Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 7 419483
IFSudesteMinas 2017A seguir, leia o poema “Meninos carvoeiros”, de Manuel Bandeira, para responder à questão.
Meninos carvoeiros
Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
– Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.
Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)
– Eh, carvoero! Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles...
[15] Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!
– Eh, carvoero!
Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
[20] Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados.
BANDEIRA, Manuel. Antologia poética: Manuel Bandeira. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1961. p. 56-57. Adaptado.
Ainda em relação a “Meninos carvoeiros”, uma leitura atenta de seus versos possibilita constatar que a linguagem empregada por Manuel Bandeira tem o objetivo principal de:
Questão 3 419471
IFSudesteMinas 2017Leia a crônica “Neide” para responder à questão.
Neide
O céu está limpo, não há nenhuma nuvem acima de nós. O avião, entretanto, começa a dar
saltos, e temos de pôr os cintos para evitar uma cabeçada na poltrona da frente. Olho pela janela: é
que estamos sobrevoando de perto um grande tumulto de montanhas. As montanhas são belas,
cobertas de florestas; no verde-escuro há manchas de ferrugem de palmeiras, algum ouro de ipê,
[5] alguma prata de embaúba – e de súbito uma cidade linda e um rio estreito. Dizem-me que é
Petrópolis.
É fácil explicar que o vento nas montanhas faz corrente para baixo e para cima, como
também o ar é mais frio debaixo da leve nuvem. A um passageiro assustado, o comissário diz que
“isso é natural”. Mas o avião, com o tranquilo conforto imóvel com que nos faz vencer milhas em
[10] segundos, havia nos tirado o sentimento do natural. Somos hóspedes da máquina. Os motores foram
revistos, estão perfeitos, funcionam bem, e temos nossas passagens no bolso; tudo está em ordem.
Os solavancos nos lembram de que a natureza insiste em existir, e ainda nos precipita além dela,
para os reinos azuis da Metafísica. Pode o avião vencer a montanha, e desprezar as passagens
antigas que a humanidade sempre trilhou. Mas sua vitória não pode ser saboreada de perto: mesmo
[15] debaixo, a montanha ainda fez sentir que existe e à menor imprudência da máquina o gigante
vencido a sorverá de um hausto, e a destruirá. Assim a humilde lagoa, assim a pequena nuvem: a
tudo isso somos sensíveis dentro de nosso monstro de metal.
A menina disse que era mentira, que não se via anjo nenhum nas nuvens. O homem, porém,
explicou que sim, e pediu que eu confirmasse. Eu disse:
[20] – Tem anjo sim. Mas tem muito pouco. Até agora desde que saímos eu só vi um, e assim
mesmo de longe. Hoje em dia há muito poucos anjos no céu. Parece que eles se assustam com os
aviões. Nessas nuvens maiores nunca se encontra nenhum. Você deve procurar nas nuvenzinhas
pequenas, que ficam separadas uma das outras; é nelas que os anjos gostam de brincar. Eles voam
de uma para outra.
[25] A menina queria saber de que cor eram as asas dos anjos, e de que tamanho eles eram. O
homem explicou que os anjos tinham as asas da mesma cor daquele vestidinho da menina; e eram
de seu tamanho. Ela começou a duvidar novamente, mas chamamos o comissário de bordo. Ele
confirmou a existência dos anjos com a autoridade de seu ofício; era impossível duvidar da palavra
do comissário de bordo, que usa uniforme e voa todo dia para um lado e outro, e além disso ele
[30] tinha um argumento impressionante: “Então você não sabia que tem anjos no céu? ” E perguntou se
ela tinha vontade de ser anjo.
– Não.
– Que é que você quer ser?
– Aeromoça!
[35] E começou a nos servir biscoitos; dois passageiros que estavam cochilando acordaram
assustados porque ela apertou o botão que faz descer as costas das poltronas; mas depois riram e
aceitaram os biscoitos.
– A Baía de Guanabara!
Começamos a descer. E quando o avião tocava o solo, naquele instante de leve tensão
[40] nervosa, ela se libertou do cinto e gritou alegremente:
– Agora tudo vai explodir!
E disse que queria sair primeiro porque estava com muita pressa, para ver as horas na torre
do edifício ali perto: pois já sabia ver as horas.
Não deviam ter-lhe ensinado isso. Ela já sabe tanta coisa! As horas se juntam, fazem os dias,
[45] fazem os anos, e tudo vai passando, e os anjos depois não existem mais, nem no céu, nem na terra.
