Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 4 624090
COTUCA 2016Leia o texto abaixo para responder à questão.
Os dilemas do esquecimento
Pouco depois de ter sido divulgada a notícia sobre a possibilidade de suprimir lembranças penosas, um discreto anúncio foi divulgado num jornal da cidade: um instituto de pesquisas estava em busca de voluntários que quisessem fazer exatamente aquilo que fora noticiado: apagar, da memória, lembranças penosas. Procedimento indolor, seguro, eficaz. Aquilo mexeu com ele. Porque havia, sim, algo que queria apagar de sua memória, um doloroso trauma.
Uma recordação penosa e que não o deixava em paz. Por que, então, não recorrer à ciência? Se se tratasse de uma dor no ombro, ou no joelho, ele não hesitaria em procurar o médico; nada indicava que não devesse fazer o mesmo com o sofrimento emocional. Claro, bem que ele preferia enfrentar, de cabeça erguida, o infortúnio pelo qual passara, sem demonstrações de fraqueza; como dizia seu pai, homem não chora, e ele tinha orgulho de sua hombridade. Mas a dor foi mais forte e no dia seguinte lá estava ele, no instituto de pesquisas.
Foi encaminhado a um jovem pesquisador, que o recebeu com um sorriso afável e indagou se estava pronto a se submeter à experiência.
Com uma condição: queria absoluto sigilo. O pesquisador tranquilizou-o: só nós dois saberemos do que se passou aqui, disse. E eu sou absolutamente confiável, acrescentou, com um sorriso.
O procedimento foi rápido. Um aparelho foi colocado sobre seu crânio, o pesquisador pediu que ele evocasse a recordação dolorosa e aí apertou um botão. Ouviu-se um zumbido e, no instante seguinte, ele já não lembrava mais nada daquilo que lhe causara tanto sofrimento.
De que se tratara, mesmo? De uma mulher que o rejeitara? Aparentemente sim, mas que mulher? Como se chamava, onde vivia?
Ainda espantado, despediu-se do pesquisador e foi para casa. Achou que sua vida se transformaria, que poderia se divertir, conhecer mulheres. Realmente isso aconteceu, mas mesmo assim a inquietude persistia.
Por fim deu-se conta: o que agora o incomodava era o fato de ele ter esquecido. Queria lembrar o tal incidente, por mais deprimente que fosse. Voltaria a sofrer, talvez, mas isso não lhe importava: era a verdade que ele buscava, a amarga verdade. E só uma pessoa podia lhe dizer o que, afinal, ele tinha olvidado: o pesquisador. Foi ao instituto, falou com a secretária. Ela arregalou os olhos: - Mas então você não sabe? O doutor morreu num acidente!
Sem uma palavra, ele voltou para casa. Com a certeza de que existe um lugar onde se concentram aquelas coisas que queremos, que precisamos, esquecer. Só que ele não sabe onde fica esse lugar. Sua esperança é de que o Destino um dia o faça encontrar-se com o seu passado. E que ele possa descobrir, nesse passado, a sua verdade.
Moacyr Scliar, Folha de S. Paulo, 23 de julho de 2007. p. C2
Releia este trecho do penúltimo parágrafo do texto: “E só uma pessoa podia lhe dizer o que, afinal, ele tinha olvidado: o pesquisador”. Nele, a palavra que melhor substituiria “olvidado” é:
Questão 9 618461
COTIL 1° Ano 2016Texto para a questão
“O Pequeno Príncipe”, de A. Saint-Exupery
-– Bom dia, disse a raposa.
-– Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
-– Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
-– Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.
-– Sou uma raposa, disse a raposa.
-– Vem brincar comigo, propôs o príncipe, estou tão triste...
-– Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
-– Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
-– O que quer dizer cativar?
-– Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
-– Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
-– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar laços...
-– Criar laços?
-– Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... Mas a raposa voltou a sua ideia:
-– Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então será maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
-– Por favor, cativa-me! disse ela.
-– Bem quisera, disse o príncipe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
-– A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me! Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
http://www.miniweb.com.br/cantinho/infantil/38/Estorias_miniweb/pequeno_principe.html
Em “Tu não és para mim senão um garoto igual a cem mil outros garotos”, a palavra senão significa
Questão 6 618453
COTIL 1° Ano 2016Texto para a questão
“Conclusões de Aninha”, de Cora Coralina
Estavam ali parados. Marido e mulher.
