Questões de EFAF Português - Morfologia
903 Questões
Questão 7 419640
IFSudesteMinas 2016Leia, atentamente, o artigo.
Em oito meses, país registra 693 mortes por dengue e bate recorde
Os dados também colocam 2015 como o ano com maior número de óbitos provocados pela dengue desde 1990.
Boletim divulgado pelo Ministério da Saúde aponta que o país já teve 693 mortes causadas pela dengue nos primeiros oito meses do ano. O número é 70% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.
Os dados também colocam 2015 como o ano com maior número de óbitos provocados pela dengue desde 1990. O recorde anterior tinha ocorrido em 2013, quando o ministério contabilizou 674 mortes causadas pela doença em todo o ano.
Entre janeiro e agosto, a região Sudeste concentrou 68,5% das mortes, enquanto o Estado campeão foi São Paulo, com 403 óbitos - 41% do total do país. Outros Estados com números expressivos são: Goiás (67), Ceará (50) e Minas Gerais (47). Apenas Acre, Roraima, Sergipe e Santa Catarina não registraram mortes.
Segundo o ministério, os óbitos ocorreram em um maior número de municípios, e os casos foram na grande maioria confirmados em pacientes acima de 60 anos, com morbidades e fatores de risco para complicação de dengue.
Ao todo, o país já registrou 1,4 milhão notificações de casos de dengue, o que também corresponde a um aumento de 170% em relação ao mesmo período de 2014. O mesmo ocorreu com os casos da febre de chikungunya, também transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, saltando de 3.657 para 12.170 - aumento de mais de 200%.
O ministério afirmou que repassou verba adicional de R$ 150 milhões a todos os Estados e municípios brasileiros em janeiro, exclusivo para qualificação das ações de combate aos mosquitos transmissores da dengue e do chikungunya. O valor soma-se ao R$ 1,25 bilhão destinado a todas as ações de vigilância em saúde, inclusive da dengue.
Na capital paulista, o prefeito Fernando Haddad (PT) sancionou na semana passada uma lei que autoriza o ingresso forçado de agentes de combate à dengue em imóveis particulares. A administração, no entanto, ainda deverá regulamentar a lei, para deixar mais claras as situações em que a medida será usada.
No interior do Estado, algumas prefeituras estão antecipando as campanhas de combate ao mosquito transmissor e deverão usar equipamentos mais sofisticados, como drones, para encontrar os criadouros.
Disponível em: . Acesso em: 08 out. 2015
No texto, a frase: “Boletim divulgado pelo Ministério da Saúde aponta que o país já teve 693 mortes” (primeira linha), o verbo “apontar”, empregado no tempo presente:
Questão 6 419639
IFSudesteMinas 2016Leia a letra da canção “Filosofia”, para responder à questão.
Filosofia
Noel Rosa e André Filho
O mundo me condena /E ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome.
Deixando de saber/ Se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia/ Hoje me auxilia
A viver indiferente assim.
Nesta prontidão sem fim/ Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim.
Não me incomodo/ Que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo/ Vivo escravo do meu samba,
Muito embora vagabundo
Quanto a você/ Da aristocracia
Que tem dinheiro/ Mas não compra alegria
Há de viver eternamente
Sendo escrava dessa gente
Que cultiva a hipocrisia.
Disponível em: . Acesso em: 14 set. 2015. Adaptado.
Observe a imagem a seguir e, logo, indique os pares de substantivos que expressam o tema subjacente ao discurso retratado.

Questão 3 401592
IFSulDeMinas 2016A Bola
Luís Fernando Veríssimo
O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar sua primeira bola do pai. Uma número 5 oficial de couro. Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola. O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse “legal”, ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa.
— Como é que liga? – Perguntou.
— Como, como é que liga? Não se liga.
O garoto procurou dentro do papel de embrulho.
— Não tem manual de instrução?
O pai começou a desanimar e pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros.
— Não precisa manual de instrução.
— O que é que ela faz?
— Ela não faz nada, você é que faz coisas com ela.
— O quê?
— Controla, chuta...
— Ah, então é uma bola.
— Uma bola, bola. Uma bola mesmo. Você pensou que fosse o quê?
— Nada não.
O garoto agradeceu, disse “legal” de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da TV, com a bola do seu lado, manejando os controles do vídeo game. Algo chamado Monster Ball, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de Blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente. O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio. Estava ganhando da máquina.
