Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 2 10432520
COLÉGIO SÓLIDO* 7º ANO 2015Texto
DE SACO CHEIO

Sexta-feira, 29 de fevereiro
Está caindo o maior dilúvio. Fiquei todo encharcado quando estava indo para a escola. A mamãe e a minha professora de Matemática me perguntaram se eu tinha levantando com o pé esquerdo. Estou morto de cansaço. Fiquei com dor de cabeça o dia inteiro e ainda estou irritado com a ideia de não ir ao cinema.
Foi aí que aconteceu a GRANDE briga. (...) Eu derramei um pouquinho de café sem querer. Susie disse que tinha sido de propósito, só porque era a vez dela tirar a mesa e lavar a louça, e que eu é que ia ter que limpar. Não concordei, já que era a vez DELA limpar. Ela fez uma careta e foi para a cozinha batendo o pé, carregando uma pilha de pratos. Então derramei o café dela. Quando ela voltou, eu disse que ela agora tinha alguma coisa dela para limpar. Ela tentou bater em mim. Agarrei o braço dela e torci. Ela caiu, bateu na mesa, e a garrafa de leite caiu no chão e se quebrou. Foi aí que a mamãe apareceu, pau da vida. Eu disse que a culpa tinha sido da Susie. Mas a Susie, mentindo como sempre, disse que a culpa tinha sido minha. A mamãe atirou um pano de chão para a Susie e uma vassoura para mim, e mandou a gente limpar tudo. Depois ela saiu, com um tremendo mau humor.
Na mesma hora, a Susie derramou leite no meu tênis novo e sussurrou:
- Eu te odeio.
Então eu disse que ela era uma pentelha, e que não era à toa que a Kate não gostava mais dela. Quando eu disse isso, tive a certeza, junto com um medo delicioso, de que ia haver violência. Ela me acertou no braço com um pano de chão encharcado de leite. Então eu gritei e caí (ileso) no chão. Fique segurando o braço e acabei me cortando sem querer nos cacos de vidro da garrafa de leite. Nesse instante, a mamãe e o papai apareceram: a mamãe numa porta, muda de raiva, e o papai na outra porta, recém-saído de mais uma batalha contra monstros microscópicos, igualmente mudo.
A mamãe conseguiu se recobrar primeiro e gritou:
- OS DOIS PARA CAMA. AGORA!
E aí o papai também conseguiu falar:
- Façam o que sua mãe mandou.
- Mas eu estou sangrando! – gritei.
E a Susie reclamou:
- Mas foi tudo culpa dele, por que vocês sempre implicam comigo?
- CAMA!
Então, fazendo questão de derramar sangue pela escada inteira, fui para o quarto e bati a porta. Fiquei deitado escutando a Susie soluçar. Vai ver que ficar “de saco cheio” é contagioso.
(...)
Dez horas da noite. Pensei que já tivesse fechado o diário por hoje, mas não consigo dormir. O papai e a mamãe estão brigando um com o outro e o meu corte está ardendo. (...) A briga ficou ainda mais sangrenta e
sem sentido do que a minha com a Susie.
Parece que o papai nunca ajudava a mamãe a tomar conta da gente, nunca ajudava a cozinhar, a lavar louça e a limpar a casa, sempre esquecia o aniversário dela e também o dia dos namorados (...). Meu pai, na hora em que minha mãe parava para tomar fôlego, dizia que ela sempre deixava o carro sem gasolina, era ilógica, não valorizava o fato de ele ir fazer as compras com ela, sempre misturava as páginas do jornal, nunca tampava a pasta de dente depois de usar e, pior de tudo, a gente estava ficando igual a ela... e por aí vai.
De repente fiquei totalmente deprimido e muito preocupado. Será que isso quer dizer que meus pais vão se separar? A culpa ia ser minha. Fui eu – sou forçado a admitir – que comecei tudo, quando estava de saco cheio.
Se meu pai e minha mãe se separassem, não ia valer a pena continuar vivendo. Eu não estava mais cansado. Tinha que falar com alguém, qualquer um, sobre isso. Fui escondido até o quarto da Susie, mas ela não estava lá. Então fui no quarto da Sally, e lá estavam as duas deitadas na cama, conversando. Desabei no chão com um suspiro, quando percebi o silêncio que tinha se instalado lá embaixo de repente.
