Questões de EFAF História
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Questão 3 10779828
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2019TEXTO
O Brasil queimou — e não tinha água para apagar o fogo
Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. Então descobri que não tinha mais passado.
Eliane Brum
Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã.
Então descobri que não tinha mais passado.
Diante de mim, o Museu Nacional do Rio queimava.
O crânio de Luzia, a “primeira brasileira”, entre 12.500 e 13 mil anos, queimava. Uma das mais completas
[5] coleções de pterossauros do mundo queimava. Objetos que sobreviveram à destruição de Pompeia queimavam. A
múmia do antigo Egito queimava. Milhares de artefatos dos povos indígenas do Brasil queimavam.
Vinte milhões de memória de alguma coisa tentando ser um país queimavam.
O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade nos joga no não tempo. No
sem tempo. No fora do tempo.
[10] O Museu Nacional em chamas. Um bombeiro esguichando água com uma mangueira um pouco maior do que a
que eu tenho na minha casa. O Museu Nacional queimando. Sem água em parte dos hidrantes, depois de quatro horas de
incêndio ainda chegavam caminhões-pipa com água potável. O Museu Nacional queimando. Uma equipe tentava tirar
àgua do lago da Quinta da Boa Vista. O Museu Nacional queimando. A PM impedia as pessoas de avançar para tentar
salvar alguma coisa. O Museu Nacional queimando. Outras pessoas tentavam furtar o celular e a carteira de quem
[15] tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos portões tentando compreender como viver sem metáforas.
Brasil, é você. Não posso ser aquele que não é.
O Museu Nacional queimando.
O que há mais para dizer agora que as palavras já não dizem e a realidade se colocou além da interpretação”
Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o palácio, de frente para onde deveria estar o povo, Dom
[20] Pedro Il em estátua. Sua família tinha tentado inventar um país e o fundaram sobre corpos humanos. Seu avô, Dom João
VI, criou aquele museu no Palácio de São Cristóvão. Dom Pedro Il está no centro, circunspecto, um homem feito de pedra,
um imperador. Diante da parte esquerda do museu, indígenas de diferentes etnias observam as chamas como se mais uma
vez fossem eles que estivessem queimando. Estão. E o maior acervo de línguas indígenas da América Latina, diz Urutau
Guajajara. E a nossa memória que estão apagando. E o golpe, é o golpe. Poderiam ter salvo, e não salvaram, ele grita.
[25] Nunca salvaram. Há 500 anos não salvam.
As costas de Pedro ferviam.
Quando soube que o museu queimava, eu dividi um táxi com um jornalista britânico e uma atriz brasileira com
uma câmera na mão. “Não é só como se o British Museum estivesse queimando, é como se junto com ele estivesse
também o Palácio de Buckingham”, disse Jonathan Watts. “Não há mais possibilidade de fazer documentário”, afirmou
[30] Gabriela Carneiro da Cunha. “Arealidade é Science Fiction1.”
Eu, que vivo com as palavras e das palavras, não consigo dizer. Sem passado, indo para o Museu do Amanhã,
sou convertida em muda. Esvazio de memória como o Museu Nacional. Chamas dentro de todo ele, uma casca do lado de
fora. Sou também eu. Uma casca que anda por um país sem país. Eu, sem Luzia, uma não mulher em lugar nenhum.
A frase ecoa em mim. E ecoa. Fere minhas paredes em carne viva.
[35] “O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões continentais.”
A frase reverbera nos corredores vazios do meu corpo. Se a primeira brasileira incendiou-se, que brasileira posso
ser eu?
O que poderia expressar melhor este momento? A história do Brasil queima. A matriz europeia que inventou um
palácio e fez dele um museu. Os indígenas que choram do lado de fora porque suas línguas se incineram lá dentro. E eu
[40] preciso alcançar o Museu do Amanhã. Mas o Brasil já não é o país do futuro. O Brasil perdeu a possibilidade de imaginar
um futuro. O Brasil está em chamas.
O Museu Nacional sem recursos do Governo Federal. Os funcionários do Museu Nacional fazendo vaquinha na
Internet para reabrir a sala principal. O Museu Nacional morrendo de abandono. O Museu Nacional sem manutenção. O
Rio de Janeiro. Flagelado e roubado e arrancado Rio de Janeiro. Entre todos os Brasis, tinha que ser o Rio.
[45] Ouço então um chefe de bombeiros dar uma coletiva diante do Museu Nacional, as labaredas lambem o cenário
atrás dele. O bombeiro explica para as câmeras de TV que não tinha água, ele conta dos caminhões-pipa. E ele declara:
“Está tudo sob controle”.