O pai pegou a bola nova e ensinou algumas embaixadinhas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.
— Filho, olha.
O garoto disse “legal”, mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e o cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro do couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em inglês pra garotada se interessar.
VERÍSSIMO, Luis Fernando. A bola. Comédias da vida privada; edição especial para as escolas. Porto Alegre: L&PM, 1996. P. 96-7
O verbo dar, presente no trecho O pai deu uma bola de presente ao filho, possui regência, ou seja, estabelece relações com as palavras ao seu entorno, de modo semelhante à dos verbos constituintes das orações abaixo, EXCETO em:
Questão 7 170166
CEFET MG 2016Texto 1
Dá pra desenhar?
Marcelo Gruman

1º§ Numa cena de um de meus comediantes favoritos, Jerry Seinfeld¹, seu amigo neurótico George se vê às voltas com a necessidade de resgatar alguns livros deixados na casa de uma moça com quem acabou de terminar um relacionamento. Jerry não vê problema algum, mas George não gosta da ideia. Jerry, então, diz para o amigo esquecer os livros, perguntando-lhe se realmente precisa deles. George diz que sim, que precisa dos livros, e Jerry pergunta por quê. George responde que os livros são seus e que, por isso, precisa deles. E por que precisa deles?, insiste Seinfeld. George exclama simplesmente “são livros!”. Seinfeld indaga, então: “Que obsessão é essa com os livros? As pessoas os colocam em suas casas como se fossem troféus. Para que você precisa deles depois de serem lidos?”. E ironiza, finalmente, “Sabe, o legal de ler Moby Dick² pela segunda vez é que Ahab e a baleia ficam amigos”.
2º§ Quando abro a porta de meu apartamento dou de cara com uma estante cheia de livros, meus troféus. Ali estão meus favoritos da literatura brasileira, João Ubaldo, Veríssimo, Rubem Fonseca, Nelson Rodrigues, Cony, e também os estrangeiros, Saramago, Roth, Dostoievski, Tchekhov e muitos outros. Também me orgulha uma pequena biblioteca de livros com a temática judaica e outra com obras que fizeram e fazem parte de minha formação antropológica. A reação de quem se depara com as prateleiras cheias de livros é variada, há quem exclame maravilhado com os títulos ali dispostos, há quem pergunte, à la Seinfeld, para que tanto livro, para que acumular poeira e traças. No quarto de meu filho, a galeria de troféus aumenta um pouco a cada mês, somando-se ao folclore brasileiro e gibis da Turma da Mônica e Batman estórias da porquinha Olivia em português e espanhol e clássicos da literatura estrangeira, como The cat in the hat. A escola faz a sua parte, o troca-troca de livros entre os colegas e a ida semanal à biblioteca garante que, pelo menos, dois livros sejam lidos fora do horário de estudos formal, geralmente à hora de deitar para dormir.
3º§ Damos importância ao livro e, sobretudo, à leitura. Claro, para ler um livro, é preciso, primeiro, saber ler. Cultivamos o hábito da leitura, cultivamos o intelecto, a leitura como instrumento para gerar a autonomia, para a construção da própria trajetó- ria de vida, para a compreensão e interpretação do mundo que nos cerca a partir do nosso ponto de vista, e não de terceiros, uma empobrecida leitura mastigada, enviesada e, muitas vezes, coalhada de preconceitos e estereótipos. A capacidade de ler permite o acesso a mundos até então desconhecidos, do Saci Pererê, do Lobo Mau, da Chapeuzinho Vermelho, da Mula Sem Cabeça. Permite a construção de nossa identidade, daquilo que somos, ou melhor, que estamos, porque aquilo que somos pode mudar sempre, é só querermos. Nada mais emocionante do que ver seu filho, de repente, ler o letreiro de uma loja, pela primeira vez. Um novo mundo se abre: um mundo de possibilidades infinitas, mundos infinitos.
4º§ Para mim, o livro tem de ter cheiro, às favas com minha alergia à poeira. Eu preciso manuseá-lo, tocá-lo, virar suas páginas. O livro é parte constituinte de quem sou, de minha identidade, é extensão de meu corpo, está impregnado de memória, da minha memória, da minha história. Livro não é produto biodegradável, descartável, pós-moderno, do tipo “lavou, está novo”. O livro estabelece ligações afetivas. Lembro-me de um colega de faculdade comentando, certa vez, com certa excitação, que havia encontrado, num sebo, determinado livro que a namorada procurava fazia não sei quanto tempo. O tesouro seria dado como presente de aniversário. Poderia ser o Harry Potter ou Cinquenta tons de cinza, boa literatura, má literatura, o importante é ler...