A Sally falou baixinho:
- Não fica preocupado. A culpa não é sua, nem da Susie. Os adultos costumam brigar muito. Não sei como é que vocês nunca ouviram o papai e a mamãe discutindo antes. O monopólio das brigas não é de vocês, sabe? Uma briga de vez em quando é uma coisa normal, e não significa necessariamente que as pessoas não se gostem. (...) Esperem só até amanhã para ver. Tentei explicar à Sally como eu estava me sentindo mal. Parece que ela estava entendendo o que eu ia dizer. Ela até botou um band-aid no meu machucado.
MACFARLANE, Aidan; MCPHERSON. Diário de um adolescente hipocondríaco. Tradução de André Cardoso. São Paulo: Editora 34, 1993. P.35 – 38. ( Fragmento. Título adaptado ).
Vocabulário
Hipocondríaco: indivíduo que sofre de hipocondria (focalização compulsiva do pensamento e das preocupações sobre o próprio estado de saúde, frequentemente acompanhada de sintomas que não podem ser atribuídos a nenhuma doença orgânica).
Leia o que a Susie diz para os pais:
“- Mas foi tudo culpa dele, por que vocês sempre implicam comigo?”
Qual frase indica como a irmã se sente?
Questão 1 10431205
COLÉGIO SÓLIDO* 7º ANO 2015Texto
DE SACO CHEIO

Sexta-feira, 29 de fevereiro
Está caindo o maior dilúvio. Fiquei todo encharcado quando estava indo para a escola. A mamãe e a minha professora de Matemática me perguntaram se eu tinha levantando com o pé esquerdo. Estou morto de cansaço. Fiquei com dor de cabeça o dia inteiro e ainda estou irritado com a ideia de não ir ao cinema.
Foi aí que aconteceu a GRANDE briga. (...) Eu derramei um pouquinho de café sem querer. Susie disse que tinha sido de propósito, só porque era a vez dela tirar a mesa e lavar a louça, e que eu é que ia ter que limpar. Não concordei, já que era a vez DELA limpar. Ela fez uma careta e foi para a cozinha batendo o pé, carregando uma pilha de pratos. Então derramei o café dela. Quando ela voltou, eu disse que ela agora tinha alguma coisa dela para limpar. Ela tentou bater em mim. Agarrei o braço dela e torci. Ela caiu, bateu na mesa, e a garrafa de leite caiu no chão e se quebrou. Foi aí que a mamãe apareceu, pau da vida. Eu disse que a culpa tinha sido da Susie. Mas a Susie, mentindo como sempre, disse que a culpa tinha sido minha. A mamãe atirou um pano de chão para a Susie e uma vassoura para mim, e mandou a gente limpar tudo. Depois ela saiu, com um tremendo mau humor.
Na mesma hora, a Susie derramou leite no meu tênis novo e sussurrou:
- Eu te odeio.
Então eu disse que ela era uma pentelha, e que não era à toa que a Kate não gostava mais dela. Quando eu disse isso, tive a certeza, junto com um medo delicioso, de que ia haver violência. Ela me acertou no braço com um pano de chão encharcado de leite. Então eu gritei e caí (ileso) no chão. Fique segurando o braço e acabei me cortando sem querer nos cacos de vidro da garrafa de leite. Nesse instante, a mamãe e o papai apareceram: a mamãe numa porta, muda de raiva, e o papai na outra porta, recém-saído de mais uma batalha contra monstros microscópicos, igualmente mudo.
A mamãe conseguiu se recobrar primeiro e gritou:
- OS DOIS PARA CAMA. AGORA!
E aí o papai também conseguiu falar:
- Façam o que sua mãe mandou.
- Mas eu estou sangrando! – gritei.
E a Susie reclamou:
- Mas foi tudo culpa dele, por que vocês sempre implicam comigo?
- CAMA!
Então, fazendo questão de derramar sangue pela escada inteira, fui para o quarto e bati a porta. Fiquei deitado escutando a Susie soluçar. Vai ver que ficar “de saco cheio” é contagioso.
(...)
