Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 1 165872
IFGO 2014Texto 01
Por que nunca entrei no Facebook
Eugenio Bucci
– Não, não estou no Facebook.
Quando a gente diz isso numa roda, num jantar ou num ponto de ônibus, a conversa silencia. Olhares incrédulos saltam sobre nossa figura tímida, como luzes de otorrinolaringologistas do futuro, tentando investigar nossas limitações ocultas. Analfabetismo digital? Conservadorismo? Alguém arrisca um “em que planeta você vive?”. Outro sente pena e tenta ser simpático: “Até minha avó está no Face, é tão friendly”.
Aí, vem aquela voz categórica, que procura dar o sinal definitivo dos tempos: “Minha filha já nem usa mais email. Com ela, é tudo pelo Facebook”. É assim que os 46,3 milhões de brasileiros que mantêm um perfil pessoal na maior rede social do planeta tratam os outros, os que estão de fora. Fazem ar de espanto. Fazem chiste, bullying, assédio moral.
E não obstante: Não, não estou no Facebook. E acho que tenho razão. Errados estão os 845 milhões de viventes que, em todas as línguas, em todos os países, puseram lá suas fotografias (tem gente sem camisa!) ao lado de seus depoimentos confessionais. Viventes e morrentes, é bom saber. Há poucas semanas, o escritor Humberto Werneck, em sua coluna dominical no jornal O Estado de São Paulo, registrou um dado um tanto mórbido. Quando um sujeito morre – isso acontece –, o perfil do defunto fica lá, intacto. O perfil do morto não entra em putrefação, nem vai para debaixo da tela. Os outros usuários, estes vivos, mas desavisados, podem “curtir” até cansar. O perfil não se mexe nem sai de cena. Não há coveiros digitais no tempo real. De todo modo, como não frequento isso que Werneck chamou de “cemitério virtual”, não posso saber como é. Apenas presumo que deva ser aflitivo. Também por isso, ali não entro nem morto.
A fonte da minha resistência, contudo, não está nessa situação terrível, não da morte em vida, mas da vida em morte a que a grande rede pode nos sentenciar. Também não está nas fotos de gente sem camisa. A evasão de intimidades em que estamos submersos é a regra totalitária. Até mesmo a fé – algo ainda mais íntimo que o sexo – ganhou estatuto de espetáculo nas telas eletrônicas, e a transcendência do espírito se converteu em explicitude obscena. Entre o lúbrico e o religioso, não é o festival abrasivo nauseante de intimidades que me mantém distante. Não é também a frivolidade.
O que mais me afasta desse tipo de rede social é o comércio. Nada contra as feiras livres, que, em qualquer lugar, em qualquer tempo, concentram as mais autênticas vibrações da cultura (a melhor porta de entrada para o viajante que quer conhecer uma cidade é a feira livre). Agora, o comércio no Facebook é outra história. Ele é ainda mais funéreo que a presença dos clientes mortos que não pagam nem arredam pé. Ali, a mercadoria é o freguês, o que vai ficando cada dia mais evidente, com denúncias crescentes sobre o uso de informações pessoais mercadejadas pelos administradores do site. Ali dentro, as mais exibicionistas intimidades adquirem um sinistro valor de troca para as mais intrincadas estratégias mercadológicas.
Já no tempo do Orkut – no qual também nunca pus os pés, ou os dedos, ou os dígitos – esse fantasma existia. Hoje, no Facebook, o velho fantasma é corpóreo, material, indisfarçável em seu jogo desigual. O usuário alimenta o usurário – com seu próprio trabalho, não remunerado. Clicando “curti” para lá e para cá, o freguês fabrica alegremente o “database marketing” que o vende sem que ele saiba. Estou fora. Muito obrigado.
Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2013. [Adaptado]
A principal ideia defendida no texto, para justificar o afastamento do autor do Facebook, está presente no fragmento:
Questão 9 165224
IFBA 2014TEXTO II
Sem Facebook
Das minhas relações mais próximas, só três
comungam comigo não ter facebook. Não
pensem que tenho críticas, sou um entusiasta,
apenas não quero usar. Pouco dou conta dos
[5] meus amigos, onde vou arranjar tempo para
mais? Minha etiqueta me faz responder a tudo,
teria que largar o trabalho se entrasse na rede
social. Só recentemente minhas filhas me
convenceram que se não respondesse um spam
[10] ninguém ficaria ofendido.