5º§ As livrarias no Rio de Janeiro estão desaparecendo, sobretudo os sebos, que teimam em comercializar objetos sujos de histó- ria. [...] É a tal “civilização digital”. Se não digital, do kindle³ e do IPhone³, do ambiente asséptico, inodoro, impessoal de cadeias livreiras como Cultura, Travessa ou Saraiva, padronizadas. Chegamos à era da “mcdonaldização” do hábito de ler. Sem passado, sem futuro, um presente contínuo.
6º§ Não bastasse o desprestígio do livro físico, vivemos o “triunfo total da não-leitura”, conforme o editor de não-ficção e literatura brasileira da Editora Record, Carlos Andreazza, que resolveu lançar a campanha pela “maioridade intelectual”, que considera uma provocação à onda dos livros de colorir. Para ele, o editor também é um educador e tem a obrigação de atrair o leitor jovem-adulto, ampliando o público leitor como uma resposta saudável a esta atração cultural que é “o livro de unir os pontinhos”, como ironicamente o define Joaquim Ferreira dos Santos. Andreazza diz que, hoje, somos obrigados a falar redundâncias bárbaras como “livro para ler”. Uma piada de mau gosto porque livro pressupõe leitura.
7º§ [...] Há não muito tempo, perguntávamos a quem não entendia o que falávamos se gostaria que desenhássemos a explicação. Era uma brincadeira, uma forma de infantilizar o interlocutor. Chegou o dia em que a piada perdeu a graça, porque deixou de ser piada.
Fonte: , texto adaptado. Acesso em: 03 set. 2015
Vocabulário de apoio:
1- Jerome “Jerry” Allen Seinfeld – ator e humorista norte-americano, atua em Nova Iorque, EUA.
2- Moby Dick – romance do autor estadunidense Herman Melville. O nome da obra é o de uma baleia enfurecida, de cor branca, que conseguiu destruir baleeiros que a haviam ferido. Originalmente foi publicado em três fascículos com o título de Moby-Dick ou A Baleia, em Londres, em 1851, e, ainda no mesmo ano, em Nova York, em edição integral. O livro foi revolucionário para a época, com descrições intricadas e imaginativas das aventuras do narrador – Ismael, suas reflexões pessoais, e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça a elas, arpões, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações e funcionamentos, armazenamento de produtos extraídos das baleias.
3- kindle – leitor de livros digitais desenvolvido pela subsidiária da Amazon, que permite aos usuários comprar, baixar, pesquisar e, principalmente, ler livros digitais, jornais, revistas, e outras mídias digitais via rede sem fio.
4- IPhone – linha de smartphones (telefones celulares multifuncionais) concebidos e comercializados pela Apple Inc.
A palavra ‘para’, grifada nas sentenças a seguir, NÃO indica sentido de finalidade em:
Questão 6 170165
CEFET MG 2016Texto 1
Dá pra desenhar?
Marcelo Gruman

1º§ Numa cena de um de meus comediantes favoritos, Jerry Seinfeld¹, seu amigo neurótico George se vê às voltas com a necessidade de resgatar alguns livros deixados na casa de uma moça com quem acabou de terminar um relacionamento. Jerry não vê problema algum, mas George não gosta da ideia. Jerry, então, diz para o amigo esquecer os livros, perguntando-lhe se realmente precisa deles. George diz que sim, que precisa dos livros, e Jerry pergunta por quê. George responde que os livros são seus e que, por isso, precisa deles. E por que precisa deles?, insiste Seinfeld. George exclama simplesmente “são livros!”. Seinfeld indaga, então: “Que obsessão é essa com os livros? As pessoas os colocam em suas casas como se fossem troféus. Para que você precisa deles depois de serem lidos?”. E ironiza, finalmente, “Sabe, o legal de ler Moby Dick² pela segunda vez é que Ahab e a baleia ficam amigos”.
