Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 36 10784049
Liceu-SP 2013Leia o trecho da música Segredo gravada originalmente por Dalva de Oliveira em 1947.
Quando o infortúnio nos bate à porta
E o amor nos foge pela janela
A felicidade para nós está morta
E não se pode viver sem ela.
(Herivelto Martins e Marino Pinto)
Substituindo quando por se e fazendo as devidas alterações na conjugação dos verbos, de acordo com a norma culta da língua escrita, os versos ficariam do seguinte modo:
Questão 35 10784047
Liceu-SP 2013O acento indicador de crase está corretamente empregado em:
Questão 34 10784045
Liceu-SP 2013Leia o conto de Moacyr Scliar para responder à questão.
LACUNA
Aos dez anos, ele decide começar um diário — e daí em diante não se passará dia sem que anote alguma coisa, um acontecimento, um pensamento, um devaneio. Os anos passam, os cadernos se empilham. Aos cinquenta, o homem, movido por algum obscuro motivo, resolve revisar, não a vida, mas os diários. É a primeira vez que o faz. E vai lendo, ora com um sorriso, ora com lágrimas nos olhos; ora arrebatado; ora entediado. De repente, nota que faltam as anotações correspondentes a um dia; é o único dia em que não escreveu nada, conforme verifica compulsando o resto do caderno e os cadernos seguintes. Por quê? — pergunta-se. — Por que falta esse dia? Pensa a princípio no mais óbvio, folha arrancada. Mas não, na mesma página em que deveriam estar as anotações, estão as dos dias anterior e posterior. Anotações aliás curtas, como todas as outras. Está, portanto, diante de um fato inexplicável: um dia não registrado. Por quê? Viagem? Não. Mesmo quando viajava levava o diário consigo. Doença? Também não: mesmo doente (e nunca esteve gravemente enfermo) não deixava de fazer suas anotações. O que era intrigante, transforma-se num martírio: o homem agora não só quer saber, ele precisa saber. O mistério o tortura, ele perde o apetite, não trabalha direito. A mulher e os amigos querem saber o que se passa: nunca o viram assim. E a ninguém ele pode contar, porque sente que não o compreenderiam.
Está resolvido a esclarecer o mistério. Não será fácil. À época em que a anotação deveria ter sido feita, morava sozinho. Recém-saído da faculdade, estava sem emprego. Namorada, só encontraria uns meses depois. Nenhuma conexão, pois, ninguém a quem perguntar. A quem recorrer? Depois de pensar muito, procura um adivinho. Este, surpreso, diz que não pode ajudá-lo; sua especialidade é prever o futuro, não desvendar o passado. Sugere um hipnotizador. O homem tenta submeter-se à hipnose, mas sem resultado; no momento em que vai cair em transe, sobressalta-se, e volta à vigília. O hipnotizador, vendo-o tão angustiado, aconselha um psicólogo. O homem vai ao psicólogo, que o ouve com atenção durante quarenta minutos; ao final da sessão sacode a cabeça, com ar compungido: sim, diz, a lembrança deve estar no inconsciente, em algum lugar do inconsciente, mas não tenho como recuperá-la. Dá uma esperança, porém: é possível que a recordação venha de súbito à tona, como um cadáver de um afogado.
— Talvez durante um sonho. Preste atenção a seus sonhos.
O homem passa a dormir com lápis e caderno a seu lado. Se o sonho lhe trouxer a lembrança tão desejada, quer anotá-la logo, antes de esquecê-la de novo. E uma noite, de fato, recorda; recorda tudo; com a mão trêmula, anota no caderno o que lembrou e, exausto mas satisfeito, adormece. No dia seguinte, constata que a folha do caderno está em branco. O ato de anotar também foi sonho.
Agora ele está convencido de que algo grave ocorreu. Vai aos arquivos de um grande matutino, pede ao encarregado o exemplar correspondente ao dia fatídico. O arquivista traz o jornal, que ele folheia com impaciência. E, na seção policial, encontra o que procura. Sim, houve um crime nesse dia. Um solitário foi assassinado, a polícia não tinha pistas.