A cidade ganhou a parada. Acabou o pequeno
mundo onde todos se conheciam, onde não se
podia esconder segredos e pecados. Viver na
urbe é cruzar com desconhecidos, sentir a frieza
[15] do anonimato. Essa é a realidade da maioria.
Meu apreço com as redes sociais é por acreditar
que elas são um antídoto para o isolamento
urbano. São uma novidade que imita o passado,
uma nova versão, por vezes mais rica, por vezes
[20] mais pobre, da antiga comunidade. Detalhe: não
quero retroceder, a simpatia é pelo resgate da
nossa essência social. Vivemos para o olhar dos
outros, essa é a realidade simples, evidente.
Quem pensa o contrário vai à conversa da
[25] literatura de autoajuda, que idolatra a
autossuficiência e acredita que é possível ser
feliz sozinho. É uma ilusão tola. Nascemos para
vitrine.
Quando checamos insistentemente para saber
[30] como reagiram às nossas postagens, somos
desvelados no pedido amoroso. O viciado em
rede social é obcecado pela sociabilidade. Está
em busca de um olhar, de uma aprovação,
precisa disso para existir. Ou vamos acreditar
[35] que a carência, o desespero amoroso e a busca
pelo reconhecimento são novidades da internet?
Sei que o facebook é o retrato da felicidade
fingida, todos vestidos de ego de domingo, mas
essa é a demanda do nosso tempo. Critique
[40] nossos costumes, não o espelho. Sei também
que as redes são usadas basicamente para
frivolidades, é certo, mas isso somos nós. Se a
vida miúda de uma cidadezinha fosse transcrita,
não seria diferente. Fofoca, sabedoria de
[45] almanaque, dicas de produtos culturais, troca de
impressões e às vezes até um bom conselho,
além de ser um amplificador veloz para
mobilizações.
Também apontam que amigos virtuais não
[50] substituem os presenciais. Todos se dão conta, e
justamente usam a rede na esperança de
escapar dela. O objetivo final é ser visto e
conhecido também fora. Usamos esse grande
palco para ensaiar e se aproximar dos outros,
[55] fazer o que sempre fizemos. O facebook é a
nostalgia da aldeia e sua superação.
CORSO, Mário. Sem Facebook. Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/ blogs/. Acesso em: 31 de agosto de 2013. (adaptado)
Quanto ao significado das palavras, a alternativa CORRETA é:
Questão 7 165219
IFBA 2014TEXTO II
Sem Facebook
Das minhas relações mais próximas, só três
comungam comigo não ter facebook. Não
pensem que tenho críticas, sou um entusiasta,
apenas não quero usar. Pouco dou conta dos
[5] meus amigos, onde vou arranjar tempo para
mais? Minha etiqueta me faz responder a tudo,
teria que largar o trabalho se entrasse na rede
social. Só recentemente minhas filhas me
convenceram que se não respondesse um spam
[10] ninguém ficaria ofendido.
A cidade ganhou a parada. Acabou o pequeno
mundo onde todos se conheciam, onde não se
podia esconder segredos e pecados. Viver na
urbe é cruzar com desconhecidos, sentir a frieza
[15] do anonimato. Essa é a realidade da maioria.
Meu apreço com as redes sociais é por acreditar
que elas são um antídoto para o isolamento
urbano. São uma novidade que imita o passado,
uma nova versão, por vezes mais rica, por vezes
[20] mais pobre, da antiga comunidade. Detalhe: não
quero retroceder, a simpatia é pelo resgate da
nossa essência social. Vivemos para o olhar dos
outros, essa é a realidade simples, evidente.
Quem pensa o contrário vai à conversa da
[25] literatura de autoajuda, que idolatra a
autossuficiência e acredita que é possível ser
feliz sozinho. É uma ilusão tola. Nascemos para
vitrine.
Quando checamos insistentemente para saber
[30] como reagiram às nossas postagens, somos
desvelados no pedido amoroso. O viciado em
rede social é obcecado pela sociabilidade. Está
em busca de um olhar, de uma aprovação,
precisa disso para existir. Ou vamos acreditar
[35] que a carência, o desespero amoroso e a busca
pelo reconhecimento são novidades da internet?