Dez horas da noite. Pensei que já tivesse fechado o diário por hoje, mas não consigo dormir. O papai e a mamãe estão brigando um com o outro e o meu corte está ardendo. (...) A briga ficou ainda mais sangrenta e
sem sentido do que a minha com a Susie.
Parece que o papai nunca ajudava a mamãe a tomar conta da gente, nunca ajudava a cozinhar, a lavar louça e a limpar a casa, sempre esquecia o aniversário dela e também o dia dos namorados (...). Meu pai, na hora em que minha mãe parava para tomar fôlego, dizia que ela sempre deixava o carro sem gasolina, era ilógica, não valorizava o fato de ele ir fazer as compras com ela, sempre misturava as páginas do jornal, nunca tampava a pasta de dente depois de usar e, pior de tudo, a gente estava ficando igual a ela... e por aí vai.
De repente fiquei totalmente deprimido e muito preocupado. Será que isso quer dizer que meus pais vão se separar? A culpa ia ser minha. Fui eu – sou forçado a admitir – que comecei tudo, quando estava de saco cheio.
Se meu pai e minha mãe se separassem, não ia valer a pena continuar vivendo. Eu não estava mais cansado. Tinha que falar com alguém, qualquer um, sobre isso. Fui escondido até o quarto da Susie, mas ela não estava lá. Então fui no quarto da Sally, e lá estavam as duas deitadas na cama, conversando. Desabei no chão com um suspiro, quando percebi o silêncio que tinha se instalado lá embaixo de repente.
A Sally falou baixinho:
- Não fica preocupado. A culpa não é sua, nem da Susie. Os adultos costumam brigar muito. Não sei como é que vocês nunca ouviram o papai e a mamãe discutindo antes. O monopólio das brigas não é de vocês, sabe? Uma briga de vez em quando é uma coisa normal, e não significa necessariamente que as pessoas não se gostem. (...) Esperem só até amanhã para ver. Tentei explicar à Sally como eu estava me sentindo mal. Parece que ela estava entendendo o que eu ia dizer. Ela até botou um band-aid no meu machucado.
MACFARLANE, Aidan; MCPHERSON. Diário de um adolescente hipocondríaco. Tradução de André Cardoso. São Paulo: Editora 34, 1993. P.35 – 38. ( Fragmento. Título adaptado ).
Vocabulário
Hipocondríaco: indivíduo que sofre de hipocondria (focalização compulsiva do pensamento e das preocupações sobre o próprio estado de saúde, frequentemente acompanhada de sintomas que não podem ser atribuídos a nenhuma doença orgânica).
Diário é o registro que uma pessoa faz, para si mesma, de pensamentos, sentimentos, opiniões, experiências e acontecimentos do seu dia a dia. Em geral, as anotações são datadas e o destinatário é o próprio autor.
Em qual passagem, o jovem expressa uma opinião sobre a Susie?
Questão 6 10414031
COLÉGIO SÓLIDO* 6° ANO 2015Texto
UM DESEJO E DOIS IRMÃOS

Dois príncipes, um louro, e um moreno. Irmãos, mas os olhos de um azuis, e os do outro verdes. E tão diferentes nos gostos e nos sorrisos, que ninguém os diria filhos do mesmo pai, rei que igualmente os amava.
Uma coisa, porém, tinham em comum: cada um deles queria ser o outro. Nos jogos, nas poses, diante do espelho, tudo o que um queria era aquilo que o outro tinha. E de alma sempre cravada nesse desejo
insatisfeito, esqueciam-se de olhar para si, de serem felizes.
Sofria o pai com o sofrimento dos filhos. Querendo ajudá-los, pensou um dia que melhor seria dividir o reino, para que não viessem a lutar depois da sua morte. De tudo o que tinha, deu o céu para o seu filho louro, que governasse junto ao sol brilhante como seus cabelos. E entregou-lhe pelas rédeas um cavalo alado. Ao moreno coube o verde do mar, reflexo de seus olhos. E um cavalo-marinho.
O primeiro filho montou na garupa lisa, entre as asas brancas. O segundo filho, firmou-se nas costas ásperas do hipocampo. A cada um seu reino.
