Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 10 306361
SESC 2018TEXTO IV
EU, ETIQUETA
Carlos Drummond de Andrade
Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
..................................................................
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
[5] minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
[10] são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
[15] indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
[20] seja negar minha identidade,
troca-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
[25] eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
[30] Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
[35] de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
[40] e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
[45] Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias* tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam
e cada gesto, cada olhar,
[50] cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
[55] da vitrine me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
[60] de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.
ANDRADE, C. D. Poesia Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.
* Idissincrasia: disposição, peculiaridade, natureza.
“Eu é que mimosamente pago / para anunciar, para vender” (versos 37-38)
Assinale a figura de linguagem presente nos versos:
Questão 8 306327
SESC 2018TEXTO IV
EU, ETIQUETA
Carlos Drummond de Andrade
Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
..................................................................
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
[5] minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
[10] são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
[15] indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
[20] seja negar minha identidade,
troca-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
[25] eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
[30] Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
[35] de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
[40] e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
[45] Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias* tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam
e cada gesto, cada olhar,
[50] cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
[55] da vitrine me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
[60] de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.
ANDRADE, C. D. Poesia Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.
* Idissincrasia: disposição, peculiaridade, natureza.
O sentimento do eu lírico em relação ao consumo é de:
Questão 7 306326
SESC 2018TEXTO lIl
HOWTOONS: QUADRINHOS PARA A PRÓXIMA GERAÇÃO MAKER
A nova série em quadrinhos que apresenta para as crianças o universo maker de forma simples e inserida em seu cotidiano

Em 360 páginas de descobertas, HOWTOONS: Ferramentas de Construção em Massa (tradução livre) apresenta para as crianças o universo maker de forma simples e inserida em seu cotidiano. O livro, co-criado por Saul Griffith, Joost Bonsen, Nick Dragotta e Ingrid Dragotta, apresenta o mundo de Celine e Tucker, irmãos corn espirito maker, que usam objetos do dia a dia para construur brinquedos, ensinando ciência na vida real e princípios de engenharia.
Diferente do entretenimento em massa, sem viés educacional, as histórias do Howtoons são criadas para encorajar as crianças a descobrirem o mundo por brincadeiras que importam, com diversão, criatividade e protagonismo, transformando o interesse dos pequenos em ação.
O livro estimula as crianças a criarem materiais, com conhecimento das ferramentas e do processo de criação. Na história os irmãos fazem uso de itens esquecidos no canto de sua garagem, encontrados em lojas de ferramentas, ou até mesmo no lixo, para criarem suas próprias aventuras. Aprendem a construir balanços em árvores, criam sua própria oficina, fazem sorvete sem freezer, constroem e lançam foguetes caseiros e muito mais.
HOWTOONS é o livro para a próxima geração de exploradores e makers. “Precisamos que a nova geração seja capaz de criar seu próprio mundo”, dizem os criadores na introdução.
Inédita no Brasil, a publicação e algumas sequências em revista em quadrinhos estão disponíveis no site da Image Comics.
Fonte: http:/lwwwexperímentoría.com.br/quadrinhos-maker/texto adaptado
No TEXTO III, a linguagem conotativa está presente em:
Questão 6 306325
SESC 2018TEXTO lIl
HOWTOONS: QUADRINHOS PARA A PRÓXIMA GERAÇÃO MAKER
A nova série em quadrinhos que apresenta para as crianças o universo maker de forma simples e inserida em seu cotidiano

Em 360 páginas de descobertas, HOWTOONS: Ferramentas de Construção em Massa (tradução livre) apresenta para as crianças o universo maker de forma simples e inserida em seu cotidiano. O livro, co-criado por Saul Griffith, Joost Bonsen, Nick Dragotta e Ingrid Dragotta, apresenta o mundo de Celine e Tucker, irmãos corn espirito maker, que usam objetos do dia a dia para construur brinquedos, ensinando ciência na vida real e princípios de engenharia.
Diferente do entretenimento em massa, sem viés educacional, as histórias do Howtoons são criadas para encorajar as crianças a descobrirem o mundo por brincadeiras que importam, com diversão, criatividade e protagonismo, transformando o interesse dos pequenos em ação.
