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Questão 8364256
FATEC FATEC 2014 2 FaseU Gerais 2014O futebol repete a vida
Tostão
(Colunista da Folha)
Há muitas analogias entre o esporte e a vida. Por isso, as empresas, principalmente as americanas, adoram convidar pessoas do futebol para darem palestras aos seus funcionários e executivos. Por ter sido campeão do mundo e ser agora um cronista, recebo muitos convites. Recuso todos.
As empresas confundem as razões e as emoções do esporte com as experiências pessoais. Querem criar um manual e um perfil dos vencedores. Não existe. As experiências não se transmitem. Cada um faz do seu jeito.
Um jogo de futebol é um espetáculo, uma metáfora da vida. Estão presentes a alegria e a tristeza, a glória e o ocaso, a razão e a paixão, a ganância e a solidariedade, o invisível e o previsível, o evidente e o contraditório, o real e o simbólico, a ternura e a agressividade e outras ambivalências que fazem parte da alma humana.
Nos esportes coletivos e na vida, todos querem brilhar mais do que os outros. Muitos aprendem que só vão se destacar e melhorar de vida se participarem de um grupo ou de uma sociedade organizada, forte e solidária. Por outro lado, são os talentos individuais que iluminam o coletivo. Parece contraditório. A vida é contraditória.
O esporte é uma boa analogia entre razão e paixão. Um grande jogo precisa ter técnica e emoção. Para formarmos um grande time, é necessário talento, criatividade, disciplina tática e garra. Os grandes atletas são sábios e guerreiros. Quanto mais difícil a partida, mais Pelé vibrava em campo.
O futebol está tão próximo da brincadeira e da descontração quanto da disciplina e da seriedade. Garrincha foi barrado antes da Copa de 58 porque era considerado uma criança irresponsável. Ele mostrou que o futebol pode ser uma brincadeira séria.
Em qualquer atividade, a base da criatividade está na brincadeira com seriedade. Craques brincam com a bola; poetas e artistas brincam com as palavras, as imagens e os sons. O ideal seria brincar com a vida, com responsabilidade e sem sentimento de culpa.
Em um jogo de futebol é muito estreita a linha divisória entre a ética, a responsabilidade e a ambição e a busca pela vitória de todas as maneiras. Na emoção de uma partida, no desejo intenso de ser um campeão, muitas vezes se perdem esses limites. Aí, o atleta dribla a ética. Alguns se arrependem. Assim é também na vida.
De acordo com as informações presentes no texto, assinale a alternativa correta.Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk0405200342.htm>. Acesso em: 12 fev. 2014. (Adaptado.)
Questão 8364202
EPCAR EPCAR 2014 1 FaseU MATPOR 2014Texto II
Uma carta de Machado de Assis
Machado de Assis tinha anos quando Carolina, sua mulher, morreu em ; viveria ainda quatro anos. Joaquim Nabuco, um de seus melhores amigos, era dez anos mais moço, e correspondia-se com Machado desde a adolescência.
Rio de Janeiro, de novembro de .
Meu caro Nabuco,
Tão longe, e em outro meio, chegou-lhe a notícia da minha grande desgraça, e você expressou a sua simpatia por um telegrama. A única palavra com que lhe agradeci é a mesma que ora lhe mando, não sabendo outra que possa dizer tudo o que sinto e me acabrunha. Foi-se a melhor parte da minha vida e aqui estou só no mundo. Note que a solidão não me é enfadonha, antes me é grata, porque é um modo de viver com ela, ouvi-la, assistir aos mil cuidados que essa companheira de anos de casados tinha comigo; mas não há imaginação que não acorde, e a vigília aumenta a falta da pessoa amada. Éramos velhos, e eu contava morrer antes dela, o que seria um grande favor; primeiro, porque não acharia a ninguém que melhor me ajudasse a morrer; segundo, porque ela deixa alguns parentes que a consolariam das saudades, e eu não tenho nenhum. Os meus são amigos, e verdadeiramente são os melhores; mas a vida os dispersa, no espaço, nas preocupações do espírito e na própria carreira que a cada um cabe. Aqui me fico, por ora na mesma casa, no mesmo aposento, com os mesmos adornos seus. Tudo me lembra a minha meiga Carolina.