Mas as pernas que roçavam em plumas esporeavam o cavalo para baixo, em direção às cristas das ondas. E os joelhos que apertavam os flancos molhados ordenavam que subisse, junto à tona.
Do ar, o príncipe das nuvens olhou através do seu reflexo, procurando a figura do irmão nas profundezas.
Da água, o jovem senhor das vagas quebrou com seu olhar a lâmina da superfície procurando a silhueta do irmão.
O de cima sentiu calor, e desejou ter o mar para si, certo de que nada o faria mais feliz do que mergulhar no seu frescor.
O de baixo sentiu frio, e quis possuir o céu, certo de que nada o faria mais feliz do que voar na sua mornança.
Então emergiu o focinho do cavalo-marinho e molharam-se as patas do cavalo alado.
Soprando entre as mãos em concha, os dois irmãos lançaram seu desafio. Alinharam-se os cavalos na beira da areia e partiriam para a linha do horizonte. Quem chegasse primeiro ficaria com o reino do outro.
- A corrida será longa – pensou o primeiro. E fez uma carruagem de nuvens que atrelou ao seu cavalo.
- Demoraremos a chegar – pensou o segundo. E prendeu com algas uma carruagem de espumas nas costas do hipocampo.
Partiram juntos. Silêncio na água. No ar, relinchos e voltear de plumas. Longe, a linha de chegada dividindo os dois reinos.
Os raios do sol passaram pela carruagem de nuvens e desciam até a carruagem de espumas. Durante todo o dia acompanharam a corrida. Depois brilhou a lua, a leve sombra de um cobriu o outro de noite mais profunda. E quando o sol outra vez trouxe sua luz, surpreendeu-se de ver o cavalo alado exatamente acima do cavalo-marinho. Tão acima como se, desde a partida, não tivessem saído do lugar.
Galopava o tempo, veloz como os irmãos. Mas a linha do horizonte continuava igualmente distante. O sol chegava até ela. A lua chegava até ela. Até os albatrozes pareciam alcançá-la no seu voo. Só os dois irmãos não conseguiam se aproximar.
De tanto correr já se esgarçavam as nuvens da carruagem alada, e a espuma da carruagem marinha desfazia-se em ondas. Mas os dois irmãos não desistiram, porque nessa segunda coisa também eram iguais, no
desejo de vencer.
Até que a linha do horizonte teve pena. E devagar, sem deixar-se perceber, foi chegando perto.
A linha chegou perto.
Baixou seu voo o cavalo alado, quase tocando o reflexo. Aflorou o cavalo-marinho entre as marolas. As plumas, espumas se tocaram. Céu e mar cada vez mais próximos confundiram seus azuis, igualaram suas transparências. E as asas brancas do cavalo alado, pesadas de sal, entregaram-se à água, a crina branca roçando o pescoço do hipocampo. Desfez-se a carruagem de nuvens na crista da última onda. Onda que inchou, rolou, envolvendo os irmãos num mesmo abraço, jogando um corpo contra o outro, juntando para sempre aquilo que era tão separado.
Desliza a onda sobre a areia, depositando o vencedor. Na branca praia do horizonte, onde tudo se encontra, avança agora um único príncipe, dono do céu e do mar. De olhos e cabelos castanhos, feliz enfim.
COLASANTI, Marina. Um desejo e dois irmãos. In: Doze reis e a moça do labirinto do vento. Rio de Janeiro: Global, 1999. p. 50-51.
VOCABULÁRIO
▪ Flancos: cada um dos lados do corpo, dos quadris aos ombros.
▪ Hipocampo: cavalo-marinho.
▪ Mornança: sensação de morno; lentidão.
Na frase “Querendo ajudá-los, pensou um dia que melhor seria dividir o reino, para que não viessem a lutar depois da sua morte”, o pronome destacado refere-se
Questão 3 10413993
COLÉGIO SÓLIDO* 6° ANO 2015Texto
UM DESEJO E DOIS IRMÃOS

Dois príncipes, um louro, e um moreno. Irmãos, mas os olhos de um azuis, e os do outro verdes. E tão diferentes nos gostos e nos sorrisos, que ninguém os diria filhos do mesmo pai, rei que igualmente os amava.
