Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 33 294453
IFRS 2018INSTRUÇÃO: Para responder à questão, considere o texto abaixo.
O outro
[01] Ele queria muito ser eleito. Não: ele precisava muito ser eleito. Estava atrás de um emprego
[02] que lhe desse um bom salário, mordomias e verbas para gastar na contratação de assessores –
[03] além, claro, das múltiplas oportunidades que, como vereador, teria.
[04] O problema era arrumar votos. Não tinha amigos, não era conhecido, nem sequer recebera um
[05] apelido pitoresco que pudesse usar na propaganda. Mas o pior não era isso. O pior que combinava
[06] um visual péssimo – baixinho, gordinho, careca – com uma congênita inabilidade para falar em
[07] público. Em desespero, resolveu procurar um marqueteiro. Estava disposto a gastar uma boa gran
[08] desde que pudesse adquirir uma nova imagem, uma imagem capaz de garantir a eleição.
[09] O marqueteiro, famoso, exigiu honorários salgados, mas garantiu resultados. Que, de fato, não
[10] se fizeram esperar. Em poucas semanas o candidato era outro. Mais magro, mais alto (saltos
[11] especiais) com uma bela peruca, parecia agora um galã de novela. Além disso, transformara-se num
[12] fantástico orador, um orador capaz de galvanizar o público com uma única frase.
[13] Se foi eleito? Foi eleito com uma avalanche de votos. O que representou um duplo alívio: de
[14] um lado, conquistava o cargo tão sonhado. De outro, podia deixar de lado a peruca, os sapatos com
[15] saltos especiais e a dieta. E também podia falar normalmente, no tom meio fanhoso que o
[16] caracterizava.
[17] E aí começaram as surpresas desagradáveis. Quando foi tomar posse, ninguém o reconheceu.
[18] Mas como? Então era aquele tipo charmoso, magnético, da tevê e dos cartazes? Era ele sim, como o
[19] comprovou, mostrando a identidade.
[20] Não foi a única contrariedade. Logo descobriu que, como vereador, era péssimo: não sabia
[21] falar, não convencia ninguém, sequer era procurado por lobistas. Bom mesmo, concluiu c
[22] amargura, era o Outro, aquele que o marqueteiro tinha inventado. Aquele sim, podia fazer uma
[23] grande carreira, chegando quem sabe à Presidência.
[24] Mas onde estava o Outro? Só uma pessoa poderia ajudá-lo nessa busca, o marqueteiro. Só
[25] que o marqueteiro tinha sumido. Com o dinheiro ganho nas eleições resolvera passar dois anos em
[26] alguma praia do Caribe
[27] Todas as noites o vereador sonha com o Outro. Vê-o na Câmara, discursando, empolgan
[28] multidões. Mas não sabe o que fazer para encontrá-lo. Sabe, sim, o que dirá se isso um dia
[29] acontecer. E o que dirá, numa voz fanhosa e emocionada, será: o senhor pode contar com meu voto
[30] – para sempre.
In: SCLIAR, Moacyr. O imaginário cotidiano. São Paulo: Gaia, 2006.
Em algumas passagens, o texto apresenta uma linguagem de caráter coloquial. Assinale a alternativa que contém duas palavras ou expressões que cumprem essa função no texto.
Questão 32 294451
IFRS 2018INSTRUÇÃO: Para responder à questão, considere o texto abaixo.
O outro
[01] Ele queria muito ser eleito. Não: ele precisava muito ser eleito. Estava atrás de um emprego
[02] que lhe desse um bom salário, mordomias e verbas para gastar na contratação de assessores –
[03] além, claro, das múltiplas oportunidades que, como vereador, teria.
[04] O problema era arrumar votos. Não tinha amigos, não era conhecido, nem sequer recebera um
[05] apelido pitoresco que pudesse usar na propaganda. Mas o pior não era isso. O pior que combinava
[06] um visual péssimo – baixinho, gordinho, careca – com uma congênita inabilidade para falar em
[07] público. Em desespero, resolveu procurar um marqueteiro. Estava disposto a gastar uma boa gran
[08] desde que pudesse adquirir uma nova imagem, uma imagem capaz de garantir a eleição.
[09] O marqueteiro, famoso, exigiu honorários salgados, mas garantiu resultados. Que, de fato, não
[10] se fizeram esperar. Em poucas semanas o candidato era outro. Mais magro, mais alto (saltos
[11] especiais) com uma bela peruca, parecia agora um galã de novela. Além disso, transformara-se num
[12] fantástico orador, um orador capaz de galvanizar o público com uma única frase.
[13] Se foi eleito? Foi eleito com uma avalanche de votos. O que representou um duplo alívio: de
[14] um lado, conquistava o cargo tão sonhado. De outro, podia deixar de lado a peruca, os sapatos com
[15] saltos especiais e a dieta. E também podia falar normalmente, no tom meio fanhoso que o
[16] caracterizava.
[17] E aí começaram as surpresas desagradáveis. Quando foi tomar posse, ninguém o reconheceu.
[18] Mas como? Então era aquele tipo charmoso, magnético, da tevê e dos cartazes? Era ele sim, como o
[19] comprovou, mostrando a identidade.
