula Da Silva, e demais autoridades que devolvam o citado butim de guerra.
Tua assinatura representará uma voz que se soma à demanda de verdade e justiça histórica, a favor da preservação cultural paraguaia e latino-americana. Juntos podemos fazer a diferença e conseguir que esse acervo imprescindível regresse a seu lugar de origem para que as futuras gerações possam conhecê-lo e valorá-lo.
(...)
IMPORTANTE: a campanha NÃO PEDE nem pedirá nenhum valor em dinheiro nenhum momento (...). Se aparecer uma mensagem automática do site perguntando se quer doar uma soma em dinheiro, não o faça. Não é necessário. Simplesmente nos ajude com sua assinatura e compartilhando esse link (...)
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Abaixo-assinado ORIGEM: Adaptado do texto do Abaixo-assinado “Campanha de Verdade e Justiça pelo Paraguai – Campanha pela Verdade e Justiça em relação aos crimes de guerra e ao extermínio causados pela Tríplice Aliança contra o povo paraguaio (tradução equipe ONHB) CRÉDITOS: change.org PALAVRAS-CHAVE: cultura material, guerra do paraguai, patrimônio
Escolha uma alternativa:
Questão 7 14946653
ONHB Fase 4 2024Observe a imagem a seguir:
Documento
Entrada do Colégio Des Oiseaux

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Fotografia ORIGEM: Entrada do Colégio Des Oiseaux. Coleção Nosso Século. São Paulo: Abril Cultural, vol. 1900/1910 – A Era dos Bacharéis, 1980, pp. 128-129. CRÉDITOS: Abril Cultural PALAVRAS-CHAVE: história do ensino, cultura visual
A partir do documento, escolha uma das alternativas:
Questão 6 14946631
ONHB Fase 4 2024Leia a reportagem publicada na coluna de Mônica Bergamo, no jornal Folha de S. Paulo, no dia 10 de janeiro de 2024.
Documento
Filho de Renato Russo pede que TikTok derrube vídeos bolsonaristas com a música ‘Que País é Este’
Giuliano afirma que as postagens têm ‘caráter político e ideológico alheios’ aos defendidos pelo pai.
O produtor cultural Giuliano Manfredini, filho do cantor Renato Russo, enviou uma notificação extrajudicial à ByteDance, proprietária do TikTok, pedindo que sejam removidos da plataforma vídeos publicados por bolsonaristas que têm como trilha sonora a música ‘Que País É Este’. No documento, Giuliano afirma que as postagens têm ‘caráter político e ideológico alheios’ aos defendidos pelo artista ao longo de sua vida e por ele ‘ativamente combatidos’. São citadas publicações que trazem enunciados como ‘comunista Flávio Dino é aprovado em sabatina e irá para o STF’, ‘o Brasil não tem mais conserto’ e ‘milhões de votos silenciados’, em referência à decisão que tornou Jair Bolsonaro (PL) inelegível. Algumas delas exibem fotografias do ex-presidente.
Ao menos sete perfis são citados como responsáveis pelos compartilhamentos. Giuliano solicita que os dados cadastrais e os registros de IPs de cada um deles sejam disponibilizados. Ao justificar a medida, o filho de Renato Russo diz não querer que a faixa consagrada pela Legião Urbana seja usada ‘em prol de posicionamentos de direita, especialmente aqueles que enaltecem o governo Bolsonaro’.
‘Não é do interesse do Giuliano, na condição de defensor do patrimônio do pai, que essa música seja vinculada a um ou outro lado da disputa política. Ele não quer limitar o uso da canção, mas também não quer que ela vire um hino do bolsonarismo, com o qual ele não compactua’, afirma o advogado Henrique Ventureli, da banca Furtado de Oliveira Advogados, que representa o produtor cultural.
‘A gente espera que o TikTok atenda ao nosso pedido. Se não surtir nenhum efeito, obviamente vamos optar pela via judicial’, acrescenta Ventureli, que não descarta processar também os usuários responsáveis pelos vídeos.
Procurado pela coluna por meio de sua assessoria de imprensa, o TikTok não respondeu sobre a notificação extrajudicial até a conclusão deste texto.”
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: Mônica Bergamo. Filho de Renato Russo pede que TikTok derrube vídeos de bolsonaristas com a música ’Que País É Este’. Folha de São Paulo, 10.jan.2024 às 23h00. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2024/01/filho-derenato- russo-pede-que-tiktok-derrube-videos-de-bolsonaristas-com-a-musica-que-pais-e este.shtml. Acesso em: 07 mar. 2024. CRÉDITOS: Mônica Bergamo PALAVRAS-CHAVE: história da música, história política, história do tempo presente
Sobre o assunto, selecione uma alternativa:
Questão 5 14946598
ONHB Fase 4 2024Leia os trechos de história em quadrinhos abaixo, selecionados e retirados da edição sobre folclore brasileiro da coleção “Você Sabia? Turma da Mônica”.
Documento
VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA I