Uma coisa, porém, tinham em comum: cada um deles queria ser o outro. Nos jogos, nas poses, diante do espelho, tudo o que um queria era aquilo que o outro tinha. E de alma sempre cravada nesse desejo
insatisfeito, esqueciam-se de olhar para si, de serem felizes.
Sofria o pai com o sofrimento dos filhos. Querendo ajudá-los, pensou um dia que melhor seria dividir o reino, para que não viessem a lutar depois da sua morte. De tudo o que tinha, deu o céu para o seu filho louro, que governasse junto ao sol brilhante como seus cabelos. E entregou-lhe pelas rédeas um cavalo alado. Ao moreno coube o verde do mar, reflexo de seus olhos. E um cavalo-marinho.
O primeiro filho montou na garupa lisa, entre as asas brancas. O segundo filho, firmou-se nas costas ásperas do hipocampo. A cada um seu reino.
Mas as pernas que roçavam em plumas esporeavam o cavalo para baixo, em direção às cristas das ondas. E os joelhos que apertavam os flancos molhados ordenavam que subisse, junto à tona.
Do ar, o príncipe das nuvens olhou através do seu reflexo, procurando a figura do irmão nas profundezas.
Da água, o jovem senhor das vagas quebrou com seu olhar a lâmina da superfície procurando a silhueta do irmão.
O de cima sentiu calor, e desejou ter o mar para si, certo de que nada o faria mais feliz do que mergulhar no seu frescor.
O de baixo sentiu frio, e quis possuir o céu, certo de que nada o faria mais feliz do que voar na sua mornança.
Então emergiu o focinho do cavalo-marinho e molharam-se as patas do cavalo alado.
Soprando entre as mãos em concha, os dois irmãos lançaram seu desafio. Alinharam-se os cavalos na beira da areia e partiriam para a linha do horizonte. Quem chegasse primeiro ficaria com o reino do outro.
- A corrida será longa – pensou o primeiro. E fez uma carruagem de nuvens que atrelou ao seu cavalo.
- Demoraremos a chegar – pensou o segundo. E prendeu com algas uma carruagem de espumas nas costas do hipocampo.
Partiram juntos. Silêncio na água. No ar, relinchos e voltear de plumas. Longe, a linha de chegada dividindo os dois reinos.
Os raios do sol passaram pela carruagem de nuvens e desciam até a carruagem de espumas. Durante todo o dia acompanharam a corrida. Depois brilhou a lua, a leve sombra de um cobriu o outro de noite mais profunda. E quando o sol outra vez trouxe sua luz, surpreendeu-se de ver o cavalo alado exatamente acima do cavalo-marinho. Tão acima como se, desde a partida, não tivessem saído do lugar.
Galopava o tempo, veloz como os irmãos. Mas a linha do horizonte continuava igualmente distante. O sol chegava até ela. A lua chegava até ela. Até os albatrozes pareciam alcançá-la no seu voo. Só os dois irmãos não conseguiam se aproximar.
De tanto correr já se esgarçavam as nuvens da carruagem alada, e a espuma da carruagem marinha desfazia-se em ondas. Mas os dois irmãos não desistiram, porque nessa segunda coisa também eram iguais, no
desejo de vencer.
Até que a linha do horizonte teve pena. E devagar, sem deixar-se perceber, foi chegando perto.
A linha chegou perto.
Baixou seu voo o cavalo alado, quase tocando o reflexo. Aflorou o cavalo-marinho entre as marolas. As plumas, espumas se tocaram. Céu e mar cada vez mais próximos confundiram seus azuis, igualaram suas transparências. E as asas brancas do cavalo alado, pesadas de sal, entregaram-se à água, a crina branca roçando o pescoço do hipocampo. Desfez-se a carruagem de nuvens na crista da última onda. Onda que inchou, rolou, envolvendo os irmãos num mesmo abraço, jogando um corpo contra o outro, juntando para sempre aquilo que era tão separado.
Desliza a onda sobre a areia, depositando o vencedor. Na branca praia do horizonte, onde tudo se encontra, avança agora um único príncipe, dono do céu e do mar. De olhos e cabelos castanhos, feliz enfim.
