Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 4 295943
CEFET MG 2018Se as férias são o desagrado para o menino, pois são tempo para ficar em casa, sem livros, sem viagens, um ou outro domingo na casa do tio Jorge, tão pobre quanto eles, o retorno às aulas também traz pouca alegria. Não pelas aulas ou pelo estudo, que disso o menino gosta. O que lhe causa tanta aflição é a falta de criatividade das professoras que, ano após ano, solicitam sempre a mesma tarefa no primeiro dia de aula.
A professora entra na sala e (não importa que rosto tenha) apresenta- se, sorri e com uma voz de fada de primeiro dia de aula, escreve no quadro a sentença detestável: Minhas férias.
RITER, Caio. Eu e o silêncio do meu pai. São Paulo: Biruta, 2011, p.82.
Tendo em vista a situação relatada no contexto da obra, infere-se a intenção do narrador de
Questão 2 295934
CEFET MG 2018Não quer para si a família que tem, nem quer ser o pai que seu pai é. Quer ser capaz de abraços livres, quer ser capaz de se entregar ao que sente. Sempre e sempre. [...].
O garoto sabe que lá na sala o pai e a mãe o aguardam: ela ocupada com o almoço, ele [...] vendo algum programa qualquer na tevê ou varrendo o pátio. Por isso, adia levantar-se. Mas sabe que. [...]
Sente o abraço frio do pai, sente nas costas três tapinhas que se pretendem afetuosos e as palavras-conselhos-inútil:
– Juízo, hein?
RITER, Caio. Eu e o silêncio do meu pai. São Paulo: Biruta, 2011, p.84.
O termo destacado manifesta uma avaliação do narrador em relação à ação apresentada em
Questão 1 295932
CEFET MG 2018TEXTO I
Quis ser escritor. Mas nem sempre. Quem escreve, creio, tem a possibilidade de reinventar-se: no criar histórias – mesmo que de reis e de rainhas, de nuvem-bailarina, de carro de brinquedo feito de cor não apreciada – é que o escritor vai se fazendo.
RITER, Caio. Eu e o silêncio do meu pai. São Paulo: Biruta, 2011, p.33.
TEXTO II
Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado – e até gostosamente – a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo. Neste esforço a que me vou entregando, re-crio, e revivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez, 1989. p.9.
Os textos I e II têm em comum a
Questão 10 295835
IFRJ 2018Leia o texto III e responda à questão.

Disponível em: http://planetasustentavel-2011.blogspot.com.br/2011/10/charges-sobre-o-meio-ambiente.html último acesso em: 10 de outubro de 2017.
Na charge (texto III), a linguagem não verbal (a imagem) é usada pelo autor como um recurso para:
Questão 5 295827
IFRJ 2018Leia o texto a seguir e responda à questão.
Inquilinos
Ninguém é responsável pelo funcionamento do mundo. Nenhum de nós precisa acordar cedo para
acender as caldeiras e checar se a Terra está girando em torno do seu próprio eixo na velocidade apropriada, e
em torno do Sol de modo a garantir a correta sucessão das estações. Como num prédio bem administrado, os
serviços básicos do planeta são providenciados sem que se enxergue o síndico – e sem taxa de administração.
[5] Imagine se coubesse à humanidade, com sua conhecida tendência ao desleixo e à improvisação, manter a
Terra na sua órbita e nos seus horários, ou se – coroando o mais delirante dos sonhos liberais – sua gerência
fosse entregue a uma empresa privada, com poderes para remanejar os ventos e suprimir correntes marítimas,
encurtar ou alongar dias e noites e até mudar de galáxia, conforme as conveniências de mercado, e ainda por
cima sujeita a decisões catastróficas, fraudes e falência.
[10] É verdade que, mesmo sob o atual regime impessoal, o mundo apresenta falhas na distribuição dos
seus benefícios, favorecendo alguns andares do prédio metafórico e martirizando outros, tudo devido ao que
só pode ser chamado de incompetência administrativa. Mas a responsabilidade não é nossa. A infraestrutura já
estava pronta quando nós chegamos. Apesar de tentativas como a construção de grandes obras que afetam o
clima e redistribuem as águas, há pouco que podemos fazer para alterar as regras do seu funcionamento.
[15] Podemos, isto sim, é colaborar na manutenção da Terra. Todos os argumentos conservacionistas e
ambientalistas teriam mais força se conseguissem nos convencer de que somos inquilinos no mundo. E que
temos as mesmas obrigações de qualquer inquilino, inclusive a de prestar contas por cada arranhão no fim do
contrato. A escatologia cristã deveria substituir o Salvador que virá pela segunda vez para nos julgar por um
Proprietário que chegará para retomar seu imóvel. E o Juízo Final, por um cuidadoso inventário em que todos
[20] os estragos que fizemos no mundo seriam contabilizados e cobrados.
– Cadê a floresta que estava aqui? – perguntaria o Proprietário.
– Valia uma fortuna.
E:
– Este rio não está como eu deixei…
[25] E, depois de uma contagem minuciosa:
– Estão faltando cento e dezessete espécies.
