Questões de EFAF História - Brasil - República
967 Questões
Questão 4 10779830
CEFET-RJ 1° Ano - 1ª Fase 2019TEXTO
O Brasil queimou — e não tinha água para apagar o fogo
Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. Então descobri que não tinha mais passado.
Eliane Brum
Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã.
Então descobri que não tinha mais passado.
Diante de mim, o Museu Nacional do Rio queimava.
O crânio de Luzia, a “primeira brasileira”, entre 12.500 e 13 mil anos, queimava. Uma das mais completas
[5] coleções de pterossauros do mundo queimava. Objetos que sobreviveram à destruição de Pompeia queimavam. A
múmia do antigo Egito queimava. Milhares de artefatos dos povos indígenas do Brasil queimavam.
Vinte milhões de memória de alguma coisa tentando ser um país queimavam.
O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade nos joga no não tempo. No
sem tempo. No fora do tempo.
[10] O Museu Nacional em chamas. Um bombeiro esguichando água com uma mangueira um pouco maior do que a
que eu tenho na minha casa. O Museu Nacional queimando. Sem água em parte dos hidrantes, depois de quatro horas de
incêndio ainda chegavam caminhões-pipa com água potável. O Museu Nacional queimando. Uma equipe tentava tirar
àgua do lago da Quinta da Boa Vista. O Museu Nacional queimando. A PM impedia as pessoas de avançar para tentar
salvar alguma coisa. O Museu Nacional queimando. Outras pessoas tentavam furtar o celular e a carteira de quem
[15] tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos portões tentando compreender como viver sem metáforas.
Brasil, é você. Não posso ser aquele que não é.
O Museu Nacional queimando.
O que há mais para dizer agora que as palavras já não dizem e a realidade se colocou além da interpretação”
Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o palácio, de frente para onde deveria estar o povo, Dom
[20] Pedro Il em estátua. Sua família tinha tentado inventar um país e o fundaram sobre corpos humanos. Seu avô, Dom João
VI, criou aquele museu no Palácio de São Cristóvão. Dom Pedro Il está no centro, circunspecto, um homem feito de pedra,
um imperador. Diante da parte esquerda do museu, indígenas de diferentes etnias observam as chamas como se mais uma
vez fossem eles que estivessem queimando. Estão. E o maior acervo de línguas indígenas da América Latina, diz Urutau
Guajajara. E a nossa memória que estão apagando. E o golpe, é o golpe. Poderiam ter salvo, e não salvaram, ele grita.
[25] Nunca salvaram. Há 500 anos não salvam.
As costas de Pedro ferviam.
Quando soube que o museu queimava, eu dividi um táxi com um jornalista britânico e uma atriz brasileira com
uma câmera na mão. “Não é só como se o British Museum estivesse queimando, é como se junto com ele estivesse
também o Palácio de Buckingham”, disse Jonathan Watts. “Não há mais possibilidade de fazer documentário”, afirmou
[30] Gabriela Carneiro da Cunha. “Arealidade é Science Fiction1.”
Eu, que vivo com as palavras e das palavras, não consigo dizer. Sem passado, indo para o Museu do Amanhã,
sou convertida em muda. Esvazio de memória como o Museu Nacional. Chamas dentro de todo ele, uma casca do lado de
fora. Sou também eu. Uma casca que anda por um país sem país. Eu, sem Luzia, uma não mulher em lugar nenhum.
A frase ecoa em mim. E ecoa. Fere minhas paredes em carne viva.
[35] “O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões continentais.”
A frase reverbera nos corredores vazios do meu corpo. Se a primeira brasileira incendiou-se, que brasileira posso
ser eu?
O que poderia expressar melhor este momento? A história do Brasil queima. A matriz europeia que inventou um
palácio e fez dele um museu. Os indígenas que choram do lado de fora porque suas línguas se incineram lá dentro. E eu
[40] preciso alcançar o Museu do Amanhã. Mas o Brasil já não é o país do futuro. O Brasil perdeu a possibilidade de imaginar
um futuro. O Brasil está em chamas.
O Museu Nacional sem recursos do Governo Federal. Os funcionários do Museu Nacional fazendo vaquinha na
Internet para reabrir a sala principal. O Museu Nacional morrendo de abandono. O Museu Nacional sem manutenção. O
Rio de Janeiro. Flagelado e roubado e arrancado Rio de Janeiro. Entre todos os Brasis, tinha que ser o Rio.
[45] Ouço então um chefe de bombeiros dar uma coletiva diante do Museu Nacional, as labaredas lambem o cenário
atrás dele. O bombeiro explica para as câmeras de TV que não tinha água, ele conta dos caminhões-pipa. E ele declara:
“Está tudo sob controle”.
Eu quero gargalhar, me botar louca, queimar junto, ser aquela que ensandece para poder gritar para sempre a
única frase lúcida que agora conheço: “O Museu Nacional está queimando! O Museu Nacional está queimando!”.
[50] O Brasil está queimando.
E o meteoro estava dentro do museu.