O homem sente-se mal. Vai até o banheiro, lava o rosto. Ergue então a cabeça e vê, no espelho, a face sorridente de sua vítima.
SCLIAR, Moacyr. Contos Reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 339-40
Leia a seguinte oração:
“Aos dez anos ele decide começar um diário”
A expressão grifada na oração acima desempenha a mesma função sintática em destaque na alternativa
Questão 33 10784040
Liceu-SP 2013Leia o conto de Moacyr Scliar para responder à questão.
LACUNA
Aos dez anos, ele decide começar um diário — e daí em diante não se passará dia sem que anote alguma coisa, um acontecimento, um pensamento, um devaneio. Os anos passam, os cadernos se empilham. Aos cinquenta, o homem, movido por algum obscuro motivo, resolve revisar, não a vida, mas os diários. É a primeira vez que o faz. E vai lendo, ora com um sorriso, ora com lágrimas nos olhos; ora arrebatado; ora entediado. De repente, nota que faltam as anotações correspondentes a um dia; é o único dia em que não escreveu nada, conforme verifica compulsando o resto do caderno e os cadernos seguintes. Por quê? — pergunta-se. — Por que falta esse dia? Pensa a princípio no mais óbvio, folha arrancada. Mas não, na mesma página em que deveriam estar as anotações, estão as dos dias anterior e posterior. Anotações aliás curtas, como todas as outras. Está, portanto, diante de um fato inexplicável: um dia não registrado. Por quê? Viagem? Não. Mesmo quando viajava levava o diário consigo. Doença? Também não: mesmo doente (e nunca esteve gravemente enfermo) não deixava de fazer suas anotações. O que era intrigante, transforma-se num martírio: o homem agora não só quer saber, ele precisa saber. O mistério o tortura, ele perde o apetite, não trabalha direito. A mulher e os amigos querem saber o que se passa: nunca o viram assim. E a ninguém ele pode contar, porque sente que não o compreenderiam.
Está resolvido a esclarecer o mistério. Não será fácil. À época em que a anotação deveria ter sido feita, morava sozinho. Recém-saído da faculdade, estava sem emprego. Namorada, só encontraria uns meses depois. Nenhuma conexão, pois, ninguém a quem perguntar. A quem recorrer? Depois de pensar muito, procura um adivinho. Este, surpreso, diz que não pode ajudá-lo; sua especialidade é prever o futuro, não desvendar o passado. Sugere um hipnotizador. O homem tenta submeter-se à hipnose, mas sem resultado; no momento em que vai cair em transe, sobressalta-se, e volta à vigília. O hipnotizador, vendo-o tão angustiado, aconselha um psicólogo. O homem vai ao psicólogo, que o ouve com atenção durante quarenta minutos; ao final da sessão sacode a cabeça, com ar compungido: sim, diz, a lembrança deve estar no inconsciente, em algum lugar do inconsciente, mas não tenho como recuperá-la. Dá uma esperança, porém: é possível que a recordação venha de súbito à tona, como um cadáver de um afogado.
— Talvez durante um sonho. Preste atenção a seus sonhos.
O homem passa a dormir com lápis e caderno a seu lado. Se o sonho lhe trouxer a lembrança tão desejada, quer anotá-la logo, antes de esquecê-la de novo. E uma noite, de fato, recorda; recorda tudo; com a mão trêmula, anota no caderno o que lembrou e, exausto mas satisfeito, adormece. No dia seguinte, constata que a folha do caderno está em branco. O ato de anotar também foi sonho.
Agora ele está convencido de que algo grave ocorreu. Vai aos arquivos de um grande matutino, pede ao encarregado o exemplar correspondente ao dia fatídico. O arquivista traz o jornal, que ele folheia com impaciência. E, na seção policial, encontra o que procura. Sim, houve um crime nesse dia. Um solitário foi assassinado, a polícia não tinha pistas.