Como estou à beira do eterno aposento, não gastarei muito tempo em recordá-la. Irei vê-la, ela me esperará.
Não posso, caro amigo, responder agora à sua carta de 8 de outubro; recebi-a dias depois do falecimento de minha mulher, e você compreende que apenas posso falar deste fundo golpe.
Até outra e breve; então lhe direi o que convém ao assunto daquela carta que, pelo afeto e sinceridade, chegou à hora dos melhores remédios. Aceite este abraço do triste amigo velho.
Machado de Assis
Assinale a alternativa que revela o sentimento de Machado de Assis em relação à morte de sua esposa.Disponível em: http://rosebud-rose-bud.blogspot.com/2007/02/uma-carta-de-machado-de-assis.html. Acesso em: 04 maio 2013.
Questão 8364200
EPCAR EPCAR 2014 1 FaseU MATPOR 2014Texto I
Do fundo do baú
Eu tenho uma amiga que, todos os anos, me enviava um belo cartão de Natal, às vezes desenhado por ela. Este ano, em vez de cartão, chegou uma gentil mensagem eletrônica ¹². Eu entendo, ficou mais fácil. E dessa maneira, você manda para quantas pessoas quiser ¹³. Mas não há comparação entre um cartão (que você custa a jogar fora) e uma mensagem eletrônica. Isso ainda é mais verdade para essa maravilhosa forma de comunicação que é a carta. É difícil imaginar o que a carta representa na história da humanidade. Primeiro, como laço afetivo. Certo, pode-se pôr sentimento numa mensagem eletrônica . Mas ela tem um caráter menos pessoal que uma carta. Recebendo a carta, você sabia que era só para você . Que uma determinada pessoa, num cantinho do universo, sentou-se numa mesa, escolheu o papel, uma caneta, e começou a escrever para você. A emoção podia começar na caixa do correio — pelo formato do envelope, pela letra que você conhecia.
Isso pelo lado afetivo ¹¹. Havia outro, enorme: a carta como documento histórico, ou literário, ou sociológico. Aqui no Brasil, começou com a carta de Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade. Pouquíssimo tempo depois, as cartas do padre Manoel da Nóbrega prestam informações preciosas sobre um país recém-nascido.
Não há nenhuma certeza de que as pessoas vão guardar e-mails. É uma coisa mais precária e a própria pressa da vida moderna conspira contra isso. Assim, talvez deixem de se repetir coisas como :
. As cartas de São Paulo, básicas para a história do cristianismo.
. Dois conjuntos de cartas romanas: as de Cícero e as de Sêneca, que, sozinhas, garantiam um conhecimento quase íntimo de uma época grandiosa. As de Cícero, mais pictóricas, tecidas com as histórias do dia a dia. As de Sêneca, o retrato de um filósofo que foi o Montaigne dos romanos.
. As cartas de Fénelon. Esse grande bispo francês foi um incomparável diretor de consciências na França de Luís . Sua correspondência é uma combinação única de beleza literária e finura espiritual.
. As cartas de Flaubert, talvez sua obra-prima (tenho uma preciosa edição francesa em sete volumes). O caso de Flaubert é um bom exemplo. Como ele vivia isolado, totalmente dedicado aos seus (poucos) romances, a carta era o seu meio de comunicação com o mundo. Sendo ele o escritor que era, surgiram maravilhas literárias . Mas o tom é absolutamente íntimo. Não vai muito bem com a eletrônica.
. A correspondência entre Machado de Assis e Joaquim Nabuco. Este é um tesouro bem nosso. Nabuco era dez anos mais moço que Machado, e foi seu parceiro na formação e consolidação da Academia Brasileira de Letras. Para além do puramente literário, o que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo , entre dois espíritos superiores. Tem o sabor de um velho vinho do Porto.
A lista poderia ir longe. Na literatura romântica, por exemplo, as cartas de amor entre Elizabeth Barret Browing e seu futuro marido Robert Browing, todos dois grandes poetas. No século XX, as cartas que tanto enriquecem a estante kafkiana. Sem serem famosas, as cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de aprofundar o conhecimento desse grande romancista alemão .