A Humanidade poderia tentar negociar. Apontar as benfeitorias – monumentos, parques, áreas férteis onde
outrora existiam desertos – para compensar a devastação. O Proprietário não se impressionaria.
– Para o que eu quero o Taj Mahal? Sete Quedas era muito mais bonita.
[30] – E a catedral de Chartres? Fomos nós que construímos. Aumentou o valor do terreno em…
– Fiquem com todas as suas catedrais, represas, cidades e shoppings. Quero o mundo como eu o entreguei.
Não precisamos de uma mentalidade ecológica. Precisamos de uma mentalidade de locadores. E do terror da
indenização.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. O mundo é bárbaro e o que nós temos a ver com isso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. P 19-20
Vocabulário:
Salvador: um dos nomes de Jesus que, segundo a teologia cristã, veio ao mundo para salvar a humanidade.
Juízo Final: dia em que, segundo a teologia cristã, Jesus voltará para julgar as ações de toda a humanidade.
Inventário: descrição do patrimônio de pessoa falecida para que se partilhe os bens entre os herdeiros.
Inquilino: locatário. Residente de imóvel alugado.
Escatologia: doutrina que trata do destino final do homem e do mundo.
Em É verdade que, mesmo sob o atual regime impessoal, o mundo apresenta falhas na distribuição dos seus benefícios(...),o termo grifado faz referência à palavra:
Questão 2 295820
IFRJ 2018Leia o texto a seguir e responda à questão.
Inquilinos
Ninguém é responsável pelo funcionamento do mundo. Nenhum de nós precisa acordar cedo para
acender as caldeiras e checar se a Terra está girando em torno do seu próprio eixo na velocidade apropriada, e
em torno do Sol de modo a garantir a correta sucessão das estações. Como num prédio bem administrado, os
serviços básicos do planeta são providenciados sem que se enxergue o síndico – e sem taxa de administração.
[5] Imagine se coubesse à humanidade, com sua conhecida tendência ao desleixo e à improvisação, manter a
Terra na sua órbita e nos seus horários, ou se – coroando o mais delirante dos sonhos liberais – sua gerência
fosse entregue a uma empresa privada, com poderes para remanejar os ventos e suprimir correntes marítimas,
encurtar ou alongar dias e noites e até mudar de galáxia, conforme as conveniências de mercado, e ainda por
cima sujeita a decisões catastróficas, fraudes e falência.
[10] É verdade que, mesmo sob o atual regime impessoal, o mundo apresenta falhas na distribuição dos
seus benefícios, favorecendo alguns andares do prédio metafórico e martirizando outros, tudo devido ao que
só pode ser chamado de incompetência administrativa. Mas a responsabilidade não é nossa. A infraestrutura já
estava pronta quando nós chegamos. Apesar de tentativas como a construção de grandes obras que afetam o
clima e redistribuem as águas, há pouco que podemos fazer para alterar as regras do seu funcionamento.
[15] Podemos, isto sim, é colaborar na manutenção da Terra. Todos os argumentos conservacionistas e
ambientalistas teriam mais força se conseguissem nos convencer de que somos inquilinos no mundo. E que
temos as mesmas obrigações de qualquer inquilino, inclusive a de prestar contas por cada arranhão no fim do
contrato. A escatologia cristã deveria substituir o Salvador que virá pela segunda vez para nos julgar por um
Proprietário que chegará para retomar seu imóvel. E o Juízo Final, por um cuidadoso inventário em que todos
[20] os estragos que fizemos no mundo seriam contabilizados e cobrados.
– Cadê a floresta que estava aqui? – perguntaria o Proprietário.
– Valia uma fortuna.
E:
– Este rio não está como eu deixei…
[25] E, depois de uma contagem minuciosa:
– Estão faltando cento e dezessete espécies.
A Humanidade poderia tentar negociar. Apontar as benfeitorias – monumentos, parques, áreas férteis onde
outrora existiam desertos – para compensar a devastação. O Proprietário não se impressionaria.
– Para o que eu quero o Taj Mahal? Sete Quedas era muito mais bonita.
[30] – E a catedral de Chartres? Fomos nós que construímos. Aumentou o valor do terreno em…
– Fiquem com todas as suas catedrais, represas, cidades e shoppings. Quero o mundo como eu o entreguei.
Não precisamos de uma mentalidade ecológica. Precisamos de uma mentalidade de locadores. E do terror da
indenização.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. O mundo é bárbaro e o que nós temos a ver com isso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. P 19-20
Vocabulário:
Salvador: um dos nomes de Jesus que, segundo a teologia cristã, veio ao mundo para salvar a humanidade.
Juízo Final: dia em que, segundo a teologia cristã, Jesus voltará para julgar as ações de toda a humanidade.
Inventário: descrição do patrimônio de pessoa falecida para que se partilhe os bens entre os herdeiros.
Inquilino: locatário. Residente de imóvel alugado.
Escatologia: doutrina que trata do destino final do homem e do mundo.
Metáfora é o recurso expressivo que compara palavras de diferentes campos do sentido sem o auxílio de um conectivo.
Esse recurso ocorre em:
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