O homem sente-se mal. Vai até o banheiro, lava o rosto. Ergue então a cabeça e vê, no espelho, a face sorridente de sua vítima.
SCLIAR, Moacyr. Contos Reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 339-40
A história é sobre
Questão 32 10784038
Liceu-SP 2013Leia o conto de Moacyr Scliar para responder à questão.
LACUNA
Aos dez anos, ele decide começar um diário — e daí em diante não se passará dia sem que anote alguma coisa, um acontecimento, um pensamento, um devaneio. Os anos passam, os cadernos se empilham. Aos cinquenta, o homem, movido por algum obscuro motivo, resolve revisar, não a vida, mas os diários. É a primeira vez que o faz. E vai lendo, ora com um sorriso, ora com lágrimas nos olhos; ora arrebatado; ora entediado. De repente, nota que faltam as anotações correspondentes a um dia; é o único dia em que não escreveu nada, conforme verifica compulsando o resto do caderno e os cadernos seguintes. Por quê? — pergunta-se. — Por que falta esse dia? Pensa a princípio no mais óbvio, folha arrancada. Mas não, na mesma página em que deveriam estar as anotações, estão as dos dias anterior e posterior. Anotações aliás curtas, como todas as outras. Está, portanto, diante de um fato inexplicável: um dia não registrado. Por quê? Viagem? Não. Mesmo quando viajava levava o diário consigo. Doença? Também não: mesmo doente (e nunca esteve gravemente enfermo) não deixava de fazer suas anotações. O que era intrigante, transforma-se num martírio: o homem agora não só quer saber, ele precisa saber. O mistério o tortura, ele perde o apetite, não trabalha direito. A mulher e os amigos querem saber o que se passa: nunca o viram assim. E a ninguém ele pode contar, porque sente que não o compreenderiam.
Está resolvido a esclarecer o mistério. Não será fácil. À época em que a anotação deveria ter sido feita, morava sozinho. Recém-saído da faculdade, estava sem emprego. Namorada, só encontraria uns meses depois. Nenhuma conexão, pois, ninguém a quem perguntar. A quem recorrer? Depois de pensar muito, procura um adivinho. Este, surpreso, diz que não pode ajudá-lo; sua especialidade é prever o futuro, não desvendar o passado. Sugere um hipnotizador. O homem tenta submeter-se à hipnose, mas sem resultado; no momento em que vai cair em transe, sobressalta-se, e volta à vigília. O hipnotizador, vendo-o tão angustiado, aconselha um psicólogo. O homem vai ao psicólogo, que o ouve com atenção durante quarenta minutos; ao final da sessão sacode a cabeça, com ar compungido: sim, diz, a lembrança deve estar no inconsciente, em algum lugar do inconsciente, mas não tenho como recuperá-la. Dá uma esperança, porém: é possível que a recordação venha de súbito à tona, como um cadáver de um afogado.
— Talvez durante um sonho. Preste atenção a seus sonhos.
O homem passa a dormir com lápis e caderno a seu lado. Se o sonho lhe trouxer a lembrança tão desejada, quer anotá-la logo, antes de esquecê-la de novo. E uma noite, de fato, recorda; recorda tudo; com a mão trêmula, anota no caderno o que lembrou e, exausto mas satisfeito, adormece. No dia seguinte, constata que a folha do caderno está em branco. O ato de anotar também foi sonho.
Agora ele está convencido de que algo grave ocorreu. Vai aos arquivos de um grande matutino, pede ao encarregado o exemplar correspondente ao dia fatídico. O arquivista traz o jornal, que ele folheia com impaciência. E, na seção policial, encontra o que procura. Sim, houve um crime nesse dia. Um solitário foi assassinado, a polícia não tinha pistas.
O homem sente-se mal. Vai até o banheiro, lava o rosto. Ergue então a cabeça e vê, no espelho, a face sorridente de sua vítima.
