Questões de EFAF Português - Morfologia -
9 Questões
Questão 3 295824
IFRJ 2018Leia o texto a seguir e responda à questão.
Inquilinos
Ninguém é responsável pelo funcionamento do mundo. Nenhum de nós precisa acordar cedo para
acender as caldeiras e checar se a Terra está girando em torno do seu próprio eixo na velocidade apropriada, e
em torno do Sol de modo a garantir a correta sucessão das estações. Como num prédio bem administrado, os
serviços básicos do planeta são providenciados sem que se enxergue o síndico – e sem taxa de administração.
[5] Imagine se coubesse à humanidade, com sua conhecida tendência ao desleixo e à improvisação, manter a
Terra na sua órbita e nos seus horários, ou se – coroando o mais delirante dos sonhos liberais – sua gerência
fosse entregue a uma empresa privada, com poderes para remanejar os ventos e suprimir correntes marítimas,
encurtar ou alongar dias e noites e até mudar de galáxia, conforme as conveniências de mercado, e ainda por
cima sujeita a decisões catastróficas, fraudes e falência.
[10] É verdade que, mesmo sob o atual regime impessoal, o mundo apresenta falhas na distribuição dos
seus benefícios, favorecendo alguns andares do prédio metafórico e martirizando outros, tudo devido ao que
só pode ser chamado de incompetência administrativa. Mas a responsabilidade não é nossa. A infraestrutura já
estava pronta quando nós chegamos. Apesar de tentativas como a construção de grandes obras que afetam o
clima e redistribuem as águas, há pouco que podemos fazer para alterar as regras do seu funcionamento.
[15] Podemos, isto sim, é colaborar na manutenção da Terra. Todos os argumentos conservacionistas e
ambientalistas teriam mais força se conseguissem nos convencer de que somos inquilinos no mundo. E que
temos as mesmas obrigações de qualquer inquilino, inclusive a de prestar contas por cada arranhão no fim do
contrato. A escatologia cristã deveria substituir o Salvador que virá pela segunda vez para nos julgar por um
Proprietário que chegará para retomar seu imóvel. E o Juízo Final, por um cuidadoso inventário em que todos
[20] os estragos que fizemos no mundo seriam contabilizados e cobrados.
– Cadê a floresta que estava aqui? – perguntaria o Proprietário.
– Valia uma fortuna.
E:
– Este rio não está como eu deixei…
[25] E, depois de uma contagem minuciosa:
– Estão faltando cento e dezessete espécies.
A Humanidade poderia tentar negociar. Apontar as benfeitorias – monumentos, parques, áreas férteis onde
outrora existiam desertos – para compensar a devastação. O Proprietário não se impressionaria.
– Para o que eu quero o Taj Mahal? Sete Quedas era muito mais bonita.
[30] – E a catedral de Chartres? Fomos nós que construímos. Aumentou o valor do terreno em…
– Fiquem com todas as suas catedrais, represas, cidades e shoppings. Quero o mundo como eu o entreguei.
Não precisamos de uma mentalidade ecológica. Precisamos de uma mentalidade de locadores. E do terror da
indenização.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. O mundo é bárbaro e o que nós temos a ver com isso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. P 19-20
Vocabulário:
Salvador: um dos nomes de Jesus que, segundo a teologia cristã, veio ao mundo para salvar a humanidade.
Juízo Final: dia em que, segundo a teologia cristã, Jesus voltará para julgar as ações de toda a humanidade.
Inventário: descrição do patrimônio de pessoa falecida para que se partilhe os bens entre os herdeiros.
Inquilino: locatário. Residente de imóvel alugado.
Escatologia: doutrina que trata do destino final do homem e do mundo.
No período Todos os argumentos conservacionistas e ambientalistas teriam mais força se conseguissem nos convencer de que somos inquilinos no mundo, o termo grifado poderia, sem alteração de sentido, ser substituído por:
Questão 14 379709
IFSC 2018/1TEXTO
A geração smartphone, que bebe menos álcool, faz menos sexo e não está preparada para a vida adulta
[1] Jovens que cresceram na era dos smartphones estão menos preparados para a vida adulta,
[2] segundo uma pesquisa americana. A chamada "geração smartphone", daqueles que nasceram após
[3] 1995, vem amadurecendo mais lentamente do que as anteriores.