Eu quero gargalhar, me botar louca, queimar junto, ser aquela que ensandece para poder gritar para sempre a
única frase lúcida que agora conheço: “O Museu Nacional está queimando! O Museu Nacional está queimando!”.
[50] O Brasil está queimando.
E o meteoro estava dentro do museu.
(El País Brasil: O Jornal Global. Opinião. 3 de setembro de 2018. Disponível em:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/03/o0pinion/1535975822 1774583.html. Acesso em 14 de setembro de 2018)
Nota:
1 Ficção Científica.
No Texto, o conectivo destacado em “O Brasil queimou — e não tinha água para apagar o fogo” assume valor semântico de:
Questão 37 10777227
COLUNI/UFV 1° Dia 2019Veja o Cartaz do filme “Olga” (2004) e leia a sua sinopse:

SINOPSE
O filme conta a história da judia alemã Olga Benário (Camila Morgado). Militante comunista desde jovem, Olga é perseguida pela polícia e foge para Moscou, onde faz treinamento militar. Em Moscou, Olga é encarregada de acompanhar Luís Carlos Prestes (Caco Ciocler) ao Brasil para liderar a Intentona Comunista de 1935, se apaixonando por ele na viagem. Com o fracasso da revolução, Olga é presa com Prestes. Grávida de 7 meses é deportada pelo governo Vargas para a Alemanha Nazista e tem sua filha Anita Leocádia na prisão. Afastada da filha, Olga é enviada para um campo de concentração de Ravensbrück.
(Disponível em: https://cinemahistoriaeducacao.wordpress.com/cinema-e-historia/brasil-republica/olga/. Acesso em: 3 out. 2018.)
A história de Olga Benário Prestes mostrada no filme ocorre durante a Era Vargas (1930-1945) em que Getúlio Vargas esteve no comando político do Brasil como Presidente da República por 15 Anos. A partir de 1937, o Regime passou a se chamar “Estado Novo”.
Sobre esse período e considerando a sinopse do filme “Olga”, assinale a afirmativa INCORRETA:
Questão 36 10777225
COLUNI/UFV 1° Dia 2019Leia o texto abaixo e depois responda o que se pede:
RIO — O jurista francês René Cassin não queria proteger um ou outro grupo específico de pessoas quando disse: ―Não haverá paz neste planeta enquanto os direitos humanos forem violados em alguma parte do mundo‖. Um dos autores do texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, o ganhador do Nobel da Paz de 1968 incluiu todos os Homo sapiens naquela frase célebre. Morto em 1976, aos 88 anos, Cassin seria uma ótima pessoa para invocar diante de compreensões equivocadas sobre a expressão ―direitos humanos‖, quase 70 anos depois da adoção do texto pela comunidade internacional. [...]
O respeito pelos direitos de todos os humanos, explícito na declaração, é o tema do Dia Internacional da Paz, celebrado nesta sexta-feira. Num texto sobre esta data (da Proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos) divulgado em seu site, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) afirma que os direitos humanos ―são um pré-requisito para uma sociedade pacífica‖. Mas a mesma mensagem alerta para desafios no caminho dessa paz, como a desigualdade social, os conflitos gerados pelas mudanças climáticas e as visões extremistas que se espalham pelo mundo.
(Disponível em: https://oglobo.globo.com/sociedade/os-direitos-humanos-nao-sao-da-esquerda-ou-da-direita-sao-de-todos-23088573. Acesso em: 2 out. 2018. Adaptado.)
A criação da Organização das Nações Unidas aconteceu no contexto do final da Segunda Guerra Mundial e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 1948, celebrou 70 anos em 2018.
A partir da leitura do texto e do seus conhecimentos sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinale a alternativa INCORRETA:
Questão 19 10759798
COLTEC 2019Assinale a alternativa que apresenta uma causa INCORRETA para a expansão cafeeira no sudeste brasileiro no final do século XIX e na primeira metade do século XX.
Questão 16 10759780
COLTEC 2019
SAMPAIO, Antônio Carlos Jucá de. A curva do tempo: as transformações na economia e na sociedade do Estado do Brasil no século XVIII. In FRAGOSO, João; GOUVÊA, Maria de Fátima. Coleção o Brasil Colonial, 1720-1821. Vol 3. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014, p. 326.
Com base na análise da tabela, é CORRETO afirmar que
Questão 3 10759713
COLTEC 2019Texto 1 - SUS, há 30 anos sobrevivendo ao colapso
A demanda por saúde pública não condiz com a capacidade do governo de financiá-la
Em 1988, ano em que o Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado, não havia muitos hospitais públicos no País e para que fosse possível cumprir a Constituição, que estabelecia “saúde universal e gratuita para todos os brasileiros”, o governo fechou acordo com as Santas Casas e os hospitais filantrópicos existentes. Pelo acordo, as entidades seriam remuneradas pelo atendimento prestado nos valores descritos pela Tabela de Procedimentos do SUS.