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: História em quadrinhos ORIGEM: Maurício de Souza. “VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA”. Editora Globo S.A, nº 3, jul/2003. CRÉDITOS: Maurício de Souza PALAVRAS-CHAVE: colonização, literatura infantil
Documento
VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA II

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: História em quadrinhos ORIGEM: Maurício de Souza. “VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA”. Editora Globo S.A, nº 3, jul/2003. CRÉDITOS: Maurício de Souza. PALAVRAS-CHAVE: colonização, literatura infantil
Documento
VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA III

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: História em quadrinhos ORIGEM: Maurício de Souza. “VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA”. Editora Globo S.A, nº 3, jul/2003. CRÉDITOS: Maurício de Souza PALAVRAS-CHAVE: colonização, literatura infantil
Documento
VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA IV

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: História em quadrinhos ORIGEM: Maurício de Souza. “VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA”. Editora Globo S.A, nº 3, jul/2003. CRÉDITOS: Maurício de Souza PALAVRAS-CHAVE: literatura infantil, colonização
Documento
VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA V

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: História em quadrinhos ORIGEM: Maurício de Souza. “VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA”. Editora Globo S.A, nº 3, jul/2003. CRÉDITOS: Maurício de Souza. PALAVRAS-CHAVE: literatura infantil, colonização
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Questão 3 14946562
ONHB Fase 4 2024Documento
Crônica do viver baiano seiscentista : obra poética completa
Que de quilombos que tenho
com mestres superlativos,
nos quais se ensinam de noite
os calundus , e feitiços.
Com devoção os freqüentam
mil sujeitos femininos,
e também muitos barbados,
que se presam de narcisos.
Ventura dizem, que buscam;
não se viu maior delírio!
eu, que os ouço, vejo, e calo
por não poder diverti-los.
O que sei, é, que em tais danças
Satanás anda metido,
e que só tal padre-mestre
pode ensinar tais delírios.
Não há mulher desprezada,
galã desfavorecido,
que deixe de ir ao quilombo
dançar o seu bocadinho.
E gastam pelas patacas
com os mestres do cachimbo,
que são todos jubilados
em depenar tais patinhos.
E quando vão confessar-se,
encobrem aos Padres isto,
porque o têm por passatempo,
por costume, ou por estilo.
Em cumprir as penitências
rebeldes são, e remissos ,
e muito pior se as tais
são de jejuns, e cilícios .
A muitos ouço gemer
com pesar muito excessivo,
não pelo horror do pecado,
mas sim por não consegui-lo.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Crônica ORIGEM: MATOS, Gregório de [1633?-1696]. Crônica do viver baiano seiscentista : obra poética completa. Disponível em: https://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/Cronica%20do%20Viver%20Baiano%20Seiscentista.pdf. Acesso em: 25 mai 2024. CRÉDITOS: Gregório de Matos [1633?-1696] GLOSSÁRIO: Calundu : cerimônia religiosa, de origem afro-brasileira, frequentada por africanos, afrodescendentes e brancos, muito popular entre os séculos XVII e XVIII. Ventura : Sorte; fortuna. Patacas : antiga moeda brasileira. Jubilados : com grande alegria. Remissos : negligentes. Cilício : Forma de penitência que consiste no uso de uma túnica ou cinto com arame ou tecido áspero sobre a pele. PALAVRAS-CHAVE: vida cotidiana, literatura
Os versos:
Questão 2 14946525
ONHB Fase 4 2024Leia a reportagem a seguir.
Documento
Sirene da Folha, no centro de SP, toca diariamente há mais de 60 anos
Entre os infinitos sons que integram a vasta paisagem sonora da cidade, ecoa diariamente o da sirene instalada no terraço da Folha, na alameda Barão de Limeira.
Por conta da atividade do parque gráfico que funcionava no próprio jornal, a “sirena”, ou “sereia”, como chamada antigamente, tocava duas vezes ao dia, ao meio-dia e às 18h.