BRAGA, Rubem. Neide. In: ANDRADE, Carlos Drummond et al. Para gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática, 1980. p. 40-42. Adaptado.
A crônica é um gênero textual que apresenta a interseção entre o texto jornalístico e a literatura, criando, portanto, uma narrativa que transforma em ficção elementos do cotidiano. O seu tom de leveza e a sua linguagem simples possibilitam o diálogo com o leitor. A partir dessa premissa, releia os dois últimos parágrafos (linhas 42, 43, 44 e 45) do texto “Neide” e marque a opção CORRETA.
Questão 2 419469
IFSudesteMinas 2017Leia a crônica “Neide” para responder à questão.
Neide
O céu está limpo, não há nenhuma nuvem acima de nós. O avião, entretanto, começa a dar
saltos, e temos de pôr os cintos para evitar uma cabeçada na poltrona da frente. Olho pela janela: é
que estamos sobrevoando de perto um grande tumulto de montanhas. As montanhas são belas,
cobertas de florestas; no verde-escuro há manchas de ferrugem de palmeiras, algum ouro de ipê,
[5] alguma prata de embaúba – e de súbito uma cidade linda e um rio estreito. Dizem-me que é
Petrópolis.
É fácil explicar que o vento nas montanhas faz corrente para baixo e para cima, como
também o ar é mais frio debaixo da leve nuvem. A um passageiro assustado, o comissário diz que
“isso é natural”. Mas o avião, com o tranquilo conforto imóvel com que nos faz vencer milhas em
[10] segundos, havia nos tirado o sentimento do natural. Somos hóspedes da máquina. Os motores foram
revistos, estão perfeitos, funcionam bem, e temos nossas passagens no bolso; tudo está em ordem.
Os solavancos nos lembram de que a natureza insiste em existir, e ainda nos precipita além dela,
para os reinos azuis da Metafísica. Pode o avião vencer a montanha, e desprezar as passagens
antigas que a humanidade sempre trilhou. Mas sua vitória não pode ser saboreada de perto: mesmo
[15] debaixo, a montanha ainda fez sentir que existe e à menor imprudência da máquina o gigante
vencido a sorverá de um hausto, e a destruirá. Assim a humilde lagoa, assim a pequena nuvem: a
tudo isso somos sensíveis dentro de nosso monstro de metal.
A menina disse que era mentira, que não se via anjo nenhum nas nuvens. O homem, porém,
explicou que sim, e pediu que eu confirmasse. Eu disse:
[20] – Tem anjo sim. Mas tem muito pouco. Até agora desde que saímos eu só vi um, e assim
mesmo de longe. Hoje em dia há muito poucos anjos no céu. Parece que eles se assustam com os
aviões. Nessas nuvens maiores nunca se encontra nenhum. Você deve procurar nas nuvenzinhas
pequenas, que ficam separadas uma das outras; é nelas que os anjos gostam de brincar. Eles voam
de uma para outra.
[25] A menina queria saber de que cor eram as asas dos anjos, e de que tamanho eles eram. O
homem explicou que os anjos tinham as asas da mesma cor daquele vestidinho da menina; e eram
de seu tamanho. Ela começou a duvidar novamente, mas chamamos o comissário de bordo. Ele
confirmou a existência dos anjos com a autoridade de seu ofício; era impossível duvidar da palavra
do comissário de bordo, que usa uniforme e voa todo dia para um lado e outro, e além disso ele
[30] tinha um argumento impressionante: “Então você não sabia que tem anjos no céu? ” E perguntou se
ela tinha vontade de ser anjo.
– Não.
– Que é que você quer ser?
– Aeromoça!
[35] E começou a nos servir biscoitos; dois passageiros que estavam cochilando acordaram
assustados porque ela apertou o botão que faz descer as costas das poltronas; mas depois riram e
aceitaram os biscoitos.
– A Baía de Guanabara!
Começamos a descer. E quando o avião tocava o solo, naquele instante de leve tensão
[40] nervosa, ela se libertou do cinto e gritou alegremente:
– Agora tudo vai explodir!
E disse que queria sair primeiro porque estava com muita pressa, para ver as horas na torre
do edifício ali perto: pois já sabia ver as horas.
Não deviam ter-lhe ensinado isso. Ela já sabe tanta coisa! As horas se juntam, fazem os dias,
[45] fazem os anos, e tudo vai passando, e os anjos depois não existem mais, nem no céu, nem na terra.
BRAGA, Rubem. Neide. In: ANDRADE, Carlos Drummond et al. Para gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática, 1980. p. 40-42. Adaptado.