O livro estimula as crianças a criarem materiais, com conhecimento das ferramentas e do processo de criação. Na história os irmãos fazem uso de itens esquecidos no canto de sua garagem, encontrados em lojas de ferramentas, ou até mesmo no lixo, para criarem suas próprias aventuras. Aprendem a construir balanços em árvores, criam sua própria oficina, fazem sorvete sem freezer, constroem e lançam foguetes caseiros e muito mais.
HOWTOONS é o livro para a próxima geração de exploradores e makers. “Precisamos que a nova geração seja capaz de criar seu próprio mundo”, dizem os criadores na introdução.
Inédita no Brasil, a publicação e algumas sequências em revista em quadrinhos estão disponíveis no site da Image Comics.
Fonte: http:/lwwwexperímentoría.com.br/quadrinhos-maker/texto adaptado
Em relação à linguagem utilizada no TEXTO lll, pode-se afirmar que
Questão 46 305346
ETEC 2018/2Leia o texto para responder à questão.
“O punk sempre teve essa consciência do ‘faça você mesmo’, que vai contra a lógica burguesa de consumir, que é &#%!, sabe?”, explicou João Gordo, vocalista da banda Ratos de Porão, ressaltando que sua preocupação com o meio ambiente não nasceu ontem. “São Paulo hoje parece com aquele livro do Ignácio de Loyola Brandão! Sem paranoia nenhuma nisso, cara”, afirmou, referindo-se a um de seus romances favoritos, Não Verás País Nenhum, de 1981, no qual o autor apresenta um futuro distópico* para o país, com surtos de doenças estranhas que ninguém entende, água e ar poluídos, congestionamentos infinitos e mudanças climáticas assassinas. “E já não é assim mesmo? Um retrato do que já é a realidade do desmatamento, das pessoas se alimentando de comidas artificiais cheias de aditivos químicos (...)?”
(...) O apresentador e sua mulher também têm se interessado pelo “freeganismo”, filosofia que vem da junção das palavras em inglês free e vegan. Os “freeganos”, avessos ao desperdício, costumam reaproveitar e consumir alimentos que foram ou serão descartados por restaurantes e supermercados. “A Vivi é bem mais radical. Ela e a mãe às vezes vão ao Ceagesp para pegar frutas, verduras e coisas do tipo que, embora estejam boas, não foram compradas e os vendedores preferem jogar no lixo antes mesmo de estragar – porque os caminhões refrigerados são caros e o preço para armazenar não compensa.”
Júlio Lamas. Punk Verde.
*Distópico: relativo à distopia**.
**Distopia: qualquer representação ou descrição de uma organização social futura caracterizada por condições de vida insuportáveis, com o objetivo de criticar tendências da sociedade atual, ou parodiar utopias, alertando para os seus perigos.
Antonio Houaiss e Mauro de Salles Villar. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
O texto constrói uma relação entre o movimento Punk e o “Freeganismo”.
Essa relação se estabelece por meio de
Questão 41 305339
ETEC 2018/2A Corporate Knights, publicação canadense especializada em responsabilidade social e desenvolvimento sustentável, divulgou, em janeiro de 2018, sua tradicional lista The Global 100, que contempla as 100 empresas com as melhores práticas de sustentabilidade corporativa no mundo.
O levantamento foi criado em 2005 e é anunciado, anualmente, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. A publicação seleciona empresas de todos os setores com base em indicadores como energia, emissões de carbono, consumo de água, resíduos sólidos, capacidade de inovação, pagamentos de impostos, relação entre o salário médio do trabalhador e o do CEO, planos de previdência corporativos e percentual de mulheres na gestão.
Cinco companhias brasileiras integram a nova edição do ranking, um aumento em relação ao ano passado quando apenas duas figuravam no levantamento.
<https://tinyurl.com/y7c3u555> Acesso em: 09.04.2018. Adaptado.
Baseando-se no texto, é possível afirmar corretamente que
06
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