Isto não é para ser um exercício de saudosismo ¹⁰. Cada época tem suas coisas boas — ou más. Normalmente, nesses casos, ganha-se por um lado e perde-se pelo outro. O ideal é quando se pode conservar tudo — ou quase tudo. (...)
HORTA, Luiz Paulo. O Globo. 28 dez. 2012.
Observando os trechos, numerados ordinariamente, marque a opção que traz uma afirmativa correta.
- "Primeiro, como laço afetivo."
- "... pode-se pôr sentimento numa mensagem eletrônica.”
- "Além do lado afetivo, há outro: a carta como documento histórico...”
- "Mas o tom é absolutamente íntimo."
Questão 8364197
EPCAR EPCAR 2014 1 FaseU MATPOR 2014Do fundo do baú
Eu tenho uma amiga que, todos os anos, me enviava um belo cartão de Natal, às vezes desenhado por ela. Este ano, em vez de cartão, chegou uma gentil mensagem eletrônica (12). Eu entendo, ficou mais fácil. E dessa maneira, você manda para quantas pessoas quiser (13). Mas não há comparação entre um cartão (que você custa a jogar fora) e uma mensagem eletrônica. Isso ainda é mais verdade para essa maravilhosa forma de comunicação que é a carta (08). É difícil imaginar o que a carta representa na história da humanidade. Primeiro, como laço afetivo. Certo, pode-se pôr sentimento numa mensagem eletrônica (09). Mas ela tem um caráter menos pessoal que uma carta. Recebendo a carta, você sabia que era só para você (02). Que uma determinada pessoa, num cantinho do universo, sentou-se numa mesa, escolheu o papel, uma caneta, e começou a escrever para você. A emoção podia começar na caixa do correio — pelo formato do envelope, pela letra que você conhecia.
Isso pelo lado afetivo (11). Havia outro, enorme: a carta como documento histórico, ou literário, ou sociológico. Aqui no Brasil, começou com a carta de Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade (07). Pouquíssimo tempo depois, as cartas do padre Manoel da Nóbrega prestam informações preciosas sobre um país recém-nascido.
Não há nenhuma certeza de que as pessoas vão guardar e-mails. É uma coisa mais precária e a própria pressa da vida moderna conspira contra isso. Assim, talvez deixem de se repetir coisas como (06):
1. As cartas de São Paulo, básicas para a história do cristianismo.
2. Dois conjuntos de cartas romanas: as de Cícero e as de Sêneca, que, sozinhas, garantiam um conhecimento quase íntimo de uma época grandiosa. As de Cícero, mais pictóricas, tecidas com as histórias do dia a dia. As de Sêneca, o retrato de um filósofo que foi o Montaigne dos romanos.
3. As cartas de Fénelon. Esse grande bispo francês foi um incomparável diretor de consciências na França de Luís XlV. Sua correspondência é uma combinação única de beleza literária e finura espiritual.
4. As cartas de Flaubert, talvez sua obra-prima (tenho uma preciosa edição francesa em sete volumes). O caso de Flaubert é um bom exemplo. Como ele vivia isolado, totalmente dedicado aos seus (poucos) romances, a carta era o seu meio de comunicação com o mundo. Sendo ele o escritor que era, surgiram maravilhas literárias (01). Mas o tom é absolutamente íntimo. Não vai muito bem com a eletrônica.
5. A correspondência entre Machado de Assis e Joaquim Nabuco. Este é um tesouro bem nosso. Nabuco era dez anos mais moço que Machado, e foi seu parceiro na formação e consolidação da Academia Brasileira de Letras. Para além do puramente literário, o que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo (03), entre dois espíritos superiores. Tem o sabor de um velho vinho do Porto (05).
A lista poderia ir longe. Na literatura romântica, por exemplo, as cartas de amor entre Elizabeth Barret Browing e seu futuro marido Robert Browing, todos dois grandes poetas. No século XX, as cartas que tanto enriquecem a estante kafkiana. Sem serem famosas, as cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de aprofundar o conhecimento desse grande romancista alemão (04).