[20] Não foi a única contrariedade. Logo descobriu que, como vereador, era péssimo: não sabia
[21] falar, não convencia ninguém, sequer era procurado por lobistas. Bom mesmo, concluiu c
[22] amargura, era o Outro, aquele que o marqueteiro tinha inventado. Aquele sim, podia fazer uma
[23] grande carreira, chegando quem sabe à Presidência.
[24] Mas onde estava o Outro? Só uma pessoa poderia ajudá-lo nessa busca, o marqueteiro. Só
[25] que o marqueteiro tinha sumido. Com o dinheiro ganho nas eleições resolvera passar dois anos em
[26] alguma praia do Caribe
[27] Todas as noites o vereador sonha com o Outro. Vê-o na Câmara, discursando, empolgan
[28] multidões. Mas não sabe o que fazer para encontrá-lo. Sabe, sim, o que dirá se isso um dia
[29] acontecer. E o que dirá, numa voz fanhosa e emocionada, será: o senhor pode contar com meu voto
[30] – para sempre.
In: SCLIAR, Moacyr. O imaginário cotidiano. São Paulo: Gaia, 2006.
Considere as seguintes propostas de substituição de palavras do texto.
I - “pitoresco” (l. 05) por “famoso”.
II - “congênita” (l. 06) por “inata”.
III - “contrariedade” (l. 20) por “dificuldade”.
Quais propostas estão corretas e são contextualmente adequadas?
Questão 23 257664
IFS 2018/1Observe a charge abaixo

Disponível em: www.ivancabral.com. Acesso em: 21 ago. 2017.
A charge ilustra uma importante característica do mundo atual:
Questão 10 257621
IFS 2018/1A frase em que o acento grave indica corretamente a ocorrência da crase, é:
Questão 6 257603
IFS 2018/1A questão refere-se ao texto abaixo que foi retirado da leitura obrigatória do livro Mau Começo – Lemony Snicket – editora Companhia das Letras, 2001, p. 66-67.
“É muito útil, quando se é jovem, saber a diferença entre “literal” e “figurado”. Se alguma coisa acontece no sentido literal, acontece de verdade; se acontece no sentido figurado, dá a impressão de estar acontecendo. (...). Os órfãos Baudelaire percorreram o caminho de volta para a casa do conde Olaf e pararam na casa vizinha, da juíza Strauss, que os fez entrar de maneira acolhedora e deixou que escolhessem livros da biblioteca. Violet escolheu vários que tratavam de invenções mecânicas, Klaus se abasteceu de diversos volumes sobre lobos, e Sunny descobriu um livro com muitas figuras de dentes. Em seguida, foram para o seu quarto e se acotovelaram na cama única, lendo com atenção e na maior felicidade. Figuradamente, eles escaparam ao conde Olaf e a sua existência miserável. Não escaparam literalmente, porque continuavam na casa dele e vulneráveis aos seus maléficos procedimentos in loco parentis. Mas ao mergulhar nos seus temas de leitura preferidos, sentiam-se bem longe do seu sufoco, como se tivessem escapado. É claro que considerando a questão do ângulo de sua situação real, escapar figuradamente não era o bastante, mas, no fim de um dia cansativo e desanimador, era a solução possível. Violet, Klaus e Sunny leram seus livros e mantiveram bem acesa, no fundo, no fundo, a esperança de que em breve sua fuga figurada acabaria se transformando numa fuga literal”
Quanto ao tipo de narrador do texto, podemos afirmar que:
Questão 3 257595
IFS 2018/1A questão refere-se ao texto abaixo que foi retirado da leitura obrigatória do livro Mau Começo – Lemony Snicket – editora Companhia das Letras, 2001, p. 66-67.
“É muito útil, quando se é jovem, saber a diferença entre “literal” e “figurado”. Se alguma coisa acontece no sentido literal, acontece de verdade; se acontece no sentido figurado, dá a impressão de estar acontecendo. (...). Os órfãos Baudelaire percorreram o caminho de volta para a casa do conde Olaf e pararam na casa vizinha, da juíza Strauss, que os fez entrar de maneira acolhedora e deixou que escolhessem livros da biblioteca. Violet escolheu vários que tratavam de invenções mecânicas, Klaus se abasteceu de diversos volumes sobre lobos, e Sunny descobriu um livro com muitas figuras de dentes. Em seguida, foram para o seu quarto e se acotovelaram na cama única, lendo com atenção e na maior felicidade. Figuradamente, eles escaparam ao conde Olaf e a sua existência miserável. Não escaparam literalmente, porque continuavam na casa dele e vulneráveis aos seus maléficos procedimentos in loco parentis. Mas ao mergulhar nos seus temas de leitura preferidos, sentiam-se bem longe do seu sufoco, como se tivessem escapado. É claro que considerando a questão do ângulo de sua situação real, escapar figuradamente não era o bastante, mas, no fim de um dia cansativo e desanimador, era a solução possível. Violet, Klaus e Sunny leram seus livros e mantiveram bem acesa, no fundo, no fundo, a esperança de que em breve sua fuga figurada acabaria se transformando numa fuga literal”
Assinale a função da linguagem predominante no seguinte trecho:
“É muito útil, quando se é jovem, saber a diferença entre “literal” e “figurado”. Se alguma coisa acontece no sentido literal, acontece de verdade; se acontece no sentido figurado, dá a impressão de estar acontecendo”.
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)