Sirene localizada na cobertura do prédio da Folha na Alameda Barão de Limeira, na região central de São Paulo (Lalo de Almeida/Folhapress)
A traquitana é brasileira e emite seu alarme por meio de seis enormes bocas de cornetas metálicas, abrigadas por um guarda-chuva/sol do mesmo material. Com cerca de 2 m de altura, pesa por volta de 150 quilos.
Existe desde o final da década de 1950, quando a Folha se mudou para os Campos Elíseos, na atual sede.
Hoje, mesmo após a desativação do parque gráfico no local, a sirene continua a ser acionada todos os dias, às 18h, de segunda a segunda.
O canto da “sereia” originalmente durava 30 segundos, iniciando com um solo potente e num crescendo de 15 segundos, para depois ir decrescendo, melancolicamente, até morrer aos 30.
No entanto, desde fevereiro de 2020, o alarme foi reduzido pela metade, de 30 para 15 segundos. Segundo Isael José do Rosário, eletricista responsável pelo equipamento, a mudança ocorreu após um problema ter feito com que ela tocasse por um tempo muito maior do que o programado, o que gerou reclamações.
Isael, 46, trabalha no jornal como eletricista desde os 20 anos. “Não me recordo exatamente quando, mas, há muitos anos, a diretoria pediu que a sirene parasse de tocar ao meio-dia. Eu e outro eletricista removemos uma pecinha de um disco que a acionava nesse horário”, conta.
O alarme das 18h também chegou a ser desligado em algumas ocasiões, como obras. Porém, o jornal recebeu pedidos da
vizinhança para que voltasse a tocar, uma vez que fazia parte da vida de pessoas que se orientavam por meio dele. Vicença Arcângela Imperatrice, a dona Vicentina, é uma delas. Em 1961, foi contratada na Folha, onde permaneceu por 55 anos até se aposentar.
“Quando ouvia a sirene [do meio-dia], corria para pegar o bonde que passava na [avenida] Duque de Caxias e ia para a Casa Verde. Eu morava no Bom Retiro e descia na rua José Paulino, caminhava até minha casa, almoçava e voltava a pé para o jornal. Eram 17 quarteirões”, lembra.
Hoje vivendo a poucos metros da Folha, ela diz que, ao ouvir o alarme, sabe que são 18h, quando então faz o sinal da cruz e reza uma Ave-Maria.
Católico, o representante comercial Carlos Antônio Sobral, 64, mora no bairro há 40 anos e compartilha do hábito religioso de dona Vicentina. “O som pra mim é sagrado e ajuda a me lembrar do horário, não preciso ficar preocupado em olhar no relógio.”
Quem não o acha nada sacro é o enfermeiro Gustavo Granados, 28, que vive na avenida Duque de Caxias e desconhecia a origem do alarme. “Achava que era tipo um sino de uma igreja. É um barulho alto e faz parecer que o mundo vai acabar. Às vezes, você está de boa e assusta. Parece que está em um outro país e está vindo um tsunami”, disse.
Já o carioca Geraldo Silveira da Silva Perilo, 57, que há mais de 20 anos trabalha no mercado das flores do largo do Arouche, tem relação carinhosa com o som: chama-o de “meu despertador”. “Enquanto não toca, fico esperando para poder ir embora, pegar o metrô e depois o trem para Francisco Morato.”
Não são apenas humanos que aguardam pelo sinal, mas também outros animais. É o caso do vira-lata Paçoca, que vive com Elaine Meneses, 42, em apartamento no décimo andar na rua Conselheiro Nébias. “Eu gosto dele porque me sintoniza e sei que são 18h, hora de passear com o cachorro”, diz ela, que trabalha como ajudante geral em uma adega.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: JUNIOR, Carlos Bozzo. Sirene da Folha, no centro de SP, toca diariamente há mais de 60 anos. Folha de S. Paulo, 25 fev. 2021. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2021/02/sirene-da-folha-no-centro-de-sp-tocadiariamente- ha-mais-de-60-anos.shtml. Acesso em: 19 jan. 2024. CRÉDITOS: Carlos Bozzo Junior. GLOSSÁRIO: Traquitana : objeto grande e desconjuntado. PALAVRAS-CHAVE: usos e costumes, mundos do trabalho, cultura material
As sirenes
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