COLASANTI, Marina. Um desejo e dois irmãos. In: Doze reis e a moça do labirinto do vento. Rio de Janeiro: Global, 1999. p. 50-51.
VOCABULÁRIO
▪ Flancos: cada um dos lados do corpo, dos quadris aos ombros.
▪ Hipocampo: cavalo-marinho.
▪ Mornança: sensação de morno; lentidão.
Levando em conta a parte do reino que cada príncipe recebeu, pode-se dizer que esse rei era muito mais poderoso que outros reis de histórias que conhecemos.
Por quê?
Questão 1 10413860
COLÉGIO SÓLIDO* 6° ANO 2015Texto
UM DESEJO E DOIS IRMÃOS

Dois príncipes, um louro, e um moreno. Irmãos, mas os olhos de um azuis, e os do outro verdes. E tão diferentes nos gostos e nos sorrisos, que ninguém os diria filhos do mesmo pai, rei que igualmente os amava.
Uma coisa, porém, tinham em comum: cada um deles queria ser o outro. Nos jogos, nas poses, diante do espelho, tudo o que um queria era aquilo que o outro tinha. E de alma sempre cravada nesse desejo
insatisfeito, esqueciam-se de olhar para si, de serem felizes.
Sofria o pai com o sofrimento dos filhos. Querendo ajudá-los, pensou um dia que melhor seria dividir o reino, para que não viessem a lutar depois da sua morte. De tudo o que tinha, deu o céu para o seu filho louro, que governasse junto ao sol brilhante como seus cabelos. E entregou-lhe pelas rédeas um cavalo alado. Ao moreno coube o verde do mar, reflexo de seus olhos. E um cavalo-marinho.
O primeiro filho montou na garupa lisa, entre as asas brancas. O segundo filho, firmou-se nas costas ásperas do hipocampo. A cada um seu reino.
Mas as pernas que roçavam em plumas esporeavam o cavalo para baixo, em direção às cristas das ondas. E os joelhos que apertavam os flancos molhados ordenavam que subisse, junto à tona.
Do ar, o príncipe das nuvens olhou através do seu reflexo, procurando a figura do irmão nas profundezas.
Da água, o jovem senhor das vagas quebrou com seu olhar a lâmina da superfície procurando a silhueta do irmão.
O de cima sentiu calor, e desejou ter o mar para si, certo de que nada o faria mais feliz do que mergulhar no seu frescor.
O de baixo sentiu frio, e quis possuir o céu, certo de que nada o faria mais feliz do que voar na sua mornança.
Então emergiu o focinho do cavalo-marinho e molharam-se as patas do cavalo alado.
Soprando entre as mãos em concha, os dois irmãos lançaram seu desafio. Alinharam-se os cavalos na beira da areia e partiriam para a linha do horizonte. Quem chegasse primeiro ficaria com o reino do outro.
- A corrida será longa – pensou o primeiro. E fez uma carruagem de nuvens que atrelou ao seu cavalo.
- Demoraremos a chegar – pensou o segundo. E prendeu com algas uma carruagem de espumas nas costas do hipocampo.
Partiram juntos. Silêncio na água. No ar, relinchos e voltear de plumas. Longe, a linha de chegada dividindo os dois reinos.
Os raios do sol passaram pela carruagem de nuvens e desciam até a carruagem de espumas. Durante todo o dia acompanharam a corrida. Depois brilhou a lua, a leve sombra de um cobriu o outro de noite mais profunda. E quando o sol outra vez trouxe sua luz, surpreendeu-se de ver o cavalo alado exatamente acima do cavalo-marinho. Tão acima como se, desde a partida, não tivessem saído do lugar.
Galopava o tempo, veloz como os irmãos. Mas a linha do horizonte continuava igualmente distante. O sol chegava até ela. A lua chegava até ela. Até os albatrozes pareciam alcançá-la no seu voo. Só os dois irmãos não conseguiam se aproximar.
De tanto correr já se esgarçavam as nuvens da carruagem alada, e a espuma da carruagem marinha desfazia-se em ondas. Mas os dois irmãos não desistiram, porque nessa segunda coisa também eram iguais, no
desejo de vencer.