2º§ Quando abro a porta de meu apartamento dou de cara com uma estante cheia de livros, meus troféus. Ali estão meus favoritos da literatura brasileira, João Ubaldo, Veríssimo, Rubem Fonseca, Nelson Rodrigues, Cony, e também os estrangeiros, Saramago, Roth, Dostoievski, Tchekhov e muitos outros. Também me orgulha uma pequena biblioteca de livros com a temática judaica e outra com obras que fizeram e fazem parte de minha formação antropológica. A reação de quem se depara com as prateleiras cheias de livros é variada, há quem exclame maravilhado com os títulos ali dispostos, há quem pergunte, à la Seinfeld, para que tanto livro, para que acumular poeira e traças. No quarto de meu filho, a galeria de troféus aumenta um pouco a cada mês, somando-se ao folclore brasileiro e gibis da Turma da Mônica e Batman estórias da porquinha Olivia em português e espanhol e clássicos da literatura estrangeira, como The cat in the hat. A escola faz a sua parte, o troca-troca de livros entre os colegas e a ida semanal à biblioteca garante que, pelo menos, dois livros sejam lidos fora do horário de estudos formal, geralmente à hora de deitar para dormir.
3º§ Damos importância ao livro e, sobretudo, à leitura. Claro, para ler um livro, é preciso, primeiro, saber ler. Cultivamos o hábito da leitura, cultivamos o intelecto, a leitura como instrumento para gerar a autonomia, para a construção da própria trajetó- ria de vida, para a compreensão e interpretação do mundo que nos cerca a partir do nosso ponto de vista, e não de terceiros, uma empobrecida leitura mastigada, enviesada e, muitas vezes, coalhada de preconceitos e estereótipos. A capacidade de ler permite o acesso a mundos até então desconhecidos, do Saci Pererê, do Lobo Mau, da Chapeuzinho Vermelho, da Mula Sem Cabeça. Permite a construção de nossa identidade, daquilo que somos, ou melhor, que estamos, porque aquilo que somos pode mudar sempre, é só querermos. Nada mais emocionante do que ver seu filho, de repente, ler o letreiro de uma loja, pela primeira vez. Um novo mundo se abre: um mundo de possibilidades infinitas, mundos infinitos.
4º§ Para mim, o livro tem de ter cheiro, às favas com minha alergia à poeira. Eu preciso manuseá-lo, tocá-lo, virar suas páginas. O livro é parte constituinte de quem sou, de minha identidade, é extensão de meu corpo, está impregnado de memória, da minha memória, da minha história. Livro não é produto biodegradável, descartável, pós-moderno, do tipo “lavou, está novo”. O livro estabelece ligações afetivas. Lembro-me de um colega de faculdade comentando, certa vez, com certa excitação, que havia encontrado, num sebo, determinado livro que a namorada procurava fazia não sei quanto tempo. O tesouro seria dado como presente de aniversário. Poderia ser o Harry Potter ou Cinquenta tons de cinza, boa literatura, má literatura, o importante é ler...
5º§ As livrarias no Rio de Janeiro estão desaparecendo, sobretudo os sebos, que teimam em comercializar objetos sujos de histó- ria. [...] É a tal “civilização digital”. Se não digital, do kindle³ e do IPhone³, do ambiente asséptico, inodoro, impessoal de cadeias livreiras como Cultura, Travessa ou Saraiva, padronizadas. Chegamos à era da “mcdonaldização” do hábito de ler. Sem passado, sem futuro, um presente contínuo.
6º§ Não bastasse o desprestígio do livro físico, vivemos o “triunfo total da não-leitura”, conforme o editor de não-ficção e literatura brasileira da Editora Record, Carlos Andreazza, que resolveu lançar a campanha pela “maioridade intelectual”, que considera uma provocação à onda dos livros de colorir. Para ele, o editor também é um educador e tem a obrigação de atrair o leitor jovem-adulto, ampliando o público leitor como uma resposta saudável a esta atração cultural que é “o livro de unir os pontinhos”, como ironicamente o define Joaquim Ferreira dos Santos. Andreazza diz que, hoje, somos obrigados a falar redundâncias bárbaras como “livro para ler”. Uma piada de mau gosto porque livro pressupõe leitura.
7º§ [...] Há não muito tempo, perguntávamos a quem não entendia o que falávamos se gostaria que desenhássemos a explicação. Era uma brincadeira, uma forma de infantilizar o interlocutor. Chegou o dia em que a piada perdeu a graça, porque deixou de ser piada.
