Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 1 295817
IFRJ 2018Leia o texto a seguir e responda à questão.
Inquilinos
Ninguém é responsável pelo funcionamento do mundo. Nenhum de nós precisa acordar cedo para
acender as caldeiras e checar se a Terra está girando em torno do seu próprio eixo na velocidade apropriada, e
em torno do Sol de modo a garantir a correta sucessão das estações. Como num prédio bem administrado, os
serviços básicos do planeta são providenciados sem que se enxergue o síndico – e sem taxa de administração.
[5] Imagine se coubesse à humanidade, com sua conhecida tendência ao desleixo e à improvisação, manter a
Terra na sua órbita e nos seus horários, ou se – coroando o mais delirante dos sonhos liberais – sua gerência
fosse entregue a uma empresa privada, com poderes para remanejar os ventos e suprimir correntes marítimas,
encurtar ou alongar dias e noites e até mudar de galáxia, conforme as conveniências de mercado, e ainda por
cima sujeita a decisões catastróficas, fraudes e falência.
[10] É verdade que, mesmo sob o atual regime impessoal, o mundo apresenta falhas na distribuição dos
seus benefícios, favorecendo alguns andares do prédio metafórico e martirizando outros, tudo devido ao que
só pode ser chamado de incompetência administrativa. Mas a responsabilidade não é nossa. A infraestrutura já
estava pronta quando nós chegamos. Apesar de tentativas como a construção de grandes obras que afetam o
clima e redistribuem as águas, há pouco que podemos fazer para alterar as regras do seu funcionamento.
[15] Podemos, isto sim, é colaborar na manutenção da Terra. Todos os argumentos conservacionistas e
ambientalistas teriam mais força se conseguissem nos convencer de que somos inquilinos no mundo. E que
temos as mesmas obrigações de qualquer inquilino, inclusive a de prestar contas por cada arranhão no fim do
contrato. A escatologia cristã deveria substituir o Salvador que virá pela segunda vez para nos julgar por um
Proprietário que chegará para retomar seu imóvel. E o Juízo Final, por um cuidadoso inventário em que todos
[20] os estragos que fizemos no mundo seriam contabilizados e cobrados.
– Cadê a floresta que estava aqui? – perguntaria o Proprietário.
– Valia uma fortuna.
E:
– Este rio não está como eu deixei…
[25] E, depois de uma contagem minuciosa:
– Estão faltando cento e dezessete espécies.
A Humanidade poderia tentar negociar. Apontar as benfeitorias – monumentos, parques, áreas férteis onde
outrora existiam desertos – para compensar a devastação. O Proprietário não se impressionaria.
– Para o que eu quero o Taj Mahal? Sete Quedas era muito mais bonita.
[30] – E a catedral de Chartres? Fomos nós que construímos. Aumentou o valor do terreno em…
– Fiquem com todas as suas catedrais, represas, cidades e shoppings. Quero o mundo como eu o entreguei.
Não precisamos de uma mentalidade ecológica. Precisamos de uma mentalidade de locadores. E do terror da
indenização.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. O mundo é bárbaro e o que nós temos a ver com isso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. P 19-20
Vocabulário:
Salvador: um dos nomes de Jesus que, segundo a teologia cristã, veio ao mundo para salvar a humanidade.
Juízo Final: dia em que, segundo a teologia cristã, Jesus voltará para julgar as ações de toda a humanidade.
Inventário: descrição do patrimônio de pessoa falecida para que se partilhe os bens entre os herdeiros.
Inquilino: locatário. Residente de imóvel alugado.
Escatologia: doutrina que trata do destino final do homem e do mundo.
O texto de Luís Fernando Veríssimo busca conscientizar o leitor para a importância da preservação dos bens naturais. Para tal, ele se utiliza:
Questão 10 295719
IFRR 2018Para responder à questão, leia a charge abaixo:

Sobre a interpretação e o contexto da tirinha, é possível afirmar que:
Questão 9 295718
IFRR 2018Para responder à questão, leia a charge abaixo:

A palavra polissemia refere-se à multiplicidade de sentidos de uma palavra ou locução.