Na teoria, a parceria era perfeita - as entidades teriam ajuda financeira e o governo não precisaria construir hospitais. Na prática, o sistema criado tornou-se um grande peso para as entidades beneficentes. A desatualização da tabela do SUS foi o estopim de todas as dificuldades que Santas Casas e hospitais filantrópicos enfrentam. São mais de 15 anos sem nenhuma atualização. Os preços descritos na tabela não acompanharam a inflação e tampouco os gastos com os pacientes atendidos - a cada R$ 100 gastos pelas entidades o SUS reembolsa R$ 60. Um simples cálculo aritmético mostra que a conta não fecha.
Os últimos dois anos, marcados pela crise econômica e política no Brasil, se refletiram diretamente no SUS. Milhares de brasileiros perderam o emprego e, por consequência, seus planos de saúde privados. A rede pública, por sua vez, passou a receber mais pacientes - além de atendimento de emergência e urgência, o desemprego muitas vezes leva as pessoas à aflição e à tristeza e, com o psicológico em completa desordem, o corpo responde com o surgimento de doenças. Conclusão: mais pessoas na fila do SUS.
Com todas as adversidades deste cenário, as instituições tiveram de recorrer a diversos empréstimos em bancos públicos e privados, o que culminou em grande endividamento. Hoje a dívida das entidades está em torno de R$ 23 bilhões.
Nestes 30 anos de história, após muitas batalhas, algumas conquistas foram alcançadas, como isenções tributárias, a liberação de verbas emergenciais e a criação de linhas de créditos específicas para as Santas Casas e os hospitais filantrópicos, mas, infelizmente, não foram suficientes.
Com absoluta certeza, afirmo que as entidades fazem muito diante do que recebem dos governos federal, estaduais e municipais. E poderiam fazer muito mais se o acordo de 1988 fosse cumprido com hombridade. Talvez, os brasileiros não precisassem esperar meses para agendar uma consulta de urgência e passar horas em filas para pegar determinado remédio. (...)
Disponível em: https://goo.gl/dqeiVc. Acesso em: 29 jul. 2018. (Adaptado)
Texto 2 = Apesar de problemas, SUS é referência em saúde pública, dizem especialistas
O SUS (Sistema Único de Saúde) deve ser reconhecido por ter aumentado o acesso à saúde da população brasileira e se tornado referência em atenção primária, apesar de ainda enfrentar dificuldades na assistência prestada por médicos especialistas.
Foi a essa conclusão que chegaram os especialistas convidados para debate sobre o aniversário de 30 anos do SUS que fez parte da quinta edição do Fórum Saúde do Brasil, (...) “O SUS é uma conquista da população que não pode ser desprezada. Ele aumentou o acesso dos brasileiros à saúde de uma forma impensável há 30 anos”, disse Ana Maria Malik, coordenadora do GVsaúde, programa de gestão em saúde da Fundação Getúlio Vargas.
Segundo a professora, um dos problemas enfrentados pelo sistema único hoje é o acesso a tratamentos de média complexidade - aqueles que, em geral, envolvem a atuação de especialistas. (...)
As longas listas de espera para consultas com especialistas poderiam ser melhor organizadas, segundo Marco Akerman, professor titular do departamento de política, gestão e saúde da faculdade de saúde pública da USP. Para ele, um dos fatores que contribui para o gargalo é a falta de médicos com esse tipo de qualificação, já que os profissionais dão preferência para atender em consultórios privados. (...)
Experiência no Reino Unido
No Reino Unido, há uma forte regulação que determina em quais cidades e regiões os médicos devem ser alocados para evitar a falta de mão de obra e a longa espera, segundo Thomas Hone, pesquisador no Imperial College of London. (...)
Um problema enfrentado pelo sistema de saúde britânico (NHS, na sigla em inglês), segundo ele, é a dificuldade de compartilhamento de informações entre os médicos generalistas que realizam o atendimento inicial e os especialistas.
O pesquisador exaltou a experiência bem-sucedida do Brasil no campo da saúde: “o Brasil é referência para qualquer país que queira aprender sobre atenção primária”, disse.
Disponível em: https://goo.gl/7fJZPS. Acesso em: 29 jul. 2018. (Adaptado)
Ao relacionarmos as leituras dos textos 1 e 2, é CORRETO afirmar que
06
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