SCLIAR, Moacyr. Contos Reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 339-40
Segundo o conto, na época em que a página em branco supostamente foi deixada no diário, o personagem principal era um jovem que
Questão 31 10784037
Liceu-SP 2013Leia o conto de Moacyr Scliar para responder à questão.
LACUNA
Aos dez anos, ele decide começar um diário — e daí em diante não se passará dia sem que anote alguma coisa, um acontecimento, um pensamento, um devaneio. Os anos passam, os cadernos se empilham. Aos cinquenta, o homem, movido por algum obscuro motivo, resolve revisar, não a vida, mas os diários. É a primeira vez que o faz. E vai lendo, ora com um sorriso, ora com lágrimas nos olhos; ora arrebatado; ora entediado. De repente, nota que faltam as anotações correspondentes a um dia; é o único dia em que não escreveu nada, conforme verifica compulsando o resto do caderno e os cadernos seguintes. Por quê? — pergunta-se. — Por que falta esse dia? Pensa a princípio no mais óbvio, folha arrancada. Mas não, na mesma página em que deveriam estar as anotações, estão as dos dias anterior e posterior. Anotações aliás curtas, como todas as outras. Está, portanto, diante de um fato inexplicável: um dia não registrado. Por quê? Viagem? Não. Mesmo quando viajava levava o diário consigo. Doença? Também não: mesmo doente (e nunca esteve gravemente enfermo) não deixava de fazer suas anotações. O que era intrigante, transforma-se num martírio: o homem agora não só quer saber, ele precisa saber. O mistério o tortura, ele perde o apetite, não trabalha direito. A mulher e os amigos querem saber o que se passa: nunca o viram assim. E a ninguém ele pode contar, porque sente que não o compreenderiam.
Está resolvido a esclarecer o mistério. Não será fácil. À época em que a anotação deveria ter sido feita, morava sozinho. Recém-saído da faculdade, estava sem emprego. Namorada, só encontraria uns meses depois. Nenhuma conexão, pois, ninguém a quem perguntar. A quem recorrer? Depois de pensar muito, procura um adivinho. Este, surpreso, diz que não pode ajudá-lo; sua especialidade é prever o futuro, não desvendar o passado. Sugere um hipnotizador. O homem tenta submeter-se à hipnose, mas sem resultado; no momento em que vai cair em transe, sobressalta-se, e volta à vigília. O hipnotizador, vendo-o tão angustiado, aconselha um psicólogo. O homem vai ao psicólogo, que o ouve com atenção durante quarenta minutos; ao final da sessão sacode a cabeça, com ar compungido: sim, diz, a lembrança deve estar no inconsciente, em algum lugar do inconsciente, mas não tenho como recuperá-la. Dá uma esperança, porém: é possível que a recordação venha de súbito à tona, como um cadáver de um afogado.
— Talvez durante um sonho. Preste atenção a seus sonhos.
O homem passa a dormir com lápis e caderno a seu lado. Se o sonho lhe trouxer a lembrança tão desejada, quer anotá-la logo, antes de esquecê-la de novo. E uma noite, de fato, recorda; recorda tudo; com a mão trêmula, anota no caderno o que lembrou e, exausto mas satisfeito, adormece. No dia seguinte, constata que a folha do caderno está em branco. O ato de anotar também foi sonho.
Agora ele está convencido de que algo grave ocorreu. Vai aos arquivos de um grande matutino, pede ao encarregado o exemplar correspondente ao dia fatídico. O arquivista traz o jornal, que ele folheia com impaciência. E, na seção policial, encontra o que procura. Sim, houve um crime nesse dia. Um solitário foi assassinado, a polícia não tinha pistas.
O homem sente-se mal. Vai até o banheiro, lava o rosto. Ergue então a cabeça e vê, no espelho, a face sorridente de sua vítima.
SCLIAR, Moacyr. Contos Reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 339-40
As características que encontram fundamentação no conto para definir, de modo amplo, o personagem principal são
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