Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
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Questão 6 15123135
IFES 2023Leia o Texto II para responder à questão.
TEXTO II
O lobo e o cordeiro
Num límpido regato um dia
um cordeiro, sereno, bebia.
Eis que surge um lobo faminto:
— Como ousas sujar minha água?
Diz o lobo com fingida mágoa:
— Logo vais receber o castigo
por assim desafiar o perigo.
— Senhor — o cordeiro responde —,
não te zangues: não vês que me encontro
a vinte passos abaixo de ti
e, portanto, seria impossível
macular tua água daqui?
— Tu a sujas — diz o bicho feroz — ;
além disso, estou informado
que falaste de mim ano passado.
— Como poderia te ter ofendido
se não era nascido então,
e o leite materno inda bebo?
— Ora, ora, se não foste tu,
com certeza foi teu irmão.
— Não o tenho.
— Então foi alguns dos teus:
pois que nunca me deixam em paz;
Tu, teus pastores e cães;
necessária a vingança se faz.
E no fundo da floresta
Com toda tranquilidade
O lobo devora o cordeiro
Sem outra formalidade
Fontaine, Jean de La. In: Para gostar de ler: Histórias sobre ética. Seleção de textos: Marisa Lajolo. 5 ed. São Paulo: Ática, 2009.
O texto “O lobo e o cordeiro” é uma fábula, isto é, um gênero literário cujo objetivo é narrar uma história exemplar, de caráter didático e moralista, tendo como personagens animais ou objetos. Na leitura desse tipo de narrativa, é possível aprender valores e atitudes - certos ou errados, bons ou maus – a serem segui dos ou repudiados.
Ao final da leitura de uma fábula, é possível depreender a moral da história, que, no caso de “O lobo e o cordeiro”, pode ser sintetizada por:
Questão 5 15123131
IFES 2023Leia o Texto I para responder à questão.
TEXTO I
E o febrífugo não passa de um antitérmico
O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
Pois o bem jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:
— O que está escrito aqui?
— O nome do remédio.
— Sei, mas qual é o remédio?
— Você é quem tem de saber.
— Mas como vou saber, se não entendo a letra?
— Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
— Vou ver.
Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
— Não temos.
— Acabou ou está em falta?
— Está em falta.
Deixei por isso mesmo continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
— Não temos.
— Que remédio mesmo é?
— É esse que está escrito aí.
— Sei. Mas não entendo letra de médico.
— Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
— Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar. Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?”. E lá ficavam os dois, labutando.
Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.
Brandão, Ignácio de Loyola. Crônicas para se ler na escola. 2ed., Rio de Janeiro: Objetiva, 2010, p.21.
Observe, em cada alternativa seguinte, retirada do texto I, o uso da vírgula e sua respectiva justificativa de utilização. Além disso, julgue se o uso é obrigatório ou facultativo em cada caso.
I) Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. (Justificativa: separar elementos enumerados – uso facultativo)
II) Pois o bem jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou: (...). (Justificativa: separar orações coordenadas – uso obrigatório)
III) — Que letrinha, hein? (Justificativa: separar o aposto – uso obrigatório)
IV) Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje? (Separar o vocativo – uso obrigatório)
V) Hoje, médicos usam computadores. (Justificativa: separar advérbio – uso facultativo)
Estão corretos os itens:
Questão 4 15123130
IFES 2023Leia o Texto I para responder à questão.
TEXTO I
E o febrífugo não passa de um antitérmico
O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
Pois o bem jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:
— O que está escrito aqui?
— O nome do remédio.
— Sei, mas qual é o remédio?
— Você é quem tem de saber.
— Mas como vou saber, se não entendo a letra?
— Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
— Vou ver.
Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
— Não temos.
— Acabou ou está em falta?
— Está em falta.
Deixei por isso mesmo continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
— Não temos.
— Que remédio mesmo é?
— É esse que está escrito aí.
— Sei. Mas não entendo letra de médico.
— Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
— Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar. Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?”. E lá ficavam os dois, labutando.
Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.
Brandão, Ignácio de Loyola. Crônicas para se ler na escola. 2ed., Rio de Janeiro: Objetiva, 2010, p.21.
Observe o período seguinte, retirado do texto I: “Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes.” Das alternativas a seguir, assinale o item em que a conjunção grifada tem o mesmo sentido de “Aliás”, presente no trecho lido.
Questão 3 15123123
IFES 2023Leia o Texto I para responder à questão.
TEXTO I
E o febrífugo não passa de um antitérmico
O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
Pois o bem jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:
— O que está escrito aqui?
— O nome do remédio.
— Sei, mas qual é o remédio?
— Você é quem tem de saber.
— Mas como vou saber, se não entendo a letra?
— Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
— Vou ver.
Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
— Não temos.
— Acabou ou está em falta?
— Está em falta.
Deixei por isso mesmo continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
— Não temos.
— Que remédio mesmo é?
— É esse que está escrito aí.
— Sei. Mas não entendo letra de médico.
— Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
— Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar. Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?”. E lá ficavam os dois, labutando.
Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.
Brandão, Ignácio de Loyola. Crônicas para se ler na escola. 2ed., Rio de Janeiro: Objetiva, 2010, p.21.