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça
tímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,
e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.
O homem ouviu. Abriu a carteira, tirou uma cédula,
entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar
E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?
Donde se infere que o homem ajuda sem participar
e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão:
Na prática, a teoria é outra.
http://www.releituras.com/coracoralina_aninha.asp
A última estrofe do poema questiona qual a melhor ação a se fazer em benefício de quem tem necessidade.
Assinale a alternativa que interpreta erradamente essa estrofe.
Questão 4 618449
COTIL 1° Ano 2016Texto para a questão
“TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM e NINGUÉM”
Era uma vez quatro pessoas que se chamavam TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM e NINGUÉM. Havia um importante trabalho a ser feito e TODO MUNDO acreditava que ALGUEM é que iria executá-lo.
QUALQUER UM poderia fazê-lo, mas NINGUÉM o fez. ALGUÉM ficou aborrecido com isso, porque entendia que a execução do trabalho era responsabilidade de TODO MUNDO. TODO MUNDO pensou que QUALQUER UM poderia executá-lo, mas NINGUÉM imaginou que TODO MUNDO não o faria.
TODO MUNDO culpou ALGUÉM, quando NINGUÉM fez o que QUALQUER UM poderia ter feito!
(Texto extraído do livro “O que Podemos Aprender com os Gansos”, 7ª Edição,pg 178. Autor: Alexandre Rangel) https://3dmar.wordpress.com/2012/05/21/todo-mundo-alguem-qualquer-um-e-ninguem/
Na opinião de Alguém, a responsabilidade
Questão 1 618419
COTIL 1° Ano 2016Texto para a questão
“TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM e NINGUÉM”
Era uma vez quatro pessoas que se chamavam TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM e NINGUÉM. Havia um importante trabalho a ser feito e TODO MUNDO acreditava que ALGUEM é que iria executá-lo.
QUALQUER UM poderia fazê-lo, mas NINGUÉM o fez. ALGUÉM ficou aborrecido com isso, porque entendia que a execução do trabalho era responsabilidade de TODO MUNDO. TODO MUNDO pensou que QUALQUER UM poderia executá-lo, mas NINGUÉM imaginou que TODO MUNDO não o faria.
TODO MUNDO culpou ALGUÉM, quando NINGUÉM fez o que QUALQUER UM poderia ter feito!
(Texto extraído do livro “O que Podemos Aprender com os Gansos”, 7ª Edição,pg 178. Autor: Alexandre Rangel) https://3dmar.wordpress.com/2012/05/21/todo-mundo-alguem-qualquer-um-e-ninguem/
Os nomes das personagens desse texto são pronomes indefinidos ou locuções pronominais indefinidas que dão sentido vago ou expressam quantidade indeterminada. Pode-se entender que a escolha desses nomes foi uma opção interessante para enriquecer os significados do texto. Por que o autor teria nomeado as personagens com pronomes indefinidos?
Questão 12 615958
CTI (UNIFICADO) 2016Leia o texto para responder à questão.

“Aqui fazemos duas coisas importantes. Saímos do eu para trabalhar para o nós e saímos do meu para trabalhar para o nosso”, sintetizou Benedito Alves da Silva, mais conhecido por Seu Ditão, sentado sobre uma mesa de madeira baixa e grossa à frente do altar da igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no coração do bairro rural de Ivaporunduva, no município de Eldorado, em meio à maior área contínua de Mata Atlântica do país, no sudoeste paulista. À sua frente, no início da tarde do dia 11 de maio de 2015, estava um grupo de pré-adolescentes de uma escola de Uberaba, Minas Gerais, cercados por professores e monitores de camiseta laranja. “O que é meu? A casa, as roupas”, prosseguiu o homem alto de 60 anos, cabelos brancos, a pele negra lisa como se tivesse 30 anos menos. “E o que é nosso? A terra.” Seu Ditão divide o tempo entre cuidar de sua plantação de banana e hortaliças e falar de seu povo e responder às perguntas dos grupos de escolas que chegam quase todo dia.
(Pesquisa Fapesp, junho de 2015. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o emprego de pronomes está em conformidade com a norma-padrão da língua.
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