Tal fenômeno pode ser observado na tirinha acima, no trecho:
Questão 7 295704
IFRR 2018Para responder à questão leia o fragmento da obra O rapto do garoto de ouro, de Marcos Rey, que segue:
Algumas bolas de assoprar; no limite de sua resistência, boiavam pelo salão numa festiva multiplicidade de cores. E sobre as mesas, Jaime, o organizador, mandara colocar pequenos jarros com rosas, cravos e margaridas. Tudo preparado para a festa, inclusive os discursos e a comida, só faltando a aguardada chegada do jovem mais popular e querido do bairro.
– Todos os ídolos gostam de se fazer esperar – respondeu Gino bem acomodado em sua cadeira de rodas. – São como noivas.
Ângela, porém, ainda mais bonita naquela noite, com sua japona dourada, perdia a paciência que Gino conservava, condenando a todo instante a demora de Alfredo.
– Ele está dando uma de importante – dizia. – O sucesso deve lhe ter subido à cabeça. É o que sempre acontece com artistas.
A ansiedade já era perceptível em todas as mesas, cujos ocupantes se mexiam, impacientes, ou se levantavam, circulando pelo salão. Os rapazes do conjunto de rock afinavam os instrumentos, para preencher o tempo, e Lucas Lazzari acendia mais um charuto. Mas a família do Garoto de Ouro, na mesa principal, era a mais preocupada, tanto que o pai dele, seu Domingos, deixou a cadeira, irritado, e aproximou-se de Leo.
– Faça-me um favor – pediu. – Parece que Alfredo esqueceu a festa. Dê um pulo até minha casa.
Leo pôs-se de pé imediatamente.
– Pode deixar, seu Domingos. Estava pensando em fazer isso mesmo. Volto num instante.
O que era para Leo uma tarefa tornou-se um prazer quando Ângela também se levantou, prontificando-se a acompanhá-lo.
– Vou com você – disse. – Já me cansei de ficar sentada.
Gino, que nunca perdia um lance, sorriu para o primo, ciente de que a ideia de Angela lhe dava enorme satisfação. E não desfez o sorriso enquanto os dois não saíram da cantina.
Na frase São como noivas e pelo contexto, é possível afirmar que:
Questão 37 294457
IFRS 2018INSTRUÇÃO: Para responder à questão, considere o texto abaixo.
Calúnias
[01] Pelo que dizem por aí, o homem é o lobo
[02] homem.
[03] Mas nenhum lobo jamais mata outro lobo.
[04] Eles não se dedicam, como nós, ao extermínio
[05] mútuo.
[06] Têm má fama os lobos, mas não são eles que
[07] estão transformando o mundo num imenso
[08] manicômio e num cemitério tão habitado.
In: GALEANO, Eduardo. O caçador de histórias. Porto Alegre: L&PM, 2016. p. 140.
Considere as seguintes afirmações.
I - Não é possível associar o título “Calúnias” ao conteúdo apresentado pelo texto.
II - Ao questionar o ditado “o homem é o lobo do homem”, que denota que o homem é o maior inimigo do próprio homem, o autor demonstra que considera injusta a comparação entre lobos e homens.
III - Na linha 04, o pronome “Eles” faz referência aos homens, enquanto o pronome “nós” faz referência aos lobos.
Quais podem ser consideradas corretas, de acordo com o texto?
Questão 34 294454
IFRS 2018INSTRUÇÃO: Para responder à questão, considere o texto abaixo.
O outro
[01] Ele queria muito ser eleito. Não: ele precisava muito ser eleito. Estava atrás de um emprego
[02] que lhe desse um bom salário, mordomias e verbas para gastar na contratação de assessores –
[03] além, claro, das múltiplas oportunidades que, como vereador, teria.