Fonte: , texto adaptado. Acesso em: 03 set. 2015
Vocabulário de apoio:
1- Jerome “Jerry” Allen Seinfeld – ator e humorista norte-americano, atua em Nova Iorque, EUA.
2- Moby Dick – romance do autor estadunidense Herman Melville. O nome da obra é o de uma baleia enfurecida, de cor branca, que conseguiu destruir baleeiros que a haviam ferido. Originalmente foi publicado em três fascículos com o título de Moby-Dick ou A Baleia, em Londres, em 1851, e, ainda no mesmo ano, em Nova York, em edição integral. O livro foi revolucionário para a época, com descrições intricadas e imaginativas das aventuras do narrador – Ismael, suas reflexões pessoais, e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça a elas, arpões, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações e funcionamentos, armazenamento de produtos extraídos das baleias.
3- kindle – leitor de livros digitais desenvolvido pela subsidiária da Amazon, que permite aos usuários comprar, baixar, pesquisar e, principalmente, ler livros digitais, jornais, revistas, e outras mídias digitais via rede sem fio.
4- IPhone – linha de smartphones (telefones celulares multifuncionais) concebidos e comercializados pela Apple Inc.
Considere o trecho a seguir:
[...] Há não muito tempo, perguntávamos (1) a quem não entendia o que falávamos se gostaria (2) que desenhássemos (3) a explicação. Era uma brincadeira, uma forma de infantilizar o interlocutor. Chegou o dia em que a piada perdeu a graça, porque deixou de ser piada.
A indicação da desinência modo-temporal dos verbos 1, 2 e 3, grifados nesse trecho, está correta em
Questão 4 170163
CEFET MG 2016Texto 1
Dá pra desenhar?
Marcelo Gruman

1º§ Numa cena de um de meus comediantes favoritos, Jerry Seinfeld¹, seu amigo neurótico George se vê às voltas com a necessidade de resgatar alguns livros deixados na casa de uma moça com quem acabou de terminar um relacionamento. Jerry não vê problema algum, mas George não gosta da ideia. Jerry, então, diz para o amigo esquecer os livros, perguntando-lhe se realmente precisa deles. George diz que sim, que precisa dos livros, e Jerry pergunta por quê. George responde que os livros são seus e que, por isso, precisa deles. E por que precisa deles?, insiste Seinfeld. George exclama simplesmente “são livros!”. Seinfeld indaga, então: “Que obsessão é essa com os livros? As pessoas os colocam em suas casas como se fossem troféus. Para que você precisa deles depois de serem lidos?”. E ironiza, finalmente, “Sabe, o legal de ler Moby Dick² pela segunda vez é que Ahab e a baleia ficam amigos”.
2º§ Quando abro a porta de meu apartamento dou de cara com uma estante cheia de livros, meus troféus. Ali estão meus favoritos da literatura brasileira, João Ubaldo, Veríssimo, Rubem Fonseca, Nelson Rodrigues, Cony, e também os estrangeiros, Saramago, Roth, Dostoievski, Tchekhov e muitos outros. Também me orgulha uma pequena biblioteca de livros com a temática judaica e outra com obras que fizeram e fazem parte de minha formação antropológica. A reação de quem se depara com as prateleiras cheias de livros é variada, há quem exclame maravilhado com os títulos ali dispostos, há quem pergunte, à la Seinfeld, para que tanto livro, para que acumular poeira e traças. No quarto de meu filho, a galeria de troféus aumenta um pouco a cada mês, somando-se ao folclore brasileiro e gibis da Turma da Mônica e Batman estórias da porquinha Olivia em português e espanhol e clássicos da literatura estrangeira, como The cat in the hat. A escola faz a sua parte, o troca-troca de livros entre os colegas e a ida semanal à biblioteca garante que, pelo menos, dois livros sejam lidos fora do horário de estudos formal, geralmente à hora de deitar para dormir.