As múltiplas atividades dos falantes no convívio da vida em sociedade favorecem a criação de palavras para atender às necessidades culturais, científicas e da comunicação de um modo geral. Chamam-se neologismos as palavras que vêm ao encontro dessas necessidades renovadoras. (...)
Os neologismos ou criações novas penetram na língua por diversos caminhos. O primeiro deles é mediante os elementos (palavras, prefixos, sufixos) já existentes no idioma, quer no significado usual, quer por mudança de significado, o que já é um modo de revitalizar o léxico da língua.
Entre os processos formais temos a composição e a derivação (prefixal e sufixal). Outra fonte de revitalização lexical são os empréstimos, isto é, palavras e elementos gramaticais tomados ou traduzidos de outra comunidade linguística (...)”
Bechara, Evanildo. Gramática Escolar da Língua Portuguesa. Rio de janeiro: Nova Fronteira, 2010.
Baseando-se no texto acima, de Evanildo Bechara, no texto I e nos seus conhecimentos linguísticos, marque a alternativa incorreta.
Questão 2 15123115
IFES 2023Leia o Texto I para responder à questão.
TEXTO I
E o febrífugo não passa de um antitérmico
O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
Pois o bem jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:
— O que está escrito aqui?
— O nome do remédio.
— Sei, mas qual é o remédio?
— Você é quem tem de saber.
— Mas como vou saber, se não entendo a letra?
— Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
— Vou ver.
Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
— Não temos.
— Acabou ou está em falta?
— Está em falta.
Deixei por isso mesmo continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
— Não temos.
— Que remédio mesmo é?
— É esse que está escrito aí.
— Sei. Mas não entendo letra de médico.
— Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
— Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar. Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?”. E lá ficavam os dois, labutando.
Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.
Brandão, Ignácio de Loyola. Crônicas para se ler na escola. 2ed., Rio de Janeiro: Objetiva, 2010, p.21.
Leia o texto seguinte.

Em 27 de setembro de 1822, o estudioso francês Jean-François Champollion (1790-1832), então com 32 anos de idade, apresentou perante a Academia de Paris sua descoberta: a decifração dos hieróglifos egípcios. Ele dedicou sua vida a esse trabalho, desde os 12 anos de idade quando viu, pela primeira vez, a Pedra de Roseta trazida do Egito pela expedição de Napoleão Bonaparte, em 1802.
Os antigos egípcios utilizavam três escritas diferentes. Champollion demonstrou a relação entre elas: a escrita hieroglífica era mais antiga, a hierática era uma forma mais simples e abreviada do hieróglifo, e o demótico era uma versão posterior e mais simplificado do hierático.
Em 1822, Champollion concluía: “a escrita hieroglífica é um sistema complexo, uma escrita figurativa, simbólica e fonética em um mesmo texto, em uma mesma frase e, devo dizer, em uma mesma palavra”. Champollion é considerado o “pai da Egiptologia”.
https://ensinarhistoria.com.br/linha-do-tempo/decifracao-dos-hieroglifos-egipcios-por-champollion/ Acessado em 18/08/2023.
Considerando a leitura do texto acima e da crônica E o febrífugo não passa de um antitérmico, afirma-se que o termo “champolions” no texto I tem como sinônimos as seguintes expressões, com exceção de
Questão 1 15122472
IFES 2023Leia o Texto I para responder à questão.
TEXTO I
E o febrífugo não passa de um antitérmico
O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
Pois o bem jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:
— O que está escrito aqui?
— O nome do remédio.
— Sei, mas qual é o remédio?
— Você é quem tem de saber.
— Mas como vou saber, se não entendo a letra?
— Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
— Vou ver.
Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
— Não temos.
— Acabou ou está em falta?
— Está em falta.
Deixei por isso mesmo continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
— Não temos.
— Que remédio mesmo é?
— É esse que está escrito aí.
— Sei. Mas não entendo letra de médico.
— Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
— Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar. Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?”. E lá ficavam os dois, labutando.
Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.
Brandão, Ignácio de Loyola. Crônicas para se ler na escola. 2ed., Rio de Janeiro: Objetiva, 2010, p.21.
Leia o trecho a seguir e, em seguida, faça o que se pede.
“A leitura é uma atividade na qual se leva em conta as experiências e os conhecimentos do leitor; a leitura de um texto exige do leitor bem mais que o conhecimento do código linguístico (...).”
KOCH, Ingedore. Ler e compreender os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2010.
Considerando que o sentido do texto é construído na relação entre texto e sujeito, julgue os itens abaixo como verdadeiros ou falsos em relação à crônica E o febrífugo não passa de um antitérmico.
I) O modelo de farmácia popularmente difundido no Brasil, atualmente, é embasado no padrão americano, havendo uma diversidade de produtos disponíveis, para além dos medicamentos.
II) No trecho “E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário.”, pode-se afirmar que o adjetivo “pobre” refere-se à condição econômica do farmacêutico.
III) Na frase “Mas, era batata, não falhava.”, é possível compreender que o termo “batata” trata-se, literalmente, do tubérculo, evidenciando o uso de linguagem puramente denotativa.
IV) É perceptível, no período a seguir, “Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?”, que a professora está avaliando negativamente a letra do estudante.
V) Entende-se que “castas” significa grupos, classes, na oração: “Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo (...)”.
São verdadeiros os itens:
06
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