Isto não é para ser um exercício de saudosismo (10). Cada época tem suas coisas boas — ou más. Normalmente, nesses casos, ganha-se por um lado e perde-se pelo outro. O ideal é quando se pode conservar tudo — ou quase tudo. (...)
HORTA, Luiz Paulo. O Globo. 28 dez. 2012.
Ao referir-se à correspondência entre Machado de Assis e Joaquim Nabuco, o locutor afirma que o diálogo nas cartas entre ambos "Tem sabor de um velho vinho do Porto. ” (05)
Essa frase assume, nesse parágrafo, a função de uma figura de linguagem denominada
Questão 8364193
EPCAR EPCAR 2014 1 FaseU MATPOR 2014Do fundo do baú
Eu tenho uma amiga que, todos os anos, me enviava um belo cartão de Natal, às vezes desenhado por ela. Este ano, em vez de cartão, chegou uma gentil mensagem eletrônica (12). Eu entendo, ficou mais fácil. E dessa maneira, você manda para quantas pessoas quiser (13). Mas não há comparação entre um cartão (que você custa a jogar fora) e uma mensagem eletrônica. Isso ainda é mais verdade para essa maravilhosa forma de comunicação que é a carta (08). É difícil imaginar o que a carta representa na história da humanidade. Primeiro, como laço afetivo. Certo, pode-se pôr sentimento numa mensagem eletrônica (09). Mas ela tem um caráter menos pessoal que uma carta. Recebendo a carta, você sabia que era só para você (02). Que uma determinada pessoa, num cantinho do universo, sentou-se numa mesa, escolheu o papel, uma caneta, e começou a escrever para você. A emoção podia começar na caixa do correio — pelo formato do envelope, pela letra que você conhecia.
Isso pelo lado afetivo (11). Havia outro, enorme: a carta como documento histórico, ou literário, ou sociológico. Aqui no Brasil, começou com a carta de Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade (07). Pouquíssimo tempo depois, as cartas do padre Manoel da Nóbrega prestam informações preciosas sobre um país recém-nascido.
Não há nenhuma certeza de que as pessoas vão guardar e-mails. É uma coisa mais precária e a própria pressa da vida moderna conspira contra isso. Assim, talvez deixem de se repetir coisas como (06):
1. As cartas de São Paulo, básicas para a história do cristianismo.
2. Dois conjuntos de cartas romanas: as de Cícero e as de Sêneca, que, sozinhas, garantiam um conhecimento quase íntimo de uma época grandiosa. As de Cícero, mais pictóricas, tecidas com as histórias do dia a dia. As de Sêneca, o retrato de um filósofo que foi o Montaigne dos romanos.
3. As cartas de Fénelon. Esse grande bispo francês foi um incomparável diretor de consciências na França de Luís XlV. Sua correspondência é uma combinação única de beleza literária e finura espiritual.
4. As cartas de Flaubert, talvez sua obra-prima (tenho uma preciosa edição francesa em sete volumes). O caso de Flaubert é um bom exemplo. Como ele vivia isolado, totalmente dedicado aos seus (poucos) romances, a carta era o seu meio de comunicação com o mundo. Sendo ele o escritor que era, surgiram maravilhas literárias (01). Mas o tom é absolutamente íntimo. Não vai muito bem com a eletrônica.
5. A correspondência entre Machado de Assis e Joaquim Nabuco. Este é um tesouro bem nosso. Nabuco era dez anos mais moço que Machado, e foi seu parceiro na formação e consolidação da Academia Brasileira de Letras. Para além do puramente literário, o que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo (03), entre dois espíritos superiores. Tem o sabor de um velho vinho do Porto (05).
A lista poderia ir longe. Na literatura romântica, por exemplo, as cartas de amor entre Elizabeth Barret Browing e seu futuro marido Robert Browing, todos dois grandes poetas. No século XX, as cartas que tanto enriquecem a estante kafkiana. Sem serem famosas, as cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de aprofundar o conhecimento desse grande romancista alemão (04).