Sei que o facebook é o retrato da felicidade
fingida, todos vestidos de ego de domingo, mas
essa é a demanda do nosso tempo. Critique
[40] nossos costumes, não o espelho. Sei também
que as redes são usadas basicamente para
frivolidades, é certo, mas isso somos nós. Se a
vida miúda de uma cidadezinha fosse transcrita,
não seria diferente. Fofoca, sabedoria de
[45] almanaque, dicas de produtos culturais, troca de
impressões e às vezes até um bom conselho,
além de ser um amplificador veloz para
mobilizações.
Também apontam que amigos virtuais não
[50] substituem os presenciais. Todos se dão conta, e
justamente usam a rede na esperança de
escapar dela. O objetivo final é ser visto e
conhecido também fora. Usamos esse grande
palco para ensaiar e se aproximar dos outros,
[55] fazer o que sempre fizemos. O facebook é a
nostalgia da aldeia e sua superação.
CORSO, Mário. Sem Facebook. Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/ blogs/. Acesso em: 31 de agosto de 2013. (adaptado)
De acordo com o texto, é correto afirmar que
I. responder a todas as solicitações dos amigos na internet faz parte da etiqueta social, a fim de manter as relações sociais.
II. com a internet, as pessoas buscam demonstrar seus sentimentos e emoções nas redes sociais, o que, na realidade, não é algo novo no comportamento humano.
III. na frase “O facebook é a nostalgia da aldeia e sua superação” (l. 55-56), pode-se entender que o facebook é superior às cidades e sua dinâmica.
A alternativa que indica a(s) afirmativa(s) verdadeira(s) é
Questão 6 165210
IFBA 2014TEXTO II
Sem Facebook
Das minhas relações mais próximas, só três
comungam comigo não ter facebook. Não
pensem que tenho críticas, sou um entusiasta,
apenas não quero usar. Pouco dou conta dos
[5] meus amigos, onde vou arranjar tempo para
mais? Minha etiqueta me faz responder a tudo,
teria que largar o trabalho se entrasse na rede
social. Só recentemente minhas filhas me
convenceram que se não respondesse um spam
[10] ninguém ficaria ofendido.
A cidade ganhou a parada. Acabou o pequeno
mundo onde todos se conheciam, onde não se
podia esconder segredos e pecados. Viver na
urbe é cruzar com desconhecidos, sentir a frieza
[15] do anonimato. Essa é a realidade da maioria.
Meu apreço com as redes sociais é por acreditar
que elas são um antídoto para o isolamento
urbano. São uma novidade que imita o passado,
uma nova versão, por vezes mais rica, por vezes
[20] mais pobre, da antiga comunidade. Detalhe: não
quero retroceder, a simpatia é pelo resgate da
nossa essência social. Vivemos para o olhar dos
outros, essa é a realidade simples, evidente.
Quem pensa o contrário vai à conversa da
[25] literatura de autoajuda, que idolatra a
autossuficiência e acredita que é possível ser
feliz sozinho. É uma ilusão tola. Nascemos para
vitrine.
Quando checamos insistentemente para saber
[30] como reagiram às nossas postagens, somos
desvelados no pedido amoroso. O viciado em
rede social é obcecado pela sociabilidade. Está
em busca de um olhar, de uma aprovação,
precisa disso para existir. Ou vamos acreditar
[35] que a carência, o desespero amoroso e a busca
pelo reconhecimento são novidades da internet?
Sei que o facebook é o retrato da felicidade
fingida, todos vestidos de ego de domingo, mas
essa é a demanda do nosso tempo. Critique
[40] nossos costumes, não o espelho. Sei também
que as redes são usadas basicamente para
frivolidades, é certo, mas isso somos nós. Se a
vida miúda de uma cidadezinha fosse transcrita,
não seria diferente. Fofoca, sabedoria de
[45] almanaque, dicas de produtos culturais, troca de
impressões e às vezes até um bom conselho,
além de ser um amplificador veloz para
mobilizações.