Até que a linha do horizonte teve pena. E devagar, sem deixar-se perceber, foi chegando perto.
A linha chegou perto.
Baixou seu voo o cavalo alado, quase tocando o reflexo. Aflorou o cavalo-marinho entre as marolas. As plumas, espumas se tocaram. Céu e mar cada vez mais próximos confundiram seus azuis, igualaram suas transparências. E as asas brancas do cavalo alado, pesadas de sal, entregaram-se à água, a crina branca roçando o pescoço do hipocampo. Desfez-se a carruagem de nuvens na crista da última onda. Onda que inchou, rolou, envolvendo os irmãos num mesmo abraço, jogando um corpo contra o outro, juntando para sempre aquilo que era tão separado.
Desliza a onda sobre a areia, depositando o vencedor. Na branca praia do horizonte, onde tudo se encontra, avança agora um único príncipe, dono do céu e do mar. De olhos e cabelos castanhos, feliz enfim.
COLASANTI, Marina. Um desejo e dois irmãos. In: Doze reis e a moça do labirinto do vento. Rio de Janeiro: Global, 1999. p. 50-51.
VOCABULÁRIO
▪ Flancos: cada um dos lados do corpo, dos quadris aos ombros.
▪ Hipocampo: cavalo-marinho.
▪ Mornança: sensação de morno; lentidão.
A história começa mostrando diferenças entre os dois príncipes. Mas os dois irmãos também tinham coisas em comum, isto é, semelhanças.
Qual passagem comprova essa ideia?
Questão 5 10394710
CMT Prova de Português 2015Considerando as informações do texto, responda à questão:
TEXTO
LENDA DAS CATARATAS

Conta-se que os índios Caigangues, habitantes das margens do
Rio Iguaçu, acreditavam que o mundo era governado por M'Boy, um
deus que tinha a forma de serpente e era filho de Tupã. Igobi, o cacique
dessa tribo, tinha uma filha chamada Naipi, tão bonita que as águas do
[5] rio paravam quando a jovem nelas se mirava.
Devido à sua beleza, Naipi era consagrada ao deus M'Boy,
passando a viver somente para o seu culto. Havia, porém, entre os
Caigangues, um jovem guerreiro chamado Tarobá que, ao ver Naipi, por
ela se apaixonou.
[10] No dia da festa de consagração da bela índia, enquanto o cacique
e o pajé bebiam cauim (bebida feita de milho fermentado) e os guerreiros
dançavam, Tarobá aproveitou e fugiu com a linda Naipi numa canoa rio
abaixo, arrastada pela correnteza. Quando M'Boy percebeu a fuga de
Naipi e Tarobá, ficou furioso. Penetrou então as entranhas da terra e,
[15] retorcendo o seu corpo, produziu uma enorme fenda, onde se formou a
gigantesca catarata.
Envolvidos pelas águas, a canoa e os fugitivos caíram de grande
altura, desaparecendo para sempre. Diz a lenda que Naipi foi
transformada em uma das rochas centrais das cataratas, perpetuamente
[20] fustigada pelas águas revoltas.
Tarobá foi convertido em uma palmeira situada à beira de um
abismo, inclinada sobre a garganta do rio. Debaixo dessa palmeira, acha-
se a entrada de uma gruta sob a Garganta do Diabo onde o monstro
vingativo vigia eternamente as duas vítimas.
(In http://www.cataratasdoiguacu.com.br/portal/paginas/226-lenda-das-cataratas.aspx Acesso em 17 ago 2015)
A respeito dos elementos da narrativa, presentes no texto, considere as afirmações a seguir “verdadeiras” ou “falsas”:
I – O narrador do texto é do tipo “observador”, que participa da história, o que se prova com o uso de verbos na 3ª pessoa.
II – No texto, há presença de tempo cronológico, organizado de forma aleatória, ao sabor das lembranças do narrador e dos próprios personagens.
III – Podem-se apontar como alguns dos espaços da narrativa as cataratas e a aldeia em que os índios viviam.
IV – Por suas ações ao longo da trama, M’Boy pode ser caracterizado como o antagonista da narrativa.
V – Entre as características de Naipi e Tarobá, o texto permite inferir, respectivamente, a beleza e a coragem.
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)