[4] Eles são menos propensos a dirigir, trabalhar, fazer sexo, sair e beber álcool, de acordo com
[5] Jean Twenge, professora de Psicologia da Universidade Estadual de San Diego, nos Estados
[6] Unidos. Suas conclusões estão no recém-publicado livro iGen: Why Today's Super-Connected Kids
[7] are Growing up Less Rebellious, More Tolerant, Less Happy - and Completely Unprepared for
[8] Adulthood (iGen: Por que as crianças superconectadas estão crescendo menos rebeldes, mais
[9] tolerantes, menos felizes - e completamente despreparadas para a vida adulta, em tradução livre),
[10] com os resultados de uma investigação baseada em pesquisas com 11 milhões de jovens
[11] americanos e entrevistas em profundidade.
[12] Em entrevista à BBC Mundo, o serviço da BBC em espanhol, Twenge explicou que esses
[13] jovens cresceram em um ambiente mais seguro e se expõem menos a situações de risco. Mas, por
[14] outro lado, chegam à universidade e ao mundo do trabalho com menos experiências, mais
[15] dependentes e com dificuldade de tomar decisões. "Os de 18 anos agem como se tivessem 15 em
[16] gerações anteriores", comenta Twenge. Ela diz que isto tem relação com a superconectividade típica
[17] desta geração, que passa em média seis horas por dia conectada à internet, enviando mensagens e
[18] jogando jogos online.
[19] Por conta disto, acabam passando menos tempo com amigos, o que pode afetar o
[20] desenvolvimento de suas habilidades sociais. O estudo mostrou ainda que quanto mais tempo o
[21] jovem passa na frente do computador, maiores os níveis de infelicidade. "O que me impressionou na
[22] pesquisa foi que os adolescentes estavam bastante cientes dos efeitos negativos dos celulares",
[23] comentou a pesquisadora. "E um estudo com 200 universitários que fizemos mostrou que quase
[24] todos prefeririam ver seus amigos pessoalmente", continua.
[25] Essa consciência, no entanto, não se traduz na prática. A Geração Smartphone, segundo a
[26] pesquisa com base no universo americano, sofre com altos níveis de ansiedade, depressão e
[27] solidão. A taxa de suicídio, por exemplo, triplicou na última década entre meninas de 12 a 14 anos.
[28] Mas, ao mesmo tempo, trata-se de uma geração mais realista com o mercado de trabalho e
[29] mais disposta a trabalhar duro, o que Twenge vê como "boa notícia para empresas". "Eles não têm
[30] grandes expectativas como as que tinham os millennials (a geração anterior, dos nascidos após
[31] 1980)", compara. "Eles estão mais preocupados em estar física e emocionalmente seguros. Bebem
[32] menos e não gostam de riscos."
[33] Segundo o livro, por terem uma infância mais protegida, têm um crescimento mais lento.
[34] Para Twenge, "não gostam de fazer coisas nas quais não se sintam seguras, o que fazem é adiar os
[35] prazeres e as responsabilidades". Embora as principais conclusões pareçam acenar para um sinal
[36] de alerta, a pesquisadora comenta que a geração smartphone é tolerante com pessoas diferentes e
[37] ativa na defesa de direitos LGBT e da população. "E mais ainda que as gerações anteriores, eles
[38] acreditam que as pessoas devem ser o que são", completa.
Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/geral-41080541. Acesso em: 29 Ago, 2017.
Ainda em relação ao Texto e, considerando o trecho “Mas, ao mesmo tempo, trata-se de uma geração mais realista com o mercado de trabalho e mais disposta a trabalhar duro, o que Twenge vê como ‘boa notícia para as empresas’” (linhas 28 e 29), assinale a alternativa CORRETA.
Questão 12 295725
IFRR 2018Para responder à questão, considere o fragmento da obra O rapto do garoto de ouro, de Marcos Rey, que segue:
Outra vez na escuridão do quarto, Alfredo já não tinha a companhia da serra, que o dia inteiro ouvira ao longe, mas o latido dos cães prosseguia, intermitentemente. Ao cair da tarde sentira muita fome e acabara com o queijo branco e as bolachas. Dos refrigerantes restava apenas um e a jarra de água descera pela metade. Comendo uma maçã, estirado na estopa, já não tinha muitas dúvidas de que seu cárcere era no próprio bairro. Todo bairro tem um cheiro especial e ele conhecia o cheiro da Bela Vista. Depois, a serra e os latidos eram ruídos familiares, principalmente quando percutidos ao mesmo tempo.
