Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 4 416381
IFAL 2015Leia este Texto, para responder à questão.
O padeiro

Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a "greve do pão dormido". De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.
Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:
— Não é ninguém, é o padeiro! Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?
"Então você não é ninguém?"
Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: "não é ninguém, não senhora, é o padeiro". Assim ficara sabendo que não era ninguém...
Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.
Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; "não é ninguém, é o padeiro!"
E assobiava pelas escadas.
(BRAGA, Rubem. In: Para gostar de ler. Crônicas.Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga. 12ª ed. Ática: São Paulo, 1989. p.63-64.)
O texto O padeiro, de Rubem Braga, é uma crônica mundana, de teor filosófico. Podemos observar que os trechos presentes nessa narrativa, em sua maioria, dispõem de sequências textuais com verbos no presente do indicativo. A intenção do autor ao elaborar sua escrita dessa forma é
Questão 1 416331
IFAL 2015Com base neste Texto, responda à questão.
Amizade inseparável
(Vinicius de Moraes)

http://wallpaper.ultradownloads.com.br/69598_Papel-de-Parede-Amizade-69598_1920x1200.jpg
Eu talvez não tenha muitos amigos.
Mas os que eu tenho são os melhores que alguém poderia ter.
Além disso tenho sorte, porque os amigos que tenho têm muitos amigos e os dividem comigo.
Assim o meu número de amigos sempre aumenta, já que eu sempre ganho amigos dos meus amigos.
Foi assim aqui, uns eu ganhei há tempos, outros são mais recentes.
E quem os deu não ficou sem eles, pois a amizade pode sempre ser dividida sem nunca diminuir ou enfraquecer.
Pelo contrário, quanto mais dividida, mais ela aumenta. E há mais vantagens na amizade: é uma das poucas coisas que não custam nada e valem muito, embora não sejam vendáveis.
Entretanto, é preciso que se cuide um pouco das amizades. As mais recentes, por exemplo, precisam de alguns cuidados... poucos, é verdade, mas indispensáveis.
É preciso mantê-las com um certo calor, falar com elas mais amiúde e no início, com muito jeito.
Com o tempo elas crescem, ficam fortes e até suportam alguns trancos. Prezo muito minhas amizades e reservo sempre um canto no meu peito para elas.
E, sempre que surge a ocasião, também não perco a oportunidade de dar um amigo a um amigo, da mesma forma que eu ganhei.
E não adiantam as despedidas, de um amigo ninguém se livra fácil.
A amizade além de contagiosa é totalmente incurável.
A expressão em destaque neste trecho do terceiro parágrafo: “Além disso tenho sorte, porque os amigos que tenho têm muitos amigos e os dividem comigo.” poderia ser substituída SEM PERDA de sentido pelo conector:
Questão 8 399824
IFSulDeMinas 2015Haddad regulamenta lei que prevê multa de R$ 1 mil contra ‘pancadões’
O prefeito Fernando Haddad regulamentou na terça-feira (31) a lei 15.777, que restringe a emissão de ruídos por aparelhos de som instalados em veículos estacionados em vias públicas ou calçadas particulares de guias rebaixadas. A medida atinge sobretudo a realização de bailes funks improvisados em pontos da periferia, encontros conhecidos como “pancadões”.
A regulamentação prevê multa de R$ 1 mil para quem desrespeitar a proibição. Na primeira reincidência em menos de 30 dias, a multa para o proprietário do carro será dobrada e a partir da segunda, quadruplicada.
A lei é derivada do projeto 313/09 e busca dificultar a realização de pancadões na cidade.
O texto estabelece que veículos ficam proibidos de emitir ruídos considerados de alto nível pela legislação mais restritiva, “provenientes de aparelhos de som de qualquer natureza e tipo, portáteis ou não, especialmente em horário noturno.”
A proibição não vale para aparelhos de som utilizados em veículos em movimento, veículos profissionais previamente adequados à legislação vigente e devidamente autorizados, e também veículos publicitários e utilizados em manifestações sindicais e populares.
A lei entende entende por via pública o leito carroçável, o meio-fio, calçadas, entrada e saída de veículos nas garagens e todas as áreas destinadas a pedestres.
Fonte: http://m.g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/01/haddad-regulamenta-lei-que-preve-multade-r-1-mil-contra- pancadoes.html
É correto afirmar que o objetivo principal do texto é:
Questão 12 381914
IFSC 2015/2
Texto disponível em https://www.google.com.br/#q=imagens+ad%C3%A3o+e+eva. Acesso: 12 fev. 2015.
Sobre o que se diz dessa tirinha, assinale a alternativa CORRETA.
Questão 22 171718
SESC 2015Feijoada teve origem no século XIX com base em cozido feito por portugueses
Ideia de que a refeição foi criada por escravos não é verdadeira. Costume de comer às quartas e sábados pode ter vindo de hotéis cariocas.