Também apontam que amigos virtuais não
[50] substituem os presenciais. Todos se dão conta, e
justamente usam a rede na esperança de
escapar dela. O objetivo final é ser visto e
conhecido também fora. Usamos esse grande
palco para ensaiar e se aproximar dos outros,
[55] fazer o que sempre fizemos. O facebook é a
nostalgia da aldeia e sua superação.
CORSO, Mário. Sem Facebook. Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/ blogs/. Acesso em: 31 de agosto de 2013. (adaptado)
A leitura do texto nos faz concluir que
Questão 5 165209
IFBA 2014Grande parte dos avanços tecnológicos integra o
processo evolutivo da comunicação,
conduzindo-nos para uma maior democratização
da informação e, consequentemente, do saber. A
[5] comunicação virtual introduz um conceito de
descentralização da informação e do poder de
comunicar. Todo computador, conectado à
internet, possui a capacidade de transmitir
palavras, imagens, sons. Não se limita apenas
[10] aos donos de jornais e emissoras; qualquer
pessoa pode construir um site na internet, sobre
qualquer assunto e propagá-lo de maneira
simples. O espaço cibernético tem se tornado um
lugar essencial, um futuro próximo de
[15] comunicação completamente distinta da mídia
clássica. [...].
A internet proporciona a interação entre locutor e
interlocutor, uma vez que, na rede, qualquer
elemento adquire a possibilidade de interação,
[20] havendo interconexões entre pessoas dos mais
diferentes lugares do planeta, facilitando,
portanto, o contato entre elas, assim como a
busca por opiniões e ideias convergentes. Uma
prova da eficiência da internet em construir esse
[25] ideal de propagação de mensagens e opiniões
está na multiplicidade de temas que podem ser
encontrados nela. Além dos sites, as listas de
discussão, que agregam pessoas interessadas
em um dado assunto, também merecem
[30] consideração.
É nesse ponto que a internet se sobressai, pois
integra e condensa nela todos os recursos de
todas as formas de comunicação, como jornal,
por exemplo. Além de apresentar todas as
[35] funções do jornalismo, que, segundo Beltrão são
econômica, social, educativaede
entretenimento, ela é um meio de comunicação
interativo. Além disso, há a questão da
dinamicidade e da interatividade: o espaço
[40] virtual, diferentemenete de um texto de jornal ou
revista em papel, está constantemente em
movimento.
GALLI, Fernanda. Linguagem da internet: um meio de comunicação global. In: Hipertexto e gêneros digitais. MARCUSCHI, Luiz Antônio; XAVIER, Antonio Carlos (Org.). São Paulo: Cortez, 2010, p. 151-2. (adaptado)
O texto I é um fragmento de um artigo, que se insere no conjunto dos textos de tipo argumentativo, os quais se caracterizam por
Questão 3 164312
IFAM 2014Obesidade na Infância e na Adolescência
Os hábitos dos pais e o estilo de vida cada vez mais ausente da formação dos filhos, tem levado a um problema crescente de aumento de obesidade infantil. Comer ‘fastfood’, usar a televisão como ‘babá’ e ainda passar o dia e a noite na frente do computador são caminhos para a obesidade. Desta maneira as crianças não se exercitam no momento certo do seu desenvolvimento físico, não tem noções de boa alimentação e seguem padrões deturpados de comportamento. Há sem dúvida outros motivos para a obesidade. A influência genética da velocidade metabólica aliada aos maus hábitos familiares, assim como desordens emocionais resultantes de conflito e de preferências da família, levam na maioria das vezes a quadros de diminuição da auto estima, e assim a transtornos alimentares tais como a anorexia (comportamento persistente em manter o peso corporal abaixo dos níveis), a bulimia (disfunção alimentar) e a obesidade. Estudos atuais mostram também que há uma desnutrição intrauterina, há uma maior sensibilidade das células de gordura nos dois primeiros anos de vida, levando também a obesidade. Para ajudar seu filho, estabeleça regras de alimentação, evitando lanches, impeça que coma vendo TV ou no computador. Ensine-o a mastigar e não proíba nenhum alimento, mas reduza as quantidades. Introduza alimentos saudáveis. (...)
Dr. Alberto Mosa médico e escritor de vários livros dentre eles o “Emagreça com Saúde” -Editora Elevação- 27 de janeiro de 2009.
A partir da leitura do texto, pode-se concluir que:
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