Releia o fragmento a seguir: “Pode o avião vencer a montanha, e desprezar as passagens antigas que a humanidade sempre trilhou. Mas sua vitória não pode ser saboreada de perto: mesmo debaixo, a montanha ainda fez sentir que existe e à menor imprudência da máquina o gigante vencido a sorverá de um hausto, e a destruirá” (linhas 13, 14, 15 e 16). A figura de estilo que personifica o avião e a montanha, destinando-lhes reações típicas dos seres humanos, chama-se:
Questão 14 416053
IFAL 2017TEXTO
Família
Três meninos e duas meninas,
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.
A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
a goiabada na sobremesa de domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda noite
e a mulher que trata de tudo.
O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.
Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do Mundo. Rio de Janeiro: Record, 1999.
Assinale a alternativa falsa quanto às relações de coerência textual estabelecidas no poema.
Questão 2 415998
IFAL 2017TEXTO
“A política não é lugar pra preto vagabundo feito você!”
(Douglas Belchior)
Tenho plena consciência de que represento uma exceção. Ainda que miscigenado (fosse a pele retinta, bem sei que a vida reservaria ainda mais dificuldades), como homem negro, estudei. Alcancei o banco de uma universidade reconhecida, a PUCSP, onde me formei em História e alcei o desvalorizado, mas nem por isso menos nobre, status de professor. Trabalhador da rede pública estadual de São Paulo, nada convidativo financeiramente, mas ainda assim, digno.
Conciliar profissão a militância política foi uma opção consciente – outro privilégio para poucos. Trabalho, ganho a vida e pago minhas contas fazendo o que amo: educação, logo, política. A vida que escolhi me levou a pessoas incríveis: lideres políticos, intelectuais, atletas e artistas. Me levou a lugares impensáveis: salas acarpetadas de governos, viagens para debates, palestras e atividades políticas das mais diversas em quase todos os estados brasileiros e até nos EUA. Em todos esses espaços, tanto em momentos de conflito com adversários, quanto em momentos de elaboração e confraternização com os meus da “esquerda”, uma coisa nunca mudou: sou um homem negro. E como um negro no país da democracia racial, sempre soube que o tratamento gentil e tolerante a mim dispensado sempre esteve condicionado a que eu soubesse o meu lugar e que não me atrevesse a sair dele.
Fui candidato a deputado federal nas eleições de 2014. Alcancei quase 12 mil votos, alcançando posição de segundo suplente à câmara federal. Como liderança política do diverso e confuso movimento negro brasileiro, me dediquei ao enfrentamento ao racismo, à denúncia do genocídio negro e à luta por direitos sociais para o povo negro, sobretudo no que diz respeito à educação e aos direitos humanos, temas em que atuo com mais profundidade. Ainda assim, sempre enfrentei olhares desconfiados, posturas desencorajadoras e a impressão de eterna dúvida quanto à minha capacidade política ou profissional. Depois da candidatura em 2014, essa impressão só aumentou. E agora finalmente transpareceu, verbalizada, em uma destas conversas de internet, na última semana: “A política não é lugar pra preto vagabundo feito você!”
Um fato é inquestionável: negros não são tolerados na política, senão como serviçais, cabos eleitorais ou, no máximo, assistentes. No campo da esquerda isso não muda. E se for mulher é ainda mais difícil. Só que desta vez consegui reverter o efeito desestimulante. Diante da cultura racista dominante na ocupação dos espaços do poder político, dou aqui a minha resposta: “Vamos enfrentar, vamos disputar e vamos vencer! Lugar de preto é onde ele quiser – inclusive na política!”
(http://negrobelchior.cartacapital.com.br/politica-nao-elugar-pra-preto-vagabundo-feito-voce/. Texto adaptado)
Quanto aos aspectos relativos ao circuito da comunicação no texto de Douglas Belchior, a única alternativa correta é:
Questão 9 399042
IFSulDeMinas 2017Observe a tirinha abaixo sobre variedades linguísticas:

Analise as afirmações:
I – A variedade linguística utilizada pelo personagem é incorreta e ele deveria fazer uso da norma padrão da língua portuguesa.
II – O preconceito linguístico configura-se por meio de julgamento depreciativo da variedade linguística utilizada por uma pessoa.
III – O personagem faz uso de uma variedade linguística caipira e isso atribui humor ao contexto.
IV – O personagem aparenta não ter tido acesso à educação formal e por isso sua maneira de falar está errada.
Assinale a alternativa CORRETA:
06
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