O fato de sentir-se perto de casa aproximava-o dum passado ainda vizinho. Lembrava-se de sua vida de menino, das brincadeiras de rua, do trabalho na oficina do pai e finalmente do dia em que Jaime, ex-radioator, agora no comércio de imóveis, teve a feliz ideia de levá-lo a uma Hora de Calouros depois de vê-lo e ouvi-lo inúmeras vezes cantar e tocar em festinhas. Nunca pensara em tornar-se artista profissional.
Simplesmente imitava os cantores famosos do rock na voz, no balanço e na guitarra. Mesmo um primeiro lugar no programa de amadores lhe pareceu bom demais. O convite da gravadora fora uma surpresa imensa.
Jaime, porém, advertira: "Não se iluda. Muitos gravam e nada acontece". Mas com ele não se deu assim. A música escolhida, de autor também desconhecido, tinha um pique sensacional. Era dessas que o público ouve, gosta e sai cantando. Em seguida, começou a ser chamado para apresentações na televisão e, logo depois, já contratado por Lazzari, passou a fazer shows, juntamente com um pequeno conjunto de roqueiros, pela capital de São Paulo, cidades do interior e outros estados. A essa altura, já não era mais o Alfredo, o Alfredinho, filho do seu Domingos, marceneiro, e de dona Bela, mas o Garoto de Ouro, o rapaz desinibido, de sorriso permanente, que vestia roupas esfuziantes e cujos retratos apareciam quase diariamente nos jornais e revistas e mesmo em pôsteres que as meninas e moças pregavam em seus quartos. Deixara de ser um jovem comum, magro e sardento, para ser um ídolo.
Na escuridão do seu presídio, perguntava-se se era feliz, e respondia prontamente que sim. Embora, reconhecia, era uma felicidade atabalhoada, inquieta, trabalhosa, febril, sem tempo para ser saboreada nem direito a descanso. Sempre num palco ou a bordo dum avião, forçado a demonstrar a alegria pela qual todos esperavam e pagavam, não lhe sobrava espaço para conviver com a família e os amigos da infância estavam cada vez mais distantes. Essa é minha primeira folga em mais de um ano, ele admitiu, arremessando para longe o cabinho da maçã. Um pensamento: todos os delinquentes cometem ao menos um erro. Meu raptor também cometeu?
Os trechos destacados no fragmento a seguir estão corretamente analisados, do ponto de vista sintático, no item:
Outra vez na escuridão do quarto, Alfredo já não tinha a companhia da serra, que o dia inteiro ouvira ao longe, mas o latido dos cães prosseguia, intermitentemente.
Questão 7 399816
IFSulDeMinas 2015Haddad regulamenta lei que prevê multa de R$ 1 mil contra ‘pancadões’
O prefeito Fernando Haddad regulamentou na terça-feira (31) a lei 15.777, que restringe a emissão de ruídos por aparelhos de som instalados em veículos estacionados em vias públicas ou calçadas particulares de guias rebaixadas. A medida atinge sobretudo a realização de bailes funks improvisados em pontos da periferia, encontros conhecidos como “pancadões”.
A regulamentação prevê multa de R$ 1 mil para quem desrespeitar a proibição. Na primeira reincidência em menos de 30 dias, a multa para o proprietário do carro será dobrada e a partir da segunda, quadruplicada.
A lei é derivada do projeto 313/09 e busca dificultar a realização de pancadões na cidade.
O texto estabelece que veículos ficam proibidos de emitir ruídos considerados de alto nível pela legislação mais restritiva, “provenientes de aparelhos de som de qualquer natureza e tipo, portáteis ou não, especialmente em horário noturno.”
A proibição não vale para aparelhos de som utilizados em veículos em movimento, veículos profissionais previamente adequados à legislação vigente e devidamente autorizados, e também veículos publicitários e utilizados em manifestações sindicais e populares.