(El País Brasil: O Jornal Global. Opinião. 3 de setembro de 2018. Disponível em:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/03/o0pinion/1535975822 1774583.html. Acesso em 14 de setembro de 2018)
Nota:
1 Ficção Científica.
No fragmento “Poderiam ter salvo, e não salvaram, ele grita. Nunca salvaram.
Há 500 anos não salvam.” (linhas 24-25), do Texto, em todos os verbos destacados, nota-se que a autora optou pelo seguinte recurso sintático-semântico:
Questão 38 10777228
COLUNI/UFV 1° Dia 2019Veja a imagem abaixo e leia os textos a seguir:

Estudantes velam o corpo de Edson Luís na Assembléia Legislativa do Rio: morto por um policial militar durante manifestação no Restaurante Calabouço, em 28/3/1968.
Há 50 anos, paraense de 18 anos levou um tiro durante movimento estudantil no restaurante Calabouço, no Rio. Onda de contestações políticas culmina com AI-5 do regime militar.
(Disponível em: https://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/morte-do-estudante-edson-luis-em-1968-deflagra-protestos-no-pais-contra-ditadura 22470751#ixzz5SrWwyKcC. Acesso em: 3 out. 2018.)
Menino
(Milton Nascimento)
Quem cala sobre teu corpo
Consente na tua morte
Talhada a ferro e fogo
Nas profundezas do corte
Que a bala riscou no peito
Quem cala morre contigo
Mais morto que estás agora
Relógio no chão da praça
Batendo, avisando a hora
Que a raiva traçou
No incêndio repetindo
O brilho de teu cabelo
Quem grita vive contigo.
(Disponível em: http://www.letrasdemusicas.fm/milton- nascimento/menino. Acesso em: 3 out. 2018.)
Em Dezembro de 1968, o Regime Militar decretou o Ato Institucional n° 5 em resposta a uma série de protestos da sociedade civil que aconteceram ao longo daquele ano, quando houve a morte do estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto.
Assinale a alternativa que NÃO apresenta as características do período do Regime Militar, especialmente após a vigência do AI-5:
Questão 45 10776140
IFMG 2019/1Leia o texto a seguir:
“No Brasil, após a formação de pequenos grupos de direita na década de 1920, surgiu a Ação Integralista Brasileira (AIB), em outubro de 1932, sob o comando de Plínio Salgado, jornalista e escritor, nascido no interior de São Paulo. [...] Seus membros incluíam sobretudo gente de classe média e das Forças Armadas, mas também muitos trabalhadores. Próxima ao fascismo, com tintas de integrismo católico, a organização se definia como nacionalista, com um conteúdo mais cultural do que econômico. Seu lema se concentrou em três palavras: Deus, Pátria e Família. O antiliberalismo e o antissemitismo eram outras características da AIB, embora o chefe nacional insistisse menos nessa posição racista do que figuras como Gustavo Barroso, um ideólogo defensor do nazismo”.
FAUSTO. Boris. “A Vida Política”. In: GOMES, Angela de Castro. Olhando para Dentro: 1930-1964. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013. p. 98.
A criação da Ação Integralista Brasileira, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, teve como inspiração o(a)
Questão 42 10776135
IFMG 2019/1Leia o texto a seguir.
“O golpe militar, deslanchado em 1964, contou com o apoio dos partidos de direita, da Igreja católica, do mundo empresarial e de boa parte dos meios de comunicação. O processo de transformação pelo qual passava o país — as chamadas reformas de base, inclusive a reforma agrária — era visto como o caos preparatório de um golpe comunista, ou, ao menos, a prévia da implantação de uma República sindicalista. [...]”
SILVA, Francisco C. T. da. “O Brasil no mundo”. In: REIS, Daniel A. Modernização, Ditadura e Democracia: 1964-2010. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014. p. 140.
O discurso utilizado para legitimar a implantação da Ditadura Militar no Brasil defendia a(o)
Questão 21 10759807
COLTEC 2019“(...) O candidato a salvador chamava-se Fernando Collor e era governador de Alagoas. (...) pretendia ganhar as eleições batendo duro em Sarney e liderando uma cruzada moralizadora contra o empreguismo e as distorções salariais do funcionalismo público (...) – os ‘marajás’, como ele dizia. (...) muita gente se encantou com sua panaceia: ia modernizar o país, acabar com a corrupção e botar o funcionalismo para trabalhar. (...)”
SCHWARCZ, Lilia M.; STARLING Heloisa M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 491.
Para grande parte dos eleitores que elegeram Fernando Collor, de acordo com o texto, ele era indicado para ser presidente porque
Questão 30 10606219
Colégio Embraer 2019Ao deixar o governo, deixava claro que pretendia voltar em 1965, apoiado no seu bom conceito de estadista, de construtor de Brasília, de democrata de grande prestígio popular. Mas a “batata quente” representada pelos graves problemas políticos e econômicos que o padrão de desenvolvimento mantido durante os “Cinquenta Anos em Cinco” deixou, queimaria não só as pretensões de poder do notável político, como reduziria a cinzas, em 1964, a própria democracia.
(Ricardo Maranhão. Adaptado)
O texto trata do presidente
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