[04] O problema era arrumar votos. Não tinha amigos, não era conhecido, nem sequer recebera um
[05] apelido pitoresco que pudesse usar na propaganda. Mas o pior não era isso. O pior que combinava
[06] um visual péssimo – baixinho, gordinho, careca – com uma congênita inabilidade para falar em
[07] público. Em desespero, resolveu procurar um marqueteiro. Estava disposto a gastar uma boa gran
[08] desde que pudesse adquirir uma nova imagem, uma imagem capaz de garantir a eleição.
[09] O marqueteiro, famoso, exigiu honorários salgados, mas garantiu resultados. Que, de fato, não
[10] se fizeram esperar. Em poucas semanas o candidato era outro. Mais magro, mais alto (saltos
[11] especiais) com uma bela peruca, parecia agora um galã de novela. Além disso, transformara-se num
[12] fantástico orador, um orador capaz de galvanizar o público com uma única frase.
[13] Se foi eleito? Foi eleito com uma avalanche de votos. O que representou um duplo alívio: de
[14] um lado, conquistava o cargo tão sonhado. De outro, podia deixar de lado a peruca, os sapatos com
[15] saltos especiais e a dieta. E também podia falar normalmente, no tom meio fanhoso que o
[16] caracterizava.
[17] E aí começaram as surpresas desagradáveis. Quando foi tomar posse, ninguém o reconheceu.
[18] Mas como? Então era aquele tipo charmoso, magnético, da tevê e dos cartazes? Era ele sim, como o
[19] comprovou, mostrando a identidade.
[20] Não foi a única contrariedade. Logo descobriu que, como vereador, era péssimo: não sabia
[21] falar, não convencia ninguém, sequer era procurado por lobistas. Bom mesmo, concluiu c
[22] amargura, era o Outro, aquele que o marqueteiro tinha inventado. Aquele sim, podia fazer uma
[23] grande carreira, chegando quem sabe à Presidência.
[24] Mas onde estava o Outro? Só uma pessoa poderia ajudá-lo nessa busca, o marqueteiro. Só
[25] que o marqueteiro tinha sumido. Com o dinheiro ganho nas eleições resolvera passar dois anos em
[26] alguma praia do Caribe
[27] Todas as noites o vereador sonha com o Outro. Vê-o na Câmara, discursando, empolgan
[28] multidões. Mas não sabe o que fazer para encontrá-lo. Sabe, sim, o que dirá se isso um dia
[29] acontecer. E o que dirá, numa voz fanhosa e emocionada, será: o senhor pode contar com meu voto
[30] – para sempre.
In: SCLIAR, Moacyr. O imaginário cotidiano. São Paulo: Gaia, 2006.
Considere as seguintes possibilidades de reescrita para o quarto parágrafo do texto.
I - Se foi eleito? Foi eleito com uma avalanche de votos, o que representou um duplo alívio. De um lado, conquistava o cargo tão sonhado. De outro, podia deixar de lado a peruca, os sapatos com saltos especiais e a dieta. E também podia falar normalmente, no tom meio fanhoso que o caracterizava.
II - Se foi eleito? Foi eleito com uma avalanche de votos! O que representou um duplo alívio: de um lado, conquistava o cargo tão sonhado; de outro, podia deixar de lado a peruca, os sapatos com saltos especiais e a dieta. E também podia falar normalmente, no tom meio fanhoso que o caracterizava.
III - Se foi eleito? Foi eleito com uma avalanche de votos. O que representou, um duplo alívio: de um lado, conquistava o cargo tão sonhado. De outro, podia deixar de lado a peruca, os sapatos com saltos especiais e a dieta, e também podia falar normalmente, no tom meio fanhoso, que o caracterizava.
Quais estão corretas, levando-se em consideração a pontuação?
06
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