A lei entende entende por via pública o leito carroçável, o meio-fio, calçadas, entrada e saída de veículos nas garagens e todas as áreas destinadas a pedestres.
Fonte: http://m.g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/01/haddad-regulamenta-lei-que-preve-multade-r-1-mil-contra- pancadoes.html
A sentença que apresenta um adjunto adverbial sublinhado é:
Questão 3 165204
IFBA 2014Grande parte dos avanços tecnológicos integra o
processo evolutivo da comunicação,
conduzindo-nos para uma maior democratização
da informação e, consequentemente, do saber. A
[5] comunicação virtual introduz um conceito de
descentralização da informação e do poder de
comunicar. Todo computador, conectado à
internet, possui a capacidade de transmitir
palavras, imagens, sons. Não se limita apenas
[10] aos donos de jornais e emissoras; qualquer
pessoa pode construir um site na internet, sobre
qualquer assunto e propagá-lo de maneira
simples. O espaço cibernético tem se tornado um
lugar essencial, um futuro próximo de
[15] comunicação completamente distinta da mídia
clássica. [...].
A internet proporciona a interação entre locutor e
interlocutor, uma vez que, na rede, qualquer
elemento adquire a possibilidade de interação,
[20] havendo interconexões entre pessoas dos mais
diferentes lugares do planeta, facilitando,
portanto, o contato entre elas, assim como a
busca por opiniões e ideias convergentes. Uma
prova da eficiência da internet em construir esse
[25] ideal de propagação de mensagens e opiniões
está na multiplicidade de temas que podem ser
encontrados nela. Além dos sites, as listas de
discussão, que agregam pessoas interessadas
em um dado assunto, também merecem
[30] consideração.
É nesse ponto que a internet se sobressai, pois
integra e condensa nela todos os recursos de
todas as formas de comunicação, como jornal,
por exemplo. Além de apresentar todas as
[35] funções do jornalismo, que, segundo Beltrão são
econômica, social, educativaede
entretenimento, ela é um meio de comunicação
interativo. Além disso, há a questão da
dinamicidade e da interatividade: o espaço
[40] virtual, diferentemenete de um texto de jornal ou
revista em papel, está constantemente em
movimento.
GALLI, Fernanda. Linguagem da internet: um meio de comunicação global. In: Hipertexto e gêneros digitais. MARCUSCHI, Luiz Antônio; XAVIER, Antonio Carlos (Org.). São Paulo: Cortez, 2010, p. 151-2. (adaptado)
Podemos considerar, levando em conta os recursos linguísticos do texto, que
Questão 5 10727361
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2011TEXTO
‘London River’ é drama simples e emocionante de tom político
André Barcinski
Crítico da Folha de São Paulo
“London River” – “Destinos Cruzados” é um filme simples e emocionante sobre como duas pessoas de origens totalmente diferentes podem ser afetadas da mesma maneira por uma tragédia.
Brenda Blethyn (“Segredos e Mentiras”) vive Elisabeth, viúva que mora num sítio no interior da Inglaterra.
No dia 7 de julho de 2005, Elisabeth está assistindo à TV quando vê o noticiário sobre atentados suicidas em Londres. Ela imediatamente liga para a filha, que mora na capital inglesa. Mas a filha não atende.
As horas passam, Elisabeth liga de novo, e nada. Preocupada, decide ir a Londres, procurar a menina.
Enquanto isso, Ousmane (Sotigui Kouyaté, veterano ator nascido em Mali e morto neste ano), um franco-africano mulçumano, também vai para Londres, procurando o filho.
Como antecipa o título do filme em português, os destinos dessas duas almas perdidas vão se cruzar. A vida deles está, de alguma forma, conectada.
O filme, até então um drama com ares de mistério, ganha um viés mais político, explorando temas como preconceito e a dificuldade de comunicação. Tanto Elisabeth quanto Ousmane vão perceber que nada sabem sobre o outro.
Dirigido pelo franco-argelino Rachid Bouchareb, “London River” peca por um roteiro um tanto esquemático, mas as atuações contidas de Blethyn e Kouyaté (vencedor do Urso de Ouro em Berlim) dão ao filme uma dignidade comovente.
(Folha de São Paulo, 01/10/2010)
Os termos grifados no texto constituem, respectivamente:
06
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