3º§ Damos importância ao livro e, sobretudo, à leitura. Claro, para ler um livro, é preciso, primeiro, saber ler. Cultivamos o hábito da leitura, cultivamos o intelecto, a leitura como instrumento para gerar a autonomia, para a construção da própria trajetó- ria de vida, para a compreensão e interpretação do mundo que nos cerca a partir do nosso ponto de vista, e não de terceiros, uma empobrecida leitura mastigada, enviesada e, muitas vezes, coalhada de preconceitos e estereótipos. A capacidade de ler permite o acesso a mundos até então desconhecidos, do Saci Pererê, do Lobo Mau, da Chapeuzinho Vermelho, da Mula Sem Cabeça. Permite a construção de nossa identidade, daquilo que somos, ou melhor, que estamos, porque aquilo que somos pode mudar sempre, é só querermos. Nada mais emocionante do que ver seu filho, de repente, ler o letreiro de uma loja, pela primeira vez. Um novo mundo se abre: um mundo de possibilidades infinitas, mundos infinitos.
4º§ Para mim, o livro tem de ter cheiro, às favas com minha alergia à poeira. Eu preciso manuseá-lo, tocá-lo, virar suas páginas. O livro é parte constituinte de quem sou, de minha identidade, é extensão de meu corpo, está impregnado de memória, da minha memória, da minha história. Livro não é produto biodegradável, descartável, pós-moderno, do tipo “lavou, está novo”. O livro estabelece ligações afetivas. Lembro-me de um colega de faculdade comentando, certa vez, com certa excitação, que havia encontrado, num sebo, determinado livro que a namorada procurava fazia não sei quanto tempo. O tesouro seria dado como presente de aniversário. Poderia ser o Harry Potter ou Cinquenta tons de cinza, boa literatura, má literatura, o importante é ler...
5º§ As livrarias no Rio de Janeiro estão desaparecendo, sobretudo os sebos, que teimam em comercializar objetos sujos de histó- ria. [...] É a tal “civilização digital”. Se não digital, do kindle³ e do IPhone³, do ambiente asséptico, inodoro, impessoal de cadeias livreiras como Cultura, Travessa ou Saraiva, padronizadas. Chegamos à era da “mcdonaldização” do hábito de ler. Sem passado, sem futuro, um presente contínuo.
6º§ Não bastasse o desprestígio do livro físico, vivemos o “triunfo total da não-leitura”, conforme o editor de não-ficção e literatura brasileira da Editora Record, Carlos Andreazza, que resolveu lançar a campanha pela “maioridade intelectual”, que considera uma provocação à onda dos livros de colorir. Para ele, o editor também é um educador e tem a obrigação de atrair o leitor jovem-adulto, ampliando o público leitor como uma resposta saudável a esta atração cultural que é “o livro de unir os pontinhos”, como ironicamente o define Joaquim Ferreira dos Santos. Andreazza diz que, hoje, somos obrigados a falar redundâncias bárbaras como “livro para ler”. Uma piada de mau gosto porque livro pressupõe leitura.
7º§ [...] Há não muito tempo, perguntávamos a quem não entendia o que falávamos se gostaria que desenhássemos a explicação. Era uma brincadeira, uma forma de infantilizar o interlocutor. Chegou o dia em que a piada perdeu a graça, porque deixou de ser piada.
Fonte: , texto adaptado. Acesso em: 03 set. 2015
Vocabulário de apoio:
1- Jerome “Jerry” Allen Seinfeld – ator e humorista norte-americano, atua em Nova Iorque, EUA.
2- Moby Dick – romance do autor estadunidense Herman Melville. O nome da obra é o de uma baleia enfurecida, de cor branca, que conseguiu destruir baleeiros que a haviam ferido. Originalmente foi publicado em três fascículos com o título de Moby-Dick ou A Baleia, em Londres, em 1851, e, ainda no mesmo ano, em Nova York, em edição integral. O livro foi revolucionário para a época, com descrições intricadas e imaginativas das aventuras do narrador – Ismael, suas reflexões pessoais, e grandes trechos de não-ficção, sobre variados assuntos, como baleias, métodos de caça a elas, arpões, a cor branca (de Moby Dick), detalhes sobre as embarcações e funcionamentos, armazenamento de produtos extraídos das baleias.
3- kindle – leitor de livros digitais desenvolvido pela subsidiária da Amazon, que permite aos usuários comprar, baixar, pesquisar e, principalmente, ler livros digitais, jornais, revistas, e outras mídias digitais via rede sem fio.
4- IPhone – linha de smartphones (telefones celulares multifuncionais) concebidos e comercializados pela Apple Inc.
A opção em que o sentido da palavra grifada está corretamente indicado entre colchetes é:
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