Isto não é para ser um exercício de saudosismo (10). Cada época tem suas coisas boas — ou más. Normalmente, nesses casos, ganha-se por um lado e perde-se pelo outro. O ideal é quando se pode conservar tudo — ou quase tudo. (...)
Da fala do enunciador do texto, pode-se depreender que, para ele,HORTA, Luiz Paulo. O Globo. 28 dez. 2012.
Questão 8364192
EPCAR EPCAR 2014 1 FaseU MATPOR 2014Do fundo do baú
Eu tenho uma amiga que, todos os anos, me enviava um belo cartão de Natal, às vezes desenhado por ela. Este ano, em vez de cartão, chegou uma gentil mensagem eletrônica (12). Eu entendo, ficou mais fácil. E dessa maneira, você manda para quantas pessoas quiser (13). Mas não há comparação entre um cartão (que você custa a jogar fora) e uma mensagem eletrônica. Isso ainda é mais verdade para essa maravilhosa forma de comunicação que é a carta (08). É difícil imaginar o que a carta representa na história da humanidade. Primeiro, como laço afetivo. Certo, pode-se pôr sentimento numa mensagem eletrônica (09). Mas ela tem um caráter menos pessoal que uma carta. Recebendo a carta, você sabia que era só para você (02). Que uma determinada pessoa, num cantinho do universo, sentou-se numa mesa, escolheu o papel, uma caneta, e começou a escrever para você. A emoção podia começar na caixa do correio — pelo formato do envelope, pela letra que você conhecia.
Isso pelo lado afetivo (11). Havia outro, enorme: a carta como documento histórico, ou literário, ou sociológico. Aqui no Brasil, começou com a carta de Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade (07). Pouquíssimo tempo depois, as cartas do padre Manoel da Nóbrega prestam informações preciosas sobre um país recém-nascido.
Não há nenhuma certeza de que as pessoas vão guardar e-mails. É uma coisa mais precária e a própria pressa da vida moderna conspira contra isso. Assim, talvez deixem de se repetir coisas como (06):
1. As cartas de São Paulo, básicas para a história do cristianismo.
2. Dois conjuntos de cartas romanas: as de Cícero e as de Sêneca, que, sozinhas, garantiam um conhecimento quase íntimo de uma época grandiosa. As de Cícero, mais pictóricas, tecidas com as histórias do dia a dia. As de Sêneca, o retrato de um filósofo que foi o Montaigne dos romanos.
3. As cartas de Fénelon. Esse grande bispo francês foi um incomparável diretor de consciências na França de Luís XlV. Sua correspondência é uma combinação única de beleza literária e finura espiritual.
4. As cartas de Flaubert, talvez sua obra-prima (tenho uma preciosa edição francesa em sete volumes). O caso de Flaubert é um bom exemplo. Como ele vivia isolado, totalmente dedicado aos seus (poucos) romances, a carta era o seu meio de comunicação com o mundo. Sendo ele o escritor que era, surgiram maravilhas literárias (01). Mas o tom é absolutamente íntimo. Não vai muito bem com a eletrônica.
5. A correspondência entre Machado de Assis e Joaquim Nabuco. Este é um tesouro bem nosso. Nabuco era dez anos mais moço que Machado, e foi seu parceiro na formação e consolidação da Academia Brasileira de Letras. Para além do puramente literário, o que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo (03), entre dois espíritos superiores. Tem o sabor de um velho vinho do Porto (05).
A lista poderia ir longe. Na literatura romântica, por exemplo, as cartas de amor entre Elizabeth Barret Browing e seu futuro marido Robert Browing, todos dois grandes poetas. No século XX, as cartas que tanto enriquecem a estante kafkiana. Sem serem famosas, as cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de aprofundar o conhecimento desse grande romancista alemão (04).
Isto não é para ser um exercício de saudosismo (10). Cada época tem suas coisas boas — ou más. Normalmente, nesses casos, ganha-se por um lado e perde-se pelo outro. O ideal é quando se pode conservar tudo — ou quase tudo. (...)
A respeito do texto, pode-se afirmar queHORTA, Luiz Paulo. O Globo. 28 dez. 2012.
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