(Giovana Sanchez, do G1, em São Paulo)
“Mulher / Você vai fritar / Um montão de torresmo pra acompanhar / Arroz branco, farofa e a malagueta / A laranja-bahia ou da seleta / Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão / E vamos botar água no feijão.”
A letra da música “Feijoada Completa”, de Chico Buarque de Holanda, dá a receita de um dos pratos mais típicos do país: a mistura de feijão preto, pedaços de carne de porco, arroz, couve e farofa. A feijoada apareceu por volta do fim do século XIX e logo ganhou a mesa de boa parte da população brasileira, adquirindo depois diversas versões, em diferentes regiões do país. O leitor já deve ter ouvido a história de que sua origem vem dos escravos, que misturavam os restos das carnes dadas pelos senhores com a farofa.
No entanto, os registros históricos contam outra versão. “O mito modernista é de que os escravos foram uma fonte importante da culinária brasileira. Tenho minhas dúvidas, pois onde não há liberdade não há desenvolvimento culinário. Eles comiam uma ração, determinada pelos senhores, cujo traço fundamental era ser barato”, explicou ao G1 Carlos Alberto Dória, doutor em sociologia e autor de “Formação da Culinária Brasileira”, entre outros.
A mais provável origem do prato é o cozido europeu, que já fazia a mistura de tipos de carnes. Os portugueses reproduziram a receita usando o feijão preto, que era uma base importante da alimentação no Brasil da época. “A tradição europeia do cozido foi provavelmente adaptada, criando a feijoada, que passou a ser servida para camadas mais gerais da população”, explica o professor da USP e especialista em história da alimentação Henrique Carneiro. “O que chamamos ‘feijoada’ é uma solução europeia elaborada no Brasil. [...] A feijoada, simples ou completa, é o primeiro prato brasileiro em geral”, escreveu Câmara Cascudo no livro “História da alimentação no Brasil”. Então, por que se ouve tanto a história de que a feijoada foi criada por escravos? Dória responde que “a simbologia é de um prato miscigenado, como se a nossa culinária fosse fruto de ‘contribuições’ de índios, negros e brancos. O papel desse mito é apagar da nossa memória de nação as relações de dominação que presidiram o conjunto: o branco senhor, o negro escravo, o índio massacrado. Na feijoada, se esquece de tudo isso, não é?” (...)
http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias - Acesso em 02/06/2014.
Releia o fragmento que se segue:
Então, por que se ouve tanto a história de que a feijoada foi criada por escravos? Dória responde que “a simbologia é de um prato miscigenado, como se a nossa culinária fosse fruto de ‘contribuições’ de índios, negros e brancos. O papel desse mito é apagar da nossa memória de nação as relações de dominação que presidiram o conjunto: o branco senhor, o negro escravo, o índio massacrado. Na feijoada, se esquece tudo isso, não é?”
No parágrafo em destaque, o autor usa a expressão “desse mito” para fazer referência ao fato de que:
Questão 10 171706
SESC 2015APESAR DE VOCÊ
Hoje você é quem manda/ Falou, tá falado/Não tem discussão/ A minha gente hoje anda/ Falando de lado/ E olhando pro chão, viu/ Você que inventou esse estado/ E inventou de inventar/ Toda a escuridão/ Você que inventou o pecado/ Esqueceu-se de inventar/ O perdão;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Eu pergunto a você/ Onde vai se esconder/ Da enorme euforia/ Como vai proibir/ Quando o galo insistir/ Em cantar/ Água nova brotando/ E a gente se amando/ Sem parar;
Quando chegar o momento/ Esse meu sofrimento/ Vou cobrar com juros, juro/ Todo esse amor reprimido/ Esse grito contido/ Este samba no escuro/ Você que inventou a tristeza/ Ora, tenha a fineza/ De desinventar/ Você vai pagar e é dobrado/ Cada lágrima rolada/ Nesse meu penar;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Inda pago pra ver/ O jardim florescer/ Qual você não queria/ Você vai se amargar/ Vendo o dia raiar/ Sem lhe pedir licença/ E eu vou morrer de rir/ Que esse dia há de vir/ Antes do que você pensa;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Você vai ter que ver/ A manhã renascer/ E esbanjar poesia/ Como vai se explicar/ Vendo o céu clarear/ De repente, impunemente/ Como vai abafar/ Nosso coro a cantar/ Na sua frente;
Apesar de você/ Amanhã há de ser/ Outro dia/ Você vai se dar mal/ Etc. e tal/ Lá lá lá lá laiá.
Apesar de Você. Chico Buarque de Holanda
Na canção de Chico Buarque, identifica-se a presença de um interlocutor a quem o eu lírico se refere.
O verso que apresenta uma marca desse outro interlocutor é:
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